internet love

por uma internet mais afetiva

Esse vai ser, provavelmente, o maior textão do blog.

Então. A gente sempre fala disso por aqui. A gente vive pra falar disso por aqui partindo do princípio que, quem já está aqui, sabe de tudo isso – e talvez seja essa a grande falácia da internet: a gente fala pra quem já sabe e não chega em quem precisa. Olha que filósofa, ela. Mas, existem coisas muito estranhas e legais e estranhas acontecendo. Tipo lá no instagram que a gente chegou num nível assim de “você é muito famosa”, e parece uma coisa nova e difícil de lidar, que intimida, que expõe, que você não sabe os limites – quando na real você já estava sentada gostosinha no seu sofazinho da internet há algum tempo.

Há mais tempo do que eu consigo lembrar.

É engraçado como, quando a gente “muda de rede social”, parece começar tudo de novo, do zero, independentemente de quanto tempo a gente está carpindo esse lote aqui. As pessoas não conhecem coisas básicas da sua personalidade que vêm te definindo desde sempre, que as outras – as amigas, virtuais mesmo, sempre – conhecem tão bem que às vezes parece que a gente convive todo dia junto. A gente convive todo dia. Desde sempre. Desde que dá pra se conectar. Desde o tempo que a gente fazia template no bloco de notas e usava usuários secretos de qualidade duvidosa.

Mas aí que vem essa coisa de instagram, de stories, de vídeo, de um novo formato. De novas pessoas e novos meios. De novas pessoas – já falei das novas pessoas? E de um novo cenário que mexe com a gente de um jeito que eu pensei que só fosse comentar lá com uns 50 anos, quando a gente para e pensa “na minha época…”. Pois bem: na minha época, a internet era diferente. E na minha época, também, a internet é diferente. E essa época tem uns 5-10 anos de diferença e a gente tá agarrada a cada uma dessas pontas quase sendo destrinchado e perdendo um membro no caminho. Apegado.

A gente ainda ama a internet.

A gente ainda ama a internet e eu estou me sentindo uma jovem senhora dando lições de etiqueta e regras de boa convivência na minha colônia de férias para moças que amam a internet. Listando no quadro negro, mesmo. Com um gato no colo e linhas de bordado enroladas pelas canelas. A que ponto chegamos! Mas a gente ama a internet e a essência do negócio – a conexão, não é mesmo? – ainda está lá. Ainda que soterrada por perfis-catálogos de compras, por personalidades autenticamente forjadas, por cópias descaradas e respostas sonsas. Sempre foi assim, não foi?

Esses dias numa festa de aniversário uma pessoa mais velha me disse: no dia seguinte aos meus 40 anos eu comecei a sentir minha vista cansada – assim mesmo, no dia seguinte. Com 39 eu estava tranquila, com 40 eu já não enxergava. É um tico assim que eu venho me sentindo. Se eu recapitulo 3, 4 semanas, 1 ou 2 meses, tava tudo normal. Eventualmente, claro, recebia uma ou outra mensagem meio atravessada, meio sem educação, achando que eu, como papel, deveria atender todas as perguntas do SAC a que a pessoa me submetia. Então, vieram mais alguns seguidores, alguns novos recursos e uma enxurrada de ONDE COMPRAS? assim, de ontem pra hoje. E eu, que sempre respondo a todo mundo, perdi o rebolado, sem entender direito se eu que deveria estabelecer o limite ou se o limite já tinha sido estabelecido e eu deveria aprender a jogar com ele.

Spoiler: eu tenho que estabelecer o limite. Estabeleça seus limites.

Desde que o mundo é mundo e a gente tem que lembrar cada um dos nossos usuários de gostos duvidosos, a internet tá aí pra gente desabafar, então eu desabafei. Desabafei, vieram outros desabafos – e vieram também incômodos de quem se sentiu cutucado sem realmente ter sido. Não há problema nenhum em você querer manter seu perfil online como um catálogo de compra/venda, seja lá qual for seu tema – só não é meu caso, que fique claro. O desabafo gerou aquele acolhimento que a gente, que tá aqui desde que o mundo é pixel, já conhece: uma imensa surpresa pra quem conheceu likes antes de comentários. Bobinhos. Internet é isso aqui.

