favoritos #4

Ainda tô nessa vibe analítica dos 26 anos – que ainda não chegaram – então tá difícil de pensar em qualquer outra coisa. Por enquanto, ficam essas coisas lindas que eu achei durante a semana:

Essa loja e essa modelo:

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Esse post sobre ilustrações motivadoras do Pequenina Vanilla:

pequeninavanilla

Esse texto da Emma Barnes:

“Acho incrível que exista tanta oportunidade para o mercado do livro, e tanta escassez de habilidades para aproveitá-la, com um apetite aparentemente muito pequeno para mudanças. Faça de 2015 o ano em que você vai aprender a programar – para o bem da nossa indústria.”

A Jout Jout <3

Boa semana!

quase 26

E chegaram os 26. Quer dizer, ainda faltam uns dias, e esse ano não posso nem reclamar de nada, viu? Tô aqui quietinha aproveitando esse inferno astral maravilhoso – mesmo, sem ironias – só agradecendo e tentando não fazer muito escândalo sobre as coisas boas que os últimos tempos têm trazido. E acabou que os 26 estão chegando junto de um monte de mudanças dessas que tiram a gente da zona de conforto, assustam e deixam a gente com um medinho. A proximidade dos 30 (meu deus, escrever isso é aterrorizante!), umas reviravoltas, muitas coisas novas… Um medinho bom, eu diria, viu? No geral, uma sensação de que, finalmente, parece que tudo tá entrando no seu devido eixo, mesmo que demore um tempo pra eu me acostumar.

Daí que a Anna fez um post bem incrível sobre as 21 coisas que ela aprendeu aos 21 anos – MEU DEUS, 21 anos, sdds – e eu resolvi parar e fazer aquele balanço cheio de gifs incríveis, né? Não que eu tenha aprendido muita coisa ou possa dar conselho pra alguém. Deus, não. Mas vale como um exercício de coisas que eu sei que devem ser de uma maneira e tenho que me esforçar diariamente para colocar em prática, por mais difícil que seja, para o bem geral da nação. E vamos a elas:

mama Ru me ensinou tudo o que sei. vem comigo!

1. Seja gentil. Não interessa se você não concorda, se você não gosta, se você está certo e a pessoa errada. Seja gentil. Seja gentil por princípio, com o cobrador do ônibus, o médico mal-humorado, o SEO da empresa. Você nunca sabe como foi o dia da pessoa. Especialmente se você gosta de alguém: seja gentil. É mais exaustivo responder “affff que ridículo” do que um gracioso “ah, eu não sou muito fã, mas que legal que você curte!”, vai por mim.

2. Não seja idiota. Ser legal com as pessoas, gentil, não significa dar murro em ponta de faca com gente que te trata mal ou não merece. Eu sou a rainha da segunda chance: and that’s it, segunda chance. Acabou. Na primeira você assume que a pessoa fez cagada, a segunda já entra num outro mérito, de caráter. Continue tratando educadamente mas: não seja idiota. As pessoas são ruins mesmo.

3. É ok não fazer nada. A gente vive num mundo que todo mundo faz tudo ao mesmo tempo, e dá um certo desespero quando você está apenas em casa, de pernas pro alto, e não tem nada pra colocar no instagram. A gente se sente culpado, né? Gente, why? Fazer nada é incrível, ter tempo pra pensar, pra dormir, pra pensar mais, pra dormir mais… É melhor não ficar olhando tanto pra grama do vizinho.

4. Dinheiro é energia, e energia tem que circular. É bacana guardar, poupar, pensar no futuro, mas é legal também investir no que você quer, seja um curso que vai te ajudar a conseguir uma posição mais bacana, seja um corte de cabelo novo que vai te fazer mais confiante. Claro que todo mundo sabe onde seu calo aperta, mas a gente não tem que se sentir culpado de gastar o dinheiro que ganhamos – ~honestamente, eu espero, néam, gente?

5. Toda forma de conhecimento é válida. Toda, gente. Sabe aquele curso de robótica que você fez na 5ª série? Guarda ele com amor. Você diz que nunca vai usar aquela fórmula de química, aquele estágio nada a ver, aquele curso que fez na empolgação? Alguma coisa você tirou de todos eles, tenha certeza. Ainda que seja a certeza de que você não quer NADA com aquilo: já é alguma coisa.

