facilita

não é fácil. já não é nada fácil. a gente já tem 1298 coisas diariamente lembrando a gente que não é fácil. então: não fode. não deixa acumular, não deixa chegar no limite – não deixa pra última hora. não fica remoendo a raiva, não deixa a raiva crescer, não alimenta os animais.

respira fundo.

não diz que não tem tempo, que não tem dinheiro, que é difícil de chegar. tempo a gente arruma, dinheiro a gente consegue, e tem jeito pra ir pra todo lugar. sonha. e peloamordedeus, põe o sonho no papel e vê como faz pra chegar lá. escreve, desenha, pinta, canta, dança, mas não fica parada, vendo o Netflix (mas veja o Netflix também). sai de casa. anda. não diz que não tem tempo, que não tem dinheiro, que é difícil de chegar.

para de reclamar.

reclama um pouquinho com quem sabe ouvir e chega. chega. bota a bunda pra se mexer. escreve num papel, na geladeira, no espelho, anota no celular, põe lembrete, baixa app. mas facilita. não deixa de fazer, de ser, de dizer. não-deixa-de-dizer. facilita, amiga. facilita que a vida já tá aí pra mostrar que não é fácil. a gente tem que nos dar a chance.

[lembrete diário]

favoritos #6

O favoritos agora vai ser mensal, porque eu comecei a perceber que quero postar meus links amados a cada semana, loucamente, e aí o blog vai virar só isso. Então na última semana de cada mês, taca-lhe retrospectiva do que eu achei de mais legal na internet, rapaziada:

Esse texto do Olga sobre manterruptingbropriating, mansplaining e gaslighting: 

Porque o machismo está nos detalhes, e a gente tem que prestar atenção pra não reproduzir/endossar esse comportamento ridículo da nossa sociedade.

O trabalho dessa editora maravilhosa, responsável pelos maiores livros desse incrível fenômeno dos Young Adult:

“In the cosseted world of children’s book publishing, getting an editorial letter from Ms. Strauss-Gabel, the publisher of Dutton Children’s Books, is the literary equivalent of winning a golden ticket to Willy Wonka’s chocolate factory. It virtually guarantees critical or commercial success, and often brings both.” Sério, se eu encontrar essa pessoa na rua, provavelmente eu cometa assassinato pra tomar o lugar dela.

As 10 lições de vida que a gente pode aprender com as Spice Girls:

eu era completamente viciada em Spice Girls na pré-adolescência, fazia coreografia, aprendia inglês, dançava e cantava loucamente. Foi bem legal voltar no tempo e ver o quanto elas foram importantes pra mostrar de verdade o girl power da época.

Na mesma vibe, esse texto importantíssimo da sempre ótima Anna Vitória, mostrando porque (e como) a gente tem que se amar:

“Sou contra a gente TER QUE fazer esse monte de coisas porque alguém disse que do jeito que estava não estava bom. […] É esse imperativo que me mata, porque ele vem de todos e de ninguém, seguindo uma ordem pra atingir um objetivo impossível de ser alcançado.”

E, pra finalizar com lindeza, o tour pela casa da Elsie, que é tipo um sonho, só que existe de verdade:

piquenique de aniversário – festa em dobro

Cês devem estar me achando maluca – meu aniversário foi há mais de 1 mês e eu AINDA FALANDO DISSO. Chega, né, Isadora? Gente, a verdade é que tá rolando uma mudança maluca aqui na vida (dessas físicas, de casa, mesmo) e todo o meu mini-tempo útil está sendo utilizado para empacotar/enrolar/encaixotar/embalar coisas.

Mas como eu não quero deixar vocês sem atualizações aqui, resolvi relembrar esse dia lindo que foi mais um aniversário em dobro: aniversário pisciano meu e de uma das amigas mais importantes da minha vidinha, de quem, além de tudo, eu serei madrinha de casamento <3 Amor enorme, amor maior que tem.

E como a gente simplesmente AMA por a mão na massa e deixar as coisas com a nossa cara, bom… Enfrentamos a chuva de São Paulo, uma ida ~de leve~ à 25 de março e horas no mormaço que renderam uma magnífica insolação nas duas pra fazer esse piquenique pros amigos no Parque Villa Lobos. Resultado: comemoração do jeito que a gente queria, com gente muito querida e nem a chuva conseguiu atrapalhar!

IMG_0287a copy

IMG_0288a copy

ganhamos esse naked cake INCRÍVEL da Bolo 22, que faz coisas deliciosas e lindas!

IMG_0290a copy

O bolo de banana também é de lá 😉 As outras coisas nós fizemos em casa!

IMG_0291a copy

IMG_0292a copy

IMG_0293a copy
IMG_0297a copy

IMG_0289a copy

Gostaram? 🙂

meus hábitos de leitura

Desde que eu comecei a compartilhar mais minhas leituras aqui, todo mundo me pergunta: Isa, como você faz pra ler tanto? Gente: eu não leio tanto assim. Acompanho toda essa galera que faz isso pra valer e, bom, outra escala de contagem. Mas eu leio bastante, sim. Primeiro porque sou apaixonada por livros e depois, bom… Porque trabalho com eles – isso é assunto pra outros post, ou pra uma mesa de bar.

