BEDA 2017

corpo são, mente descaralhada

Como vocês sabe, há algum tempo eu venho frequentando a academia. Nesse período, já cometi algumas selfies de treino, já legendei imagens com “de hoje tá pago”, já até levei um famigerado squeeze com um famigerado whey protein (a versão vegana – deusa do céu, que coisa horrorosa). Logo eu, que me vangloriava de nunca ter feito tais coisas, fiz. Eu confesso, eu fiz. E digo mais: se você for semi-constantemente à academia, você também vai fazer. Vai por mim. É praticamente incontrolável.

Eu tenho vários problemas com a academia. O primeiro deles é que eu detesto ir à academia. Eu detesto todas as funções que envolvem ir à academia, e o problema é o trajeto todo em si, não necessariamente o fato de estar na academia, entende? Ir à academia significa que 1) eu vou acordar duas horas antes do necessário; 2) os gatos ainda estarão dormindo quando eu acordar então eu não vou acordar sendo afofada; 3) eu terei que acordar e viver um período sem tomar banho, que é uma das coisas que eu mais odeio no mundo; 4) eu terei que colocar uma roupa sem ter tomado banho; 5) uma roupa apertada; 6) eu terei que me comunicar minimamente com outros seres humanos (desgurpa mozão); 6) eu terei que comer alguma coisa antes de ter efetivamente acordado; 7) eu terei que dar bom dia às pessoas no elevador e na portaria do prédio e da academia antes de ter acordado.

Pronto, esse é meu primeiro problema com a academia, dividido em tópicos, para que não reste dúvida. É muito difícil chegar na academia, gente. Não é praticamente difícil, visto que ela está a dois quarteirões da minha casa, mas exige toda essa série de passos aí em cima. As 7 a.m. Deveria ser proibido. A partir do momento que eu estou na academia, os problemas deixam de envolver movimentos e existência no plano terreno e passam a ser a minha cabecinha.

Sim, a minha cabecinha.

Por quê, vocês perguntariam? Vou contar-lher-lhes.

Primeiro eu tô lá correndo na esteira. CORRENDO NA ESTEIRA. Tão lendo isso? Como eu tenho o fôlego de uma lontra com asma, eu não consigo correr necessariamente sem interrupções, então eu faço um ~treino em que corro uma quantidade de minutos X e ando uma outra quantidade de minutos Y (obviamente eu não vou contar quantos pra não ser julgada). Só que eu gosto de correr? Não, eu detesto correr. Eu gosto de 1) bater em pessoas com (às vezes) seu consentimento; 2) me agarrar numa barra de ferro e (tentar) ficar de ponta-cabeça. Eu não gosto de correr. Então eu tô correndo – no minuto em que eu devo correr – e pensando meu deus do céu eu esqueci de acentuar aquela palavra ontem no livro que eu tô fazendo no trabalho deve ter sido na página 163 eu lembro que tinha uma ilustração de um coentro do lado mas será que era 163 ou 173 será que eu esqueci de acentuar ou não tem mais acento eu deveria ter feito aquele curso da nova ortografia caralho Isadora que farsa que você é amanhã tem a moça do brigadeiro será que vai ter pipoca. Já no minuto que eu deveria estar ~descansando, eu estou pensando -58, -57, -56, -55 caralho um minuto passa muito rápido eu não vou aguentar mais correr -15, -14 por que eu tô pensando nisso eita porra tenho que começar a correr de novo socorro. Uma ótima maneira de desperdiçar meia hora da sua vida, eu diria.

Dai eu vou pros APARELHOS. O pessoal da malhação precisa muito de uma consultoria de marketing, né? Bom, eu tô lá nos aparelhos e eu não posso dizer que eu odeio estar nos aparelhos, porque pelo menos eu vejo uma função em estar nos aparelhos. Mínima, assim, mas se me dizem que se eu ficar 3 séries de 15 movimentos puxando aquele troço e eu vou ficar com as coxa da Gracyanne, quem sou eu pra desacreditar o moço? Uhum. Então eu me dirijo até o moço treinador professor coach e pergunto onde eu tenho que sentar e qual parte do meu corpo eu devo mexer, e eu faço.