6. Estude. Começou o assunto de tiazona, mas gente, estude. Qualquer coisa: pode ser letra de música pra fazer lipsync na balada, não tem problema. Mas sente a bunda na frente do computador e leve a sério uma coisa que seja na sua vida. Estude e queira ser a melhor naquilo, a melhor na dublagem de Beyoncé, a melhor no bate cabeça. Saiba do que você está falando e fale com propriedade.

7. Ansiedade é um bicho do mal. DO MAL. Ela consome a gente, faz com que façamos coisas no impulso, na raiva, na loucura, não nos deixa dormir e faz a gente ganhar 4kg em uma semana. SOSSEGUE A PIRIQUITA. Tem hora que a gente tem que entregar pro universo, porque não dá pra ter controle de tudo. Planeje-se, organize-se, torça, mas é isso… Quando a gente deixa a coisa rolar sozinha é bom também, viu?

8. Você não perde mais 2kg em 1 semana como perdia quando tinha 20 anos. Nem tente.

9. Em compensação, você ganha 4kg em 1 semana com uma facilidade avassaladora. NÃO TENTE TAMBÉM.

10. Desapegar é preciso. Das coisas, das pessoas, do armário cheio de roupas. Já falei das pessoas? A gente gasta energia demais pensando e confabulando sobre as coisas que foram e poderiam ser, sobre o que o fulano está pensando. É preciso liberar espaço pras coisas boas chegarem na gente, e água parada dá dengue, né? Bota pra circular e desapega.

11. Enfrente seus medos. Nem vou falar de fobia de aranha ou medo de altura, porque né, a gente precisa é de psiquiatra. Mas aquele medo de começar uma coisa nova, de enfrentar determinada pessoa pra marcar sua posição, de entrar pra aula de dança mesmo sendo um poste. Aproveita aquela adrenalina que dá, a dor de barriga, respira fundo e vai-de-cabeça, sabe porque? Depois passa. Foca no “depois passa”, porque passa. Juro.

12. Faça as coisas. Não se arrependa de não ter feito, pelamordedeus, é a pior sensação. É claro que isso não serve praquelas desculpas esfarrapadas de gente mau caráter que diz que tá aproveitando a vida, hein? Mas o que eu conheço de gente que deixar de ir/fazer/curtir porque “e se eu não gostar?”, “e se não der certo?” e “e se não rolar?”. E daí? Pelo menos você vai ter feito.

13. Só você está preocupado com isso. Sabe, isso que você está pensando? Só você se importa. A outra pessoa? Puff, ela está bem. Então se preocupe, pense, queime uns neurônios, mas não dê mais peso, mais valor, do que VOCÊ merece. Não arraste mais o piano do que o necessário.

14. Você sempre vai achar que dá mais pras pessoas do que elas pra você. Sempre. Existem uns 2 ou 3 momentos em que você diz “ah não, acho que essapessoalindaaqui realmente me entende e me ama proporcionalmente”, mas é isso: 2 ou 3 segundos. E tudo bem: a gente tem que aprender que cada um tem uma prioridade, e a nossa prioridade tem que ser… a gente. Ou você taca um let it go e vive a vida mais leve, ou você vai sofrer. Eu sofro: mas tamo no caminho. #piscianosentenderão

15. Não perca seu tempo, nem o tempo dos outros, julgando as pessoas. É feio. É errado. Por mais estranho que te pareça o comportamento alheio, antes de pensar “gente, mas que…?”, pare e pense que aquela pessoa pode ser simplesmente feliz e satisfeita fazendo seja lá o que quer que seja que ela faz.

16. Tente com todas as forças do mundo não dar tanta importância para o que os outros pensam de você. Essa é a coisa mais difícil da vida, eu acho. Enquanto eu não evoluo pra um plano astral superior, ando usando a técnica Jinx Monsoon de repetir incessantemente que eu não ligo. Toda vez que vou sentir aquela auto-vergonha, chacoalho a cabeça e penso em: pugs, pinguins, RuPaul’s Drag Race, gatinhos. É um começo.

