coisas da vida

eu também quero falar sobre star wars

[nível de spoiler: grrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrw]

Eu pertenço orgulhosamente a alguns fandoms e nunca escondi isso de ninguém, mas Star Wars nunca foi um deles. Nunca me senti completamente incluída no mundo nerd que tende a ser bem machistinha e só permitir as pessoas 110% comprometidas a ele participem – o que nunca foi meu caso. O que não quer dizer, em momento algum, que eu não amasse os filmes.

Eu já comecei a assistir a saga em formato de maratona, com meu irmão, quando eu tinha bem uns 12 anos. Vejam, nem a história de como eu me encantei é assim, tão emocionante. O primeiro filme do prequel já existia, e eu lembro de que a única experiência life changing que tivemos foi descobrir que as pessoas poderiam fazer filmes fora de ordem e tudo bem. Assistimos, piramos com a trilogia inicial, brincamos de Luke Skywalker e Han Solo (eu nunca, nunca, nunca fui a Leia!) por muito tempo, e assim se passaram os anos até os próximos lançamentos.

Star Wars sempre foi uma dessas trilogias afetivas, sim, porém nada que fizesse meu coração bater mais forte, talvez menos que O Senhor dos Anéis, até – eu tô preparada pra porrada. Acho que em grande parte, isso ocorreu pela falta de timing. A loucura pelos filmes não aconteceu em momentos em que eu estava ligada nisso e, especialmente: eu nunca tive livros pra ler, o que foi crucial para que ficasse alucinada pelo Aragorn e, recentemente, pela Katniss (eu não vou nem citar Harry Potter aqui porque vocês já sabem). E acreditem: eu sou uma grande entusiasta de fanfics e universos expandidos, mas por uma reunião desses motivos que os fãs vão me execrar instantaneamente, nunca mexeu muito comigo.

Sempre fiquei no meu cantinho, relegada àquele limbo dos fãs-que-não-são-tão-fãs-assim. Sempre conheci os personagens, carreguei um forte carinho por eles por muito tempo. Sempre fui a pessoa que explicava a história pros amigos que não conheciam, já fiz até festa temática com direito a bolo de Chewie pro boy (foi mara, gente!). Até agora estava feliz com a minha ideia de criar um cooler de cervejas no formato do R2D2. E eu gosto dos Ewoks. Muito.

Daí que eu entrei na onda do capítulo VII.

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É gente, a internet faz isso com a gente: é uma coisa louca essa que a gente embarca na vibe dos amiguinhos e, quando vê, está desesperado pela estreia de Star Wars VII: O Despertar da força. Como fã-que-não-é-tão-fã-assim, comprei o ingresso pro sábado, o que foi um erro gigantesco já que passei dias na pura. ansiedade. da. vida. O bichinho me mordeu e posso dizer com certeza que foi a melhor coisa que aconteceu, porque a empolgação, a ansiedade, e o amor coletivo por essa franquia linda tornaram a experiência ainda mais incrível.

Mais do que qualquer coisa, O Despertar da força é uma resposta atual, respeitosa e muito, muito legal para a saga. E o que eu mais gostei?

// Fazia muito tempo que eu não me divertia tanto no cinema. Talvez desde Mad Max ou Divertidamente. Fazia muito tempo que eu não saía da sala querendo falar única e exclusivamente sobre algo, escrever sobre algo, discutir sobre algo, me vestir como aquelas pessoas. De acordo com essa análise muito acertada: The Force Awakens passes the “grin test”—that is, there were at least half a dozen moments while watching this film that I found myself grinning like a maniac. Como filme, como entretenimento, é apenas maravilhoso.

// Gostei demais da atuação do Adam Driver como Kylo Ren. Demais. Nessa história de “atualizar” a série, trazer um personagem perturbado, desequilibrado psicologicamente e muito, muito vulnerável, foi um acerto tremendo, ainda mais personificado pelo Adam, que será sempre nosso querido Adam perturbado, desequilibrado e vulnerável. E a homenagem à um avô que também teve seus momentos de vulnerabilidade – os mais importantes, né? – e que não sabe direito o que fazer com os poderes e as possibilidades que tem. Enxergo drama moderno? Enxergo. Tô feliz, brigada, Adamzinho. E obrigada por emprestar uns tiques muito Girls pro Kylo, sério, você é foda. Se você gostou tanto do Kylo quanto eu, faça um favor a você mesmo e leia essa teoria aqui. Sério.

// A participação dos personagens clássicos, que é exatamente na medida: não roubam a cena, não são protagonistas, os diálogos são super bem construídos e fazem o papel até a hora exata que precisam, if you know what I mean. Eu diria que o equilíbrio entre os personagens antigos e os novos é ótimo, tanto pelo “tempo” que aparecem, quanto pela importância que eles têm. Não é um filme que você fica loucamente esperando o Spock aparecer SABE? Ok, parei.

// O BB-8 <3 E o R2D2 e o C3PO, é claro, mas o BB-8, gente.