Desabafo só não adiantou, não. Eu percebi que talvez todas essas coisas que me parecem tão simples e óbvias não fossem assim, pra grande maioria. E descobri: elas não são. Pra toda uma galera que mergulhou de verdade na internet já com algoritmos, truques e estratégias, elementos tão simples como “existe uma pessoa do outro lado da tela” e “não é porque está na internet que é ‘do mundo'” são desconhecidos. Bora ensinar, então. 1) seja educado: trate a pessoa “atrás do celular” como uma pessoa que você encontra na rua; 2) você não precisa ter ou ser ou fazer tudo o que aquela pessoa que você admira tem ou é ou faz; 3) se aquele conteúdo te inspirou, compartilhe; se você gostou tanto a ponto de fazer igual, credite. A gente ensina. As pessoas aprendem. Ou ignoram, mas recebem o recado.

(É bem Poliana da minha parte acreditar que as pessoas realmente não saibam disso, quando, na verdade, elas deliberadamente ignoram isso. Tudo bem. Seguimos assim).

Os desabafos, na verdade, geram aquela sensação de que “ainda há vida aqui dentro”. Como antigamente, quando a gente entrava em contato e esperava uma resposta – e recebia uma resposta -, como quando a gente marcava encontros, como quando a gente segura mãos virtualmente. Dá aquele ar de último suspiro de ufa, tem gente aqui. Gente do bem, gente bacana, gente que também não sabe muito bem o que fazer com tudo isso, gente que tem certeza do que fazer e vive pelejando por inúmeros motivos.

A gente tenta criar espaços para construir uma internet mais afetiva, também, isso vem dessas conversas com gente incrível que está disposta e cansada mas disposta a continuar. São vários os comentários, os incentivos, as palmas, e a internet tem disso mesmo: a resposta é muito rápida, direta e efusiva, você se sente imediatamente bem, claramente fazendo algo de útil e criativo e real. Dois minutos depois, alguém te copia, não credita, alcança uma porção de incautos, é repostada, chega onde você queria chegar, seja lá qual for esse lugar. O banho de água fria é proporcional e temos que aprender de alguma maneira bizarramente hercúlea ou bizarramente asséptica a não ligar. Respira. EU VOU LARGAR TUDO SAIR DA INTERNET EU NÃO AGUENTO MAIS. Respira.

desafio e imagens criados pela querida Ruby, do Decoração Afetiva, que virou amiga de angústias e risadas virtuais ❤

“A gente faz isso pra quê?” era o próximo tópico do meu rascunho pra esse post, porque é assim que a gente faz desde que o mundo é mundo: temos uma ideia, anotamos num lugar qualquer; começamos a desenvolver essa ideia em tópicos, e a gente anota tudo meio bagunçado pra não esquecer, porque essa ideia é boa demais e parece que tem muita coisa aqui dentro da cabeça e certeza que eu vou escrever alguma coisa. Estou aqui, desde às 9h, no feriado, escrevendo tudo isso, quando eu podia ter só feito mais um desabafo em formato de vídeo, com respostas rápidas, diretas, como se estivéssemos falando no whatsapp. De 10 mil, nem 10 chegarão até esse blog. Dos 10, nem 5 passarão do título. E eu duvido que se 2 ou 3 chegarem ao final do texto, vai resultar num comentário. Vamos ver?

Eu mais ajudo ou atrapalho? Eu trago alguma informação relevante? Eu estou promovendo uma cultura do consumo que angustia, que endivida, que despiroca? Eu ajudo alguém? Eu deveria estar preocupada com todas essas coisas? Só eu estou pensando nisso nesse momento? Baixa a sua bola que ninguém liga pra você?

obrigada Makinha, por compartilhar (o vídeo e tantas outras coisas ❤)

A gente faz isso pra quê? A gente gasta tanto tempo, energia, dinheiro até, a gente faz isso pra quê? A gente, que nunca achou que isso aqui fosse passar de um lugar de desabafos mal lidos, que nos surpreendemos a cada comentário novo, imaginando “de onde você veio”, um pouco feliz e um pouco assustado, de repente a gente se viu jogada no meio de um meio profissionalizado de repente, em que te cobram, te pagam, esperam de você. A gente faz isso pra quê?