Claro que na academia que eu vou, vocês precisam saber, não tem nenhum desses sistemas tecnológicos de treinos e acompanhamento, tá? É uma academia de bairro que não é a Smartfit, o treino está anotado na cabeça do moço, o moço se formou em Educação Física em 1954 e tá tudo bem. Eu acho. Então eu pergunto pro moço, o moço me indica, o moço regula as parada pra mim, viva o moço. Daí começa a cabecinha.

“Cadeira flexora extensora professora em 95º 50 kg 3 séries de 15 repetições”.

Eu sento no aparelho e 1) eu não caibo; 2) eu não sei arrumá-lo para que eu possa nele caber. Eu chamo o moço. Eu não arrisco simplesmente tentar arrumar o aparelho sozinha ou, nunca, subir no aparelho sozinha porque eu obviamente posso cair e morrer, cair e derrubar o aparelho (já aconteceu), subir e depois não conseguir mais sair (ainda acontece). Então eu chamo o moço e espero o moço e tenho que lidar com a frustração do moço sobre ter que ajudar essa pequena pessoa que não consegue subir sozinha no aparelho, e não uma panicat em busca de ajuda para adaptar seus glúteos avantajados ao aparelho. Paciência. O moço nunca chega, claro, o moço tá certamente ocupado com coisa mais importante que eu, eu aproveito pra postar uma selfie de treino afinal se não teve selfie não teve treino e fingir que eu sei fazer qualquer coisa naquele lugar do capeta.

Arruma, subo, sento, faço, 3 séries, 15 repetições, eita.

Na hora que eu decido sair, fazendo aquela cara de NOSSA QUE EXERCÍCIÃO DA PORRA QUE EU ACABEI DE FAZER VO SÓ SAIR DO APARELHO AGORA SUAVE e tô vendo todo um filme da minha vida na minha frente… O moço aparece. Me oferece ajuda. Me estende a mão. Eu conto dos meus problemas, ele dos seus. Nos beijamos e seguimos a vida que. Nessa hora, eu, no mínimo, enganchei alguma parte da roupa no aparelho e fez MUITO barulho. Nos momentos mais sérios, eu derrubei o troço que segura todos os pesos e eles estão caindo em câmera lenta, tipo aqueles vídeos de dominó enfileirado.

Tem também a parte que eu tô fazendo o exercício no aparelho em questão. Então digamos que eu esteja, vamos supor, dando uns coice naquele troço que a gente dá coice pra supostamente ficar com o bumbum na nuca. Você tá lá, chutando 35kg pra traz, focando nos seus glúteos, pensando que a cada repetição toda uma série de músculos estriados e nervos e tendões estão contribuindo para que você chegue mais perto do objetivo alcançado meu deus olha aquele catiorríneo ali na rua que fofíneo será que ele tem dono olha o dono veio atrás como é que ele deixa o catiorríneo solto vou sair daqui rapidão perguntar se ele não quer me dar o catiorríneo o Benja ficou bravo 3 meses com o Raposo ele queria assassinar o irmão mas dessa vez vai ser de boa um catiorríneo que fofo será que o catiorríneo destrói os móveis e as prantinha fora Temer catiorríneo era pra fazer quantas repetições mesmo?

Nunca dá certo. Se existe algum tipo de conexão entre o que eu penso e a parte do corpo que eu mexo, ou ainda, o lado do meu corpo que eu movimento, certamente eu me transformarei num centauro manquitola em breve.

Então, você me pergunta, eu vou à academia? Eu vou, migos. E por que será que vocês não estão vendo os efeitos que deveriam ser visíveis em minhas partes, caros leitores? Por isso. Obviamente isso me frustra imensamente já que eu estou gastando meu sono-tempo-dinheiro efetivamente indo à academia, porém dessa maneira supracitada, e eu passo as outras 2 horas depois da academia procurando “pq academia não funciona google pesquisar”, “maneiras de ficar grandona monstro sem precisar me mover” e “gracyanne me ajuda”.