// Nada está bem, tá tudo esquisito, o que ta com teseno. Acho que uma coisa que incomoda muito à galera da ~nova geração~ é que a carga fantasiosa de Star Wars não está necessariamente na coisa do espaço, milhares de planetas e constelações e Wookies, mas na questão que tudo acaba bem, feliz e sorridente, reunidos na fogueira, se abraçando, cantando com Ewoks fofinhos. Os filmes antigos terminam assim e de repente, só que… Em algum momento tudo isso deu errado. Nesse hiato, o que aconteceu? A vida, né, gente. Os casais “felizes para sempre” se separaram, a revolução foi meio nhé, os vilões voltaram a existir. Alguma semelhança com a realidade?

// A Rey. Deixei pro final porque não sei descrever a maravilhosidade que é Rey – ao lado da Imperatriz Furiosa e de Jessica Jones, uma das melhores personagens do ano. Sem dúvidas. Eu quero ser a Rey. Eu quero ser amiga da Rey. Eu quero pegar a Rey. Aliás, palmas pra Daisy Ridley que é uma ótima Rey, instantaneamente adorável e cativante. Ela é foda, ela não precisa ser salva, ela acha um saco os hómi tentando ajudá-la, ela mete as caras – fake untill you make it – ela não tem medo de falar com os hómi, a roupa dela não é sexualizada, ela não precisa ser salva, nunca, e eu já falei que ela é foda? Ela é foda. […] her femininity isn’t a weakness. It isn’t a strength, either. In fact, it isn’t a thing. Acho que eu não preciso falar muito mais além do que: chupa Luke, eu quero ser Jedi pra ser ela.

Vão ver esse filme, gente. É sério.

Mas, claro, cês podem ler coisas melhores que essas que eu escrevi aqui:

11 Comments

  • Letícia

    Estava olhando blogs aleatoriamente e comecei a ler o seu, achei bacana, salvei o link pra ver e tals, depois cheguei no post da Lena Dunhan e ai fui reparar na sua foto e tcharaaaaaaaaam! Eu te sigo no instagram e não sabia do seu blog hahaha gent, que mundo minúsculo esse da internets! <3
    Adorei seu blog!

  • Nay

    Eu assino embaixo desse post porque me identifico com cada palavra e… péra um pouquinho que to aqui catando os pedaços do meu cérebro que explodiu com essa teoria sobre o Kylo!!! Fez muito sentido pra mim!!!

  • Lorraine Faria

    eu tô me sentindo um baita num peixe fora d’agua nessa historia de star wars, por motivos de: nunca assisti :O cada vez que leio um post empolgado sobre ele vai me dando mais vontade! alias, adorei sua comparação a Mad Max. Pra mim Furiosa foi excelente, assim como o filme. Mulheres sendo protagonistas da sua própria história <3 beijos

  • Thay

    AI MEU DEUS, tive que passar batido pelo post porque ainda não assisti Star Wars, mas salvei pra ler porque senti que é interessante, ainda mais com os links ali ao final. Tudo bem que eu só passei o olho, mas tá salvo e volto pra comentar apropriadamente!!

    =***

    • Thay

      Disse que voltaria e voltei! ENTÃO! Assisti ao filme ontem, última sessão, voltei pra casa quase 1 da manhã e, sério, faria tudo de novo. QUE FILME! E eu voltei o caminho inteiro falando sem parar com meus irmãos, bolando teorias, surtando mesmo. Minha relação com Star Wars foi mais ou menos como a sua: sempre gostei bastante e tal, mas também ficava com aquela impressão de que não era “fã de verdade”. E sabe, não tem bobeira maior, haha. Somos fãs sim, nos empolgamos tal qual todos os outros que são obcecados, só não entramos no mesmo nível de surto. ENFIM. Aliás, deixa eu te quotar: “Eu quero ser a Rey. Eu quero ser amiga da Rey. Eu quero pegar a Rey.” Muito amor essa menina, amei muito. <333

  • Alessandra Rocha

    Quando vi Kylo Ren sem a máscara pensei na hora que erraram o filme e o filho do Snape tinha parado ali por engano, mas achei ele ótimo e eu pegava haah 😡
    Também nunca fiz parte do fandom e nem vi todos os filmes, só partes da trilogia original mas saí do cinema louca pelos próximos e querendo ver tudo certinho porque né? E NÃO SUPEREI A PARTE DE CERTOS PERSONAGENS CLÁSSICOS, deu nem tempo de digerir a informação gente :< mas o filme é ótimo né? Achei lindo a Rey e o Finn como leads e <3 <3 <3

  • Raquel Arellano

    Ainda não consegui fazer um post sobre Star Wars, fiquei maturando a coisa toda por um tempo, mas depois de ler o seu relato, deu o estalo aqui dentro. É bem isso, bem isso! <3

  • BA MORETTI

    fui olhar meus favs aqui e ta-dã post lindo da isa pra ler depois de assistir star wars (porque eu tive que meio que maratonar tudo e meio que não e demorei vidas por isso só estou passando aqui agora) e meudeus, rey ♥ eu amei tanto essa personagem e de tantas formas. que coisa maravilhosa! foi tipo ~ei pera sou jedi? deixo testar uma coisa aqui. eita pera sou jedi porra toma essaaaaa~ HAHAHAHAHA deusa ♥

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