17. Escolha suas brigas. Sabe isso que eu tô falando de energia? É tipo The Sims mesmo: a nossa barrinha vai diminuindo ao longo do dia, da semana, do então então, virge maria. Não vale brigar por tudo – mesmo que tenha muita coisa que mereça. Tente discernir o que vale a pena e concentre suas forças ali. E aí sim: vá até o final. Especialmente pra quem tem mania de comprar a briga dos amigos: segura, que a gente não guenta.

18. A vida não é fácil. Quando uma coisa estiver difícil, tudo vai parecer difícil. Quando parecer que as coisas estão se encaminhando pra algo bom, vão aparecer mais 3 opções igualmente boas. Você vai ter que tomar decisões e reclamar que “ah, nem quando as coisas dão certo elas dão certo de verdade”. PARA. Aceite isso e pare de reclamar: você pode escolher, você pode optar, a vida de 90% das pessoas é pior que a sua.

19. Divida os problemas. Pode ser a arrumação do seu quarto ou o seu projeto de uma vida inteira. Se  você está infeliz com 15 aspectos diferentes do seu mundo, faça uma lista e um ranking do que é mais fácil de resolver. Comece por aí. Elimine o que puder eliminar: vai te dar ânimo para seguir em frente.

20. Acredite nos seus instintos. ACREDITE NO SEUS INSTINTOS. Talvez essa seja uma coisa muito particular minha, mas a vida já me mostrou inúmeras vezes que tem alguma vozinha interior nesses 1,53m que sabe das coisas. Não fui com a cara dela? Hmmm… wait and see. Tá parecendo maravilhoso demais? Calma, respira e espera. Sentiu uma boa vibração vindo daquela direção ali? Vai em frente. Vai com cuidado, mas vai.

21. Cultive as coisas boas. Leva tempo. Paciência. Cuidado. Tipo uma plantinha. Faça isso com os amores que valem a pena, com as amizades que deixam o coração quentinho, com o trabalho que já te deu satisfação, com aquele canto da sua casa que merece uma atenção. Cultive plantinhas também. Isso de prestar atenção, cuidar, ver crescer, é lindo.

22. Por outro lado: as coisas acabam. Por mais que a gente se esforce, às vezes, elas acabam. É uma coisa difícil enxergam esse momento com clareza, e a gente acaba arrastando, se arrastando e arrastando os outros com essa tentativa de fazer as coisas durarem mais do que elas foram feitas pra durar. Entenda, desapegue e siga em frente. É claro que não é tão simples assim, mas também não precisa ser complicadíssimo.

23. A felicidade está nas pequenas coisas. Parece frase do Pequeno Príncipe, mas se a gente continuar a viver esperando o final da novela do Manoel Carlos, em que todos casam, têm filhos, ficam ricos, são felizes e FIM, puts, a decepção é muito maior. Conseguir ser feliz um pouquinho por dia é uma dádiva, viu? Minha técnica é: sempre registrar os bons momentos. “Quando a coisa apertar durante a semana, vou me lembrar desse cochilo de 1 hora com o gato ronronando na minha barriga”. Ajuda 🙂

24. Tudo o que vai, volta. Música do CPM 22? Versículo do Padre Marcelo? Não, é só a vida. Não vale a pena perder tempo planejando a sabotagem do coleguinha, a vingança, o empurrão acidental na escada. E é MUITO DIFÍCIL ver azinimiga tudo aí, sendo felizes, brilhando, sendo reconhecidas quando você deveria. Parece que nunca ninguém vai ver a real, né? Mas tudo chega no seu devido tempo e as coisas aparecem. Vai por mim.

25. Não tente mudar as pessoas. Não invista em algo pensando nisso. Veja bem: sim, as pessoas podem e, graçasadeus, elas mudam, mas isso não parte de você. Insistir, mostrar, brigar, tentar, amar… Isso não faz com que as pessoas mudem. Elas mudam sei lá porquê, e quando elas bem entendem. Condicionar sua vida a esse momento é só bobo da nossa parte.

