viaja isa

um dia (e um pouquinho) em Holambra – SP

O quanto eu gosto de prantinha, vocês sabem. Também já contei aqui que eu gosto tanto de prantinhas por causa da minha avó, que tinha um jardinzão enorme e bonito, e da minha mãe, que é a pessoa com o dedo-verde mais verde que eu conheço. Que cuida, que conversa, que reaviva plantinhas que já passaram dessa pra melhor. Eu só ainda não sabia porque eu não tinha sugerido de fazer um passeio para a famosa “Cidade das Flores” com ela. Então, fomos.

Holambra – que é a mistura super original haha de Holanda, América e Brasil – fica pertinho de Campinas, a mais ou menos 1h30 da Capital. Uma cidade pacata, quase cenográfica, com o melhor índice de segurança do país (!) e, claro, colonizada por holandeses numa vinda tardia, depois da Segunda Guerra Mundial (em 1948, mais especificamente). E mantém-se a tradição holandesa bem forte até hoje: na arquitetura, na culinária, em algumas parcerias entre os governos, nas tradições, no enorme moinho de vento – com quase o dobro de tamanho dos originais – e até mesmo nos souvernirs, importados. Um tico exagerado, um tico “de mentira”, porém gracinha de mais – e fácil de visitar e levar os pais. Vomo.

Holambra é conhecida como a Cidade das Flores, promove anualmente a maior exposição de flores da América Latina, a Expoflora, e é o maior exportador de flores da América Latina, sendo responsável por 80% da exportação e por 40% da produção brasileira. PRANTINHA. Muita prantinha. Vomo de novo.

Saímos de São Paulo cedinho no sábado, para chegar antes da hora do almoço e dar uma volta no centrinho a na rua principal da cidade, a Dória credo de Vasconcelos. Obviamente, tudo a pé, tudo pertinho, tudo fácil de andar. Essa rua cujaqual não citarei mais o nome porque vai que o Google registra é onde a gente encontra várias lojinhas de presentes e decoração – tem muita coisa de porcelana da Holanda, pra quem gosta, além de outras coisinhas típicas da cidade – e dois restaurantes bem famosos e, testados e aprovados, com ótimas opções vegetarianas & veganas e meu coração não aguentou: o Casa Bela e o Martin Holandesa. Mas falaremos disso adiante.

PASSEIOS NA CIDADE

Tudo a pé, tranquilinho, bem pertinho, suavinho. A cidade é bem planejadinha, então nada fica muito distante ou oferece alguma dificuldade pra caminhar. Como nós fizemos o passeio turístico (abaixo explico direitinho como foi) no meio da tarde, chegamos por volta de 11h da manhã e conhecemos a tal rua principal, entrando nas lojinhas do Boulevard Holandês – as casinhas com fachadas coloridas – e admirando as casas sem muros, com imensos jardins cheios de plantas socorr me segura. Almoçamos no Casa Bela, que tem um ambiente muito gostoso cheio de árvores e decoração verde, e depois partimos para o passeio nos produtores de flores.

Falo mais dele adiante, mas é legal saber que esse passeio guiado termina no Moinho dos Povos Unidos, que você pode conhecer sozinho também. É uma cópia fiel dos tradicionais moinhos holandeses, com 38,5m de altura, bonitão de ver. Dá pra subir e conhecer o moinho por dentro, com a entrada do passeio custando R$ 10,00.

As coisas fecham bem cedo de final de semana, entre 17h30 e 18h, então não conseguimos visitar muitos lugares no sábado depois do tour pelos campos de flores: passei na Lá da Naná, lojinha de arranjos e objetos botânicos que é um pedacinho da estética hipster de São Paulo que a gente tanto ama unida à calmaria  e delicadeza de Holambra, e seguimos para a famosa Confeitaria Zoet an Zout, que vale mais pela vista do que pela comida em si: os doces são bem “de padaria”, gostosos, mas nada incrível – meus pais que provaram – mas ela fica localizada no Lago Vitória Régia, com um imenso gramado em que as pessoas fazem piqueniques ao lado das capivarinhas lindas admirando o pôr-do-sol. Muito gostoso pra ir no final do dia (leve repelente!). Nesse lago, do outro lado, fica o bonitinho Deck do Amor, aquele, dos cadeados, inspirado no de Paris. À noite jantamos no Martin Holandesa e fomos cedo descansar.

