do coração

ultra violet

Uma das (inúmeras) brigas que eu tive com meus pais na adolescência era pela quantidade de roxo no meu quarto. Na verdade, uma questão de perspectiva: eles achavam que já era roxo demais, eu sempre achei que poderia caber mais um pouco. Não bastassem paredes, colcha, edredom, cadernos, agendas, peças de roupas e todo e qualquer pequeno apetrecho que coubesse naquele quartinho, achava, sempre, que era uma questão de opinião, uma questão de repressão, quando eu tiver minha casa tudo vai ser roxo e eu não quero nem saber.

Nunca aconteceu. Não sei, mesmo, se há uma única vela roxa nessa casa tão bonita e tão minha. Não sei também se quem mudou fui eu ou a cor. Ou a casa. Ou o que batia aqui dentro nessa frequência.

Só sei que voltou.

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