coisas da vida

etiqueta do casamento: não f*de o meu rolê

Socorro.

(Se alguém fizesse um gráfico sobre quantos posts desse blog começam contém a palavra “socorro” este ano, aposto que daria uma estatística interessante. Não que alguém esteja contando…)

10 dias.

E como toda a minha lista de afazeres terminou, e como está tudo certo, e como eu não tenho mais nada pra responder quando as pessoas me perguntam “e os preparativos?”, eu vim aqui conversar com vocês sobre aquelas coisinhas que tiram a gente do prumo nessa altura do campeonato.

Muita gente acha estranho que eu tenha tomado essa decisão, de casar. Especialmente os amigos mais próximos, que sabem das minhas inclinações políticas-sociais-de gênero – ou seje, sabem que eu sou feminazi comunistinha que ganha dinheiro dos petralhas e dorme com mais de 10 hómi por noite. Essasoueu, uma princesa. E daí ficam espantados quando eu solto um então gente vou casar.

Eu julgo? Não. Porque eu, como a maioria desses amigos, sabe tudo o que vem envolvido nessa tradição de casamento e que, néam, gente, não é nada muito bacana. Nada. Eu poderia aqui fazer um momento De Repente História™ e jogar uns dados da tradição casamenteira ao longo dos séculos, datando da tradição romana, passando pelos enlaces de Game of Thrones, mas vocês já são grandinhos o suficiente pra procurar no Google.

A questão é que a gente adora uma festa. Adora, assim, desde o momento um. Ir, arrumar, organizar, reunir. E que eu sou um bicho extremamente dos paranauê místico – tanto que usaria meu céu quase inteiro em Peixes pra explicar isso pra vocês – e das passagens, dos ritos, dos eventos, para marcar datas. E somos, bom, somos grandes fãs do amor e das energias positivas que encontros com pessoas amadas proporcionam. E a gente quis casar, fim!

Não interessa a mais ninguém. Sabe o que interessa? Que a gente tá dando uma festa pros amigos. Pra quem acompanhou nossa história. Pra quem a gente ama. Pra quem a gente faz questão. Pra quem não vai ligar se eu tô servindo coxinha na bandeira de plástico. Nem se eu tô mais ou menos gorda de quando conheci o boy.

Não é fácil, migas. Falar que vai casar abre aquela porteira imaginária do limite do bom-senso, um portal tridimensional de um mundo que todos as pessoas em volta acham que podem dar pitaco, que você vai compartilhar da opinião delas, e que você, noivinha, quer ouvir coisas absurdas. Absurdas. Então, segue abaixo PSC um guia das bad trips do casamento para você, amiga de noivinha, futura noivinha, mãe de noivinha, noivinha da noivinha, boy da noivinha, noivinha do boy, não repetir em casa:

// “Agora vocês são um só”: miga. MIGA. Ele pode ir trabalhar no meu lugar? Então, não. Eu não sei de onde é que veio essa história de fusão nuclear que gente que se ama tem que virar um só. Tá, na real eu sei, mas eu vou me esforçar pra não xingar (muito) a religião alheia aqui.

// “E o casamento?”: tudo bem que em termos práticos, 99% da sua vida – se você for fazer tudo sozinha – vai girar em torno dos acontecimentos dessa festa, mas aquele 1% engloba: seus sentimentos, seu trabalho, sua vida pessoal, seus gatos, sua unha encravada, tudo o que passa dentro da sua cabeça… Enfim, aquela pessoa que você era antes de se tornar ~a noivinha. Sabe, a amiga que existia ali antes disso? Sim, ela continua existindo. Pergunte sobre ela. Ela vai gostar.

// Quem vai ser a próxima? Ahhhh essa graciosa conversa entre as amigas envolvidas na festa ¯\_(ツ)_/¯. Ainda bem que faltam apenas duas semanas, acho que não vai dar tempo d’eu criar o Bingo do Desconvite, que consistiria num jogo de erros e acertos envolvendo frases como “A próxima tem que ser a Mariazinha que já vai fazer 30 anos, logo mais está velha pra casar!” e “Boa, Isa, conseguiu amarrar o boy, agora tá com a vida feita”. Todas essas frases são verídicas e aconteceram, sim, entre as minhas amigas, aquelas que a gente considera esclarecidas, desconstruídas etc e tal. O que fazer, além do Bingo do Desconvite? Sentar com cada uma delas e explicar “miga, veja bem o que você tá falando”, claro. E, minhanossasenhora, pensar melhor em como a gente tá criando essas meninas, sem or.