26. A melhor estratégia, em todo caso, a qualquer custo é: rir de si mesmo. Quando dá medo, quando dá errado, quando parece que não tem saída, quando não tem fim. E quando dá certo. Quando a gente ri de si mesmo convidamos as outras pessoas a rirem com a gente. Mostra uma vulnerabilidade que aproxima, que acolhe e que aquece, e deixa a vida mais leve. Mesmo quando é pra fazer drama: que seja um drama mexicano 😉

fervereiro – hah!

Vou experimentar esse modelo de post por aqui, faz tempo que não faço. Na verdade, é tudo uma tentativa e um esforço homérico de cumprir aquela minha promessa de ano novo de escrever ao menos uma vez por semana – vou fingir aqui que o ano já não teve 8 semanas, e apenas 4 posts. E, numa análise mais profunda, um agradecimento a fevereiro por ter sido esse mês tão bacana e sorridente.

O carnaval

Há boatos de que em fevereiro teve carnaval – repitam teve carnavál! – e que nós ficamos aqui por São Paulo mesmo: o que foi uma delícia. Numa média nada mais do que justa de 3 dias de pijama + filme pra 1 de bloquinhos + loucuras, claro. Vejam bem: eu adoro carnaval, me fantasiar, ir dançar na rua, mas eu adoro ainda mais minha cama e meus gatos, e o equilíbrio entre os dois termos foi bem aproveitado. Adoro como as pessoas ocupam a cidade tirandoavilamadalena nessa época, e como estão todas felizes e bêbadas e amáveis.

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há boatos que teve bloquinho sim

Essa cidade

E sobre a cidade… Ah, essa cidade! Cada vez mais – mesmo quando vem a conta no final do mês – eu sinto que tomei a decisão mais acertada da minha vida em mudar pra cá. Ô São Paulo, sua maravilhosa. A gente sofre, se estrepa, mas ama essa coisa estranha que é você. E o carnaval é sempre aquela época em que a gente nota o quanto tudo aqui é legal. Os bloquinhos tão nossos, no meio de Higienópolis cantando a Internacional Comunista e xingando o governador, acenando pros velhinhos reaças que acham que a gente tá só reproduzindo uma marchinha antiga.  #chupariodejaneiro (Mentira, Rio, eu te amo, quero voltar). Esfolar os dedos do pé no asfalto da Consolação, tomando Heineken, levando chuva de granizo na cabeça…

A Santa Cecília

Eta Centrão maravilhoso. Ainda tem que rolar algum post melhor do que esse pra descrever o que significa morar no Centro de São Paulo. Tem gente que tem vontade de mandar a polícia me buscar quando eu digo que moro aqui – mas é do lado da Cracolândia minhanossasenhora! – e acho que nunca vou conseguir explicar o significa morar num lugar em que as coisas acontecem. O tempo todo. E já aconteceram. E vão continuar acontecendo. Em que tudo é perto e cada canto tem vida.

Encho a boca quando falo que moro aqui na Santa Cecília, que vem se tornando cada dia mais legal, com lugares tipo o Conceição Discos, que tem a melhor comida da cidade – sim, é dali o MELHOR pudim de leite que eu já comi na minha vida – e ainda agita coisas incríveis, como o bloco da Espetacular Charanga do França, carnaval com saxofone, minha gente!

Sério, dá play:

O Pará

E daí eu fui conhecer o Pará. Quer dizer, claro que eu não fui conhecer O Pará, porque EITA GIOVANA o tamanho daquele Estado. Mas o namorado tinha um Congresso em Barbados Belém, a Gol é essa empresa maravilhosa de passagens baratas, e lá fui eu pro Pará.

(Tá liberado cantar Calypso a partir daqui)

Daí que eu descobri várias coisas. Que dá pra viajar 4 horas de avião e não sair do Brasil. Mas quase: porque o Pará faz divisa com outros países, tipo Guiana Francesa e o Suriname. Lembra das aulas de geografia? Nem eu. Descobri também que aquele marzão que a gente via não era mar, era um riozãozãozão gigantesco, e que a cidade tem uma hidroviária – #fikdik São Bernardo do Campo – e que to outro lado do rio tem ilhas, várias, e tem Marajó, que é uma puta ilhazona da p*rra, e que tem búfalos. Sim, búfalos. Fim da história.