Ao mesmo tempo, se formos pensar racionalmente, é meio burro entender que a gente tá produzindo tanto conteúdo – bom ou ruim, tanto faz -, gastando tanto tempo, tanto dinheiro, tanta energia, pra abastecer os mecanismo de uma rede social que não nos devolve nada, que nos têm amarradinhos bonitinhos sentadinhos, que nos domina tanto e que nos deixa tão exasperados. A gente faz tudo isso e sofre com algoritmos, a gente faz tudo isso e se sente obrigada a patrocinar posts, a gente faz tudo isso e fica triste quando não tem uma função básica do aplicativo: eita. A gente tá trabalhando pro tio Mark de graça e ele é dono de tudo aquilo, como bem disse a Lígia que, yey!, voltou pro lado de cá. A gente escreve lá, escreve aqui, posta lá, posta aqui, vê que o retorno é bem diferente e faz o que com isso?

Lembra quando a palavra “blogueira” remetia normalmente a alguém que escrevia? Sou dessa época, bem antes da palavra formar a imagem mental de uma pessoa que sabe posar muito bem para fotos e gosta de exibir mimos que ganhou de marcas.

– da newsletter da Aline Valek

Isa, a gente faz o que com tudo isso? Eu não sei. Eu queria ter o arrastinho do instagram para mandar cada um dos 10 mil seguimores virem parar aqui e entender tudo o que eu acho, quero, pretendo e espero da internet – mas a verdade, é que só uns 10 leriam todo esse texto. Eu queria ter todos os recursos do instagram sem precisar me enquadrar na categoria “perfil comercial”, tão impessoal e que vai me deixar tão noiada com tudo o que vem atrelado a isso. Eu queria conseguir viver – também conhecido como ganhar dinheiro sim – de falar besteiras pra vocês na internet, segurar a mão de quem me estende, mostrar os gatos tomando água do chuveiro. Eu queria escrever de boa e não dar satisfação. Eu queria fazer um mídia kit mas eu queria que nele estivesse escrito: por que raios vocês me dariam dinheiro pra falar sobre o que eu falo?

É muita coisa e eu não sei. Parece que a gente vai entender tudo isso melhor bem daqui uns anos, quando tudo já estive assentado e vamos olhar pra trás e pensar “poxa, eu deveria ter investido mais nisso…”. Ou não, quem sabe. Por hora, a gente escreve, a gente bloga, porque não há outra opção. A gente tira foto e faz pose besta e abre a casa e grava vídeos bocós porque é divertido. A gente ganha uns jabás de fazer cocô e uns presentes das pessoas que sempre estiveram por aqui, mesmo, e algumas novas que vieram e ficarão, certamente. Por enquanto é assim. E segue tentando entender essa coisa louca e linda que é a internet, fazendo o melhor que a gente pode e brigando com algoritmos e outros conceitos abstratos que não passavam na cabeça de quem apenas estava querendo um lugar pra ser à vontade, assim, como dava pra ser.

37 Comments

  • Raquel

    Adorável Isa, li seu textão até o final! Confesso que me identifiquei bastante – porque eu sou a veia da internet, eu tive conta no Geocities (RIP) e no Fotolog também. Eu estava na internet desde que fiz meus pais alugarem uma segunda linha de telefone para poder usar aquela internet discada no meio da madrugada e jogar RPG na BBS do colégio…

    Mas vamos ao que interessa: me identifiquei muito com o que você colocou aqui. Quero dizer, guardadas as devidas proporções, já que não tenho um mundo de seguidores ou um blog. Mas quanto às interações, concordo em gênero, número e grau. Interajo com perfis que eu acho legais e fico muito – muito mesmo – feliz quando vejo que o humano por trás daquela conta tirou uns minutinhos do seu dia e escolheu responder minha mensagem. Isso vale para aqueles que conheço pessoalmente e os que eu conheço apenas virtualmente.

    Amo ler blogs, de verdade. Então sou suspeita quando digo que vale muito a pena você continuar postando conteúdo aqui. Virei sempre visitar esse cantinho, independente de “arrastinho do insta”.