// A cerimônia: ah, o machismo nosso de cada dia… Como fugir dele? Bom, a gente começou por não ter uma cerimônia religiosa, evitando assim qualquer tipo de assassinato nesse dia lindo. Porém, muita coisa além dessa continua: e a coisa do pai entregar a filha pra um novo cara, que vai cuidar dela? Béh! E a coisa de jogar o buquê pra todas as amigas solteiras se estapearem pra ver quem vai casar depois e não ficar pra titia? Béh! Algumas dessas coisas ainda estou processando e tentando achar alternativas menos misóginas. Todas elas envolverão Valesca. Aguardemos.

// Acabou o casamento… e agora? Eu já perdi as contas de quantas histórias ouvi sobre noivas “que surtaram”. Além de tudo o que vem embutido nesse estereótipo de “mulher histérica”, de “bridezilla”, o que eu percebi é que realmente muitas minas são construída pra esse momento da vida. Esse é um dos/o único sonho delas. E quando essa fase de ser o centro das atenções, a princesa, a noivinha, acaba, ou está na iminência de acabar, elas ficam extremamente deprimidas. É triste demais. Demais isso. A gente precisa mesmo pensar em como estamos criando as nossas meninas pra esse conto de fadas da Disney, migas. Não tá certo. Acabou o casamento: e daí? Bora pensar na próxima festa, viagem, rolezinho da pizza, no que vai ter no trabalho na segunda-feira, em quais são teus próximos sonhos? Bora.

// Tá chegando, hein? Você tá se preparando? Isso, migas, quer dizer: você tá fazendo dieta? Você quer ficar mais magra, né? Você tá fazendo bronzeamento artificial? Você tá fazendo clareamento… dental? Não vou ser hipócrita de falar que meu peso não é um fatos que sempre me incomodou e me incomoda ainda mais numa situação dessas, mas migas… Tem perfis #noivafitness entrando em contato comigo no instagram. Fala pra mim: is this real life? Amiga noivinha: segura essa piriquita e pega na minha mão. Você é linda e vai estar radiante, RADIANTE, nesse dia lindo. Independente do #bumbumnanuca ou não.

Tem mais? Ô se tem. Aqui tem mais.

“Credo, Isa, você só reclama, parece que só tem gente chata entre os seus convidados!”. Isso é verdade? Não, não é verdade. Mas tem tanta gente chata circulando os meus convidados, vivendo no meu convívio social, habitando o planeta Terra que nunca é demais botar pra fora o que vem desaquietando meu coraçãozinho pisciano esquerdogata felinazi. Sabe pra quê? Pra mostrar que a gente também não precisa ser 1001% revolucionária e odiar todas as instituições existentes pra ser manter fiel ao que a gente é e acredita. Dá pra casar e ser legal. Dá pra casar e não ser bad trip. Dá pra casar e respeitar as mina, os mano, as trava, as trans. Dá pra casar e ser feliz gente peloamordedeusvamofocarnisso, que é o mais importante.

Casar é amor. É sim. É tanta energia boa que neutraliza o chorume, te juro que sim. Mas falar de amor e coisa bonita num dá ibope, né gente, e eu tô querendo um publipost pra pagar os arranjo de frô dessa história. Longe de mim querer parecer caga-regra na interação social alheia, mas já sendo: miga, não seje essa pessoa. A noivinha agradece. Repassem.

<3

18 Comments

  • Nicas

    Miiiiga! Eu primeiramente antes de tudo para começar gostaria de dizer que eu leio os post tudo e as vezes não comento porque o ônibus está em movimento e eu fico um pouco enjoada e deixo pra depois e a vida acontece. Desculpa se alguém saiu magoado.

    Segundamente: “Ele pode ir trabalhar no meu lugar?” Melhor raciocínio da vida! Vou repassar para todas as amigas, é rápido, direto, didático e qualquer tia consegue processar (acho?).

    Quanto a história do pai entregar a filha e etc, eu sempre pensei muito nisso e cheguei a conclusão de que se casar eu fosse, eu gostaria que meus tios me levassem até ~o senhor meu conjuge~, porque eu (e eles) interpretaria isso como uma coisa de: “você está começando uma vida nova, uma família nova, uma casa nova, whatever, mas voce continua sendo nossa sobrinha e nossa casa é a sua casa, você sempre vai ter um lar, não importa o que aconteça, etc”. Pais separados, lar desfeito, eu sou suuuuper insegura de não ter lugar pra ir, então pra mim ia ser assim.

