do coração

textão de natal

(é pra ler o título no ritmo da propaganda do “peruuuuu de natal”)

2015. Eita! Eu tô naquela fase emotiva de final de ano que olho pra trás, penso em tudo o que fiz, me arrependo de um tanto de coisa, fico feliz com outro tanto. E daí que eu decidi voltar lá no comecinho do blog esse ano, lá nos idos de 2013, e percebi que a decisão mais acertada que tomei nos últimos tempos anos foi mudar pra cá. O e agora, Isadora? é finalmente uma casa mais com a minha cara, do mesmo jeito que tem sido a vida. Um pouco mais confortável e Isadora friendly. É bom, viu?

Não que a coisa da vida adulta seja fácil. Longe disso. Era legal achar, numa era pré-2010, que quando as aulas acabassem teríamos tempo pra tudo: é mentira. Funciona nos primeiros meses de desemprego pós faculdade, mas aí você tá deprimida e procurando emprego. Depois, o trabalho te consome (em maior ou menor nível, depende do quanto você deixar), a faxina, a janta, a casa, o trânsito, a falta daquela juventude e energia pra fazer 45 coisas por dia – agora você só faz 35.

Também tem aquela fase – linda – de aceitação: você não vai fazer tudo o que quer. As coisas se tornam melhores quando você passa por ela mesmo que, pra isso, você tenha que abandonar muita coisa, muitos projetos, muitas vontades. E também aquela pitadinha de inveja da vida dos amigos que parece realmente muito incrível, ao menos, nas redes sociais. Esse ano eu li um texto legal da Liz Gilbert, traduzido pela Juliana Amato, que se resume a essa frase aqui: “Você precisa aprender a dizer não para as coisas que você QUER fazer, sabendo que a sua vida é uma só, e você não tem tempo e energia suficientes para dar conta de tudo”. É. Então por mais que você ache incrível bordar, fazer ponto cruz, projetos DIY, trabalhar, escrever, fazer pós, ter gatos, assistir séries, ler livros, aprender tricô, cantar, andar de bicicleta, dar rolê no Minhocão, passear na loja nova do shopping, passear na loja antiga do shopping, ir pra Paulista Aberta, conhecer restaurantes novos… Não dá. Aceitar isso é uma parada muito importante que ajuda muito a gente a, também, se aceitar mais desse jeito falho e bonito que a gente é.

2015 foi um ano disso tudo aí. De descobrir tudo o que a gente quer e aprender que a gente não tem tempo de fazer tudo. De ficar frustrada. De correr atrás. De deixar planos mirabolantes pra trás e pisar com o pé mais no chão. De abandonar o que não vale a pena, em todos os sentidos. De seguir em frente com o que vale, por mais difícil que seja.

Numa análise cósmica (minha) de 2015, eu diria que foi um ano de muitas realizações e conquistas. De coisas boas, bem boas. Importantes, ainda, eu diria. Porém – praticamente todas elas – poderiam ter acontecido de uma maneira, mais suave, calma, aos poucos, sem surpresas. Não: elas vieram da maneira mais maluca, confusa, difícil, dolorida e aos tropeços que poderia. Vocês sentiram isso também? O que fica é uma liberdade maior, um peso menor, a sensação de que, daqui pra frente, tudo o que doeu, tudo o que foi duro, tudo o que foi árduo, vai ser recompensado aos pouquinhos. AOS POUQUINHOS, gente, num adianta tia Susan dizer que a gente vai ficar rica, já sabemos que isso não vai acontecer.

Como eu comentei no blog da Ana Luíza, a melhor interpretação de 2015 pra mim foi a galera dizendo no tuínter que o ano foi escrito e dirigido por Nossa Senhora Shonda Rhimes. E, se me permitem mais uma analogia pobrecita de minha parte, 2015 foi tipo umas das milhares de séries que fizemos binge-watching esse ano: louco, rápido, intenso, maluco, nem lembro direito o que aconteceu, parece que foi ontem/ não foi há 6 meses, meu deus aconteceu isso mesmo? Foi assim. 2015 foi um ano de muitas séries vistas e poucos livros lidos, o que já determina bem o nível de concentração-calma-paciência deste ano.

O que esperar de 2016? Que venha mais em ritmo de novela ou de dramalhão do cinema, pode ser. Pode até ter final feliz do Maneco no episódio de natal-casamento com todos os núcleos reunidos, que eu não ligo. Mas que seja mais calmo e mais tranquilo, mais plácido, eu diria, pra gente não ter que viver no atropelo.

