coisas da vida

ser mais consciente

Deve ser a idade. He.

Mas a real é que desde o ano passado (ou o outro, pra mim 2014 e 2015 foram uma grande massaroca de dias) eu tenho prestado mais atenção e mim e nos meus hábitos. Isso não quer dizer de maneira nenhuma que eu estou efetivamente fazendo alguma coisa boa pra mim. Claro que não, migas. Isso só quer dizer que eu tô prestando atenção na quantidade de besteira que eu compro/consumo/como/leio/tenho na vida e fico aqui me culpando constantemente por isso.

Tá. Não é bem assim. Eu tenho tentado. Já é um primeiro passo, né? Mas a verdade é que numa mistura de timing pessoal e tendência mundial, a vida tem me apresentado opções mais “low”, mais orgânicas, mais pessoais, mais feitas em casa, mais naturais, menos industrializadas e mais verdadeiras em quase todos os aspectos. Percebi isso esses dias quando uma amiga se referiu a mim como natureba. Na. Tu. Re. Ba. Atenção. EU. A Isadora. Natureba.

Vai chegar mesmo o meteoro, mores.

Daí que eu decidi botar isso pra fora (aqui, claro, meu pinico virtual) porque 1- eu preciso aceitar que estou fazendo deliberadamente coisas boas pra mim mesma, ainda que elas não sejam grandiosas; 2- vai que eu ajudo alguém, sei lá. O processo é lento e não tem nada de radical-natureba-virei-hippie não, e se eu, a rainha do Cartão Renner, consegui, vocês também conseguem. Acreditem. A chave está, eu acho, em ser mais c-o-n-s-c-i-e-n-t-e, antes de escolher um time, uma seita, uma religião. Ser mais consciente significa ir atrás do que você está consumindo, seja no cartão de crédito, seja no seu corpitcho maravilhoso, como e porquê aquilo chegou até ali. A gente vive nesse mundo maravilhoso na tecnologia, então gente, dá pra saber. Tudo. Até demais. Até te fazer ter culpa. Com razão. Com motivo. Vai atrás, vai!

Cês sabem que eu sempre fui extremamente consumista e acumuladora. Deveria ter sido mais zelosa com meu dinheiro? Aaaah miga, conte-me mais sobre isso. A questão é que em meio a mudanças (várias), casa nova, novas preocupações financeiras e também, e acho que especialmente, um amadurecimento pessoal mesmo, sobre a vida e as necessidades reais da gente, essa fase – longa, duradoura e sombria – foi passando. E hoje tenho que lidar com aquele processo de destralhamento que é bem dolorido e importante.

Primeiro foi – e continua sendo, porque é IN-FI-NI-TO – com as roupas. Foram muitos anos de acúmulo completamente desenfreado e os reflexos disso ainda são visíveis no meu dia-a-dia, seja nas várias e várias roupas que nunca sequer saíram do meu armário, como naquele impulso imediato de entrar na Forever 21 4X ao dia. Mas estamos tratando esse probleminha, né, gent? E nesse processo tem muiiiita gente ajudando. Essa tendência ~mundial~ das amigas blogueiras sobre pensar tudo isso tem trazido muito material bom pra gente se inspirar, desde as meninas do ótimo Girls With Style, até a Gabi do Teoria Criativa, que tem feito da teoria do chamado “armário cápsula” quase uma religião!

E como nada desse processo seria possível sem a internet, vou deixar aqui os links aos quais eu sempre recorro quando estou prestes a ter uma recaída: O closet mais simples do mundoRicota Não Derrete | 10 ways Pinterest can help you refine your personal styleInto Mind | How to build the perfect wardrobe: 10 basic principles – Into Mind | 5 questions to ask yourself before buying a new wardrobe item – Into Mind | Qual é o número ideal de roupas que a gente precisa? – Hoje Vou Assim Off | Descanse, organize, experimente – Hoje Vou Assim Off | Como desapegar roupas e viver mais leve e feliz – Pequenina Vanilla | Tudo da Oficina de Estilo, especialmente o post Não é sobre “o que”, mas sim sobre “como”

Também faz parte uma preocupação maior com os cuidados pessoais. No segundo semestre do ano passado eu decidi parar de tomar anticoncepcional – ponto de virada importantíssimo dessa fase, que deu aquela reviravolta na vida, super complicada e de difícil adaptação mas que, uma vez passada, foi a melhor-coisa-que-eu-poderia-ter-feito. Só que, claro, minha pele fez CABUM DE VOLTA À ADOLESCÊNCIA. Pesado. Esse, que sempre foi um super problema pra mim, “físico”, hormonal e de autoestima, voltou com tudo numa fase complicada e me fez prestar mais atenção no corpo como um todo: o que eu como influencia? Exercícios mudam minha pele? Tudo mexe, gente. Nessa pegada eu descobri os produtos bacanérrimos da Lush (frescos, feitos à mão, sem testes e animais e, na sua maioria, veganos) e também uma porção de coisas sobre óleos essenciais e ativos mais naturais que ajudam com probleminhas do dia a dia e evitam que a gente se entupa de coisa artificial e feita em laboratório. E tem também esse texto muito legal com 5 Passos Para Aprimorar Sua Rotina De Beleza De Maneira Holística.