No dia seguinte acordamos bem cedinho para dar uma volta no Lago Nossa Prainha e no Lago Holandês, que ficam lado a lado e são bem gostosinhos pra dar uma volta. Tem muita gente fazendo exercício, patos e gansos, e uma vista bem linda.

Não deu tempo de visitar o Museu Histórico de Holambra, que conta a história da cidade desde a colonização e, claro, a Expoflora, a maior atração da cidade, que é também a maior exposição de flores e plantas ornamentais da América Latina – e acontece em agosto e setembro.

VISITA AOS CAMPOS DE FLORES

A primeira dica que eu tenho que dar é: faça um passeio guiado. Faça um passeio guiado porque o único jeito de você visitar os produtores de flores é com uma equipe autorizada – do contrário, o único jeito de ver flores em Holambra é nas lojas tipo “garden”, esses grandes galpões de compras, e aí não vai ser legal. A gente fez com a Theos Turismo e foi tudo ótimo: pontuais, baratos (R$ 30 por pessoa), fomos de micro-ônibus com um guia super fofo que foi explicando a história da cidade, e voltamos para o centro da cidade em cerca de 2 horas.

Visitamos dois produtores: um de margaridas, num campo aberto, e um de gérberas, em estufas, o que foi bem legal pra conseguir ver várias etapas do crescimento das plantinhas. Recomendo bastante! Você sabia que gérberas são geneticamente modificadas, híbridas entre margaridas e girassóis? BAM! mindblowing hahaha.

Ah, sabe aquela ideia de ir toda bonitona pra fazer umas fota bonita pro instagram? Você vai sujar sua roupa de lama e terra e lama e mato e grama. Esqueça. Vá de tênis. Mas as fota ficam bem bonitas mesmo.

COMPRANDO PRANTINHAS

No passeio nos produtores, normalmente, existe uma lojinha ou outra, mas só vale a pena se você encontrar algo muito diferente que queira – eu, por exemplo, estou me retorcendo de arrependimento de não ter comprado a kokedama mais bonita do mundo 🙁 Mas, além disso, há as grandes lojas com inúmeras variedades, que ficam no centro ou nos arredores da rodovia.

No centro fica a Pronta Flora, o lojão que eu visitei e amei 100% cinco estrelas: comprei um cacto do tamanho da minha perna por R$ 20, com vaso. Amazing. Além dos preços ótimos (mas que regulam com o do Ceagesp, pra quem é de São Paulo), é muito bacana ver 298109281921 variedades de prantinhas juntas, todas belíssimas, bem cuidadas, te esperando – Natal que chama, né.

As outras lojas mas famosas são A Orquídea e, na rodovia, a Gardecenter Cidades das Flores, que parece imensa vista de fora, a Paraíso Garden e a Flora Madurodan – bem bonitinha, que serve um “café da manhã holandês” e tem uma pegada aparentemente mais rústica. Vai ficar pra próxima visita!

 

SENDO VEGETARIANO-VEGANO EM HOLAMBRA

Pra quem come queijo, dá pra se perder, já que Holanda, queijo, batata, queijo, batata, mais queijo, Holanda. No Martin Holandesa, pra ovo-lactos, vale provar a pannekoek (fala-se panecuque), uma das receitas mais consumidas na Holanda: uma panqueca aberta no prato com recheios incorporados à massa e gratinada com queijo gouda e queijo prato. Porém, nos dois restaurantes, toda uma página inteira de opções veganas realmente me surpreendeu muito: tinha massa com legumes e pesto, espaguete de pupunha, quinoa refogada, hambúrguer, steak de quinoa (?) e saladas, claro. Nada tradicional, porém o espaguete de pupunha com cogumelos do Casa Bela foi um dos mais gostosos que já comi em toda a vidinha. Ponto pra Holambra.