Resumão de 2015 pra lembrarmos que foi um ano daora

Vocês lembram como a gente reclamou que 2014 foi parado? Tá aí: 2015 não foi parado. Não podemos reclamar, migas. Além da tradicional zona de final/começo de ano, 2015 de Nosso Senhor começou com coisas bacanas como férias. Faz tanto tempo que eu sequer lembrava que tirei férias sim, esse ano, e aproveitei São Paulo 40º como ninguém, emendando com formatura dos migos e uma viagem inesperada e incrível e rápida ao Pará, a descoberta do bairro mais legal de São Paulo (o meu) e um Carnaval divertidíssimo que está me deixando profundamente incomodada de não estar sendo novamente. E uma mudança de emprego providencial, desejada e acertadíssima. E também aquelas passadas de pernas marotas que a ~vida profissional~ te proporciona, e o aprendizado de levantar e let it go. Março foi o mês do meu aniversário (costuma ser todo ano) e eu entrei naquela vibe paranoica-depressiva dos quase-trinta, mas que veio também com uma boa dose de autoconhecimento e análise. Foi produtivo. E teve um piquenique maravilhoso com a melhor companhia de festas, que ainda me deu um dos dias mais incríveis do ano, me chamando pra ser madrinha de casamento <3 E falando em casamento, eu não casei uma, mas DUAS amigas nesse ano cheio de amor.

E depois, rolou um longo e cinza hiato, em que as coisas pareceram realmente entrar em um stand-by estranho e incômodo: rolaram 2 mudanças de apartamento, muitas dúvidas, muitas dívidas, muitas tretas, muita angústia. Muita. E muito silêncio e introspecção. Que resultou na coisa mais importante de 2015 que foi a nossa casinha, linda, com parede de cimento queimado, gatinhos e amor diário em forma de café e plantas. Nhóin. Ah, sabe o que rolou esse ano também? Eu me formei, gente. Me formei depois de 9 longos e tenebrosos anos, assinei esse papelzinho aí e PUF, sou historiadora, ói que chique e inútil.

Teve tatuagem nova, teve o cabelo que eu mais gostei de ter na vida, sim (e ainda tá tendo). Teve muita drag queen e a descoberta da noite mais incrível de São Paulo. Teve uma coisa linda da qual eu ainda não falei, que consegui reduzir muito o consumo de carne aqui de casa! E também começou a rolar uma preocupação maior com consumo responsável, produtos feitos por gente do bem, sem testes em animais, sem exploração.

E os amigos, né gente? O que seria da vida sem essas pessoas lindas? Eu entendi muito sobre amizade esse ano, de várias maneiras diferentes: aceitando melhor as pessoas que entram na nossa vida de sopetão; deixando algumas outras irem embora como deve ser; entendendo melhor o limite das relações e até onde a gente deve se abrir; valorizando as que permanecem e entendendo até onde se entregar.

E o mundo foi um lugar bacana também, com a primavera das mulheres rolando em peso – e vai ter mais, the future is female -; com as escolas ocupadas, com o Minhocão e a Paulista recebendo gente. E teve o chorume também, mas o chorume tá aí todo dia lembrando a gente que ele existe, não precisamos lembrar dele.

Tá bom, né?

No ano passado fiz um balanço geral e fui batendo as resoluções de 2014 que realmente resolvi, mas vi que as minhas expectativas para 2015 continuam sendo, em grande parte, as de 2016 também. Então, ao invés de ficar me lamentando, vou considerar que esse ano que passou serviu realmente de base pra construir muita coisa importante, mesmo que com mais dificuldade, e que o próximo vai ser mais leve, mais de colheita e realizações. Mas gente, eu aprendi a andar de bicicleta. SÉRIO. Melhor momento de 2015.

Resoluções PARA 2016:

// Tirar projetos do papel: já passou da hora. Já falei que já sei muito do caminho, mas tá na hora de parar de ter medo e ficar só no plano das ideias, meter as caras (e parar de se meter em furadas!) e ver no que dá. Mesmo.

// Aprender/fazer mais trabalhos manuais: porque é incrível e tem a ver com outra resolução aí embaixo, porque eu preciso de uma terapia, porque eu preciso controlar a ansiedade, porque as coisas tão aí pra gente aprender e tudo vai dar certo. Próximo natal vai ter sabonete pra todo mundo!

// Fazer alguma coisa pra me mexer: vocês viram que evoluiu de “emagrecer” pra isso? Eu não consigo me conformar que não seja possível gostar de absolutamente NENHUMA atividade física, e vou fazer o teste definitivo em 2016, até achar algo que me faça levantar minimamente feliz às 7h pra mexer o corpinho flácido. #projeto30anos (olha que humilde e pé no chão).

// Viajar: depois de um ano falida, agora me organizei e voilá! As férias já estão marcadas pro meio do ano e agora é só preparar o roteiro. Não vejo a hora! Sugestões?

// Tirar o dente do siso: esse item está nessa lista única e exclusivamente pra que vocês fiquem me enchendo o saco pra eu fazer isso logo. Eu preciso fazer isso desde os 18 anos e morro de medo. Mas eu vou fazer. São 4. Eu vou vencer.

// Consumir com mais consciência: Uma coisa que já veio muito forte em 2015, com essa onda maravilhosa de consumir mesmo, ser mais minimalista e preocupada com a procedência das coisas, que eu pretendo levar não só pra 2016, como pra vida. Investir mais nos produtores locais, amigas que metem a mão na massa e coisinhas com mais alma e menos marca.

