somente o necessário

Viajei recentemente pra uma outra capital, que não São Paulo ou Rio de Janeiro. Ficamos dois dias corridos e, no final, com a sensação de “deu pra ver tudo”. Tudo. O que é isso, tudo? Por um momento conversamos sobre não saber se adaptar a tão pouco. “Aqui é tranquilo, as pessoas são educadas, ninguém te bate no caminho, desviam de você como se você realmente existisse. Mas não tem muito o que fazer, né?”

E precisa?

A velha dúvida de pegar os gatos e fugir pra uma casa no meio do mato é e sempre foi essa: mas vai ter o que fazer? Pra quem fugiu de São Bernardo e foi morar bem no Centro de São Paulo, que na primeira semana ficou completamente absurdada com a quantidade de lugares-passeios-eventos que poderia visitar sem demorar 2h30… Será que dá? Sempre me questionei. Se a ansiedade bate a cada final de semana e varia entre “como é que eu vou dar conta de fazer tudo?” e “as pessoas estão fazendo mil coisas em mil lugares diferentes e eu não estou fazendo nada!”. Se, nas férias, o que me corrói é “por que eu não estou visitando lugares desconhecidos?”. Será que dá? Ficar sem nada. Ficar com tão pouco. Ficar com dois dias corridinhos e acabou?

Ou a gente é que é maluco mesmo? Ou é o Instagram o Facebook o Swarm, ou são as mil e umas stories de gente se divertido e postando e frequentando e sendo o que a gente nem sabe se é verdade, mas são, que deixa a gente assim? Ou se dois dias e acabou está bom, e um ou outro bar, e um ou dois restaurantes, e menos brigas porque não fazemos nada de diferente, será que são suficientes? Será que cozinhar, que produzir em casa, que juntar amigos novos, de não fazer nada, será que seria o suficiente? Será que uma casinha e um jardim, e os gatos, sempre os gatos, e passarinhos e outros bichos que eu teria que me acostumar? E fotos no Instagram que fossem menos hypadas e mais verdadeiras, e uma ou outra visita ocasional pra matar a saudade de ter que estar em 256 lugares ao mesmo tempo, e uma ou outra tatuagem, e comer no restaurante vietnamita outra vez?

E viver com menos, e precisar de menos, e ter menos, e ter mais.

 

Será que seria suficiente? Será que algum dia vai ser?