No quesito doces a coisa fica mais difícil, claro: até o tradicional strudel é cheião de manteiga… Eu, fazendo o mês vegano (e talvez levando isso adiante?) tive que passar os docinhos. Mas também fiquei bem feliz de ver outras opções tão legais numa cidade tão pequena, como um Centro Cultural + Restaurante Vegano que não consegui registrar o nome (e não tem na internet socorro), o Yah Yah Armazém, na rua principal, cheio de produtinhos incríveis, e o Hoek Burger, também ali, com opções que parecem gostosas. C-c-c-ombo breaker, Holambra. Valeu!

 

 

Resumão: vale a pena demais conhecer Holambra, cidade tranquilinha e bonitinha, perto de São Paulo, com coisa gostosa pra comer e coisa bonita pra ver. Mas vale ainda mais a pena fazer tudo isso agendando um tour que te leve para conhecer os campos de flores, o principal atrativo da cidade. Dois dias são maaaaais do que o suficiente pra ficar por lá: a não quer que você queira fazer uma expedição por todas as lojas de plantas da região – caso vá, me chame, vamo alugar um caminhão, vamo fazer acontecer.

No próximo passeio eu vou avaliar a qualidade e temperatura da água das termas de Águas de São Pedro, com resenha das aulas de hidroginástica e tabela do campeonato de tranca. Aguardem!

12 Comments

  • NaneUlsan

    Eu fui pra Holambra na época da Expoflora, queria morrer, não visitei nada dos campos de flores.
    Tem um tour também pra quem é fotógrafo e quer fazer ensaio em Holambra, esse te leva pros campos de trigo e rosas, muito legal.

  • Lua Costa

    Sonho de viagem… Se me perdi num simples garden center, imagina num lugar desses? E sem falar nessa delícia de texto né? 😍
    Beijos Isa e valeu pelas dicas! Amei tudo!

  • Claudia Hi

    Isa, você passou na minha cidade e nem deu oi haha

    Holambra é linda mesmo, já fui várias vezes, mas sempre na época da Expoflora. Gostei do seu tour na “baixa temporada”. Acho que dá pra curtir bem mais e tirar muitas fotos tumblr!

  • Raquel

    Ah, Holambra… passei parte da minha infância indo lá (sou de Campinas) e sempre me acabei na Martin Holandesa, hehehe.
    Dica para o pessoal mais fitness, é que tem várias estradas de terra contornando a cidade e rola um pedal bem bacana e nível fácil.
    Já a Expoflora, eu não gosto, sabe? É uma coisa interessante pra se ir uma vez, claaaaaro, mas super mega ultra comercial, absurdamente lotado e pra comprar as prantinha não é tão barato, não. Esse esquema de ir visitar o produtor é mais tranquilo e nas fotos não sai aquele mundo de gente no fundo.

    • Isadora

      olha que legal essa coisa das estradas, não sabia!
      eu também tenho a impressão que a exploflora é uma muvuca meio superfaturada, mas ainda sou curiosa pra ver o tamanho que dá pra ser uma feira de flores dessa proporção!

  • VANESSA BRUNT

    S O C O R R O! Não estou sabendo lidar com tanta lindezura! Os seus detalhamentos e a sua verdade é tão incrível que deixa tudo ainda sensível aos olhos e ao toque da imaginação, Isa. Estou surtando com todos os cliques, com todos os alertas e com esse lembrete maravilhoso do quanto o nosso país tem belezas sensacionais. Às vezes ficamos tão fissurados em viajar nos sentidos literais, que esquecemos o quanto a nossa cidade pode ter detalhes maravilhosos aos quais não nos atentamos e sequer buscamos conhecer, não é? Lindeza, lindeza!

    http://www.semquases.com

  • Tany

    Alguém patrocina Isa pra viajar e fazer posts bonitos, por favor?
    Mas sério, amei esse post porque eu imaignava que Holambra era a cara da minha mãe e agora tô completamente certa! Quando ela vier de novo vou já planejar uma viagem de fds pra lá. A loka das plantas vai morrer que nem morreu no Ceageps! hahaha
    Lindas fotos como sempre né miga
    Beijo

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