Isso quando eu não somente durmo, que é o que acontece na maioria das vezes, já que eu vou um dia nessa joça e saio achando que já fiquei forte e queimei as calorias da semana inteira, não é mesmo?

TAG: Me conhecendo melhor

Quando eu comecei essa história de BEDA, inventei que além de postar todo dia em agosto COMO SE ESSA FOSSE UMA TAREFA FÁCIL MEU DEUS ONDE EU ME METI, os dias da semana seriam temáticos. E nessa loucura de dizer que não te quero vou negando as aparências o tema de sexta-feira foi deliberadamente colocado como: TAGs. Tudo isso porque eu tava muito a fim de responder a tag De Repente 30 e… não encontrei numa mais nenhuma tag legal pra responder.

Então eu tô aqui tapando buraco com esse maravilhoso set de perguntas aleatórias e vocês me façam o favor de indicar tags legais pra eu responder nas próximas sextas, ok? Ok.

// 01: Você se considera uma pessoa do dia ou da noite?

Se por noite você considera o período entre 18h-21h, noite. Sou totalmente uma pessoa diurna.

// 02: Você coleciona alguma coisa?

Gatos. E cartões postais de viagens alheias (só na minha cabeça, na real eu tenho tipo uns 4).

// 03: Qual era o seu programa preferido quando criança?

TV Colosso, com menção honrosa para Fada Bela.

// 04: Sobre o que você pensa antes de dormir?

Que vamos todos morrer mesmo, no Temer, no Trump, no aquecimento global, que vamos todos morrer mesmo, na quantidade absurda de páginas que eu terei que ler amanhã no trabalho, que vamos todos morrer mesmo, no carrinho azul bebê da Ikea que eu nunca vou ter, que vamos todos morrer mesmo.

// 05: Qual a sua cor favorita?

Rosa. Por essa você não esperava, né? Muito heteronormativinha, credo.

// 06: Você é viciada em algum vídeo, game ou jogo de computador?

Vejo vídeo de gatinhos todo dia pra me acalmar. Conta?

// 07: Você tem algum hábito ruim?

Imagina, eu sou a Bela Gil. Eu tomo banho com a água muito quente e 99% estou desejando que os outros seres humanos morram.

// 08: Você tem irmão ou irmã?

Tenho um irmão mais novo, de 26 anos. Cês sabiam disso?

// 09: Você tem alguma tattoo ou piercing?

Porra, que pergunta. Atualmente tenho 10 tatuagens, and counting. Por increça que parível, não tenho coragem de fazer piercings – e também não acho que tenha muito a ver com meu estilo.

// 10: Qual a sua flor favorita?

Vale responder que nem no caderno da 4ª série: *T0d@s*. Que pergunta difícil. Atualmente eu tô gostando muito de crisântemos. Mas brincos-de-princesa têm uma história toda especial pra mim.

// 11: Quando pequena, o que você queria ser quando crescesse?

Bruxa. As in amiga do Harry Potter. Talvez a resposta mais exata pra essa pergunta seja: professora de História da Magia em Hogwarts e crush do Lupin.

// 12: O que você guarda embaixo da cama?

Roupa de cama, almofadas sem uso, mochilões, pedaços de madeira, lousa de cavalete, mochilas, um pedaço de manta acrílica que sobrou da cabeceira, tecido, um duende e um vampiro, um colchão inflável, o enchedor do colchão inflável…

// 13: Você se considera organizada ou bagunceira?

Apesar da resposta acima, extremamente organizada. Minha cabeça é completamente caótica, se minha ~vida real estiver bagunçada, eu travo.

// 14: Se você pudesse viver em qualquer lugar do mundo onde seria?

Tenho a impressão que Barcelona. Nunca fui.

