do coração

domingo é um dia bunda #6

A minha vida, essa eterna quarta série. E como a minha cabecinha funciona, isso também. Se me chamam de “Isadora”, eita, que dor. Se não gostam de mim. Se não me respondem no whatsapp. Se riem com outra. Se roubam minha piada e a tornam engraçada, pois não era minha. Se nada em mim é interessante. Se eu tento tento tento tento tento agradar e se torna essa coisa extremamente insistente e torta e chata – e talvez eu nem seja tão chata assim. Se eu tenho que me convencer que eu me basto. Se eu tenho que me convencer de que eu tenho que fazer as coisas por mim. Se eu tenho que me convencer que preciso parar de tentar agradar. E buscar e buscar e buscar e buscar uma aceitação externa, quando nem a própria eu tenho totalmente. A minha vida, essa eterna quarta serie.

Quanto eu estava na quarta série, eu fazia “parte” de um grupo de “amigas” que absolutamente nada tinham a ver comigo. O tanto que eu tentava fazer parte consumiu os bons anos da minha quarta série e era proporcionalmente doloroso ao quanto nós não tínhamos nada a ver. Nada a ver. Um dia, eu fui informada que elas tinham criado um clube – que além de um grupo, nós éramos um clube. Um clube de ~patricinhas. Dolorosamente distante do que eu era. E também fui informada que, para participar do tal clube, eu teria que passar por um teste. Me entregaram a minha carteirinha – sem foto, elas já tinham tirado as respectivas fotos juntas, elas já tinham plastificado suas carteirinhas, a minha era um pedaço de cartolina sem foto – e atentaram ao espaço em branco: nota da semana. Meu teste de merecimento, de pertencimento, de adequação.

Eu tirei 4,5 de 10.

É assim que a minha cabecinha funciona. Minha vida, essa eterna quarta série. Essa eterna busca pela aprovação e pelo pertencimento em coisas e questões e caixinhas que eu nem sei se realmente me pertencem. Esses mini relacionamentos hiper abusivos em que nos jogam as migalhinhas de amor e de atenção. As conversas que você tenta puxar e se enrola de tanta vergonha e vontade de agradar – que doem só de lembrar. O sentimento recorrente de ser uma fraude, uma farsa, de estar claramente deslocada, de tem um holofote te marcando com a luz vermelha do você nem deveria estar aqui, miga.

A minha vida, essa eterna quarta série, em que você se encaixa onde não queria e queria onde não se encaixa.

14 Comments

  • Daise

    Me li no primeiro parágrafo. Tenho pensado tanto – e tentado me livrar disso, sem sucesso – nessa necessidade de aprovação, de ser vista como boa pessoa, de estar sempre me justificando, por medo de ser mal interpretada, e já esperando que me entendam mal, que me julguem. Não tenho mais idade pra isso, e ao mesmo tempo isso é tão forte que não consigo controlar, pra tentar ser (sentir) diferente. Não sei por que dou tanta importância ao que os outros pensam de mim, até gente de quem não gosto muito, sabe? Um sofrimento inútil e desgastante, esse. Mas eu ainda tenho esperança de virar esse jogo. 🙂

  • Pri Dias

    “Se eu tento tento tento tento tento agradar e se torna essa coisa extremamente insistente e torta e chata – e talvez eu nem seja tão chata assim.”

    Bate aqui, Isa o/

    É tão assim comigo. As vezes me acho chata de tão insistente.

  • Nay

    Nossa. Tem umas coisas que acontecem que a gente nem sabe explicar. Tipo eu ter passado por uma situação bosta de aceitação hoje. Estar extremamente chateada enquanto faço origami com meu papel de trouxa e resolver abrir meus favoritos e “nossa quanto tempo que não leio os textão amor da Isa”.

    Dai isso.

    Tem três anos e meio que estou nesse emprego novo como já devo ter falado em alguns dos mil comentários que escrevo aqui. E é extremamente dificil se encaixar num grupo que já existia, pra substituir alguém do qual o grupo gosta e ainda mantém contato, vinda de 7 anos numa empresa rodeada de pessoas incríveis que até hoje fazem parte real da sua vida. O alarme da aceitação apita todo dia.

