lar

Minha casa, eu pinto as paredes, eu mudo os móveis, eu encho de plantas. Até não ter mais espaço.

Meu corpo, eu pinto as paredes, eu encho de plantas, eu encho de flores, eu desconstruo eu pinto eu bordo eu aceito eu quero por a baixo.

Tudo muda sempre, é o que eu mais ouço. Tudo muda sempre o tempo todo. Vontade vontade vontade de mudar. De deixar pra trás. De deixar pra lá. De trocar de pele. Vontade de se sentir em casa, de se olhar no olho, de se reconhecer. Vontade de se aninhar em si, fazer bolinha de gato que gira gira gira e deita, olhando pra dentro, seguro do mundo, seguro de si.

da maravilhosa Aline Paes

As 3 situações mais malucas que eu já vivi

E estamos todos vivos e inteirinhos. E há quem diga que eu não sou uma pessoa aventureira:

// 01: O dia que saímos andando de madrugada a esmo em Havana com tudo dentro de uma mala por causa de uma barata monstruosa

Vejam, a viagem pra Cuba foi maravilhosa, sim, mas temos que lembrar que estávamos em Cuba, mais precisamente em Habana Vieja, mais precisamente mochilando há cerca de 20 dias, mais precisamente dormindo na casa das pessoas há cerca de quase um mês. Já havíamos tido a experiência de acordar com uma barata andando nas nossas pernas – na verdade, nas pernas do mozão, se fosse nas minhas eu não estaria aqui hoje pra contar essa história – e não havíamos particularmente gostado da mesma. Eis que em nossa última estada, num dos únicos prédios altos de Havana, cerca de 13 andares acima do nível em que as baratas deveriam permanecer, no apartamento de uma senhorinha que, sim, havia participado da Revolução, com uma vista que conseguíamos ver talvez até mesmo os mullets de Trump à distância, apareceu não somente uma barata, como uma baratona da porra, cascuda, enorme, que mais parecia um dinossauro. Sim, essa foi também a ocasião em que a cama estava infestada de pulgas. Não tivemos nenhuma dúvida sobre enfiar tudo nos mochilões e sair andando na rua, em Havana, mais precisamente em Habana Vieja, às 2 a.m. Em busca do quê? Nós não sabíamos. (A gente sabe que encontrou o amor verdadeiro quando tromba com pulgas e baratas monstruosas em Havana e só se olha e, sem usar palavras, enfia tudo no mochilão e vai embora do lugar na mesma hora). Mas nós saímos com tudo nas costas em busca de alguma perspectiva melhor que pulgas e baratas – o que, na rua, de madrugada, não parecia nem um pouco uma possibilidade – e, depois de bater em 2 lugares diferentes, acabamos nos hospedando um dos hotéis da máfia no coração da praça central de Havana. Deu certo. A cama era king size – estava quebrada, mas era king size. Não tinha barata. Nem pulga.

// 02: dia em que quase morremos assassinados por um porco gigante em Guarulhos, também de madrugada

Eu acho um absurdo quem diz que não sou uma pessoa jovem e que topa rolês espontâneos. Once upon a time, in a galaxy far far away aqui no Centro de São Paulo mesmo, enquanto ainda morávamos 1) eu em São Bernardo do Campo 2) mozão em Osasco, frequentávamos uma agradável festinha de aniversário. Eis que por volta das 23h, como todo bom morador da província, nos olhamos com o olhar cúmplice do “é hora de ir embora pegar 14 trens e 16 ônibus”. Mas uma simpática pessoa de bom coração disse: imagina, eu também moro em Osasco, dou uma carona pra vocês. Só vou passar rapidinho no aniversário de uma amiga aqui perto e levar a Nossa Outra Amiga* pra casa, se vocês não se importarem. Todas as pessoas que moram na Província sabem que qualquer desvio é mais interessante que voltar de 14 trens e 16 ônibus, então aceitamos. Insira aqui uma longa passagem por um karaokê festa estranha com gente esquisita, então estávamos no carro. Eu, semi embriagada, achei que as placas “Rio de Janeiro” e “Campinas” eram fruto da minha imaginação, mas era tudo real (ou bem perto disso): após longas horas de trajeto, chegávamos em Guarulhos. Guarulhos. Eis que Nossa Outra Amiga disse, com muita simpatia: vocês não querem entrar e conhecer o Woody Allen*? Que fofo, pensei, ela tem um doguinho chamado Woody Allen, hehehe. Entramos, efetivamente conhecemos vários doguinhos, até o momento em que era disse: venham ver o Woody! Oras, então Woody não era um daqueles doguinhos? Que curioso, quantos doguinhos! Atravessamos seu grande quintal até um corredor fechado com um portão certamente importado de Alcatraz e pudemos avistar Woody Allen: um porco. Um porco enorme. Um porco certamente maior que eu. Woody, como bom porco de estimação, sorriu e deixou ser afagado. Nós, como bons filhos de apartamentos que somos, quisemos afagar o Woody. Woody não gostou de se sentir encurralado e apalpado por 5 pessoas diferentes. Woody ficou bravo. Woody saiu berrando e tentando morder nossos calcanhares, enquanto todos corríamos em direções diferentes tentando escalar as paredes e árvores do quintal. Eu só pensava “como eu vou explicar pra minha chefe que não vou poder ir pro trabalho porque um porco comeu minha perna?”. Nossa Outra Amiga, depois de conter Woody, soltou, entre suspiros: eu nunca tinha visto ele tão bravo assim, hehe.

