coisas da vida

um problema geracional

Não sei se vocês sabem direito, mas além de ser blogayra e heavy user de redes sociais, eu também trabalho com isso. Ou costumava trabalhar e ainda acho que vou voltar a trabalhar, então continuo pesquisando, lendo, estudando sobre o tema mesmo num hiato esquisito entre uma coisa e outra. E daí que eu, profissionalmente, adoro ver como as pessoas são criativas e quais as novas tendências, invenções, memes e posições de selfie que estão trending no momento. Gosto mesmo e já aviso aqui que tenho profunda preguiça da galera que vem com o discursinho a internet matou o português/relações sociais/relacionamentos de verdade e variantes do A Geração Y não sabe se comportar no mundo adulto. A internet é fucking foda. Lidem com isso.

A questão toda de eu começar a escrever esse texto aqui é que a Isadora amiga, Isadora moleque, Isadora pessoa física que escreve esse blog simplesmente está chocada com a evolução dos anos e não consegue acompanhar as mudanças. Ou seja: eu estou ficando velha. E a internet me ultrapassou.

Não vou escrever nenhum texto “Conheça as novas plataformas que agregam milhões de usuários” ou “O Facebook matou o email” aqui não, deusolivre. Só quero compartilhar meu sentimento (ansiedade) em relação a todas as possibilidades (ansiedade) que a maravilhosa internet apresenta pra gente todos os dias (ansiedade) e acabam me deixando sem saber direito como dar conta de tudo de lindo que acontece nesse mundão de meu deus (ansiedade).

Tipo, tem o Medium. Vocês certamente já leram um texto desses sobre a Geração Y e o cacete no Medium porque é no Medium que as pessoas escrevem textos muito cheio de opiniões e links e citações, já que escrever textão no Facebook não pega bem e é coisa de gente que quem quer dar uma opinião sobre tudo. Então, se você quer dar sua opinião sobre esse tipo de gente que quer dar opinião sobre tudo, você escreve no Medium. Naquela plataforma maravilhosa que é o equivalente a um pergaminho e caneta com bico de pena da internet: dá tesão escrever ali, cada palavra sai mais bonita, mais certeira, mais séria. E os títulos? Os títulos são aquele meio termo entre o clickbait do Catraca Livre (cês já pararam de seguir o Catraca Livre hoje, gente? façam isso, porfa) e um trocadalho digno da nova geração da literatura portuguesa. Coisa fina.

Tem também a boa e velha newsletter, que saiu do limbo perdido do irmão email marketing, e foi elevada ao posto da conexão mais íntima que eu já vi a internet proporcionar em uns bons 15 anos desse negócio louco aqui. A newsletter é o seguinte: uma pessoa escreve um textão sobre algum assunto, coloca uns gifs, coloca uns links, e te manda. Pra você. No seu email. Tem o seu nome. Você abre e tá lá: oi, Isa! (que é como eu me cadastro em todas as newsletters, claro). Oi. OI! É tipo receber o email de uma amiga. E vocês têm ideia como eu amo receber/escrever emails de amigas? É um sentimento proporcional a quanto as minhas amigas odeiam receber emails meus. Porque o whatsapp matou os emails.

Mas voltando às newsletters: desde que eu fiz a limpa no meu querido email (vocês se orgulham de ter o mesmo email adulto há, sei lá, mais de 10 anos? eu me orgulho MUITO. eu tinha também o baixinha03@hotmail.com, claro, mas o gmail sempre esteve lá, adulto, serião, todo lindo, com meu sobrenome) e bani os emails marketing de lojas, inscrições em grupos de uma vida passada e todo tipo de lixo que eu lia todo dia – atenção, eu lia! ou ao menos, perdia tempo deletando todo-santo-dia – dei espaço e fiquei de coração e gmail abertos para receber cartas das amigas semanalmente diretamente na minha caixa de entrada.

Se isso não é amor, eu não sei mais o que é.

Anna Vitória fez um post muito bacana explicando quem são, onde vivem e como se reproduzem as newsletters de 2016, além de indicar um monte de assinaturas legais pra gente receber em nossas caixas de entradas. Eu também indico a da Fê Canna, cheia de reflexões legais pra gente levar uma vida mais simples.