Isso e muito mais você só vai encontrar no pará. (2x)

E que cidade incrível que é Belém. Deus e a Joelma abençoaram a gente com ~amenos 32º, mas sem sol, o que os paraenses estavam chamando de “que dia frio está fazendo hoje”, então pudemos caminhar com dignidade por uma mistura de cidade colonial opulenta, meets nosso povo brasileiro maravilhoso que adora uma feira livre e uma boa dança, meets graças a tupã a gente tem índio nessa terra que ensinou esse povo a cozinhar, meets vamos nos orgulhar dessa amazônia absurda = Theatro da Paz, Estação das Docas, 18218726 parques com bichinhos livres, leves e soltos e macaquinhos me atacando e bicho-preguiça sorrindo e cotias, e passeio de barco, e pernilongo, e pernilongo, e tucupi e tacacá e cupuaçu e tucunaré e TAPIOCA. Meu bom deus, tapioca.

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só no Pará

E, mais que tudo, deu pra sacar que dá pra se divertir muito, mas muito mesmo, em um final de semana só. Que seja virando a noite e indo trabalhar meio zumbi, dormindo três dias seguidos, conhecendo uma cidade que você nunca imaginou conhecer assim, do nada, só embarcando de repente. Que delícia de mês, seu fevereiro.

E você ainda tem 2 dias, um inferno astral e um sábado gostoso pra acontecer 🙂

fevereiro: um horóscopo comentado

Desde que eu aprendi um pouquinho sobre astrologia – as pessoas legais gostam e manjam de astrologia, esse é um princípio deste blog, eu espero que você saibam disso – eu tenho um grande medo nessa vida: o mercúrio retrógrado. Não que eu saiba explicar o que ele significa tecnicamente, vejam bem: meus conhecimentos se restringem a ler e interpretar a Susan Miller do jeito que mais me convém. Mas basta analisar minimamente a palavra RETRÓGRADO pra perceber que, bom, boa coisa isso não deve significar, e considerando que estamos falando de MERCÚRIO – você lembra de alguma boa com Mercúrio? Mercúrio cromo? Um Cavaleiro do Zodíaco? O moço da mitologia grega que levava as notícias? – claro que vem bomba por aí.

Particularmente, eu imagino o tio Mercúrio de mal. Tipo, pisaram no calo dele, não deixaram ele ir pro carnaval no Rio, ele não passou no concurso público que estudou tanto e, solução: ficou retrógrado. Ao invés de girar ~pra frente – cês tão ligado no que eu tô falando, né? Ir rodando em volta de si mesmo e pra frente ao mesmo tempo, saca? – ele resolveu ficar meio parado ali, fazendo birra. Qualquer astrônomo pode comprovar essa minha teoria, é só procurar.

Enfim, mercúrio retrógrado, o maior empata foda, com o perdão da expressão, de todos os tempos. Quer resolver um problema? Não no mercúrio retrógrado. Quer dar um jeito naquele mal entendido com o chefe? Não com mercúrio retrógrado. Quer comprar uma bendita alpargata colorida pra passar o carnaval? No mercúrio retrógrado, ela vai te machucar o pé. Quer assinar um contrato, comprar um imóvel (claro, todo o dinheiro do mundo), casar, comprar uma bicicleta? DEIXA MERCÚRIO SE ACERTAR GATA.

Tia Susan sempre alerta:

Mercury has been retrograde in Aquarius since January 21, but will turn direct on February 11 porque, né, minha gente, o menino leva tempo pra se acertar, precisa ficar quase 1 mês de bunda virada pra lua. This tour of Mercury may not have affected you as much as other retrogrades, but everyone, including you, will always be happy when Mercury regulates its orbit dur ¬¬. Avoid signing papers if possible when Mercury is retrograde, as anything you agree to prior to February 11 is likely to need to be renegotiated again later neste momento, agradeça ao proprietário do seu apartamento por ter a ótima ideia de pedir a casa de volta para “uso próprio” e você estar, tecnicamente, homeless. It is always a no-no to buy electronics, appliances, a car, or any machines when Mercury is out of phase, as Mercury rules the moving parts within these products a car. of couse. mas meu celular tá uma bosta.

After February 11, you will see the pace of your life pick up noticeably, and you will be able to get quicker responses from higher-ups who need to approve your ideas.