Ler, pra mim, além de necessário, é uma maneira de me inspirar: pra escrever, pra desenhar (logo mais conto essa!), pra sair de casa e ver a vida diferente. É um respiro muito importante no meu dia a dia: a hora que eu desligo o computador, o celular, me desconecto e, finalmente, relaxo.

Só que, né, minha gente, em eras de Netflix, Jout Jout e Twitter, quem é que consegue arrumar tempo pra ler? Eu também sofria com isso, amigos. Até a hora que eu percebi que não estava mais lendo. Nada. Nada além do obrigatório. E isso começou a me consumir. Eu parei pra analisar a minha rotina que, basicamente, era: acordar – ir pro trabalho – voltar – trabalhar mais – ver séries – dormir. E com “trabalhar mais” entendam: arrumar a casa, frilar (êta vida!), escrever no blog, pesquisar assuntos de interesse, ficar no computador. E, em seguida, ver séries. Várias. Só depois dormir.

Tudo errado. Vocês sabem que eu amo séries e assisto muita coisa, mas comecei a entender que rolava uma necessidade louca de assistir tudo e logo. Segredinho: isso não existe. A gente fica viciado, mesmo, é uma outra maneira de “desligar” e “relaxar” e, afinal, como vamos interagir no Twitter se não tivermos uma sacada genial sobre o Frank Underwood? IMPERDOÁVEL, né? É… Tá vendo como tudo isso é uma necessidade falsa que a gente alimenta? Eu parei de ver séries? JAMÉ. Mas eu aprendi a dividir o tempo pra que nenhuma “etapa” do meu divertimento seja deixada de lado. A ver…

Eu já li muito mais: até o começo de 2014 eu morava em outra cidade, o que significava 5 horas diárias no trânsito, entre ir e voltar. 5 HORAS. Como eu não dirijo, as primeiras 2h30 eram dedicadas ao meu sono de beleza, já que eu dormia efetivamente umas 4 horas por noite. Mas as outras 2h30… Ah, era o paraíso! Eu falava no telefone (os outros passageiros me amavam muito), eu fazia ~lição de casa~, eu pensava muita, muita besteira e bom… Eu lia. Eu lia pra cacete. Eu lia um livro por semana, mesmo meu estômago se revirando no trajeto.

Depois de um tempo, claro, as coisas mudaram. Eu me mudei pra São Paulo, o que diminuiu o trajeto pra cerca de 1 hora – em que eu lia em pezinha no metrô com meu Kindle nas mãos <3 – e, mais recentemente… Eu estou morando na rua do meu trabalho (não me odeiem, eu continuo sendo legal, eu juro!). E a parte de todas as maravilhosidades que isso acarreta, é claro, tem um downside que é: meu deus, e agora, quando eu vou ler? Quando eu percebi que isso poderia ser prejudicado, comecei a me policiar com algumas coisas e estabelecer uma rotina de leitura, que compartilho aqui com você porque eu sou demais, vejam só:

Estabelecer um horário: parece chatinho, mas é muito, muito necessário. Eu chego cedo em casa, por volta das 19h, e determinei que, até às 22h é meu tempo de “fazer as coisas”. Sejam elas da casa ou pessoais, as TAREFAS vão até às 22h. Das 22h em diante é: tempo da leitura. Normalmente eu durmo à meia-noite (e também me obrigo a largar tudo no máximo a essa hora), às vezes antes. Não importa: ainda que sejam 15 minutos de leitura, é a hora dela. Só dela. Eu gosto de ler à noite porque me desacelera – tem uns estudos que dizem que TV, celular, computador à noite, tudo isso prejudica o sono, porque têm muitos estímulos. Tem que prefira ler de manhã, pra já começar o dia “funcionando”. Fica a seu critério, mas a questão é: separe um tempo de leitura e obedeça-o. Faz bem 🙂

Desligar todo o resto: não adiaaaaaaaaanta abrir o livro e o computador e o celular e o tablet e a televisão e o pager tudo ao mesmo tempo. A gente se distrai, tem-que compartilhar aquela informação maravilhosa com os amigue do Twitter, tem-que falar com a amiga que também tá lendo o livro, tem-que… Pare. Senão a gente não concentra. Pega o celular, tira a foto, põe no Instagram e JOGA O TROÇO LONGE.