    • Isadora

      Geocities! hahaha!

      fico muito feliz de ter você por aqui e no insta, Raquel! mesmo mesmo, é por coisas como esse comentário e seu carinho sempre por lá que a gente continua fazendo as nossas palhaçadas ♥

  • Laura

    Ai, Isa. É tão gostoso parar um pouco, pegar um café e dar uma lida em blogs – e o mais doido é que tô aqui, na sua página mesmo, sem ser em algum agregador de feeds ou coisa parecida, cê acredita?
    Te leio já faz um tempo simplesmente porque você me inspira. Mas assim, de um jeito simples, sem peso algum. Dia desses tava procurando um lugar vegetariano pra almoçar e pensei “pô, a isa já deve ter falado disso” e procurei aqui alguma dica (acabei não seguindo nenhuma, mas quem sabe na próxima?). Não é porque eu quero suas roupas ou seus itens de decoração, mas porque de repente tem alguém que fala mais ou menos parecido comigo e que pode me mostrar coisas novas. Talvez seja sobre isso. Tem dias que eu perco horas vendo um monte de casa, roupas e vidas que nunca terei – e que provavelmente se pudesse ter, não teria. É um exercício diário de tentar estar mais presente em nossa própria vida e, ainda assim, resgatar o lado bom dessa internê toda: o compartilhamento de experiências. Tem gente que fala de um lugar que eu nunca vou ocupar, outros que falam de lugares parecidos comigo. Só que ninguém é igual a mim e a internet sempre foi sobre conhecer e compartilhar (pelo menos pra alguns de nós). E é uma merda que hoje quase tudo seja sobre recebidos do dia/mês. Parece que o sistema (vou ter que ser dessas) vai tirando pouco a pouco tudo que a gente tem de bom. Melhor dizendo, o sistema ataca nossos pequenos espaços de resistência. Não que a internet seja pura e revolucionária em si, mas tem algo de revolucionário nela (principalmente pra quem tá aqui desde sempre) que a lógica capitalista tenta sequestrar e destruir o tempo todo. E tem gente que se machuca nesse processo doido que é resistir e continuar buscando os diálogos que o mundo virtual pode trazer. É foda demais. E eu que sou bichinho sensível fico chateada com tanta gente que faz conteúdo daora – tipo você – passando por esse tipo de patifaria. Não tenho a menor ideia do que vem depois. Por hoje vamos torcer pra que tenha bastante gente bacana compartilhando esse espaço virtual. Fica bem e força, sempre. Um beijo! <3

    • Isadora

      AFE LAURA QUE COMENTÁRIO PESADO SABE SERÁ QUE ESTOU LACRIMEJANDO? ♥

      vou te citar no seu próprio comentário:

      “Parece que o sistema (vou ter que ser dessas) vai tirando pouco a pouco tudo que a gente tem de bom. Melhor dizendo, o sistema ataca nossos pequenos espaços de resistência. Não que a internet seja pura e revolucionária em si, mas tem algo de revolucionário nela (principalmente pra quem tá aqui desde sempre) que a lógica capitalista tenta sequestrar e destruir o tempo todo. E tem gente que se machuca nesse processo doido que é resistir e continuar buscando os diálogos que o mundo virtual pode trazer. Não tenho a menor ideia do que vem depois. Por hoje vamos torcer pra que tenha bastante gente bacana compartilhando esse espaço virtual.”

      você acertou em cheio. eu oscilo sempre, SEMPRE, em ser a pessoa que defende a internet com unhas e dentes, que fala sobre esse compartilhar, sobre encontrar pessoas que falam de um lugar parecido com o da gente SOQUE tem também esse outro lado que parece que vai tolhendo a nossa liberdade, transformando tudo em números, em consumo, em opressão. eita mundico doido esse que a gente vive, cadê a revolução? a gente tenta, sempre, manter nossos espaços de resistência por aqui (obrigada por identificar isso), mas tem dias que fraquejamos mesmo, não tem jeito. seguimos torcendo pro que vier, que seja melhor.

      e obrigada, de coração ♥

  • Ana

    Isa, eu sou uma pessoa que te acompanha há mais tempo do que você imagina. Já tive blog, sai e voltei… e você… você sempre continuou por aqui, cresceu e não mudou uma vírgula do que sempre foi! Admiro tanto isso <3

