NHAM!

Quando você percebe que 80% dos posts publicados no seu blog falam sobre, têm títulos relacionados ou reclamam de comida. É aí que você descobre o que aconteceu com este pedaço de ano que se passou.

Você comeu ele.

salamaleico

24 de julho de 2013, São Bernardo do Campo, 6h30.

Eu no ponto de ônibus, congelada, enrolada na echarpe – amigos, lembrem-me de nunca mais ficar sem cabelo nessa época, por favor. Chega uma velhinha italiana e começa, claro, a conversar comigo. Sobre deus, claro, porque é isso que acontece comigo.

Que deus é justo e perdoa, não pune; que ele aceita todas as pessoas, não importa a origem; que isso e aquilo. Como minha tolerância a senhorinhas italianas é altíssima, fui sorrindo e concordando, rezando pro tal do Jesus mandar logo o Sacomã chegar.

Até a hora que ela disse “Olha só: o papa tá aí, abençoando a gente. Esse é o momento para aceitar deus. Não precisa se sentir oprimida pelos seus pais, pela sua origem. Você está longe de lá! A igreja aceita todo mundo de braços abertos. Pode confiar!”

E eu entendi.

Quer dizer, estamos em 2013 e eu, minha echarpe e meu nariz ainda sofremos com tentativas de conversão por senhorinhas católicas.

verificando…

Sempre que eu faço uma compra online e o Itaú me diz “guardião verificando…” (no caso, a chave de proteção do banco) eu penso num senhor de bigodes incrivelmente parecido com meu pai, vestindo uma armadura e segurando uma espada.

E ele checa meu armário de sapatos e me olha com claros sinais de reprovação.

Doimilestresse

Funciona assim: é junho, Susan Miller já prometeu mudanças mais vezes do que o Serra, e até agora, parece que você tá empurrando o ano com a barriga. A gente promete que vai atualizar o currículo e mandar praquela editora maravilhosa que tem o seu perfil, promete que vai entrar na academia e parar de tomar toddynho à tarde, e diz que vai finalmente reformar aquela bicicleta velha que está na sua garagem. O que você faz? Aceita trabalhos de origem duvidosa que você consegue fazer de pijamas, descobre que tem cookie de toddynho e o máximo de exercício que faz é correr atrás dos filhotes que cresceram e descobriram como subir em cima da mesa.

2013 é isso: o ano da gordura abdominal e do toddynho.

é na manteiga, manteiga, manteiga, manteiga (4X)

Eu tinha uma ideia de começar a postar receitinhas aqui no blog. Porque claro, faz parte da hipsterização da minha vida aprender a cozinhar. As fotos vão para o instagram, com filtros bonitos, mas eu nunca consigo mostrar lá o quanto meus pratos são apetitosos. Eu e namorado já fizemos risoto, macarrão e, a última, foi um hambúrguer melhor do que eu comi na melhor lanchonete da cidade (risos). 

Mas, algumas coisas me impediram de seguir no projeto. A primeira delas é que eu não tenho uma cozinha. Assim, a arte da culinária fica restrita a momentos de abandono integral de casa, que têm que ser meticulosamente combinados com a minha vontade de sair da cama de final de semana. Momento raros. O segundo motivo é que eu descobri que cozinhar é caro, e envolve realizarque carne de supermercado é nojenta e que queijo gorgonzola custa mais que um prato no restaurante fuleco da firma. 

Mais que isso, eu descobri que cozinhar é nojento.

Não digo que o ato de cozinhar seja nojento. Pensei que seria uma dessas com nojinho de tudo mas, uma vez com foco no resultado, sou uma profissional bastante inescrupulosa. Nem me refiro às pilhas de louça sujas que se acumulam misteriosamente depois de você fazer um simples miojo. Não. Quando eu digo que cozinhar é nojento eu me refiro ao processo de descobrimento de tudo o que vai naquele seu prato maravilhoso. Todos os ingredientes. Todos os ovos. Toda a manteiga. Todo o óleo. 

Esse final de semana foi o hambúrguer. A começar que carne moída é uma coisa do inferno. E, vejam bem: eu sou viciada em carne crua. Mas carne moída não dá. Então, pede-se pro namorado fazer a parte sangrenta. E você fica com a parte da chapa. Põe o bolinho de carne na chapa. Liga a chapa. E põe manteiga no bolinho de carne na chapa.

Muita manteiga. Mais manteiga. 

O moço hipster do restaurante bombado diz que “quando falamos de hambúrguer, nunca é gordura demais”. E manteiga. Mais manteiga. E quando você acha que nunca mais vai ser capaz de ver nada amarelo na sua frente, você vira o hambúrguer. E põe mais manteiga. Enquanto-o-bacon-frita. No óleo. 

Tudo isso parece bastante instigante pros mais adeptos da culinária-ogra – e, acreditem, amigos, eu não sou nenhuma lady. Não acho que salada seja comida e o único grão que tem no meu prato é grão-de-bico (no tahine). Mas quando você está segurando uma garrafa de óleo em cima de um bolinho de carne e ela está fazendo barulho de ar entrando pelo gargalo, meus amigos…

E você resolve fazer maionese. “Óleo até dar o ponto”. Vocês têm noção de quanto óleo demora para que dois ovos virem maionese? 

dança comigo, remexe bem

Eu nunca fui magra. E também nunca quis tentar ser. Sempre tive muita consciência de que eu nunca seria conhecida como “aquela magrinha”, e nem poderia ser uma dessas abençoadas mulheres que andam por ai sem sutiã, mesmo após eu ter comprado meus próprios peitos.

Eu até tinha a esperança que um dia se referissem a mim como “aquela pequenininha ali”, porque, afinal de contas, eu passei bem longe da fila de altura, mas o que não me deram em pernas, me deram em “onas” distribuídas em meu metro e meio. Tranquilo. Nada de mignon, nada de pernas finas. Sempre soube que teria que conviver com as gorduras que ralam as coxas.

Digamos que meu modelo de mulher nunca foi Gisele, nem Jennifer Aniston, quiçá uma Juliana Paes. Quando eu era criança, me diziam que eu era a cara da Mili, de Chiquititas. E hoje, bom, hoje eu sou a Hannah, de Girls.

Até ai, tudo bem. Nunca gostei de ficar parada e no combo meio-metro + coxas enormes, ganhei um par de joelhos usados que nunca me deixou dar ao luxo de descansar. Exceto quando a coisa tá tão preta que seu dia a dia se resume a ônibus e sopa. E, caros amigos, essa sopa – quando não é canja – tem creme de leite pra caralho. Creme de leite indo straigh to my fat coxas, criando barriga, acumulando nos braços de fazer pão, deixando até um papinho discreto.

E, convenhamos: eu nunca liguei muito. Por mais que eu sempre declame que “não posso, estou de dieta”, basta o primeiro episódio de Grey’s Anatomy sair que eu tô lá, devorando um tablete de Kit Kat e chorando como se TPM fosse um fator constante na minha vida. Eu nunca liguei muito, mesmo.

Até ver essa foto da Mili:

Image

Barriga sarada, perna fina, shortinho que não entra na dobra da coxa e a cara de “onde está sua Mili agora?” – E a foto é do instagram, minha gente. Nada de photoshop aqui.

Então é isso, crianças. Se a Mili conseguiu, eu também consigo. Preparem suas hashtags, projeto maromba is coming.