No começo do ano, o Mode.Fica – que é um dos sites mais legais que rolam hoje em dia, “uma plataforma para mulheres feita por mulheres e tem como princípio básico a moda e o estilo de vida consciente” – e a Insecta – loja vegana de sapatos in-crí-ve-is – lançaram, juntos, um guia de 10 passos para um 2016 mais consciente, um e-book lindo e com sugestões bem simples para começar a pensar mais no que a gente faz diariamente. São dicas tranquilas mesmo, gente, que vão de “faça atividades que te ajudem a se relacionar com você mesmo” a “troque o mercado pela feira”. Tá vendo? Possível. É só olhar um pouquinho pra rotina com mais carinho.

Miss Bean para Sketcharound, retirada do ótimo texto 5 Passos Para Aprimorar Sua Rotina De Beleza De Maneira Holística, do Mode.Fica”

 

Muita coisa ainda tá capenga. Tipo, eu decidi diminuir radicalmente o consumo de carne e leite em casa (até por questões “médicas”), mas confesso que está sendo infinitamente mais difícil do que eu esperava – não pela vontade de comer, mas pela treta de cozinhar. Por enquanto, estão rolando algumas adaptações, mas uma hora eu chego lá! E também tem aquela boa e velha história do exercício físico que, sem or, como é difícil. Honestamente, é um martírio entrar em uma academia pra mim – eu ainda não consigo “ir atrás de um exercício físico que eu ame!” (leia essa frase com corações nos olhos de quem ama fazer exercício físico) pois não há dinheiro que pague, né gent. Mas, eu voltei pra ioga yey! Já é um passinho. Não desistir. Continuar. Vamoquevamo.

Disso tudo, nasceu uma coisa aqui em mim muito bonita e bacana e terapêutica que é a vontade de fazer as coisas. Algumas coisas. Qualquer coisas. Coisas. Mesmo que eu não saiba. Porque existe uma infinidade de maneiras para aprender e uma infinidade de coisas pra serem feitas. O que antes eu chamava de angústia e ansiedade, passei a ver que só precisavam efetivamente ser feitas.

Mas isso é assunto pra outro post, né? Por enquanto, fica aqui esse textão de autopromoção imenso que é pra eu voltar a ler toda vez que bater aquela bad de MENINAQUECÊTÁFAZENDOCASUAVIDA, porque, vira e mexe, a gente precisa de um tapinha nas costas mesmo.

19 Comments

  • Jade Maranhão

    Isso de casar e ter uma casa pra chamar de SUA muda muito a gente, amadurece mesmo. Fiz isso muito cedo, aos 21 22, anos. e foi um dos marcos mais importantes da minha vida.
    Eu acredito muito nessas mudanças graduais, porque foi assim comigo e vai ser sempre assim com qualquer um que mude de verdade. Também ando natureba, com menos carne, nada de açucar… e até escolhendo minhas roupas nas lojinhas locais ao invés de lojas de departamentos. E não é coisa pouca pra essa louca do cartão Renner aqui.

    Mas depois de ler esse post, acho que vou voltar pra yoga também.

  • Marina Ribacki

    Sei nem o que falar. Tô nessas também de mudança, de repensar a vida, de olhar pra trás e pensar que tô velha etc. Acho que colocar um tico de pensamento em todas as coisas que a gente faz já muda muito. E sobre exercícios: preciso.

  • Camila Faria

    Oi Isa. Em primeiro lugar: parabéns querida! Acho que uma das coisas boas de fazer aniversário é justamente esse amadurecimento e essa vontade de ficar melhor (pra gente mesmo e não pros outros). Uma coisa que eu tenho feito muito e que tem me feito muito bem (e que vou te indicar porque somos soul-mates) é diminuir consideravelmente o tempo online. A gente acha que faz muita coisa, que é muito ocupada e produtiva porque ficamos horas e horas no computador, mas no final das contas, não estamos efetivamente fazendo nada demais ~ e nada de bom.

    E sim, yoga = amor. ♥

    • Isadora Attab

      camis ♥

      ai menina, num é? e essa coisa de celular, que consome a gente? e ao mesmo tempo, se desconectamos, você não fica com aquela sensação de “perdi tudo o que tá acontecendo no mundo”? confesso que pra mim é bem complicado me desconectar totalmente, mas estou tentando, ao menos nos finais de semana, tomar mais cuidado com o tempo.

      yoga ♥

  • Nicas

    Eu te amo cada vez maaaaais! (inclusive, obrigada pelos comentários sempre maravilhosos lá no blog que eu sempre acho que preciso estar loucamente inspirada para responder a altura e acaba que vai passando)

    No meu 30 antes dos 30 foquei quase tudo em hábitos. Assim como você, tenho dado cada vez mais atenção para as atitudes diárias e rotineiras (estou avançando a passos e tartaruga, mas segue em frente, deus no comando). Botei lá que quero fazer Whole 30 de novo (um projeto em que você fica 30 dias sem nada industrializado), que vou fazer armário cápsula em pelo menos duas estações, que vou consumir menos, que vou vender um moooooonde de roupas (você ia montar uma lujinha também, não ia? Vam chamar as miga tudo pra um bazar?).