// Usar mais batom: Porque eu tenho muitos e porque eu fico linda com eles e tenho que me lembrar disso.

Que 2016 seja generoso com a gente <3

14 Comments

  • Su

    Ai miga, bate aqui que eu também ainda não consegui achar nenhuma atividade física que eu realmente goste 🙁 Em todas que tentei até agora, fico listando mentalmente todas as coisas melhores que poderia estar fazendo com meu tempo, AUSDHUAISDFISUA. Sério, nunca vou entender essa gente fitness.

    Maior projeto pra 2016: tirar os projetos do papel, SIM CONSEGUIREMOS!
    Que 2016 traga tudo que você deseja e muito mais!

    Beijo 🙂

  • Hemylle

    Ain, Isa! O ano foi difícil, mas esse texto teu foi um dos exemplos de que mesmo dos processos mais complexos e pesados dá pra tirar coisa boa. Fico feliz em ver que 2015 de trouxe muito trabalho mas que estás acabando otimista e com a casa entrando nos eixos ( casa, falo tanto literalmente quanto de você mesma). Que 2016 te traga muitas coisas boas! E eu vou entrar nesse processo de voltar a se mexer ( a.k.a. precisando perder uns 20kg) neste ano. Lugar para viajar: difícil porque não sei por onde tu já fosse, mas eu estou louca para visitar Peru ou Chile. <3 Beijo, sua linda! Sucesso pra ti!

  • Nay

    eu nem tenho o que comentar de tão maravilhoso esse textão… eu só queria te dar um abraço mesmo! Chega mais, 2016! Be kind!

  • Beatriz Aguiar

    O que dizer quando nem conhecemos a pessoa e já passamos a adorá-la só pelo primeiro post lido? Acho que cheguei aqui no seu blog na hora, dia e momento exatos! Que bacana você ter encarado tantas coisas de frente, que 2016 venha um ano suave e que você continue com esse cabelo lindo. E com mais tatuagens e mais amor, com mais amigas casando ~ e porque não, você mesma? ~ e tudo de lindo acontecendo.
    Que bacana você ter se formado depois de tanto tempo e ter finalmente aprendido a andar de bicicleta!
    P.s: Li um dos seus primeiros posts e te achei mega engraçada. E você falava exatamente entre casar ou comprar uma bicicleta. HAHAHAH

    Um beijo, Isa. E boa fase sempre nova!

  • Anna

    Isa, só pelos textos, o clima daqui, as fotos, dá pra sentir como você tá bem e super ~você~, sabe assim? Fico feliz, de verdade. Que 2016 seja ainda melhor e mais cheio de realizações <3
    um beijo!

  • letícia

    Adoro fazer essas análises de final de ano e 2015 foi total Shonda Rimes xD
    E nossa, eu também preciso tirar os 4 sisos mas e a coragem? Tenho medo e aflição, mas uma hora vou ter que resolver isso tb 🙁

  • grazi

    Mulher, que mega retrospectiva! Quanta coisa, parece que meu ano foi tão sem graça perto do seu UHASUHAUS!
    Sobre as resoluções, TUDO que vc escreveu faz parte das minhas tbm! Tirando a parte do siso, pq esse eu já tirei. Portanto, vai na fé e tire logoooo xD!
    Sério, fiquei chocada em como são as mesmas coisas e quando li “usar mais batom” fiquei: gente! Essa sou eu <3 kkkkkk

    Beijos, querida. Obrigada pelos comentários lá no blog. Uma das minhas metas é tbm postar mais, levar mais a sério e poder compartilhar mais coisinhas interessantes.
    Ótimo final de ano e que a gente consiga realizar pelo menos metade de nossas resoluções. Beijos <3

  • Ana Luíza

    2015 foi uma loucura, sem dúvida um ano escrito e dirigido por Shondinha, mas que bom que a gente conseguiu tirar algum proveito disso tudo, né? Acho incrível quando você diz que 2015 foi base para construir coisas importantes, e aqui, do outro lado, queria dizer que tenho exatamente a mesma impressão. Que a gente construa muito em 2016 (e continue aprendendo muito muito mais).
    beijo! <3

  • Camila Faria

    Isa, sua maravilhosa. O que eu posso dizer depois de um post-retrospectiva tão incrível? Só posso desejar que o seu 2016 seja só amor, good vibes e realizações. Vamos fazer tudo (só o que der, sem pressão) com 100% de dedicação e carinho, que assim já tá bom demais! o/

    http://naomemandeflores.com

  • Dee Trindade

    Miga! Eu penso tanto nisso: a gente fecha um ano sem ter feito NADA que nos deixa feliz. Vamos paras com isso! Vamos parar, tbm, com o preconceito com as listas: faça lista e olhe para ela todos os dias. E FAÇA <3

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *