o que eu aprendi sobre ser famosa na internet por um dia e meio

Eu não sou famosa na internet. Sim, eu tenho bastante seguidores – especialmente no instagram, e ainda bem que lá – e sou relativamente conhecidinha no meio bloguerístico, mas é mais por estar aqui desde que tudo era realmente mato do que por qualquer outra coisa. Eu não sou famosa-famosa, as pessoas não me conhecem, nada do que eu faço tem grande repercussão. E eu ouso dizer que só considero esse lugar tão acolhedor e bacana, tão casa, tão o lugar onde moram várias amigas, o local em que eu consigo me expressar tão bem, é porque construí, meio sem querer, meio querendo bastante, uma rede segura, de afeto, de carinho, que se ajuda e se motiva, e se gosta minimamente (e, em alguns casos, maximamente mesmo risos).

Daí esses dias um site de decoração veio aqui em casa. Não vou linkar tudo nesse post de desabafo pois não acho justo que as pessoas do site – meninas incríveis e queridas, que se interessaram pelo meu lar, foram super simpáticas e honestas, e fizeram boa parte da minha semana bem feliz e cheia de coisa boa – saibam desses problemas e de como eles me afetaram (mas depois, certamente, coloco o link aqui!). E no meio de um monte de coisas que me deixaram com o coração quentinho pois, além de ser uma coisa que eu sempre quis muito, recebi muito carinho e elogios, vieram também os haters.

Sim, haters. Num site de decoração. É real.

Quando fizemos as fotos, algumas amigas disseram, sempre em tom de piada: ahhh quero ver esse quadro do Che aí o que vai dar! Nós rimos, continuamos a beber nossas respectivas taças de vinho e seguimos o baile como deveríamos, afinal RISOS, não é mesmo. Era uma piada. Isso nunca seria um problema. Mas foi, gente.

Sim, um quadro do Che.

Eu já me questionei muito sobre esse quadro do Che. Primeiro porque não sei até que ponto ele mesmo, Ernestinho, ficaria feliz de ver a sua bela cara estampada em pôsteres e quadros e objetos de decoração. Segundo porque, e mais recentemente, me questiono sobre todo e qualquer ídolo ou ícone homem, seja ele um líder político ou um cantor. Terceiro porque as cores desse pôster são bem fortes e poderiam influenciar diretamente na decoração, risos.

Breve interlúdio: esse quadro do Che não é um quadro ou uma peça de decoração. Ele é um pôster de um filme produzido por alunos cubanos, feito à mão por um senhorzinho que fazia serigrafia numa praça em Havana. Quando soube que a gente era brasileiro, o senhorzinho fez um descontão e enfiou mais uns pôsteres no canudo que a gente levou pra casa. Isso não importa nada pra esse texto, mas essa história é bem legal.

Mas eu nunca tinha me questionado sobre não achar legal ou ideal ou seguro expressar meus princípios ideológicos e políticos, ainda que de maneira metafórica ou subjetiva, na minha própria casa.

Só que isso aconteceu. Dentre os milhares (<3) de likes e comentários de amor, de inspiração, de perguntas engraçadas do tipo como eles fazem pra ter 3 gatos e tudo isso de plantas (é possível, gente, tá turobem), o site recebeu vários comentários de ódio porque nós temos um quadro do Che Guevara na nossa sala de estar. Quer dizer que é bonito ser comunista? O quadro estragou tudo! Agora só faltam emoldurar Hitler e Mussolini! Carniceiro do ditador! Vocês deveriam ter vergonha de postar isso!

Esses foram só alguns, e eu faço questão de não voltar lá pra ver mais coisa.

Um quadro. Na minha casa. Na minha sala. Que eu comprei. Num site de decoração. Vocês entendem meu ponto? Eu não escrevo uma coluna política em que falo abertamente sobre como eu acho que só o comunismo vai salvar o planeta, eu não tentei convencer a ninguém da minha opinião política, eu não abri para discussão sobre como eu cheguei a esse princípio de vida, ninguém sabia a história do senhorzinho serigrafista (feiro? fáro?), nada. Um site de decoração. E comentários de ódio.

Fiquei pensando durante muito tempo (mesmo) (tocosono) que, caso ocorresse o mesmo “comigo” (COMIGO, né gente, essa ofensa pessoalíssima de entrar num site de decoração e encontrar ali algo de que não gostasse): eu iria xingar? Abro o site que gosto e encontro uma foto, sei lá, do Trump, pra ser assim bem óbvia. Vou falar NOSSA QUE HORROR QUE MAL GOSTO TIRA ISSO CARNICEIRO. Cara, eu não ia. Certamente eu iria zoar com alguém, certamente eu ficaria triste pelo fim da humanidade, certamente eu iria questionar os padrões estéticos daquela pessoa. Em silêncio. Porque é um site de decoração. Porque aqueles profissionais que fizeram aquela matéria têm o direito de postar o que eles quiserem, afinal, é a casa das pessoas, e não as deles. Porque a gente é livre pra escolher o que pendura em cima do nosso sofá.

