gilmore girls e hp + p&rec – um rascunho eterno publicado desconexo socorro mim desgurpem

Eu tenho um rascunho aqui no blog que chama “gilmore girls e hp” faz bem uns três meses e nunca nada evoluiu disso, simplesmente porque eu não sabia qual era a relação entre uma coisa que outra. Eu só vim aqui um dia e escrevi “gilmore girls e hp” depois de maratonar Gilmore Girls porque senti que precisava. Ou, talvez, porque quando terminei de maratonar GG, eu senti. Eu senti igual eu senti quando terminava cada um dos livros de Harry Potter (tradução necessária, eu preciso sempre me lembrar que as pessoas não são, todas, entendedoras de Harry Potter – não sei porque, mas não são). Na verdade, durante a maratona eu já sentia o mesmo quentinho profundo e quase-quase indescritível aqui dentro que eu sentia a cada virada de página de cada livro de HP. A mesma identificação.

Tá, talvez não exatamente a mesma identificação pois momentos e temas diferentes? Claro. Mas a mesma sensação interior de que está tudo bem. Está tudo bem ler esse livro, você tinha que estar lendo esse livro. Está tudo bem ver essa série, você tinha mesmo que estar fazendo isso agora. Você precisava conhecer isso. Você vai se lembrar dessa cena pra sempre. Você vai citar essa frase mais vezes na vida do que pode prever. Vai ser pra sempre. Momentos e temas completamente diferentes: Harry Potter acompanhou minha infância e adolescência, eu cresci com eles, os dramas, por trás da mágica, sempre foram os mesmos. Gilmore Girls eu assisti muito depois de ter passado, já mais perto da Lorelai do que da Rory, embora as questões – coincidência? – fossem bem parecidas.

É engraçado pensar que, perto dos 30, eu não sinto um amadurecimento muito profundo nos temas recorrentes da minha vida. Os sentimentos, talvez, sejam os mesmos de sempre, os mesmo que estavam lá aos 11, 12 anos. Os problemas pontuais existem, é claro, as questões da famigerada vida adulta: aluguel, carreira, futuro, tá tudo aí, mas no final das contas, é mesmo tão diferente do que sempre foi? Me parece que não. Ou talvez eu só seja uma dessas pessoas velhas que não desapega de uma fase da vida em que tudo era mais fácil – mas, mais dramático. Pode ser. O bom de ser adulto é que eu não ligo, se for.

E daí que com o mundo todo de ponta cabeça a gente começa a dar valor pra esse tipo de self care – esse e tantos outros que eu bato na tecla diariamente para não esquecer. A gente se esconde nessas ficções bonitinhas pra fugir da bad? Ô. O que faríamos se não fosse isso?

Eu só consegui ligar os pontos todos hoje cedo, quando a Anna Vitória mandou essa newsletter maravilhosa diretamente pro meu coração gelado: No Recreio #36: Essa não é uma newsletter de bad. Ela fala de Animais Fantásticos e Onde Habitam, o filme “novo” “de Harry Potter” que todos nós fomos assistir com aquele misto de esperança e medo, e do qual todos nós saímos sem conseguir controlar o sorriso – e se você não compartilha desse momento, mim desgurpe, mas você não tem coração. E fala de Parks and Recreation, a minha (e a da Anna também) série favorita da vida, através da outra maravilhosa newsletter da Clara, Meu coração, amarelo e preto, é só parques e recreação -q?