// 15: Qual o seu filme favorito?

Bem modinha vou dizer Okja.

// 16: Qual o ator ou atriz que dizem que você se parece?

Risos.

// 17: Diga uma coisa que as pessoas não sabem sobre você.

Eu tenho um irmão mais novo, eu guardo muita tralha embaixo da cama, eu acho que viveria maravilhosamente bem em Barcelona, eu sou faixa preta em Tae Kwon Do, eu não tenho dinheiro nem pra carregar o celular.

// 18: Qual a última mensagem do seu celular?

Vivo informa: Seu saldo e de R$ 3,08 valido ate hoje. Já recarregou pelo *7000 opcao 2? Ligue agora e conheca essa facilidade.
Obrigada Vivo por alegrar meus dias ¬¬

QUAL TAG EU RESPONDO CAMBADA?

como eu me organizo financeiramente

OLHA ESSE POST.

Minha nossa senhora. Eu. Escrevendo esse post.

Um breve resumo da minha vida financeira: eu não tinha responsabilidade alguma até perceber que ter controle da sua vida financeira – leia: ter seu dinheiro para você fazer o que bem entender sem faltar nunca – é um dos maiores poderes que a gente pode ter. Não depender de ninguém, seja uma pessoa, um banco, uma instituição, é de uma liberdade incrível. É óbvio que 1) falo de uma posição extremamente privilegiada, empregada, CLT #sdds, em que me pagam mal porém direito, que não tenho filhos, que não tenho despesas com parentes doentes, ousseje, tatu dobem; 2) eu não tenho dinheiro para fazer tudo o que eu quero. Mas eu faço bastante coisa com o meu dinheiro.

Eu gosto de ter minha vida financeira planejada, em ordem e, de preferência, com uma previsão para dali 1 ano ou um pouco mais, porque isso guia meus planos, e me dá metas reais do que eu poderei estar fazendo nesse período. Mas, obviamente, esse meu planejamento vem da minha experiência turquíssima de vida, e eu continuo sendo de Humanas e nunca, nunquinha, vou entender porque a gente não pode simplesmente imprimir mais dinheiro quando algum estiver faltando. Nunca.

Partindo desse conhecimento hiper complexo de economia heh, vamos às minhas dicas para se organizar financeiramente.