É mesmo?

Ao mesmo tempo, fiquei horas pensando também se, caso acontecesse o mesmo e eu visse um quadro que incitasse à violência ou que ofendesse os direitos humanos, não é minha obrigação falar, criticar, comentar até sair do ar? É realmente uma reflexão, eu não sei a resposta. Uma casa com uma decoração linda e um quadro white power merece ser divulgada? Eu estou comparando alhos com bugalhos? Eu realmente não sei. Mas eu tenho bastante medo.

(Certamente o Google vai me banir pra sempre de toda a internet depois desse post cheeeeeio de palavra chave MASSA).

Eu aprendi um monte de coisa com esse episódio – na verdade, todas coisas que eu já sabia, mas que realmente não achei que pudessem ser tão reais e palpáveis e cheias de ódio e, bom, reais de novo. Eu lembrei que as pessoas são babacas e repetem as frases prontas (e ruins) como se fossem pré-programadas. Eu realmente entendi que atrás de um computador, sem cara a cara, sem olho no olho, a gente fala mesmo as coisas bizarras que estão guardadas dentro da gente, sem medo de machucar. Eu entendi finalmente que 99,9% das pessoas não param pra pensar no outro nem por 2 segundos. Eu realmente compreendi, agora, e morrendo de medo, que as pessoas são copos cheinhos de raiva, prontos pra transbordar da maneira mais rasa (risos) e imediata que der.

Dos mais de 8 mil likes em uma foto, eu fiquei com ou 5 ou 6 comentários de ódio pra mim.

Isso porque estamos falando de um site de decoração.

No Sesc 24 de Maio, meu novo lugar favorito nessa cidade maluca, tem uma instalação chamada Odiolândia, de Giselle Beiguelman, que nada mais é do que um caixotão escuro em que são projetados comentários postados na internet sobre as ações na Cracolândia. Só isso: uma sala escura, uma tela preta, os comentários em texto passando rápido na nossa frente, um som meio confuso no fundo. A gente fica ou sai da sala? Quem fica, fica com raiva, quer matar que fala? Quem fica fala aquelas coisas e não vê nada demais? Quem sai, sai com vergonha do que falou? Ou porque não aguentou o tranco de saber que existe tanto ódio assim?

Eu não falo publicamente sobre política, eu não uso crack, eu não sou a Dilma o Lula nãoseimaisquem, eu não causo na vida de ninguém, eu aqui só queria mesmo era decorar um pedaço da minha sala com a lembrança de uma viagem maravilhosa e a inocência de princípios que me ensinaram e me motivam e, quem sabe, me carregam e possam um dia virar realidade. Mas eu aprendi mesmo que o que move a gente é a raiva e ódio cada vez mais à mostra e, olha, eu estou exausta. E brava. Mas mais exausta.

Mas o quadro vai continuar lá.

o que eu aprendi com o BEDA

Eu ouvi 31 + 1?

Eu tô triste e não vou abandonar o BEDA.

Tá, é mentira, é claro que eu vou abandonar essa loucura de dizer que não te quero de postar todo dia. Porque é inviável. Mas eu não queria. Se hoje alguém me perguntar mas então você está dizendo que quer virar blogueirinha mesmo real oficial, Isa? a resposta seria sim com certeza vamo.

Pena que não dá.

Mas como eu ainda tô nessa delícia de chegar toda noite em casa, exausta, e pensar com carinho no post que sairá amanhã, pois tem que sair, resolvi escrever sobre as coisas que aprendi com essa mês insano e do amor. São elas:

// Se organizar direitinho, todo mundo bloga: organização é, sim, a chave do negócio. Nem preciso falar que esse é o mote da minha vida – inclusive, rolou toda uma criação de categoria específica pra isso durante o famigerado BEDA – e eu até já havia tentado fazer algo parecido com uma planilha com o blog, mas nunca levei a sério. Com o BEDA, levei muito a sério. A seriíssimo. A sério a ponto de dar neuvoseur. Pensar numa ordem para os posts, em categorias organizadas por dia da semana, em temas correspondentes e afins me acalmou, me deu ideias, me fez engatar num ritmo bom. Eu só queria ter algo mais automatizado que uma planilha pra me ajudar nos próximos meses. Vocês têm alguma indicação?