// 03: O dia em que fui abandonada com uma cômoda maior que eu no meio da rua em Higienópolis, essa foi de tarde mesmo

Eu compro móveis onde for; Eu compro móveis nos brechós da São João, eu compro móveis em Famílias Vendem Tudos risos, eu compro móveis na internet, eu compro móveis de pessoas descartando móveis na rua. Eu nunca tinha comprado um móvel no Enjoei, mas uma amiga disse que “tudo bem”, e eu comprei uma cômoda antiga maravilhosa a preço de banana. Uma cômoda de madeira, uma cômoda robusta, uma cômoda de 1m de largura x 96 cm de altura x 53 cm de profundidade. Anotaram essas medidas? Pois bem, meu carreto não. Meu carreto, depois de me deixar esperando por 35 minutos na casa da pessoa num sábado à tarde, esgotando todo e qualquer assunto que uma pessoa pode ter com outra num sábado à tarde com uma cômoda debaixo do braço, chegou com um Corsa Sedan, uma cara de tacho, e um “viiiiiiiiiiiiixe”. Meu carreto também não me ajudou a tentar colocar a cômoda em seu Corsa Sedan, ele preferiu deixar isso a cargo do moço da pizzaria ao lado da casa da pessoa desconhecida que havia me vendido a cômoda, que comprovou o “vixe”, a cômoda não cabia, e tirou da minha boca as palavras “como é que você diz que faz carreto e não mede seu carro pra ver se o móvel cabe lá dentro”. Certa de que estava participando de alguma pegadinha do programa do Luciano Huck, que estavam me filmando e que iam, a partir desse momento de desespero, me buscar com uma limusine, levar a cômoda de riquixá e reformar toda a minha casa com um projeto horrível de um arquiteto rico, eu, comprovando que a expressão “sentar e chorar” é realmente possível em qualquer cenário, escalei a cômoda de 1m de largura x 96 cm de altura x 53 cm de profundidade, sentei em seu tampo maciço de madeira na calçada de uma rua rica de Higienópolis, e chorei.

(Depois eu arranjei um anjo de um taxista que topou levar a cômoda no seu carro em troca de favores sexuais que não poderei descrever aqui e cheguei em casa e a cômoda é linda mesmo podem comprar móveis onde vocês quiserem continuem.)

daora a vida

 

* Foram usados nomes fictícios para proteger a identidade de seres humanos e porcos (o porco chamava Tarantino. TARANTINO!).

resumo da semana #3

GENTE.

desgurpem pelo desprazer de ter que olhar pra casa deste omi

O QUE ESTÁ ACONTECENDO?
Por que vocês não me avisaram que BEDA não é pros fracos? O que é essa conjunção dos planetas todos retrógrados tentando nos foder? Essa zica eterna de uma mente sem lembranças e espíritos mau iluminados para cima de moizinha? Esse bando de coisa acontecendo que faz a vida passar na velocidade 2 quando a gente não tem a menor condição de quicar quando o grave bate? Esse frio desgraçado? Esses episódios mal feitos de Game of Thrones?

Definitivamente não está sendo fácil.

Claro que acabaram todos os posts programados e eu tô aqui olhando para a tela do computador em desespero. Claro que também eu não tive sequer 15 minutos essa semana para ler os posts das amigas (estou lendo enquanto escrevo que desgraça vai sair tudo errado). Mas eu respondi todos os comentários do BEDA inteirinho e estou me sentindo 1/3 de uma grande vitoriosa. Pode? Eu digo que sim.