Então vamofocarnessaparte, minha gente. Quarta-feira. 11 de fevereiro. Uma data emblemática para a pequena Isadora. O momento em que Mercúrio, esse deus lindo da sabedoria, fertilidade, sensualidade, dinheiro e da colheita (adoro deuses da colheita, são sempre úteis), resolveu ficar de bem do resto do Universo e tocou o puteiro generalizado em todas as áreas da minha vida. E tudo o que parecia amarrado e out of my hands – e, claro, eu sou uma pessoa que lida muito bem com os problemas que eu não posso resolver, quase nada ansiosa, não engordei 3kg no último mês não – fez PLIM e se desenrolou.

Ao mesmo tempo.

Deus me dê acesso a uma Smart Fit, minha gente, é muita emoção pra essa comedora compulsiva segurar.

You still appear to be planning new things, and being filled with surprises and new plans, you will seem mysterious to your friends, like the cat who ate the canary, so to speak, happy and satisfied, but no one who knows you will be sure about what you are doing until you are ready to make your announcements. LIKE THE CAT WHO ATE THE CANARY. Eu comi muita coisa nesses 15 dias gente. Satisfação é meu middle name. Vou fazer esse announcement tipo o nascimento do Simba, aguardem. This is how it must be for now, but next month, with the gorgeous, friendly, new moon solar eclipse in Pisces on March 20, your professional life will be poised to break open like a big juicy coconut.

A. BIG. JUICY. COCONUT. Como questionar qualquer coisa que venha junto dessa expressão?

O resto da previsão é tia Susan dizendo como eu vou ficar rica e magra até março. Praticamente impossível não amar fevereiro, né folks? Seguirei atualizando vocês a respeito da minha vida com esses tipo de post que importa absolutamente a mais ninguém, senão a mim.

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Ah, eu sou de Peixes – com ascendente em Sagitário e lua em Leão (ou vocês tinham alguma dúvida a respeito?)

leituras de janeiro

Conforme prometido – vejam bem, eu estou efetivamente cumprindo uma das coisas que disse que faria por aqui! – um resuminho das minhas leituras do mês. Como eu estou de férias (xiu, não estraga!), consegui ler uma cacetada de livros que eu tinha por aqui parados, além de indicações de amigos e tudo o mais que acabou surgindo no meu Kindle através daquele inferninho de compras que é a Amazon. Também li algumas coisas pro trabalho, mas não vou fazer jabá por aqui – por enquanto. Então desconsiderem essa divergência entre o que eu vou postar aqui e o número de livros lidos no Goodreads, ok?

De todo jeito, achei janeiro um mês bem produtivo e com leituras que me encantaram bastante. Vamos a elas [com as marcações para o #DLdoTigre acima de cada livro]:

[recomendado por um amigo]

clarossinaisdeloucuraClaros sinais de loucura, de Karen Harrington:

a história é contada por Sarah, uma garota de onze/doze anos com uma vida bem maluca… A mãe tentou afogá-la e ao irmão quando eram bebês (e acabou conseguindo matar o irmão) e, desde então, vive presa em uma instituição psiquiátrica. Como o livro é contemporâneo, bom, a Sarah sabe de tudo: acompanhou a cobertura da mídia, sabe que todos seus colegas sabem de sua história, acostumou-se a mudar de cidade toda vez que o clima pesa demais para o lado dela e do pai, que, claro, virou alcoólatra com o trauma. A vida da Sarah não é tranquila: ela oscila entre a falta de ajuste típica da pré-adolescência, somando esse fator meio complicado da família e, puts, ela acha que vai ficar louca como a mãe. Daí o título.

Longe de ficar remoendo tudo naquele tom de autopiedade que a galera adora, a Sarah é uma garota engraçada, mega observadora e bastante autêntica, meio na linha do “já que é pra ser louca, então vou ser louca de verdade”, o que rende várias situações superlegais de reconhecimento de identidade. Todas as dúvidas e nóias da adolescência – primeiro beijo, ajuste nos grupos, escola – ganham um ponto de vista interessante e desprendido daquele julgamento que a gente costuma ter: a protagonista compartilha suas experiências – que ora são bem típicas da idade, tipo se apaixonar pelo carinha mais velho, ora são mega exigentes, como cuidar do pai bêbado – com sua amiga Planta e com as cartas que escreve para Atticus Finch, o protagonista de O sol é para todos (que entra na minha lista de leitura).