Você tem que ler as duas news inteiras, de verdade, porque essas duas pessoas são capazes de expressar as coisas aqui de dentro de uma maneira muito mais completa do que eu – e têm uma sincronia estranha com o que eu sinto que eu nem sei explicar – mas fica aqui o destaque pra uma partezinha específica de cada uma delas que define tudo tudo tudo o que esse texto desconexo queria ser:

A gente tem adorado se debruçar sobre os anti-heróis da ficção e virou praticamente um lugar comum elogiar alguma obra ou a construção de um personagem com base numa moralidade flutuante e ambígua, e eu entendo isso. Entendo de verdade e gosto. Eu amo Breaking Bad, Mad Men atropelou tudo se tornando uma das minhas séries favoritas muito rápido, e às vezes me sinto mal por amar, entender e me envolver tanto com pessoas tão horríveis, e essa proximidade só mostra o quão incríveis são essas séries, mas isso cansa. Depois de um tempo isso deprime. Às vezes eu quero uma galera de coração bão pra torcer, pra me inspirar, pra me dar força nessa escolha difícil e diária que é me importar demais e ser gentil comigo e com os outros. Eu acho Mad Men perfeita, mas Parks and Recreation ainda é minha série mais favorita. – da Anna Vitória

Coragem, ambição e mesmo inteligência, de certa forma, são pontos cruciais para se chegar em metas. Mas trabalho duro, lealdade e gentileza são pontos cruciais para se manter vivo. Essas coisas não sobre o fim, mas sobre o meio. E, no fundo, nós todos somos o meio. Poder admitir isso e continuar lutando pelo que acredita é a coisa mais hardcore que existe no mundo. Seguir seus princípios quando tudo na vida te faz querer desistir é a coisa mais rebelde que você pode fazer. E essas coisas, meus caros, são atitudes de lufanos. São também as atitudes que permeiam todo Parks and Recreation. São os princípios que levo comigo. – da Clara Browne

Eu fico extremamente feliz de dizer que conheço essas pessoas que escrevem essas coisas. Do fundo do meu coração <3

Às vezes eu quero uma galera de coração bão pra torcer, pra me inspirar, pra me dar força nessa escolha difícil e diária que é me importar demais e ser gentil comigo e com os outros. Pra fazer a gente acreditar que, sim, vale a pena reforçar essa escolha pelo caminho mais difícil todos os dias, mesmo nos mais bizarros deles. Que vale a pena dar risada. Que vai ficar tudo bem. Que existem pessoas do bem. Que a gente vai ficar junto no final. Seguir seus princípios quando tudo na vida te faz querer desistir é a coisa mais rebelde que você pode fazer. Pois é.

Então, é isso, gente. Tudo o que estamos falando aí o ano todo, repetindo, identificando, escrevendo: Vulnerabilidade. Softness. Self care. Cuidar de si. Escolher ser mais de boas. Escolher nossas lutas. Se permitir acreditar. Confiar. Dar risada. Abraçar o coração quentinho. Tá tudo aí, sempre esteve. Falei ali de coração gelado mas, no final, nem é isso: meu coração é quente, quentinho, sempre aguardando ficar um pouco mais. Ele só tá remexido, machucado. Tá cansado de tanto esforço pra acreditar e só tomar porrada. Mas ele bate e se enche de alegria a cada nova descoberta que me faz lembrar que vale a pena acreditar.

 

Se você não entendeu nada desse texto, vai lá ler a newsletter da Anna – pelo amor da deusa, assina esse troço logo – e, aqui tem também uns outros links, pra vocês entenderem porque eu amo tanto essas coisas:

// Sim, ela de novo, mas a Clara agora falou tudo o que eu queria sobre o revival de GG.
//
 Os posts da Pólen, todos, sobre GG, mas especialmente este sobre Lane Kim e como ela merecia mais;
// A crítica “quase séria” de Animais Fantásticos e Onde Habitam, da Anna Vitória e da Ana Luíza, no Valkírias;
// Esse texto da Ovelha Mag sobre assistir GG aos 30 anos, mais identificável, impossível;
// Eu indiquei no último favoritos, mas indico aqui de novo: a Milena falando da Lora Mathis na Pólen, sobre softness como uma escolha, também, de revolução.

Eu acho que vocês não entenderam nada, mas olha, eu tô apaixonada por esse post.