    E, claro, tem a Amanda Palmer, né? Essa mulher que sacoalhou a minha vida e me mostrou que tudo que eu quero na vida agora é ser leve.

    • Isadora Attab

      ô meu amooooooooooooooooooooooooooooor ♥

      DEUS NO COMANDO define a vida ultimamente.

      miga, sério: quando sai esse bazar? eu tô precisando monstruosamente fazer isso. ia marcar lá em casa, mas deu ruim, e tô achando que não vai ser uma boa. será que a gente marca no parque? no Minhocas? onde, onde? preciso, preciso, preciso.

  • Isa

    Oi, Isa! Descobri seu blog essa semana (olha que atrasadinha) e to apaixonada. É uma sensação deliciosa quando a gente descobre um cantinho novo, onde a gente pode se identificar e se inspirar! Ganhou uma leitora. Beijos pra você!

  • Lorraine Faria

    ahhhh e esse é um caminho sem volta né? pequenas mudanças que vim tendo nos últimos tempos, tô percebendo que são irreversíveis. algo do tipo: a mente que se abre a uma nova ideia jamais retorna ao tamanho original! e é a mais pura verdade. é tempo de estarmos mais atentos MESMO ao nosso consumo errado e exagerado… ainda tô bem distante do meu ideal, mas vida que segue! uma hora a gente alcança :** Ja fomos legais

  • Stephanie Salateo

    primeiro tenho que dizer: eu amo seus textos. pronto. agora esse lance de viver com menos, eu nunca fui consumista, mas me apegava a tudo que tinha, dai acumulava uma tonelada de coisas (principalmente roupas) que não usava há anos. já faz uns 4 anos que me desapeguei e vivo com poucas peças é libertador quando você percebe que não precisa de nada daquilo, que o básico tá ótimo mesmo.
    cuidar da saúde eu parei demais, tô nessas igual você de encontrar a atividade que amo, na verdade eu curto pilates e yoga, mas quem disse que eu tô vencendo a preguiça? pelo menos eu parei de comer carne, mas não tenho tido grandes dificuldades em cozinhar, mas acho que é aquele lance de que fica mais prático fazer um bifão com arroz, né?
    força ai, que eu vou salvar esse post pra me ajudar também e pra ler todos esses links maravilhosos que cê postou. :*
    http://salateando.com.br

    • Isadora Attab

      hahahaha linda ♥ obrigada!

      queria muito ter tido essa noção sobre consumo antes, viu? eu gastei MUITO dinheiro com idiotice, mas muito assim, que se paro para olhar pra trás e fazer conta, eu choro (de verdade). ainda bem que isso melhorou bastante. mas esse movimento de desapego é uma coisa muito incrível, porque além da parte prática – aka DINHEIRO -, tem também toda uma vibe de energia e abertura de espaço #gratidao #hippie #mariekondo também, não tem? eu sinto!

      ai menina, essa coisa de se cuidar é. treta. pois pedir hamburguer é tão gostoso, néam? hahahaha! e o exercício físico, eu JURO que tô tentando descobrir algum que me agrade, pq eu não aguento mais o círculo me sinto feia -> vou na academia -> me sinto mal -> como -> me sinto feia. não é POSSÍVEL que não exista um tipo de exercício que me dê o mínimo de prazer em fazer. deve ter, né? eu fui na aula teste de pilates e achei muito legal, porém 250 dilmas. vamos ver. tô aqui juntando as moedinhas pra ver se dá.

      sorte pra gente! ♥

  • Re Vitrola

    “deve ser a idade” É! hahahahhaha

    mas eu tô curtindo. muito, mesmo. na real, queria ser como essa galera xóven (sou jóvem, mas me refiro aos bem mais que eu) que já tem essa linha de pensamento (ou não, sei lá ahahha).

    mas toda essas novas tem sido boas. e confesso estar ansiosa para o que, no meu ritmo, está por vir. vamo, que vamo, né?

    bjim,
    Re

    • Isadora Attab

      cada hora é uma coisa nova, néam? xesus, é difícil de acompanhar. mas tudo bem, pq os xóvens estão falando disso no snapchat e a gente é velha e não usa snap então nunca saberemos o que estamos perdendo HAHAHAHA

  • BA MORETTI

    as crises, são tantas HAHAHAHA mas a gente vai que vai né. e vai se adaptando, descobrindo que gosta de coisas que antes era um ~deus me livre~ e todo o pacote de CARAMBA, ISSO É LEGAL SIM HAHAHAAHAH me identifiquei com teu texto, com esse pedaço da tua life. até me deu vontade de escrever sobre isso, quem sabe ♥

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