do coração

não esmorecer

Eita que tá difícil. Eita que é tombo atrás de tombo. Porrada atrás de porrada. Das menores, das dores diárias e compartilhadas, das notícias ruins dos amigos que chegam até você já diminuídas, já passadas, ainda doloridas; daquela sensação de querer conseguir ajudar mais que um abraço, uma palavra, um sorriso e um sorvete. Das maiores, dos incêndios, das ameaças, das ameaças cada vez mais iminentes, das ameaças que fechamos os olhos, do desespero de não estar fazendo nada (estamos fazendo muito), do desespero de saber onde vai dar. Das dificuldades de ouvir, das imensas dificuldades em comunicar. Tá difícil, tá dolorido, tá cansativo demais. Além do físico, cansa o coração, que às vezes parece não ter mais força pra bombear além do necessário, do sofá gostoso & das prantinha & dos gato, tá tudo aqui, fica quietinha, lá fora se resolve sozinho, sei lá. Além do físico que não dá mais conta de acordar no horário, além das discussões que não valem mais a pena. Eita que tá difícil. Respira fundo que a gente não tem como, não pode, não dá, não tem mais por onde deixar essa peteca cair.

E quando te perguntam se está tudo bem, aquele esforço imenso pra responder que sim: porque sim, comigo? Está tudo bem, mas não tem mesmo como estar bem mesmo. Dizer que está bem dá aquela angústia de “eu, no meio de tudo isso, quão egoísta eu sou de estar tão bem?”.  Meu maior inimigo, esse aí. Como fazer, fazer o quê?

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