// Se vocês gostaram dos posts de decoração que eu fiz por aqui, vão lá ver a sala da Cacá, por favor. Olhem essa estante! Olhem essa placa de sorveteria!!!!!

// A Maki tem uma escrita sensível e certeira ao mesmo tempo, e essa listinha de coisas que ela faz quando está se sentindo estranha é puro amor e self care <3;

// A Michas deu ótimos pitacos sobre o processo de escrita em blogs e eu achei bem honesto e eficaz se você está enfrentando o famoso bloqueio criativo ou não sabe nem por onde começar a blogar;

// Na editoria de tags que eu quero fazer: Nicas sendo uma criança dos anos 90; Cacá de novo fazendo várias 3 coisas várias vezes; Mia falando sobre séries boas e ruins e que amamos e que odiamos; Sté e 15 fatos estranho sobre essa mulher maravilhosa; e Emi sendo muito rica como todas nós gostaríamos de ser;

// E, finalmente, neste blog que vos fala, tivemos pequena Isadora passando por inúmeros momentos de profunda vergonha alheia só que minha; reflexão sobre as dificuldades enormes que a gente tem em se amar; uma wishlist de decoração com coisas que ainda faltam aqui na casinha; post sobre como eu me organizo com agenda de papel e google agenda; tag divertida sobre lugares onde eu gostaria de ir/estar; crônicazinha sobre morar (muito) perto do trabalho.

Não faço a menor ideia de como vai ser essa semana que está chegando. RISOS.

 

 

em 100 metros você chegará ao seu destino

Às vezes eu falo pras pessoas que moro perto do trabalho e elas dão aquele sorrisinho leve, timidamente invejoso, porém incrédulo, do tipo “você mora a uma estação de metrô”. Eu digo que moro do lado do trabalho, assim, enfatizando do lado com itálico e tudo e as pessoas continuam achando que é só perto. O pessoal tem dificuldade em aceitar que eu realmente moro ao-lado-do-trabalho.

Meu prédio. O estacionamento do trabalho. O prédio do trabalho.

Assim.

O Google diz pra mim que do lado significa cerca de 1 minuto a pé, 97 metros, mais precisamente. Eu já pensei em gravar um vlog risos vídeo mostrando pra vocês exatamente o número de passos que eu dou em direção ao famigerado chiqueirinho, mas tenho medo dos stalkers risos. Mas eu moro realmente do lado do trabalho, a ponto de ver a sala dos colegas da janela da minha lavanderia, e o mais engraçado de tudo é que eu nem fiz de propósito: eu já morava aí antes de trabalhar no atual trabalho.

Eu diria que é o universo o karma a Susan Miller me dizendo que eu já paguei todos os pecados por ter vivido 10 anos da minha maravilhosa vida adulta indo e voltando para São Bernardo todos os dias – e não apenas indo e voltando para São Bernardo, mas indo e voltando para São Bernardo do 1) Jaguaré; 2) Usp; 3) Jaguaré. Cês vejam que não foi fácil. Um dos falecidos blogs lá dos idos de 2017 tinha até um filtro especial pra quando eu digitava “Berrini”. Uma hora eu tinha que ganhar alguma benesse dos astros, não é mesmo?

E bom, além de morar do lado do trabalho, na rua do meu trabalho tem um restaurante vegano. Eu não sou vegana, mas eu sou vegetariana e gosto muito da proposta de almoçar em um lugar que não tenha absolutamente nenhum produto de origem animal. Tem isso, e tem o lance de que o restaurante vegano é o único estabelecimento que aceita meu maravilhoso VR de 12 golpinhos na região. Doze. Golpes. Logo, é claro que eu almoço no restaurante vegano todos os dias.

Disclaimer: muito já foi dito sobre eu almoçar em casa neste recinto virtual, mas a verdade é que mozão não tava dando conta de cozinhar tudo o que Isadora Gil, filha de Bela Gil, a terceira de seu nome, está consumindo em termos alimentícios em sua fase musa fitness veganinha. E o restaurante vegano de 12 conto é na rua de casa. Voltemos.

O restaurante vegano da rua de casa que é a mesma rua do trabalho fica a exatos, segundo o Google, 600 metros de distância. 600 metros. 7 minutos caminhando. Então vocês calculem que eu levo 1 minuto de casa até o trabalho, depois mais 1 minuto do trabalho até passar na frente de casa e seguir mais 7 minutos em direção ao restaurante vegano na outra direção na mesma rua de casa do trabalho e volto mais 7 minutos até em casa mais 1 minuto até o trabalho.