    Esse texto é com certeza um desses escritos que TODO mundo deveria ler. A internet tem me incomodado há algum tempo (eu até escrevi rapidinho sobre isso no meu blog há um mês mais ou menos) e eu custei a entender o que era. Fui percebendo o quão tóxico acompanhar certos perfis se tornou para mim. Eu vivia na ilusão de que acompanhar ~certas~ pessoas era uma mera forma de me inspirar, quando na verdade eu me torturava diariamente vendo tudo aquilo que eu não era e não tinha. Mas não sou dessas pessoas que acredita em abrir mão das redes sociais por isso (nem posso, pois trabalho na internet), então decretei minha independência e aos poucos vou dando unfollow (sem dó) em um bando de gente que me tira o sossego.

    Tô na internet há uma data… desde os templates cafonas e posts de 5 frases. Acho que a evolução da blogsfera e da internê, no geral é algo incrível, mas é algo que também abriu as portas para coisas horríveis. Para muita gente, se conectar com alguém pela internet é se conectar com um robozinho que faz e responde tudo aquilo que você quer. Detesto isso, mas acredito – assim como você – que tudo isso vai ser melhor compreendido daqui há uns anos. Enquanto isso, a gente vai fazendo a nossa parte e contribuindo para uma internet menos automática e mais humana <3

    • Isadora

      aaaaah que legal saber disso! eu adoro o seu (atual) blog, que bacana mesmo ♥

      a gente se sabota muito, né, mesmo no sentido de ficar seguindo perfis que não nos trazem nada de bom. é difícil, porque estamos inseridos nesse cenário que “tem que” muita coisa, inclusive seguir tendências, pessoas, estilos, assuntos. e eu acho que é ainda mais difícil pra quem, como a gente, tá aqui há tanto tempo, porque a gente realmente botou muita fé em tudo de um jeito muito genuíno, de quando não dava dinheiro, então imagina ver a galera fazendo milhões de baboseiras aqui por cliques e outros algoritmos, né? dureza. exige uma baita coragem seguirmos acreditando que vai ficar tudo bem, menos automático, mais humano, mais afetivo, menos estratégico. seguimos tentando!

  • Julia

    Pronto. Ganhou um comentário ao menos 🙂
    Não pare de escrever, mesmo com essa doideira da internet e as pessoas não entenderem que a gente “virtual’ também é a gente “real”. Adoro seus textos. bj

  • Tatiana

    Não sei como cheguei até você… O que sei é que era pra ser mais uma conta do Instagram que eu admirava as fotos, a decoração, os gatinhos E PRONTO. Mas foi tudo diferente! Te sigo há poucos meses e já aprendi tanto com você! E é isso que acho bacana na internet! É claro que é gostoso ver uma roupa bonita, um look que a gente tenta imitar, um sofá que enche os olhos… Mas o mais bacana é encontrar manas como você que nos coloca pra pensar, pra questionar… e ainda por cima nos presenteia com uma decoração bonita, bacana, prantinhas e gatos… Porra! Quem dera ter mais Isas no mundo (real e virtual), fia!!

    Aquiete seu coração. Vai levando, curtindo… sem pressão, sem “ter que responder”, SEJA VOCÊ! <3

    • Isadora

      Oi Tati! Que comentário mais lindo! Eu nunca imaginei ter a responsabilidade de ensinar nada pra ninguém, mas aí quando você me fala isso (ainda mais desse lugar tão carinhoso <3) eu só posso ficar imensamente feliz e orgulhosa, sabe? E acreditar cada vez mais que tem muita coisa boa na internet e que a gente pode sim modificar um tiquinho alguma coisa que acreditamos por esse canal. Obrigada, de coração ♥

  • Ana Luisa Bussular

    Ei! Eu li tudinho e vim aqui deixar um abraço <3 Acho esse movimento muito, muito necessário! E seu perfil me faz muito bem, viu? Fico com quentinho no coração e não, não tenho vontade de sair comprando as coisas que você mostra, porque acho que não é esse o intuito de quando você mostra seu cantinho.
    Beijos <3

  • Walisson de Sousa

    Em uma web malvadona e que amplifica o que nós realmente somos, é muito maravilhoso encontrar espaços que nos dão pontes para uma internet mais democrática, pedagógica e acessível.

