coisas da vida

me devolvam o sol

Tem um episódio na última (maravilhosa incrível absurda) temporada de Broad City (maravilhosa incrível absurda) em que a Ilana – que eu adoraria dizer que é meu spirit animal, porém todos sabemos que, na verdade, é a Abbi – está sem energias por conta do fim do verão. “Sem energias” é a maneira mais suave que eu encontrei de dizer que ela está, na verdade, deprimida: eu e a própria Ilana, como vocês podem ver a seguir (disponível legalmente no canal da Comedy Central, não me processem):

Eu sempre achei que eu não pudesse expressar em voz alta o tamanho da bad monstruosa que me toma assim que a temperatura cai, mas nada como a internet e as séries sarcásticas produzidas para millenials pra nos mostrar que não estamos sozinhas, que todo mundo tem sua turma.

Esses dias, revisitando alguns dos posts aqui no blog, fui percebendo que a medida que o ano passa, meu humor muda de uma maneira tão perceptível que reflete nos textos imediatamente. Começo de ano é tudo lindo, aquela energia, aquela vontade de fazer as coisas, de descobrir coisas novas, de ir a lugares. Eu sempre imaginei que isso se dava ao encadeamento de acontecimentos até junho: começo de ano, carnaval, meu aniversário, aniversário do mozão, um breve hiato até as férias… Pode ser. Mas tudo isso também está intrinsecamente ligado, vocês podem reparar, à existência solene e irradiante (risos) dele, do quentinho, do luminoso, do glorioso sol.

Veja: essa não é uma defesa do calor – pelo menos, não necessariamente do calor em si, muito embora eu considere que qualquer possibilidade de sair pelada na rua não pode vir de nada ruim. Minha questão aqui é com o sol. Na ocasião em que estamos sofrendo (é sofrimento simsenhor) com 10ºC essa temperatura russa, porém há sol no céu, fazendo com que cada célula infeliz de meu corpo consiga ainda emitir um sorrisinho, ESTÁ TUDO BEM.

O meu problema é a falta de sol. Aquele céu horroroso cinza-branco com cara de absolutamente nada folha sulfite A4. Aquela coisa tão São Paulo que a única coisa mais São Paulo que aquilo é Londres. Aquela sensação de não saber se tá frio o suficiente pra ficar em casa o final de semana inteiro ou ligeiramente quentinho pra dar uma esticada na Paulista.

Chama-se seasonal affective disorder, ou transtorno afetivo sazonal, e eu preciso de ajuda e não de julgamentos. Eu preciso de uma sad lamp – ou seria happy lamp? – ou de 3, eu preciso que as coisas fiquem mais verdes e coloridas e que as pessoas parem de achar que moram num país nórdico e usarem mantas de tricô e que as pessoas parem de achar que são londrinas e comemorar a fog. E falar que gostam de garoa. E que ficam felizes no inverno. E que cinza é bacana. Vocês estão erradas. Cara, vocês estão bem erradas.

imagem da Folhapress. não sei o que é mais deprimente.

Ou pode ser só que a gente esteja cansado e que a vida seja um pouco demais, e que o Brasil esteja um pouco demais, e que ainda estejamos comemorando casamentos reais, e que a gente não aguente mais esperar pela Copa. Pode ser que seja só a vida, também, e que a gente precise daquela renovada quando vira o ano e tudo parece uma viagem com os amigos para a praia, catuaba, glitter e amor. É provável.

3 Comments

  • Tany

    Eu amava o inverno porque vim de uma cidade que era sol o tempo todo e era irritante. O inverno tem coisas boas e uma delas é saber que a gente pode ficar em casa sem se sentir mal que tá um dia lindo e você tem que estar na rua, porém, antes eu era mais calorenta. Hoje em dia eu morro de frio com qualquer coisinha, meio que virei paulista? Tô triste e odiando o inverno.

  • BA MORETTI

    não dá pra ser feliz quando a gente tá sempre morrendo de frio e não pode nem tomar um banho gostosinho. meudeus eu saio exaaaaaausta dos banhos, que coisa absurda. que saudades dos banhos gostosinhos. e do sol! SOL! pelo menos tem que ter sol né? :~ ♥

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