Você vai fazer uma newsletter, Isa? Isa, cadê seu Medium? Num tem não, migas. Eu nunca mudei pro Medium porque, de textão, já basta a vida, né? Cês já têm muito trabalho com o que eu escrevo aqui. E eu provavelmente não farei uma newsletter porque meu jesusinho, se tenho um medo nessa vida é essa intimidade louca de chegar na caixa de entrada de alguém com os meus pensamentos. Cês tão louco. Sigamos.

Bom, e claro que eu tenho plena consciência de que estamos na era do Youtube – e acho verdadeiramente maravilhoso. Pros outros: pras pessoas que assistem, que consomem, e também pras pessoas que produzem, principalmente, pras pessoas xóvens que produzem, leiam, pros adolescentes que fazem essas coisas lindas na internet (sempre, meu eterno <3). Minha participação nisso? Sobre produzir: cês IMAGINEM se eu tivesse que 1) me arrumar, 2) pensar num roteiro, 3) gravar, 4) regravar, 5) regravar, 6) contar com o bom funcionamento do meu computador, 7) editar, 8) contar com o bom funcionamento da minha internet, 9) esperar subir? Se esse blog já tem uma atualização por mês, cês conseguem imaginar? Puf.

E quanto a consumir, bom… Shame on me. Mas eu não sei nem começar a descrever como eu consigo tranquilamente ficar 2 horas lendo um texto no computador e 2 segundos assistindo a um vídeo. Tipo, se me mandam um clipe de música eu vou-pulando-os-trechinhos. Te juro. É um absurdo né? Eu acho um absurdo. Eu só consigo assistir vídeos de DIY e eu pulo absolutamente todas as introduções, o que acaba se transformando em projetos meio capengas, já que eu sempre pulo acidentalmente um material importante. Eu sou horrrível nisso.

E daí tem os podcasts. Eu sempre achei que o meu problema com os vlogs era visual e, entonces, os podcasts poderiam ser a coisa mais proveitosa do mundo: aka, daria pra ouvir de boas no trabalho sem levantar suspeitas. A realidade? Eu ouço 5 minutos empolgadíssima, falo comigamesma AGORA VAI e daí quando percebo, misturei as vozes da minha cabeça com as vozes do podcast e parece tudo uma coisa só e eu já não faço ideia do que estão dizendo. Menor ideia. Me perdi. Atenção foi embora. E eu tô ligada que existem podcasts maravilhosos. É uma pena. Eu tenho a esperança de conseguir absorver uma parte dos conteúdos por osmose, tipo naquelas fitas para parar de fumar que você ouve dormindo e acorda sem vontade, mas eu acho que não né.

Fica a indicação/jabá de um dos poucos que eu consigo ouvir uns pedacin, dazamiga, que é o Pop Don’t Preach, que faz também a maravilhosidade de, a cada episódio (fala “episódio”, gente?), postar umas coisas magníficas num formato que essa tia velha aqui consegue acompanhar, ou seja, com letrinhas no Medium.

Se você ainda não foi convencido de que a internet é um lugar absolutamente incrível onde todo mundo pode ser tudo aquilo que quiser ser, recomendo ler essa lista de gente insanely interesting e ~navegar~ por todas as redes sociais e plataformas delas: Medium, Podcast, blog, canal de Youtube, Instagram e mais tudo o que der. Cê vai ver. É lindo.

Vai me dizer que a gente não faz nada de bom na internet? Vocês estão malucos.

21 Comments

  • Nicas

    Isa, eu te amo, já disse isso? Porque eu amo. Me sinto muito idosa por não conseguir acompanhar metade do que todo mundo acha super legal. Até ano passado eu não tinha internet em casa por questões logísticas e desde que mudei para a civilização, jurei que agora eu ia acompanhar as tendências, ia ser ~a internauta~. Mas tô com a bunda nesse computador desde mei-dia e não cobri 30% do que deveria, os videos da blogueyras só consigo ver limpando a casa. Ainda tem aproximadamente oito redes sociais pra comentar os filmes do Oscar e a volta de Gilmore Girls e esse ano tem mais um Star Wars e filme novo E PEÇA da JK Rowling. Mulher, eu não dou conta, mas me abraça aqui que a gente chega lá.

    http://www.apto401.com/

    • Isadora Attab

      já disse e é reciprocão assim <3

      ESSE POVO NAO PARA DE PRODUZIR CONTEUDO PRA MEME COMO ACOMPANHAR??????????

      eu faço assim: eventos ~globais~ no tuínter, pq aquela rede é maravilhosa. instagram diariamente pq acho tudo muito lindo e me inspira. fb pra mim é trabalho, então de vez em quando dou aquela stalkeada, mas passa. snapchat: nuncavinemcomieusóouçofalar.