    (sem contar que meus tios são gêmeos e ia ser muito legal entrar com um de cada lado, cê me desculpe)

    As pessoas vão julgar e interpretar do jeito delas não importa o quão didática e paciente a gente seja, então a gente segue com a nossa interpretação e o nosso sentimento, sai feliz e ninguem morre antes da entrega dos bem casados. <3

    • Isadora Attab

      MIGA! primeiramente: te entendo. eu enjoo demais em ônibus e não consigo ler/escrever nada e as pessoas acham que é frescura minha. vamo abrir um grupo de apoio.

      segundamente: miga, ele pode? pq se ele puder, gente, eu assino qualquer papel que tenha aí, dou todos os meus bens (AHAHAHAHAHA), vendo a alma. de verdade.

      terceiramente: depois que você comentou, fiquei tentando pensar que mais vale o que aquele momento significa PARA A PESSOA do que, de maneira geral, ~para a sociedade, né? o seu exemplo, por ex HEHE, fez muito sentido. uns parentes casaram esses dias e esse momento da “entrada da noiva + pai” também foi super emocionante e significativo, pois foi com o irmão, etc. talvez caiba a mim dar uma maneirada na violemssa né? se for bacana pra noiva, pro noivo, poxa, pq não?

      TIOS. GÊMEOS. MIGA. terninhos combinando. você no meio. gente tem toda uma estética não explorada, vamos conversar.

      vou te contar um segredo: não vai ter bem casados. SALVE-SE QUEM PUDER.

  • Patthy

    Eu ainda tô pasma com o fato de que eu ainda não atentado para a faceta machista embutida no ato do pai levar a filha para o altar e entregar para o noivo. E olha que eu já sou antiga crítica de tradições casamenteiras (rs), vide a cara de coo que eu faço quando começa aquela comoção para o lançamento de buquê. HAHA
    Enfim, não desejo a você apenas felicidade, mas também paciência e sabedoria para lidar com o tanto de groselha que vão te falar, para que nada estrague esse dia. Aliás, depois da festa também, porque sempre tem um pra dar pitaco na vida de casado dos outros. Paciência, sabedoria e força para dar umas voadoras de vez em quando se aparecer gente MUITO inconvenviente. XD

    • Isadora Attab

      miga, num é muito ruim, isso? teu pai te entregando de presentinho, tipo dote? é ruim, bem ruim. eu espero de verdade que eu consiga neutralizar esse choruminho embutido na festa, viu? estou tomando providências pra isso e espero que os convidados consigam entender as vibes e agir de acordo também. depois eu volto pra contar! hahahaha!
      muito, muito, muito obrigada pelos votos! vamos seguindo tentando não assassinar ninguém, né? HAHAHA! obrigada, lindona <3

  • Ana Mastrochirico

    ótimas colocações sobre casamento! hahaha já tive bem mais implicância com essa coisa de casar, mas hoje em dia acho normal, a vida segue uns rumos que as vzs a gente nem espera e é bom estar aberto a mudar os pensamentos e deixar o coração ser feliz, né!?

    adorei seus textos, vou voltar mais vzs! bjoo

    http://www.garimpomag.com.br

    • Isadora Attab

      Oi Ana, obrigada pela visita!
      Eu também já tive mtaaaaa implicância, mas depois que você já tem uma vida de casados – e tá tudo bem com ela – vem essa vontade de comemorar, de celebrar o amor, sabe? É gostoso! Apesar de todos os perrengues e bad trips, é muito, muito gostoso!

      Muito obrigada 🙂 Beijo!

    • Isadora Attab

      hahaha miiiiiiga, eu queria poder chamar todo mundo dessa internê maravilhosa, viu? até pq vcs, ó, estão ARRASANDO no ranking de “pessoas legais”. meus amigos? MEUS AMIGOS NÃO. só decepção. hahahahahaha! vamos torcer pra que eu consiga manter as bad trips longe!

  • Hemylle

    Besha. Really. Tudo verdade. Eu tô noiva e o que mais DETESTO é quando alguém pergunta E AÍ? QUANDO VAI CASAR, AMIGA? ME CHAMA PRA FESTA, EIM? Cara. As pessoas perderam o bom-senso ou seja lá o que for. E para falar a verdade, eu nem tenho ideia de quando vai ser. Mas Isa. Aproveita. Tem tudo isso aí? Sim. Mas abala no teu dia, se diverte com os amigos, e vem contar como foi. Seja muito feliz! Ainda mais, que se num fosse feliz com ele num casava. hahaha <3

    • Isadora Attab

      NOIVINHAAAAAAAAAAAAAA QUANDO VAI CASAR ME CHAMA PRA FESTA AGORA É SÉRIO HEIN QUANDO VEM OS FILHOS.

      meu.
      deus.
      miga.

      num sei se fico mais feliz por efetivamente casar ou por deixar tudo isso pra trás. HAHAHAHA!

      vai ser mara, claro, eu tenho certeza. mas cada vez mais inclinada em casar e ir morar numa caverna, pode? hahahaha! obrigada amore, de coração! e parabéns pra você também, tenta curtir essa fase com muito amor e serenidade <3

  • Nay

    Eu não tenho palavras pra expressar o amor que to sentindo por esse texto. vou protegê-lo.

