coisas que eu não sou boa at: fazer o pé

Cês já notaram como essa expressão é engraçada? “Vou fazer as mãos!”, “Preciso marcar pra fazer os pés”. Se a gente levasse ao pé (heh!) da letra, eu também seria terrível em executar essas tarefas, visto que todos os meus desenhos de infância se resumiam em personagens escondendo as mãos atrás do corpo e com elaborados sapatinhos que não mostravam os dedos. Mas, no caso, estou falando aqui daquela arte maravilhosa em que as moças tiram vossas cutículas, lixam vossas unhas e as pintam com cores adequadas para passar valores de jovens de caráter e família que são, ou: como eu queria pintar as unhas de vermelho para o casamento da minha melhor amiga.

Pra quem aqui não tem o hábito de pintar as unhas, eu explico algumas regras básicas:

  • Cutícula é aquela pele mais molinha que fica entre seu dedo (pele de verdade) e sua unha (dura). Alguém um dia inventou que aquela pseudopele é feia e, desde então, usamos alicates afiadíssimos pra retirá-la antes de pintar a unha. O que acontece em 99% das vezes? Obviamente, arrancamos um pedaço da pele de verdade junto da cutícula – movimento conhecido como “tirar bife” e saímos com o dedo sangrando e ardendo após a aplicação de acetona para finalizar a aplicação do esmalte.
  • Quanto mais escuro o esmalte, ou ainda, quanto mais pigmentada a cor, mais infernal é aplicá-la.
  • Se você faz suas unhas em casa, um lado do seu corpo invariavelmente será mais bonito que o outro, a não ser que você seja ambidestro (nunca escrevi essa palavra antes na minha vida). Se esforce para que as fotos sejam tiradas do lado oposto ao lado que você é hábil.

Posto isso: unhas vermelhas, da mão e dos pés, casamento da melhor amiga, você vai ser madrinha. Você começa pelas unhas das mãos enquanto vê mais um episódio de Pedro Pascal sendo o homem mais maravilhoso do mundo inteiro Narcos com relativa destreza, um bife ou outro pra conta, abstraindo o conceito de “pelinha do canto” da sua mente. Ok. E daí você olha para os seus pés, seus pés seus queridos pés que te aguentam o dia inteiro caminhando pelo Centro de São Paulo dentro de sapatilhas fechadas e outras atrocidades do mundo moderno.

Vamos lá. Passa creme. Deixa o creme agir por mais um episódio de Pedro Pascal porque a coisa tá feia e pensa que, caso dinheiro você tivesse, você estaria agora recebendo uma massagem relaxante da moça da pedicure, com esfoliante de macadâmias e essas coisas bonitas que supostamente te fazem relaxar. Mas na real, você está com uma perna apoiada no chão, a outra em cima de um banquinho, enquanto você está sentada no sofá de casa com Vazenol vencido melecando os dedos.

E claro: a sua elasticidade não permite que você alcance seus dedos com a habilidade que você deveria – afinal, você vai ter que arrancar meia São Paulo dali, o que exige força, torque, ângulos corretos e um alicate afiado. Você precisa de uma outra pessoa. Você certamente precisa de um adulto. Você precisa se lembrar de que vale a pena economizar R$ 50 no próximo mês pra te salvar da dor no ciático que isso vai te proporcionar amanhã. E depois de um cavocar exaustivo, em que os tendões da sua virilha e daquela parte atrás do joelho urram de dor, já que sua perna está basicamente atrás do seu pescoço, chega a hora de passar o esmalte. Vermelho.

Quando eu escrevia na editoria de Beleza da Capricho, me lembro da matéria de dicas para as garotas economizarem, que incluía: aprenda a fazer suas unhas em casa. Pois bem. Acho que finalmente encontrei a prova maior que diferencia meninas de mulheres, a vida adulta da adolescência deboísta, a definição última de uma vida plena e a razão pela qual as pessoas esquecem seus princípios, seu caráter, tudo o que lhe foi passado por seus pais em troca de dinheiro… Fazer as unhas no salão.