  1. Eu anoto tudo o que ganho e tudo o que eu gasto: tá, eu não anoto absolutamente tudo – eu deveria, é importante, mas eu nunca lembraria de fazer isso. Mas eu anoto, sempre, todo mês, os gastos “fixos” e as compras “a compensar” (o famigerado cartão de crédito, mais sobre ele a seguir). Aluguel, contas (uma estimativa, pras que variam), gastos com gatos gatos com gastos, academia, pole dance, whey vegano risos, tudo vai pra planilha. Visualizar ali exatamente o dinheiro que você vai ter naquele mês te dá muito mais noção do quanto você tem para gastar.
  2. Eu uso praticamente só o cartão de débito: digo praticamente porque, infelizmente, a vida adulta me proibiu de continuar só no débito, às vezes a gente tem que passar no carnê das Casas Bahia, néam. Mas usar 99% o cartão de débito me ajuda a ter o controle real oficial de quanto dinheiro eu ainda tenho no mês. Sim, eu checo o app do banco quase todo dia, pra acompanhar. É importante. As compras de cartão de crédito entram na planilha ali de cima, sim, e vão sendo abatidas conforme as parcelas acabam. Esse jeito funciona muito bem pra mim porque eu nunca “deixo pro próximo mês” a não ser que seja uma compra grande (no cc), então, pra falar o português mais claro, se eu tenho 500 reais na conta, eu gasto 499 e FIM, nada de ficar no vermelho, nada de entrar nos juros, nunca.
  3. Eu guardo dinheiro todo mês: eu não guardo UM BAÚ de dinheiro todo mês, porque né mores, quem consegue hoje em dia? Mas eu guardo um tanto de dinheiro, sim, todo mês, nem que nos momentos mais apertados esse dinheiro tenha que ser menor que no mês anterior. Mas ter essa rotina cria o hábito mesmo, a gente se acostuma. Hoje, eu deixo essa transferência pra poupança programada – e anotada na planilha lá de cima! – assim isso se torna um “gasto mensal”, entra no planejamento. Sei que a poupança é um jeito bem tosco de investir seu dinheiro, mas enquanto eu não aprendo outros, pelo menos tá lá, guardadinho, o menino dinheiro. Recomendo fortemente: se tudo o que você puder guardar por mês é 50 golpinhos, guarde. Vai fazer diferença lá na frente.
  4. Extras são extras e essa é a parte mais difícil: cursos aaaaah meus cursos, viagens aaaah minhas viagens, reformas pra fazer sua parede cinza concreto queimado, esses “eventos” que demandam um bom dinheiro em situações específicas, isso são extras. E extras exigem medidas extraordinárias como: trabalhar mais #mandafrilas, vender coisas, trocar serviços, dar uns pulos, rodar umas bolsas. Por regra, essas coisas “grandes” eu sempre tento pagar antes do momento de uso, ou seja: se eu vou viajar, eu junto o dinheiro da viagem antes dela acontecer. O cartão de crédito fica “livre” pra surpresas, problemas e promoções no freeshop que.
  5. Cozinhem em casa cozinhem em casa cozinhem em casa cozinhem em casa: não de um jeito “economizem seu VR de 25 reais e vão conhecer o mundo”, porque né, minha gente, mas quem consegue cozinhar em casa sabe a diferença ABSURDA que isso faz, em termos de grana. Óbvio que não precisa ser sempre, óbvio que a gente vai pro bar comer uns queijo quente, óbvio. Mas, de verdade, a diferença é absurda. Ah, e não tenham carro 😉

Olha que adulta? Obrigada.

Eu não sou nenhuma especialista MESMO no assunto, mas conversando com os colhega, percebo que acabei criando um método que funciona bonitinho pra mim e, mesmo nos momentos de perrengue, dá pra aproveitar a vida bonitinho, comprando umas brusinha, pintando umas parede da cor da moda. Vou pensar até em criar uma consultoria “Como juntar 3 reais todo mês sendo jornalista em São Paulo”. Aguardem.

No mais, deletem esse meu post e foquem na coisa mais importante:

Beijos rycos de luz e desespero.

decoração de casa: nosso quarto

Vortemo com os posts mais aguardados desse Brasil. Eu sou tão tosca como blogayrinha que nem me toquei que deveria ter deixado o post da sala para o final, já que nada na minha casa vai ser tão legal quanto a nossa sala. Eita. Mas vocês continuam comigo, né? Por favor, continuem.

Tá aqui nosso quartinho:

Ele vai um pouco menos na linha hoarder que os outros cômodos da casa porque deus me dibre dormir num lugar atulhado de coisa, ia dar uma gastura assim. Ele não é uma graça desse jeito, bem clean? Eu ainda acho que falta muita coisa nessas paredes brancas aí, mas é sempre bom ter espaço pras coisas novas que a gente vai conhecer na vida, certo?

Os vasinhos são da Tok Stok, o quadro é da exposição da Yoko Ono no Instituto Tomie Othake e o bordado da loja Nós Lunares, na Galeria Ouro Fino.

E tem a cabeceira. A famigerada cabeceira que me rendeu tantos Isa de onde é a cabeceiraaaaaaaaaaa no instagram e com muito orgulho eu vos digo que: eu que fiz. Ela é composta apenas por uma placona de MDF cru, que custou tipo uns R$ 100, no máximo, um pedaço generoso de manta acrílica (tem em loja de tecidos) e o tecido mais maravilhoso do mundo, encontrado na minha segunda casa, a 25 de março. Com um grampeador de tapeceiro (é óbvio que eu tenho um grampeador de tapeceiro), tudo se resolveu. OLHA QUE COISA MAIS LINDA QUE ELA É.