      SEGURA MINHA MÃO. a gente vai sobreviver.

  • Laís

    Oi Isa, esse teu texto me fez lembrar que minha ansiedade na internet é “definir”, “escolher” com quais ferramentas quero brincar, rsrs. Além de tanto conteúdo pra consumir, há muitas ferramentas e pouco tempo pra brincar com todas, né? Beijo!

  • Katarina Holanda

    Que post AMOR! Eu conheci um podcast incrível nessa lista que você indicou de 100 pessoas interessantes, compartilhei lá no blog. <3 É uma das mídias que eu mais consumo. Fala episódio sim, haha.
    To pesquisando mais sobre newsletter esses dias, então veio a calhar. 😀 Como eu amo a internet!

    • Isadora Attab

      acho O MÁXIMO quem consegue se dar bem com essas plataformas, Ká, mesmo! admiro muito! vou ver no teu blog o recomendado e até me forçar a assistir/ouvir um, prometo!!!

      a internet <3

      • Katarina Holanda

        Sobre alguns assuntos a gente tem que estar concentrado, mas os de cultura pop e notícias são mais fluídos e dá pra escutar enquanto faz outra atividade. Não sei se você conhece, mas o “Mamilos” do B9 é incrível e ótimo pra começar. <3

  • Natalia Bianchini

    “Ou seja: eu estou ficando velha. E a internet me ultrapassou.” Essa frase me definiu com força, HAHA.
    Eu amei tudo que escreveu, conhecer o Medium e a lista de pessoas interessantes. <3

    Beijos, Nat
    http://www.tendamagica.com

  • Graziela Lotti

    AHSUAHSU c escreve e nos diverte
    mano, descurtir o Catraca Livre é a melhor coisa que alguém pode fazer agorinhaaaaaa ♥ tem q botar em negrito pq é sério isso ae
    e sobre os vídeos e podcasts = euzinha, massss estou me esforçando para ter paciência pra apreciar pelo menos os clipes que têm uma fotografia e/ou um conceito interessante que vale a pena ver.
    beijoo =**

    • Isadora Attab

      hahahaha fofa, brigada <3

      pois é menina, não sei se deixei essa parte clara, mas eu QUERIA CONSEGUIR VER/GOSTAR, pq acho que tem muita coisa maravilhosa sendo produzida. mas consigo? não. consigo. a perda é só minha, ai ai aia

      beeeeijo!

  • Carol Chang

    HAHAHAH AMIGA, ME ABRAÇA!!! Vc é minha alma gêmea!!
    Eu penso a mesma coisa que você, antes eu fiquei tipo “OHHH MEDIUM PARECE PRA GENTE INTELIGENTE, NOSSA CONCORDOO COM A PESSOA INTELIGENTE” …mas aí vai passando um tempinho e vejo “GENTE? Pq esse povo só escreve falando mal da nossa geração?” E pq quando vc faz textão no facebook parece uma pessoa burra (caetano feelings) mas se migrar pro medium todos te idolatram? Hahaha.
    Títulos do catraca livre e do hypeness tbm me incomodam mto “UM BEBE SUBIU NA JANELA E O QUE ACONTECE A SEGUIR É INCRIVELL” AIII SHIU!!! hahahahaha!