// Aposte nas ideias ruins também: aquela coisa de “feito é melhor que perfeito” vale para escrever também – mas, pelo amor da deusa, revisem os textos de vocês, tá? Mas às vezes a gente fica matutando aquela ideia por um tempão pensando “gente, mas isso é muito idiota, ninguém vai querer saber disso”, daí você insiste, escreve, faz ali uma coisa bonitinha e minimamente informativa e, como feedback, não é que uma galerinha leu e curtiu? Vale a pena investir, sim. Nem tudo precisa ser mirabolante e life changing.

// A gente pode roubar em alguns posts, mas a gente também tem que escrever o que sai lá de dentro: as tags estão aí para serem usadas, os temas polêmicos estão aí para causar, mas o que mora lá no coração e sai cuspido, assim, de bate pronto, é o que é mais gostoso de escrever. Mesmo que ninguém comente. O que me leva a…

// A gente tem que se motivar: comentando, comentando, comentando, comentando, comentando. Nos blogs amigos, nos blogs que visitam a gente, procurando blogs por aí, se apoiando. Já é difícil o suficiente sozinha, né, gente?

// A blogosfera vive: e está cada dia mais maravilhosa. Olha quanta gente incrível! Alguns blogs são antigos (o/), outros são novos, alguns a gente já conhecia e tinha esquecido, outros são felizes achados. Tem muita gente no Youtube e sei lá mais em que rede nova e descolada? Tem. Mas estamos por aqui. Firmes e fortes, ingoal esse país maravilhoso RISOS.

Eu vou sentir saudades.

Mas me disseram que Abril começa com A também…

E sobre o último ponto que eu aprendi no BEDA e uma das lições mais importantes que eu tive no último ano, na vida, é que a gente não pode ter vergonha da gente. Tá, pelo menos não das coisas boas, a gente pode ter vergonha de gente cutucar o nariz ou ter votado no Aécio, isso a gente deve. Se nos dedicamos a algo, se colocamos nossa intenção em uma coisa, se nos esforçamos pra conquistar alguma coisa, a gente tem mesmo é que erguer o queixo e falar: sim, eu fiz isso, sim. Eu sou fodona, sim. Eu escrevo, sim. Eu faço coisas maravilhosas, sim. Minha casa é linda, sim, eu escrevo bem, sim, eu tenho um blog, sim, meus gatos são maravilhosos e isso nem é mérito meu, sim. Porque a vida é muita curta pra gente bancar a humildona e se esconder atrás dessa aura de submissão que acham que devemos ter. A gente tem mais é que gritar: olha quanta coisa linda que eu faço, vem ver! Eu te ajudo a fazer também. Vamo <3

As coisas mais legais que eu fiz por aqui nesse mês que passou:

// Eu escrevo: uma reflexão sobre essa coisinha linda que a gente faz que é botar pra fora;

// A decoração da nossa sala: um postzinho só sobre decoração, porque eu também não me aguento;

// Corpo são, mente descaralhada: não conhecemos endorfina, nunca vi, nem comi, eu só ouço falar;

// As 3 situações mais malucas que eu já vivi: morri de rir que vocês deram risada, mas na real eu chorei;

// Meu aspirador de pó de pé: leiam antes de fazer a próxima faxina.

E, por último, queria aproveitar esse momento de carinho e nostalgia pra perguntar pra vocês do fundo do meu coração: o que vocês querem ler por aqui? Sério, você que lê, mas não comenta; você que passa esporadicamente; você que vem todo dia; você, que acabou de conhecer, respondam pra mim nos comentários:

Sobre o que você quer que eu escreva?

Agradeço imensamente desde já. Eta que vai ser difícil desapegar <3

30 antes dos 30 – Fazer um BEDA

ou Blog day; a internet; eu sobrevivi; mamãe, quero ser blogueira

Acabou. É tetra.

Sem empolgação aqui porque eu tô meio triste mesmo, com um sentimento parecido com aquele de quando a gente termina a faculdade: graças a deusa essa loucura terminou, mas eu vou sentir saudades. Tá, não a faculdade, a faculdade foi um inferno. Um prato gostoso. Que você come desesperadamente, ao mesmo tempo tenta saborear lentamente cada mordida e, quando terminar, tá naquele mix de pela deusa que momento e nossa vou sentir falta disso.

Essa é uma metáfora melhor.