O mais legal: Sarah tem dois diários. O que ela escreve tudo o que ela realmente pensa e sente, assumindo que talvez esteja mesmo meio maluca, e revelando tudo o que se passa na sua vida; e o seu diário falso, em que escreve coisas banais do dia a dia, que esconde “mais ou menos”, que é pra quando ela morrer, acharem primeiro e pensarem “poxa, ela era normal”. Sarah <3

Podia passar sem: não curto muito o esquema final do Manoel Carlos, em que tudo da certo e o escritor finaliza com uma frase pra estampar capinhas de iPhone, mas como bem disse um amigo, “ela é tão novinha quando tudo acontece, ainda tem a vida inteira pela frente, vai se decepcionar bastante”. Heh.

[emprestado]

filomenafirmezaFilomena Firmeza, de Patrick Modiano:

o moço ganhou o prêmio Nobel de Literatura no ano passado e, bom… É isso. A Filomena Firmeza, além de ter esse nome sensacional – no original em francês é Catherine Certitude. Eu não sei se a tradução é fiel, mas achei o nome incrívelé uma dessas garotinhas que a gente se apaixona logo de cara. Aparentemente pode parecer uma história bobinha: ela faz aulas de balé e acompanha seu pai em seu trabalho meio complicado e no dia a dia de um pai solteiro, mostrando a cumplicidade comovente entre os dois. Aos poucos, você vai notando que através das memórias da Filomena – o livro é narrado por ela já adulta, rememorando os acontecimentos – rola uma reinterpretação, como se somente agora, quando a vida já mostrou o que tinha pra mostrar, ela entendesse o que rolou.

A mãe da Filomena era uma bailarina americana. O pai, um “comerciante” – um “faz tudo”, cheio de gambiarras – francês. Eles se separaram temporariamente, quando a mãe volta para os EUA e o pai fica, até arrumar seus negócios. Nesse tempo Filomena cresce com ele, ajudando e vendo as trapaças em que se mete. Ela começa a dançar como a mãe – de óculos, uma graça! 

O mais legal: você lê o livro de uma sentada só. Tudo é muito singelo e delicado, e o autor consegue passar a mesma sensação que deve ter pensado para os personagens: só no final você saca que, por trás do cotidiano aparentemente banal, do dia a dia construído, é tudo meio artificial e se escondem outras histórias que não podem ser tão legais assim. E as ilustrações do Sempé (do Le Petit Nicolas)!

Podia passar sem: nadinha. Amei!

[com a capa alaranjada]

pequenaabelhaPequena abelha, de Chris Cleave:

que coisa mais linda e mais triste do mundo. Chorei enquanto estava na praia, de pernas no sol e tomando água de coco – vejam o nível de sofrimento. Eu peguei esse livro sem saber nada sobre o enredo, e foi melhor assim. Dei de cara com uma história sobre refugiados nigerianos em Londres (socorro!), contada pela voz da Abelinha, uma personagem encantadora.

Basicamente, o livro se desenvolve através da voz de dois personagens: a Pequena Abelha, jovem nigeriana que fugiu da guerra em seu país para a Inglaterra, mas acaba indo para uma prisão de refugiados; e Sarah (outra¬¬), que Pequena Abelha conheceu por um dia em um incidente pra lá de confuso na Nigéria, há anos. As vidas das duas voltam a se cruzar da maneira mais dramática possível, e elas são obrigadas a enfrentarem o passado juntas, de novo. TADAM. Parece enredo de novela, mas gente, juro: é maravilhoso. Mesmo nas horas mais forçadinhas – tipo, CHORA LEITOR, vou matar uns 4 personagens aqui – é tudo escrito de uma maneira tão maravilhosa que você só quer continuar grifando e grifando e chorando de raiva por não ter escrito nada parecido.