    Eu tbm não tenho UM PINGO de paciencia quando me mandam videos do youtube, tenho uns amigos que já sabem, eles falam: “Carol, tem só três minutos” GZUS QUE ETERNIDADE DE VIDEO (insira aquele gif que são olhos virando até ficar branco)… eu detesto quando tem tutorial e a miga ficam CONVERSANDOOOOO POR 5 MINUTOS ANTES DE COMEÇAR O VIDEO!!! Qual a necessidade??? HAHAHAHAH. Eu comecei a escrever um post sobre isso, mas até sem paciencia eu tô comigo mesma HAHAHAHA

    E uma última coisa: tbm to me sentindo velha pra internet, por exemplo, demorei um tempão pra saber que raios signifcava shippar. até hoje me sinto meio confusa quanto a essa palavra AAHAH.

    p.s.: FAZ NEWSLETTER, SIM!!!!

    http://evaporar.com.br/blog

    • Isadora Attab

      vou fazer uma experiência antropo-profissional-ógica de postar o mesmo textão: no FB, no Linkedin (tem isso também), no Medium e mandar por whats e registrar a reação das pessoas em cada uma dessas ~plataformas~. Dai depois vou fazer um gráfico com as respostas E POSTAR NO MEDIUM FALANDO COMO A NOSSA GERAÇÃO REAGE AO TEXTÃO É INACREDITÁVEL VEJA NO LINK A SEGUIR

      3 minutos no youtube: 40 minutos da minha vidinha. e não me venha com essa de que vc vê vídeos enquanto limpa a casa pq a sua casa deve ser BEM SUJÍNEA SE VC NÃO PRESTA ATENÇÂO NA FAXINA MIGA.

      sobre shippar: um dia a gente vai tomar um café e vamos shippar desde a atendente do starbucks até todos os personagens – imaginários ou não – de harry potter de que conseguirmos lembrar e sua vida nunca mais será a mesma. a minha não é, desde os 12 anos.

      <3 <3 <3

  • Rhu Pereira

    Ai ai ai Isa, minha primeira vez aqui e já me identifiquei só com esse texto umas 5 vezes. Hahaha
    Sou haevy user and blogueira, tbm acho que a Internet me ultrapassou. Levo comigo essa ansiedade de não saber como as coisas vão se desenrolar sem deixar de aproveitar a viagem. Já que tamo aqui, bora aproveitar né? rs
    Podcast comigo não rola, e sobre os textoes da vida eu só não tenho muita paciência praqueles que já vem discriminando essa ou aquela geração. O mundo tá cheio de mudanças e não dá pra o certo e o errado dessa questão.

    rhuanytta.com

  • Bianca Moraes

    Mega me identifiquei com todas as ansiedades! Mas, com uma diferença: Eu consumo o que vier! Hahaha Não sem crítica, e nem perdendo tempo, claro.
    Na real, a coisa tem que ser interessante, bem feita, autêntica (não única. Autêntica, entende?) pra prender a minha atenção! Escuto os podcasts que acho que valem a pena, os vídeos, os posts no Medium, os tudos que as pessoas fazem, quando percebo que são feitos de coração e quando eles me acrescentam algo! Simples assim.

    Acho que essas opiniões todas sobre a nossa geração (ou sobre as anteriores ou posteriores..), sobre internet ser boa ou ruim, elas sempre têm seus pontos. E todo mundo deve estar certo em alguma medida (as pessoas que têm argumentos, claro. Não quem cospe ódio e reclamações de graça por aí pela vida). Como tudo que tem lado bom e ruim, né? Galera tenta colocar as coisas entre vilões e mocinhos, quando isso não existe em nenhuma realidade. E eu termino ficando do lado que diz que internet é incrível porque gosto da conexão. E a gente ainda vai ver a revolução da internet (tipo quando teve indústrias que permitiram produções e blás e globalização e tudo mais?!), a gente ainda vai ver a revolução de quando resolveram facilitar a comunicação entre pessoas de lados opostos do mundo (ou do país, da cidade, de todo lugar) com essa internet linda! Sou fã.

  • Priscila Schall

    Queria, de verdade, ter essa capacidade tão linda de juntar palavras de um jeito tão coerente e divertido como você ta? Só queria dizer isso! Beaj! hahahaha!
    Me identifiquei demais com (quase) tudo! Já tentei produzir videos pro blog, mas sempre (SEMPRE) morro de vergonha e medo antes de divulgar, não sei lidar com o medium e to apanhando do snapchat. Mas, ai, a internet! s2

    • Isadora Attab

      hahahahahahahahaha sua linda <3
      eu também já QUASE tentei fazer vídeo, daí eu ouvi minha voz e NOT. cara, como eu me perco. COMO. EU. ME. PERCO. tô aqui pensando se volto ou não pro snapchat, mas com preguiça só de começar hahahaha

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