O que eu já achava um absurdo em termos de movimentação diária, que me levava a ir visitar o banheiro da firma incansavelmente em busca de algum remelexo de pernas, que me deixava seriamente preocupada com varizes e outros problemas circulatórios, tudo isso mudou drasticamente quando o restaurante vegano da rua de casa da rua do trabalho abriu uma filial.

Na frente do trabalho.

A 2 minutos de casa. Mais exatamente 140 metros de distância. 1 minuto de casa até o trabalho 2 minutos do trabalho até o restaurante volta 2 minutos 1 minuto do trabalho até em casa. Uns 12 passos. 12 passos entre meu trabalho minha casa o restaurante que eu almoço todos os dias meus gatos minhas plantas meus gatos minhas coisas o trabalho a comida meus gatos minhas plantas. Cês entendem porque eu não saio de casa?

Ah: a academia fica a 300 metros de casa. 4 minutos, de acordo com o Google.

Provavelmente eu morra ainda este ano.

TAG: Onde eu iria?

Olha elaaaaaaa, a TAG salvadora dos temas perdidooooooos. Queria agradecer muito todo mundo que comentou no último post sobre mim com sugestões de novas tags, mesmo! Adorei as sugestões e vou tentar responder a todas, começando por essa aqui que achei super divertida – foi indicada pela Juh, do Blog da Juh Claro!

Tô achando que eu não vou ser nadinha ambiciosa nas minhas respostas, vamos acompanhar…

// 01: Onde eu iria tomar um café?

Na cafeteria do Jardin do Centro, aqui no bairro mesmo. Já comentei que essa lojinha de plantas/café é um dos meus lugares favoritos de São Paulo, e continua assim desde então. Tem prantinha, tem o melhor brownie do mundo, tem sorvete de baunilha de verdade, tem café. Apenas quero.

// 02: Onde eu iria passear ao ar livre?

Faz bastante tempo que eu tenho vontade de fazer um passeio diferente ao ar livre, tipo uma trilha (pequena, né mores, que o projeto panicat tá bem longe de ser concluído), uma caminhada no meio do mato, com um tempo pra sentar e comer uns trocinho, ouvir uns passarinho, quem sabe até nada numa cachoeira? Queria muito e, inclusive, isso completaria duas metas minhas que tenho pra cumprir até os 30 anos. Não conheço nada assim perto de São Paulo, vocês têm indicações pra dar?

// 03: Onde eu iria beber com os amigos?

Em qualquer boteco pé sujo de cerveja de litrão e mesa de madeira – não tem lugar melhor pra beber nessa cidade cara, com destaque para os famosinhos da esquina da Santos com a Consolação (desgurpa se você não é paulistano da gema mâaano). Se a ideia for tomar uns bons drink com classe e elegância e tirar umas boas fotos para o instagram, tem o gostosinho Buraco, também aqui perto, na Vila Buarque. Mas vou te dizer que meu jeito favorito de beber cas miga ultimamente é aqui em casa, sentada no chão, com vinho do Dia%. Inclusive, estão convidadas.

// 04: Onde eu iria em um encontro romântico?

Fica a dica pro mozão que eu tô com bastante vontade de conhecer o Esther Rooftop.

// 05: Onde eu iria ver arte?

Vale voltar pra Inhotim? Quero voltar todo dia. Também tenho a impressão que o MoMa, em Nova Iorque, ia me encantar demais.

Inhotim – Brumadinho, MG. Junho de 2017

// 06: Onde eu iria comer?

Ma cheeeeee! Qual a dúvida? Tenho até medo de colocar a Itália no roteiro de alguma viagem e depois não conseguir me livrar nunca mais dos 10 quilos que certamente adquirirei no rolê. Não consigo pensar num lugar melhor para encher a barriga de queijo, de vinho, de massa, de sorvete, de queijo, de massa, de sorvete, de queijo, de massa, de queijo eita.

// 07: Onde eu iria fazer compras?

Em qualquer Ikea. Não precisa nem ser em outro país PLEASE COME TO BRAZIL IKEA.

// 08: Onde eu iria apreciar a paisagem?

Qualquer lugar na Serra, com araucárias, pinheiros, friozinho e zero contatos com seres humanos.

Campos do Jordão, SP. Abril de 2017

// 09: Onde eu iria pra balada?

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA.

// 10: Onde eu iria para ficar sozinho?

Pra minha casa, meu refúgio, cos gato <3