    Queria que ele tivesse chegado para a Nay noivinha de 24 anos numa capsula do tempo mas a vida não é uma fábrica de realização de desejos e a gente tem que aceitar o fato de que fazemos cagadas e elas servem para o nosso crescimento né?

    Agora se você acha que as pessoas gostam de dar pitaco na festa de casamento, segura a marimba que tem mais, muito mais (tem mais inês Brasil que eu previ nesse comentário). Viver em sociedade é um 7×1 diário.

    Eu tenho um “casamento a distância”. Moro a 270 km do meu marido e só vejo ele nos finais de semana a três anos. Realiza os comentários que escuto na vida. Haja paciência, miga

    • Isadora Attab

      EU VOU PROTEGELO <3

      eu não faço ideia do tipo de babaquice que você ouve, miga, mas posso dizer do fundo do meu coraçãozinho: se precisar/quiser desabafar e dar voadoras mentais nas pessoas, mim chama. sério. vc já deve tirar de letra pq já saquei o quão porreta que vc é, mas sei que essas coisas cansam a gente em níveis complicados.

      e isso aqui ó: "a vida não é uma fábrica de realização de desejos e a gente tem que aceitar o fato de que fazemos cagadas e elas servem para o nosso crescimento" vamo mandar fazer uma camiseta, né miga, vamo ficar rica com isso! hahahaa!

      <3

  • BA MORETTI

    a gente vai vendo que povo gosta de dar pitaco em tudo né? se vai casar, se não vai, se vai ter filhos, se não vai… SEN OR. e eu acho que o processo de desconstrução mais pesado é com a família, roda de amigos, geral que tá ali no nosso dia a dia ou que é importante o suficiente pra ter a infelicidade de estragar o nosso dia com o comentário errado. mas ó, força! vai ser tudo linds e chei de amô e as miga tudo vão aprender junto ♥ esse mundão vai melhor sim sinhô ♥

  • Renilda

    Miga, vc descreveu muito dos meus pensamentos principalmente no tópico que fala da entrada da noiva com o pai. No meu caso meu pai seria um mero assecessorio pois não convivo com ele e acho mais lindo entrar com a mãe ou até sozinha.

    Lendo oa comentários vi que também não vai ter bem casado :0 que loucura, mqs super concordo pq não gosto. Enfim, esse texto foi maravilhoso e vou guarda-lo eternamente.
    Bjos de luz

  • manie

    isa, MUITO obrigada por esse texto ♥
    faz 4 meses que tô morando com meu companheiro e eu poderia escrever um livro com a quantidade de coisas bizarras que ouvi (e o pior: de pessoas muito próximas, muitas delas desconstruidonas, sabe?)
    tento mudar o foco, ignorar, entender que nem todo mundo tem o mesmo nível de entendimento sobre essas coisas do que eu, mas nossa, como isso é difícil :/
    tem momentos que até reflito pra saber e eu realmente tô doida ou se quem tá doido são essas pessoas.
    a galera acha mil coisas complicadas, mas ao meu ver quem complica tudo são elas mesmas. tem gente que até sabe dessas coisas, mas se nega a repensá-las. por preguiça, medo? não sei.
    é só a gente apresentar outra forma de amar/levar a vida que NOSSA parece que tamo afrontando elas, sabe?
    eu venho é tentando desconstruir o que eu acho que me faz mal, pra poder viver minha vida de uma forma saudável, plena, verdadeiramente feliz.

    • Isadora Attab

      aaaaah amiga, que bom que o texto te ajudou um tiquin! cara, a gente tem que entender – é a coisa MAIS DIFÍCIL DO MUNDO – que tudo o que a galera fala pra gente, na real, é projeção. é horrível falar que geral é invejosa, mas é verdade: qualquer palpite na vida/relacionamento/profissão/sejalaqualfororolê alheio é aquela pontadinha de “eu queria estar fazendo ISSO da minha vida”. é difícil difícil difícil entender isso, porque na maioria das vezes, essas são pessoas que a gente quer bem. eu acabo achando que é bem intrínseco do ser humano isso (ói que bonito que eu falei hahaha), e a gente tem só que aprender a lidar, mesmo. e claro, mandar um MIGA CE TA LOKA QUE CE VAI DAR PALPITE AQUI GATA 😀

      força aí, tamo junto! <3

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