Garotas de 15 anos de hoje que por acaso caíram nesse blog (saiam, por favor): a vida de vocês será melhor quando tiverem dinheiro para fazer as unhas dos pés no salão. Acreditem em mim. Uns dois anos depois do fim da faculdade, ainda que vocês tiverem que ficar sem comer por 1 ou 2 dias para tanto: vale a pena. Vale cada centavo e cada minuto do seu dia. Economizem. Pensem no futuro. Rezem por isso. O dia de vocês vai chegar.

blogday e a blogosfera

A única coisa que eu tenho pra dizer sobre o dia de hoje, o famigerado Blogday, o final do BEDA – que obviamente eu não participei, mas que me dará inspiração para todo o sempre – e a minha querida blogosfera é:

Vocês me fazem querer voltar a cada mês que eu resolvo que não vou mais vir aqui. Obrigada, migos <3 Amo todos vocês.

(E se você não entendeu nada do que eu escrevi você não é velho o suficiente pra ler o restante dos posts beijos)

favoritos # 9

Claro que esse post está super desatualizado: o rascunho dele foi criado em julho, e eu nunca publiquei. O que pode ser bem legal pra relembrarmos algumas coisas que passaram por aí e já esquecemos – ou uma ótima desculpa para essa que vos fala voltar à ativa e vocês nem repararem na bagunça, heh!

A transformação desse ~quintalzinho num canto maravilhoso:

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Quero.

Existe um café inspirado no Wes Anderson:

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Sim, é real. Sim, ele existe. Socorro.

Esses gifs motivacionais maravilhosos:

Tudo dessa loja, especialmente essas estampas:

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Esse DIY de vasinhos com carinhas ai meu deus socorro que amor:

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A entrevista em vídeo com a Eva Furnari feita pelo Esconderijos do Tempo, que é uma das coisas mais lúcidas e bonitas que eu já vi:

A etiqueta do whatsapp

A etiqueta do whatsapp, eu não entendo. Nem de longe. Ao mesmo tempo que não vejo a necessidade de extensos “oi!”/ “oi!”/ “tudo bom?”/ “tudo”/” e você?”, tudo assim, em várias linhas, vários apitos, várias notificações, também não consigo colocar na minha cabeça que você seja capaz de se despedir de uma pessoa somente usando uma carinha.

Sim, eu chamo emoticons de “carinhas”.

Eu acho que vocês falam “emojis’, né? Eu falo carinha e, quando me esforço, emoticon.

Mas aí eu dou uma chance, olha, que vem lá do fundo do meu coração e do meu esforço em ser um pouco mais tolerante com as pessoas/as novas tecnologias, e estamos lá conversando e você me dispensa com uma carinha. Uma carinha, assim, uma piscadinha e um beijinho, como se ali estivessem contidos os “bom, tenho que ir, estou com sono, amanhã acordo cedo” – esses sim, todos em uma linha só, numa desculpa esfarrapada que deve ser dita logo, pra não ter tempo do contra-argumento – “ah, tudo bem, amanhã nos falamos mais!” – também de uma vez só, compreendendo a urgência da pessoa em soltar o celular e ver um episódio de The Good Wife antes de dormir – “claro, então tá!”/ “beijão, boa noite”/ e, aí sim, a carinha. Piscadinha, beijinho, depois da detalhada e educada descrição das minhas atividades noturnas, e não só carinha, piscadinha, beijinho, tudo contido numa bolota amarela que resume o bom e velho “boa noite”.

Eu não entendo, eu espero resposta, eu digito tudo junto mesmo assim, criando aquele espaço extremamente sem graça de quando você encontra a pessoa no shopping, conversa dois minutos, se despede e a reencontra no corredor seguinte. Vem carinha, piscadinha, beijinho, e eu respondo “então tá” e “acordar cedo” e “The Good Wife” e “beijão e boa noite!”, em várias frases separadas, com vários apitos, várias notificações e uma porção de constrangimento gratuito noturno.

E me recuso a mandar a carinha, só ela. Me recuso.

(Imagina se algum dia eu for usar o Tinder…)

Ainda estamos em hiato. Escrevi do celular, jesus amado.