Posso estar sendo levemente dramática e exagerada aqui, mas eu ouso dizer nesse espaço seguro HAHA que participar do BEDA foi uma das decisões mais legais que eu tomei nesse ano. Foi uma decisão tomada no meio das minhas férias – e que só funcionou tão bem por causa disso, também -, que foi um momento de reflexão intensa sobre trabalho, a vida, e tudo mais. Foi um desafio pessoal que eu cumpri com louvor, e isso sempre é bem incrível. E foi um lembrete.

Um lembrete de que eu escrevo. Que eu gosto de escrever, que eu sei escrever, e que tá tudo bem eu me dedicar a isso com compromissos nada grandiosos, do tipo: escrever para mim. Escrever para vocês. Que eu não preciso ficar noiada com ser um blog daqueles, mas eu também não preciso ser radical e falar adeus, blog, você não serve pra nada. Um lembrete de que eu consigo me organizar, sentar para escrever, pensar em ideias de posts, me programar. Fazer disso um pedaço da minha rotina.

Também foi uma bronquinha, pra mim, e pro restante da ~blogosfera, que cabe à gente não deixar o BEDA morrer, não deixar o BEDA acabar, nem tanto no sentido de publicar loucamente – até porque essa história de ficar caçando tema não é 100% legal -, mas com a intenção de motivar os amigos. Como? Comentando nos posts. Aliás, lendo e comentando os posts, divulgando os blogs amigos, fazendo aquele bom, sempre bom, e velho social. Afinal de contas, isso aqui depende da gente. Exclusivamente da gente. E a gente é foda e consegue escrever 31 posts em 31 dias. Lembrando que a gente decidiu fazer isso em agosto, esse mês horroroso e infinito. Eu não sei que merda nós temos na cabeça.

Então ficam aqui os destaques desse BEDA 2017, beda do amor, beda do que que tacontesenu, beda do desespero, beda do vamos todos morrer mesmo:

BLOG DAY 2017

Categoria Fiquem pra sempre na minha vida

Apto 401: A Nicas é a Rainha da Minha Vida, quero fazer tudo que ela propõe, quero ela pra sempre do meu lado, Nicas, casa comigo?; A Life Less Ordinary: Eu amo o jeito que a Cacá escreve, eu amo as fotos que a Cacá posta, eu quero conhecer a Cacá, beijos Cacá; Desancorando: Tudo o que a Maki escreve é sensível e importante. Todos os textos dela estão cheios de reflexões lindas e alento. Vão lá <3; Blog da Camis: Essa graça de pessoa que a internet me apresentou, que tem tudo a ver comigo e que poderia morar em São Paulo, sim; Coffee and Flowers: Na minha cabeça, o mundo é um grande compilado de fotografias da Ká; Beyond Cloud Nine: Estoy enamoradaaaaaaa! Conheci, apaixonei, estou completamente envolvida, repara em mim, crush.

Categoria Voltem a blogar pelo amor da deusa

Nambarices, porque eu ainda estou esperando as dicas de Namby Gil; Evaporar, porque eu preciso rir na minha vida; Prateleira de cima, porque eu amo suas reflexões; Salateando, porque você é um mulherão inspirador da porra e seu blog é lindo; e Lomogracinha, porque o mundo precisa de vocês.

Categoria Que bom que te conheci

Caneca meio cheia, e a gente descobriu que se conhece desde pirralha! <3; Suspirare, que não conheci exatamente agora mas minha memória de peixe me faz incluir aqui também; Nome provisório, vontade de abraçar essa pessoinha; Sabbia7, me entende no quesito de passar vergonha nessa vida; Bruna Morgan, quero fazer todos os posts que ela fazLunatic Pisces, esse nome, esse layout, esses textos, acho que a gente podia ser migaUm blog ainda sem nome, o tanto que eu dou risada com os posts; e Limonada, companheira de gifs de Leslie Knope; e mais tanta gente linda do grupo mais amor dessa internet, grupo de apoio pra quem segue firme e forte nessa arte maravilhosa do blogar.

Olha quanta gente! Olha essa mulherada incrível! Tá vendo como a gente é maravilhosa? Vamos continuar.

Obviamente o ritmo do BEDA não vai continuar por aqui, mas eu quero demais levar as lições que aprendi com ele adiante na minha vida de blogueira – inclusive, vou prometer aqui um post sobre essas lições, vejam só, que blogayrinha que sou. E vou deixar também um pedido aqui: não deixem essa motivação morrer. Comentem, comentem, comentem, divulguem, incentivem as amigas, batam palmas. Sugiram temas – o que vocês querem ver por aqui? Interajam. Demonstrem interesse. Que a gente segue, e segue feliz!

Continuem por aqui. Voltem sempre. Eu amo vocês <3


esse post faz parte da série ~30 antes dos 30~, lista ambiciosa de coisas que eu separei pra fazer antes da fatídica idade chegar. você pode acompanhar meu fracasso por aqui – mas eu torceria por mim. estou torcendo. vamos lá. 