    Ter esse diálogo sobre afetividade e internet; a responsabilidade que existe nesse espaço; as construções feitas é algo importante e maravilhoso.

    Sempre lembrando que todos somos responsáveis por algo que postamos e devemos -eu sei que é complicado, mas é uma atividade diária- ser didáticos e compreensíveis.

    Isa, muito maravilhoso.

  • Alexandre

    Moça, meu blog tá lá jogado há uns 6 meses sem atualização, porém não desisto dele. Faça isso, se você gosta mesmo de escrever, mantenha ele, deixe num servidorzinho seu, com seu template, porque é seu. E escreva sem se preocupar em audiência. Você pode até tentar ganhar dinheiro com outras “presenças” na internet. Mas essas outras “presenças” passam. A internet “do nosso tempo” na verdade era um acessório para algo mais, hoje em dia a coisa gira em falso. É audiência pela audiência. Algoritmos por uns trocados. As idéias mesmo estão escassas, as vivências. E principalmente a escrita.

    Não perca esse hábito. Eu acho que você é mais escritora do que qualquer outra coisa.

    Continue escrevendo, que eu estou lendo (e as vezes comento). rs

    🙂

    • Isadora

      menino, você não sabe o quanto teu comentário mexeu comigo. tô respondendo esse post inteiro depois de um tempão porque teve uma frasezinha aí que reverberou tanto que eu tô com as orelhas doloridas por dentro até agora: “Não perca esse hábito. Eu acho que você é mais escritora do que qualquer outra coisa.”. sabe, eu vivo procurando “meu trabalho”, que com certeza não é meu trabalho ~oficial, mas que também nunca entrei em milhões de cursos e oficinas por aí. daí você me vem com essa que era o tapa que eu tava precisando que viesse de fora mesmo. obrigada ❤

      e sim: instagram, facebook, youtube, tudo isso passa sim, passa rápido, inclusive. esse canto sempre vai existir, ele é tão meu, ele é tão nosso ❤

  • Ludimila

    -pausa- “E eu duvido que se 2 ou 3 chegarem ao final do texto, vai resultar num comentário. Vamos ver?” Esses dias mesmo eu tava pensando justamente nessa parada de ler e não comentar (eu sou essa pessoa). Sou leitora fantasma de muuuuitos blogs e me sinto muito mal por isso porque eu mesma sei como é chegar em casa à noite e receber uma notificação de que alguém se deu ao trabalho de comentar sobre o que eu escrevi, então resolvi sair das sombras sempre que possível pra dar esse apoio pra quem cria conteúdo e às vezes tá só esperando aquela resposta, aquela troca de ideia com outro ser humano do outro lado. -despausa-

    Depois de 7 anos capinando nesse país internet, uma parceria legal apareceu e eu simplesmente não sabia lidar com aquilo, me perguntei se eu deveria estar fazendo aquele post mesmo gostando de verdade da proposta, só porque não era mais um desabafo aleatório no blog, é exatamente esse sentimento de “como você chegou aqui?”… “se eu aceitar vou virar um número?”.

    Essa reflexão da internet afetiva é muito importante, parece que rola uma pressão pra galera ir aos poucos perdendo a personalidade e ir se encaixando nos algoritmos, e essa galera deixa de ser galera, vira um número, daí parece que tá todo mundo falando da mesma coisa, e até usando as mesmas palavras (eu por exemplo desisti do facebook-página depois de pouco tempo), e eu amo o fato que seu blog e seus outros cantos na internet fogem completamente disso, tu é uma inspiração pra eu não matar as plantinhas e ter vários gatos quando for morar sozinha <3

    Acho que essa foi uma resposta bem confusa pro texto, mas o fluxo de pensamento foi pesado aqui hahaha

  • Claudia Hi

    Eu sempre acho incrível como você (e outras meninas) fazem daqui um lugar mais humano e real. Vocês não ficam enfurnadas atrás do computador só escrevendo e postando fotos. Vocês produzem um conteúdo verdadeiro, se enturmam na vida real e acho que isso é mais do que inspirador.