O mais legal: a maneira com que a história é contada. Sério. Se você procurar outras resenhas por aí (tem várias mais completas que a minha, vai em frente!), vai ver várias frases de efeito falando de cicatrizes e destino e futuro e o terceiro mundo. Isso é lindo, mas entra um pouquinho na frase da capinha de iPhone que eu citei ali em cima. Tô falando de como o moço Cleave conseguiu captar algumas diferenças de linguagem que formam abismos imensos entre dois mundos.

Ás vezes eu penso que gostaria de ser uma moeda de uma libra esterlina em vez de uma menina africana. Todo mundo ficaria satisfeito ao me ver.

Todas as histórias das moças começavam com os-homens-vieram-e-eles. E todas terminavam com então-me-puseram-aqui-dentro.

Isto era sempre um problema pra mim quando estava aprendendo a falar a língua de vocês. Todas as palavras sabem se defender. No momento em que você vai agarrá-las, elas se dividem em dois significados diferentes de modo que a compreensão se fecha no vazio do ar. Admiro vocês. Vocês são iguais a feiticeiros, tornaram sua língua tão segura quanto seu dinheiro.

Abelinha passa o livro inteiro angustiada por uma busca de uma identidade que ela não consegue encontrar em lugar nenhum. Ela não é mais nigeriana, e também não é inglesa, por mais que se esforce.

Ah, pra quem ler: e o Batman <3 <3 <3

Podia passar sem: nas últimas páginas, a Sarah tem uma epifania e dá uma de Highlander pra vencer todos os inimigos da humanidade, de Gotham e da Abelinha. Fica-forçado, é claro. Acho que o próprio autor percebeu que o desfecho não era dos mais verossímeis e acabou correndo com um monte de acontecimento importante, tipo viagem-a-África-matança-suborno-aventuras-girafas-elefantes e final. Não prejudica o livro, não, a poesia continua lá, mas podia ter sido um pouco mais elaborado.

[recomendado por um amigo]

quartoQuarto, de Emma Donoghue:

outro narrador infantil aqui e veja, temos um padrão. É, eu não tenho jeito, adoro histórias contadas por crianças. Só que, no caso de Quarto, não tem nada de bonitinho na narrativa: Jack, um garoto de 5 anos, descreve como é seu dia a dia com a mãe. Tudo bem literal, mostrando como eles acordam, comem, brincam, leem, se exercitam, dormem… no Quarto, que é só o que eles têm. Jack e a mãe vivem em um cativeiro desde que ela foi raptada, há mais de 5 anos, pelo “velho Nick”, que vai visitá-la toda noite. Tenebroso.

É claro que não é tudo horrível, porque a gente fica apaixonada pela relação da mãe com o Jack. É linda a maneira que ela constrói o mundo para o filho, usando as poucas coisas que pode, e é lindo ver a criança incrível que o Jack se tornou apesar de todo o drama. O livro é dividido em duas partes: a agoniante vida dos dois dentro do Quarto e, depois (spoiler necessário), o comecinho da história deles no mundo real, no Lá Fora. É aí que acho que a autora consegue fugir do lugar comum “e tudo terminou bem”: ela desconstrói um pouco a coisa da mãe super heroína e do final feliz, e mostra, além do processo de adaptação de Jack, com milhões de coisas e pessoas novas, como as pessoas não estão preparadas pra ficarem sozinhas. Nunca.

O mais legal: sem dúvida, acompanhar as coisas mirabolantes que passam na cabeça de uma criança de 5 anos que, apesar de viver numa situação praticamente inconcebível, ainda é uma criança (fantástica <3) de 5 anos. Ah, e vai virar filme! Tem tudo pra ser bacana, viu!?

Podia passar sem: a coisa também se estende um pouco mais do que o necessário, e acaba desgastando bastante os dois personagens – afinal, são praticamente só os dois. O drama beira o brega em algumas partes – mas né, gente, olha esse tema ¬¬

E vocês, o que leram esse mês?

* Das quatro leituras do mês, três (apesar de eu só ter marcado duas, Pequena abelha também foi pescado em uma conversa nossa) foram indicações do queridíssimo Vitor – gente, vão ver as ilustras dele, pfv – que com certeza entendeu direitinho o meu gosto literário e predileção por narradores infantis/jovens. Gracias, Vi <3