eu

Estão rolando muitas coisas – aqui dentro. Eu não estou conseguindo organizar nenhuma delas (aqui dentro também). Parece que eu tenho muita coisa pra dizer pra vocês e estou prestes a fazer textões importantes sobre a vida o Universo e tudo mais, mas não sei.

Eu entrei nessas de tomar vitaminas e própolis e kefir de leite e kombucha e probióticos tantos quantos a saúde da gente pode precisar, porque se a vida vem deixando a gente doente a gente combate com essas coisas que nem acredita direito, mas faz;

Eu consegui emagrecer um pouquinhozinho e não me perdoo por me importar tanto com uma coisa que eu tanto insisto pras outras pessoas não se importarem;

Eu achava que nunca mais teria o coração quebrado em pedacinhos tão pequenos que parece que quando a gente troca de posição entra uma farpinha no que sobrou, e dó dói dói dói e a gente só quer chorar e abraçar os joelhos, mas tem toda uma vida pra viver e a gente segue, estilhaçada;

Eu bem que tô gostando dessa de rodar rebolar subir trepar inverter e quase morrer nessa barra maluca que todo dia me inibe e me assusta e eu enfrento mesmo assim. Como faz pra ter uma em casa?

Eu disse em voz alta pra uma desconhecida que “mas eu me sinto na melhor fase da minha vida”, e parece que essa frase inteira estava entalada aqui dentro e finalmente saiu, assim, e se eu pudesse eu teria feito igual àquela série de livros lá que a gente não pode contar que ama porque é infantil mas ama com todas as forças e capturado a frase no ar e guardado num vidro translúcido pra ficar olhando de fora pra sempre girando no fundo fazendo sentido;

A gente criou esse hábito de comer panqueca de banana em todo o café da manhã e os dias têm sido lindos e calmos e como eles têm que ser mesmo;

Eu terminei de verdade até o fim com uma caneta Bic;

Há textões sobre tudo e sobre a geração que cultiva plantinhas e gatos e plantinhas e desenhos e agendas com um extenso e complicado código de anotações e tudo isso faz parte do mesmo sintoma e falta de perspectiva que a gente desesperadamente está inserido.

Me perdoem, guerras distantes, por trazer flores para casa.

Eu tenho vontade de ler poemas e escrever em paredes.

Eu não escrevo uma linha.

Eu descobri toda uma temporada de Grey’s Anatomy não assistida e inteiramente disponível para tal, e se isso não é um sinal, o que mais pode ser?

Eu fico muito feliz por ser cada vez mais honesta comigo e cada vez mais chocada triste estilhaçada brava pelas pessoas que não são com as outras.

Minhas amigas estão grávidas. Me perdoem, guerras distantes, por trazer flores para casa. 

Eu tenho medo. Eu quero arrumar minha bicicleta. Eu quero o carnaval. Eu tenho medo. Eu tenho planos e eu quero aproveitar o sol e finalmente tem sol nessa cidade e eu escrevo sem olhar para o teclado. Eu procuro músicas novas e as de sempre ecoam aqui dentro. Parece que tudo já foi dito.