 

favoritos #30

Essas fotos maravilhosas e sensíveis foram feitas pela Jacqui Kenny, que sofre de agorafobia e encontrou no Google Street View uma maneira de conhecer e se conectar com o mundo <3 | Estou morrendo de vontade de encher a casa de pedras e cristais e drusas e bruxaria | Descobri esse ano a maravilha que é usar capas de chuva e quero uma exatamente assim | Fazia tempo que não postava aqui uma das lindezas que descobri através do Não Me Mande Flores, então fica esse espelho maravilhoso que tem um vasinho e esse design e ai meu coração

// Lendo Ferrante no mundo dos homens, na newsletter No Recreio, da Anna Vitória Rocha, que é uma das melhores “resenhas” sobre os livros da Elena Ferrante que já li;

// Gender beyond the binary-video, cinco pessoas não-binárias falam sobre a sua experiência e as pressões que sofrem nesse mundo heteronormativo que vivemos, no The Guardian

// Mascaradas do Guerrilla Girls atacam machismo dos museus e vêm ao Brasil;

// No Dont’ Touch My Moleskine: I needed color, o vídeo do Jim Carrey que viralizou, sobre sua trajetória com a pintura e como isso curou seu coração; e essa entrevista com a Jemima Kirke bem real e dolorida e linda;

// Plantas para usar no banheiro, da Selvvva com o Histórias de Casa, ou sempre-cabe-mais-planta-acredita;

// Da série textos que me destruíram e me montaram melhor: Ser grande e querer ser pequena, do A Dupla Face, e Querida amiga magra, a gente precisa conversar, no A Fala.

eu escrevo

Amanhã eu vou fazer uma grande reflexão sobre blogar, sobre como se organizar direitinho, todo mundo bloga, sobre como é legal estar na internet e ser da internet, sobre como esse mundo online é meu mundo, mesmo, ele todinho. Mas hoje eu vou escrever sobre escrever.

Vou escrever sobre escrever porque finalmente eu começo a entender, na minha vida ~adulta, que a minha arte é essa. Que eu sempre passei os dias procurando algo ou algum lugar bonito e visual pra ser, quando, na verdade, eu já era escrevendo. Que a minha frustração me impedia de produzir de criar de publicar de dizer que eu escrevo e, sim, é só isso, e não preciso de mais. Até porque eu sou bem boa nessa história.

Escrever você não publica no Instagram, escrever você não compartilha no Pinterest. Escrever você recebe 3 ou 4 comentários tímidos – que são o suficiente pra você escrever mais. Escrever você não vê o quê ou como fazer, especialmente trabalhando com coisas de escrita, você não vê futuro, você cria impedimentos. Escrever é difícil de mostrar, de estruturar, é difícil de explicar sim, eu escrevo, e só isso, e tudo isso, e eu escrevo sempre.

Escrever num mundo onde Há Cada Vez Menos Leitores, escrever em um lugar que conta meus caracteres e critica minha legibilidade e minhas tags de SEO. Escrever de dentro pra fora, escrever como quem conversa com o leitor, encontrar o seu estilo, ficar preso ao seu estilo, odiar o seu estilo, revolucionar o seu estilo, ter fases estilísticas nomeadas por cor, escrever para que um dia escrevam sobre você, escrever morrendo de medo que leiam, tomara que não leiam, Impedir Que Seu Site Apareça Nos Mecanismos de Busca.

Escrever quando todo mundo diz que você tem que escrever.

Eu escrevo mais do que gosto de ler.

Escrever vem com aquela competição de egos, vem com aquele melindre de quem cozinha, vem com o medo da crítica, vem com a diminuição imagina, eu só escrevo umas bobagens pra mim, mesmo. Escrever é solitário e demorado demorado demorado, começa às 7 a.m. e termina agora, e não tem whisky ou luzes neon ou o glamour dos infográficos sobre escritores que escrevem bêbados e de madrugada. Escrever é feio.

 

Escrever pode ter mil e um métodos e técnicas e formas e formatos e dicas, e você pode ler mil e um outros textos sobre pessoas que escrevem e nunca vai ser igual, nunca vai ser igual. Escrever pode ser uma obrigação às 7 a.m. para uma brincadeira da internet e ainda assim te lembrar que você escreve, escreve sim, escreve no meio de um monte de gente que mal lê e só quer seguir de volta, e mais um tanto outro de gente que escreve junto e não admite que apenas escreve.

E a gente escreve. E eu escrevo. Sempre.