    Acho que o mundo sempre vai ter aquelas turminhas de escola sabe. Tem a turma do fundão, a da frente, a dos cantos, a dos que nunca vão pra aula… continue com a sua turma Isa, sempre vai ter gente pensando da mesma forma que você. E encontrar a sua tribo, mesmo que pequena, é maravilhoso! ♥

  • iana lua

    nossa, nem sei o que falar. compartilho tantas dessas angústias e desses questionamentos… não quero ser a saudosista chata, mas que saudades dos tempos de blog! a internet era mais afetiva naquela época, não? sinto que as pessoas se dedicavam mais a conhecer o outro e por isso tinham mais empatia, menos preconceito, mais sentimento.
    fiz um post esses tempos questionando minha presença virtual e essa cobrança de ser alguém na internet. ainda não tô sabendo lidar. tem dias que amo, tem dias que quero excluir todas as redes sociais. hahaha. ficaria só com o blog, porque blog é muito amor.
    que bom te ler por aqui!

    • Isadora

      era sim, amiga, era muito mais! acho que é pelo simples fato que a gente fazia o que fazia única e exclusivamente porque gostava – no começo, não tinha dinheiro envolvido né? a gente nem sabia que dava pra ter! também penso que tenha a ver com as plataformas: enquanto tivermos instagram, youtube, facebook, ficamos muito à mercê de algoritmos que são pensados mesmo para negócios, que impulsiona perfis X por motivos X, que esconde outros. daí, não tem jeito. a gente faz a resistência continuando por aqui, escrevendo, postando coisas mais “nossas”, tentando nos manter fiéis ao que sempre fomos. o retorno é muito gostoso quando a gente consegue ❤

  • Nayara

    Li seu texto até o final e não poderia concordar mais! O instagram deixou tudo padronizado e monótono em nome dos algoritmos. E eu adoro saber que ainda há quem preze por mostrar o real, o vivido e não o que é montado, assim como você! Adorei o texto, me fez refletir. Obrigada!

  • maki

    eu nem sei o que comentar de tão incrível que é esse post e por isso te chamei no Whatsapp como você bem sabe, mas precisava deixar aqui a minha STANDING OVATION! é isso, brigada.

  • Nathalia

    Depois de chegar ao final do texto, senti um alívio tão grande ao pensar “TEM ALGUÉM QUE SENTE EXATAMENTE O QUE EU SINTO”.
    E parece um pouco de ironia. Mesmo sendo muito nova aqui (tenho 18 anos, lembro de ter entrado no mundo da Internet aos 10 anos) venho sentindo essas mudanças que a Internet está passando.
    Diante dessa angústia toda, e quem sabe até de uma falta de esperança, esse texto me ajudou a aceitar melhor essas mudanças.
    thank you ♡

  • Fêh Zenatto

    Isa, tu é sempre certeira!
    Eu comecei a ter esse pensamento de ‘por quê sigo escrevendo, sigo postando, sigo compartilhando, sigo lendo e sigo assistindo’ depois de me formar.
    Ter uma profissão mais conservadora faz com que a gente conviva diariamente com pessoas que enxergam a internet como perda de tempo, como aquela ali que tem um blog e fala umas bobagens, nesse tom bem depreciativo mesmo. E a gente, inevitavelmente, se pergunta porquê.
    Eu decidi que porque sim, porque me faz bem, porque faz parte de mim muito antes de ser alguém na vida e ter que ganhar dinheiro, porque se paro sinto falta. Não é, realmente, fácil de explicar mas a gente ama a internet!
    E é por textos como esse e posts como esse e instas lindos como o seu – e por gatos maravijósos como os seus – que seguimos!

    Beijos!!