O meu criado mudo é irmão gêmeo daquele que fica na sala, como móvel da vitrola – outro achadão da loja de móveis podrona com móveis ocasionalmente incríveis. E o monte de tranqueirinha que vocês já estão acostumados a ver, né? Dentro dessa caixinha maravilhosa da Camicado tá cheio de remédio pois hipocondríaca e velha.

Do outro lado da cama a gente tem essa imensa paredona, que um dia foi toda branca, e hoje tem essa tendência de parede pintada-pela-metade-meus-pais-estão-sem-entender-até-hoje. Eu não lembro a cor que eu usei mas nem por um decreto, mas ela é tão lindinha, um lilás acinzentado que dá paz assim, sabe? A gente optou por não colocar TV no quarto – o que não significa que não assistamos muita Netlix no computador hehe – pra tentar ser menos maluco e estressado. A caminha dos gato é da lojinha do Café Prejuízo. Os quadrinhos têm nossos votos de casamento <3 A tapeçaria na porta, que combinou sem querer com tudo, mas querendo, fui eu que fiz, pois muito prendada.

Agora eu definitivamente não tenho mais cômodos fofos assim pra mostrar, eita!

jardim

Brinco-de-princesa. Sempre que encontro um por aí eu lembro. Brinco-de-princesa na princesa da vó, e quanto eu brincava com aquilo, aquelas flores que certamente foram criadas pra enfeitar. A vez que comprei um vaso pra colocar aqui em casa, não durou uma semana. Já veio meio sem vida, meio torto, mas a gente aprendeu a ter fé e a dar chances, a por mais bruta que seja, que pareça, a ver a beleza. Deu certo não. Não durou uma semana, e nunca nenhum vai ser tão bonito quanto os que subiam feito trepadeira no corredor da casa dela, juntavam abelhas e viraram enfeites, davam trabalho e alegria.

Já não tão bonito ou agradável de contar é o jeito com que minha avó matava caramujinhos: esmagava com a parte de trás da colher um a um, um gigante dos dedos grossos e enrugados e fortes como eu nunca vi, creck creck creck. Hoje eu me arrepio ao barulho enorme que fazia os corpinhos tão pequenos, hoje eu julgo e sinto pena, hoje eu acho um absurdo. Da maldade intrínseca dos meus 6, 8 anos, eu ria ria ria, mal podia esperar chover de novo pra uma nova leva de chacina. Creck creck creck. A mesma delicadeza de quem conhecia uma a uma as mudas, as plantas, as flores, de quem conversava com os passarinhos e cantava as canções do rádio de um passado que nunca pôde ser seu, as mesmas mãos fortes que faziam e criavam e montavam. O mesmo respeito pelo tempo da vida, do sol, da chuva, de cada folha que nascia e de cada uma que morria, a mesma ciência milenar do tempo das plantas que tratava com tanta displicência o pobrezinho do caramujo.

O dia que ela jogou um maracujá murcho murcho e dali nasceram tantos outros, a maior magia que a minha bruxa nariguda pessoal já tinha feito. As folhas da hortelã que ela cortava e esfregava no meu nariz – será que eu vou ser a bruxa de alguém?. A babosa que eu ajudava a raspar com cuidado tem espinho e virara unguento, a melhor palavra inventada que na verdade existia mesmo. As sementes de tudo o que dava e ela cuspia direto nos pedacinhos de terra que nem eram muitos, mas que já foram tantos, que tanto cresceu, que tanto deu. Que fim deu? Nunca vou me perdoar por não ter levado uma mudinha que fosse pra cultivar você pra sempre comigo. Comigo. Ninguém. Pode. Espada de São Jorge. Algo forte e cascudo e bruto, da terra. Tipo caramujo que a gente esmaga com a força da colher e os dedos grossos.

Eles comem as plantas, minhas plantas, meu jardim.

 

Inspirado pelo texto As plantas das nossas avós, da Yasmin Thayná, no Nexo.