O Kindle: acho que muita gente ainda tem a dúvida se os leitores digitais valem a pena. Pra mim: muito. Eu comprei o Kindle no finalzinho do ano passado. Demorou. “Eu amo cheiro de livro”, “Eu quero ter na minha estante”, “Eu não vou conseguir me adaptar”. Não fica tão bonito na foto, mesmo, mas olha: é mágico. A princípio, eu comprei o bichinho pra ser mais fácil de carregar pra lá e pra cá e, vejam: me mudei pra mesma rua do trabalho ¬¬ Ainda assim, a compra fez parte de uma nova postura de menos acúmulo de coisas, sejam elas materiais ou ~espirituais~ #isamística. E cara, como isso faz bem. Primeiro porque: eu compro mais livros, e essa parte se divide em duas: 1) não ocupam espaço MEUDEUSNÃOOCUPAMESPAÇO é tão lindo; 2) são mais baratos. Muito. Depois que eu efetivamente leio mais: não sei se é uma quebra no ~paradigma da leitura~ #isaacadêmica, mas a gente acaba perdendo a dimensão do objeto livro – o que liberta a gente dos momentinhos de preguiça “vou pegar meu celular aqui porque um livro agora vai me cansar…”. Eu tô sempre com o Kindle na bolsa. Sempre. Eu também gosto da ~interatividade~ #isasocialmedia que o bichinho proporciona: dar nota, compartilha leitura, GRIFAR E SALVAR PASSAGENS meu bom sem or, que maravilhosidade. Ler em inglês se tornou um novo hobby: eu, que preciso muito melhorar a língua, venho aprendendo muito. Fora que você compra o livro e BAM, ele está nas suas mãos. AGORA. Nesse momento. É mágico, recomendo – não tô ganhando nada pra falar do Kindle, mas amigues social media da marca, aceito pagamento em livros. 

Ler sobre ler: vocês acompanham blogs de leitores? Canais no youtube? Usam o Skoob ou o Goodreads? Olha, eu recomendo que passem a fazer algumas ou todas dessas coisas. A experiência da leitura, o ler “em conjunto”, motiva muito a gente, seja a escolher o novo livro que vai começar, seja a insistir em uma leitura que não está rolando, ou mesmo a escrever – lindeza! – sobre o que achou da trama.

Ler o que você gosta: parece bobo isso, mas a gente não percebe que, com tooooodas essas coisas que eu citei aqui em cima de compartilhamento, redes sociais, interatchividadjes e amor, a gente acaba lendo muito na vibe da galera. E, talvez, você não goste dos livros que a galera tá lendo. Então, quando a coisa tiver meio enguiçada, tenta lembrar daquele seu autor preferido ou do último livro que você devorou. Tem outro da série? Tem algum lançamento do cara? Nem em outra língua? Com as zoeiras do começo de abril, até agora eu não peguei nada pra ler, e tô sentindo falta. Recorri então à minha amadinha Rainbow Rowell, porque ela nunca me decepciona, e já sei que o final de semana vai ter companhia 🙂

Não se cobrar tanto: perceberam que eu tô com birrinha das redes sociais? Vejam bem, eu AMO as redes sociais, mas a gente se cobra demais por causa delas. COMO ASSIM você não postou uma foto de um local incrível/desconhecido/onde todo mundo estava no final de semana? COMO ASSIM você não está lendo o que todo mundo está? Relaxa. Tira dali as inspirações pro teu dia, mas vai ler o que você curte. Pegou uma sugestão e odiou o livro? Que pena. Você não tem que gostar porque todo mundo gostou. Eu não vejo problema nenhum em abandonar leituras que não me empolgam, ou não ler o que a galera está lendo. Vai do tempo de cada um, né?

Eu ainda divido meu tempo de leituras com as “teóricas”, já que tô sempre fazendo um curso novo ou tentando aprender alguma coisa diferente. Tento separar por dias, pra não misturar muito as coisas: então num dia que tenho curso, que as coisas estão frescas, leio aquele livro cabeçudo que me ajuda a ter ideias. Nos outros dias, leio algo mais divertido, menos pretensioso.

O que interessa é que a gente leia. Porque o mundo é mais bonito com livros, sejam eles o que forem – se alguém aqui vier com a discussão que livro juvenil não é literatura eu vou sentar a mão na cara, ok? ok. A gente se inspira, se diverte, chora, tem assunto pro bar, e escreve coisas bonitas como esse texto (uhum ¬¬) e coisas que ficam guardadas na gaveta até alguém dar um peteleco na nossa orelha e termos coragem de mostrar. Hmmmm vem coisa aí!?

Vocês leem como?

favoritos #5

esse texto lindo da Raqs me incentivando a correr:

“Tem meia horinha? Faz meia horinha. Caminhe devagar, vá sentindo o que o seu corpo pede. Aos poucos, vá intercalado uma caminhada mais puxada, um trote… Não tenha vergonha de olhares alheios, ninguém paga suas contas. Apenas vá, respeitando seus limites. Cansou? Diminua o ritmo. Respire, se concentre. Aproveite o tempo para pensar no bem que você tá fazendo pro corpo e pra mente. Repita o processo dois dias depois. E mais dois dias. E assim vai…”

esse post (e esse blog, meu deus!) maravilhoso, que ensina a fazer colares com pedras:

esse texto da Clara Browne no blog da Alpaca Editora, sobre a importância da literatura juvenil pras garotas:

“Na literatura juvenil, nós, mulheres, somos rainhas, somos rebeldes, somos o que queremos e precisamos ser. Rompemos com ideias institucionalizadas e criamos nosso próprio mundo. E isto que hoje em dia é visto como ficção de baixa qualidade é também nossa real revolução”.