    BLOG COISA E TAL

    • Isadora

      querida ❤ e a gente também tem que parar de tratar de maneira depreciativa esse nosso “segundo trabalho” (seja qual for o objetivo que tenhamos com ele, né?), senão isso só continua: ficar brincando de “blogueirinha”, “recebidinhos”, fazendo gracejo sobre o que realmente é um trabalho, demanda tempo, energia, recursos! seja qual for o motivo de continuarmos, que seja com leveza, mas também com a consciência de que estamos construindo isso juntas, né? 🙂

  • Karina Marques

    Sinto muita saudade da época em que escrevíamos e recebíamos comentários sobre o assunto e não “gostei, segue de volta?”. Ando muito, mas muito saturada dessa nova geração de blogueiras que só fazem look do dia. Algumas vezes só quero ler um post sobre algo que não deu certo, sobre uma lição aprendida e não aquele filtro de “vida perfeita” que as redes sociais passam. Amo escrever desde que me entendo por gente e desde 2010 sigo escrevendo em blogs, tentando fazer a coisa andar e me pergunto quase todos os dias “por que continuo aqui?!” ou “por que topei essa parceria?”.
    Acho que a real é que a gente escreve e continua escrevendo porque já é natural como respirar.
    Muito obrigada por esse post. Beijo enorme! ❤

    • Isadora

      no final das contas, a gente continua por isso, né? eu acho que está cada vez mais difícil PORÉM quero e me forço a acreditar que vai ficar tudo bem, que tem jeito, que vai dar certo, que existem caminhos. seguimos tentando!

  • Nathalia Pirola

    Isa, eu que nunca comento, senti vontade de me manifestar aqui, e dizer que li até o final!! Deveria fazer isso mais vezes, porque pessoas como você que fazem isso com tanto carinho e autenticidade precisam sentir que tem gente do outro lado. Gente que te acha muito massa, e muito engraçada, e muito autêntica e que gosta tanto desse espaço porque ele é sincero. Espero que encontre as respostas que precisa, mas até lá saiba que o que faz aqui chega pra muito gente, se sinta querida linda, porque você é ! Beijos

  • BA MORETTI

    o que me assusta nessa nova internet, por assim diz, é que, diferente do que eu sentia com os blogs, quanto mais a pessoa se abre mais impessoal vai ficando. eu tô doida? a sensação que dá é que tem rolando um distanciamento absurdo! tanto que quando ainda rola um troca de mensagens, admiração, whatever, na internet eu fico naquela mixed feelings de surpresa e alegria. e a gente nem sabe direito o que sentir e achar disso tudo né? sei lá, eu tento acompanhar e me adaptar, aprender a tirar coisas boas disso tudo.

    por mais que tenha sentido uma queda na interação do blog, eu sei que é lá que eu ainda sinto que rola toda uma troca de vivências, de carinho, intimidade mesmo. um exemplo tolo numa visão talvez meio egocêntrica da coisa. eu sei que é no meu blog e no teu blog que eu vou me sentir em casa, num café da tarde, trocando ideia, compartilhando e fazendo parte. é nesse meio que eu sinto esse tipo de interação. já no instagram é tipo acompanhar de longe, é ver por outros ângulos, ser mais plateia. e tudo bem sabe? acho que cada veículo tem um propósito e mesmo quando moldados pela mesma pessoa ele funcionará de formas diferentes. até porque a vida não é só isso né. ainda assim a gente tem a nossa vida offline, nossos perrengues e tudo mais.

    no fim das reflexão tudo a gente continua sem saber muito o que achar das coisas HAHAHA só segue refletindo e vivenciando tudo. com uns questionamentos aqui, outros ali. uns coração quentinhos e umas tristezinha. faz parte 🙂

    abraço apertado ♥

  • Amanda

    Oi, Isa!

    Que saudade de um textão. <3
    Olha, te entendo demais. Não faço, inclusive, a menor ideia de como lidar com essa nova vibes blogueiras, nem fotogênica eu sou para isso. Tanto que meu blog foi morrendo, morrendo, morrendo até eu finalmente ter a decência de admitir a perda, enterrar e seguir em frente. É difícil demais escrever algo hoje em dia, sabendo que: a. não vão ler; b. vão ler pela metade e perguntar algo que está no post; c. iriam preferir um post cheio de ibagens e desenhos, que nem os nossos livros infantis.

    Parece que viramos todos crianças grandes, que não têm 1 pingo de poder de concentração e muito menos a educação de pessoas adultas. Triste. Mas pessoas como você me fazem manter um pouco da minha esperança acesa. <3

    Bjs e continue com seus textões!

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