    Hoje um dos colegas de trabalho tirou folga e fez um churrasco na casa dele no almoço. Avisou e me chamou desde a semana passada mas como eu tenho uma memória de peixe esqueci completamente.

    Os coleguinhas saíram na hora do almoço todos juntos pra ir pro tal churrasco e nem pra mandar um “ôh quirida.. cê vai no almoço?” Simplesmente me olharam na minha mesa trabalhando e sairam. Quando me dei conta não dava mais pra ir. Perguntei depois: “poxa vcs nem me deram um toque…” a resposta foi “ah.. achei que você fosse comer por aqui mesmo…”. Porque claro que eu iria preferir uma marmita esquentada no microondas que um churrasco. Óbvio!

    Fiquei chateada demais. Fico pensando que, se fosse eu, a primeira coisa que iria fazer se estivesse no outro lado da história seria, ao notar a ausência da pessoa, pegar um telefone e ligar “uai cadê você, doida? Não vem?”

    Mas se tem algo que tenho aprendido é que não dá pra esperar dos outros o mesmo que fazemos. Ou devemos e eu to só fazendo papel de trouxa mesmo? São questões.

    Eu vivo tentando agradar e ser a pessoa legal que querem ter por perto e quando eu acho que avancei no quesito amizade, acontece esses troço. To sendo muito melodramática?

    Desculpa o textão com excesso de detalhes. Mas é que tá tudo tão fresco e seu texto foi tão pra mim AS ALWAYS

    tu é maravilhosa!

  • Priscilla Galvão

    Eu entendo totalmente o seu texto, entendo tanto que até dói. Já fiz isso tantas vezes, e com tantos grupos, as vezes eu paro e me pergunto “o que eu tô fazendo aqui?” outras vezes “mas que merda eu to fazendo de errado, pq vcs nao gostam de mim????”, é péssimo e angustiante. esse negócio de se bastar é muito lindo de se falar mas muito difícil quando se é constantemente excluída 🙁 Mas se serve de consolo, eu deixo você fazer parte do meu clubinho hahaha 😀 Bjs

  • Camila de Oliveira

    Isa, sou totalmente essa pessoa também, vamos nos abraçar virtualmente <3 Mas se isso te dá um pinguinho de alegria deixa eu te dizer o que já te falei antes: desde que comecei a ler teu blog desejei fortemente ser tua amiga. Acho que temos muito em comum e hoje percebi que mais ainda. Sempre estive por fora dos grupinhos na escola, na faculdade, e sinto que até no trabalho. Uns semestres atrás uma colega minha da faculdade com quem tenho aula há anos se casou, como conheço ela há tempo fiquei aguardando o convite mas fui notando dolorosamente que todos os nossos colegas mais próximos tinham sido convidados e eu não. Fiquei triste, pensei porque ela não me considerava amiga depois de tantos anos. Percebi que talvez a culpa seja minha, da minha timidez e insegurança de tentar interagir e acabar sendo ridícula, dai acabo ficando na minha e parecendo pouco simpática. A auto aceitação é difícil, tão difícil, mas estamos na luta. Tamo junto Isa <3

  • Samanta dafini

    nossa isa, vamos sentar para conversar quando… Eu super te entendo e eu tambem acho que estou na 4serie,hoje um garota da minha pegou minha piada, e contou para todo mundo e todos achram geaça pensaram que a piada era dela, e não era, uma verdadeira roubadora de piadas! Eu as vezes acho que sou o tipo de amiga no circulo de amigos que não faz a minima diferença, e não é drama, é como se todos tivessem um espaço e eu uma deslocada, com meus proprios amigos, eu não faço a minima ideia se isso é normal ou comun, mas eu não façoparte deles

    eu acho que vim de marte

    http://dosedestrelas.blogspot.com.br/

    • Isadora Attab

      é difícil, né? eu também me sinto assim muitas vezes, como se eu não fizesse a menor diferença. no final, acho que serve de alerta pra todas nós começarmos a nos dar mais valor e nos bastarmos, sabia? pelo menos, vamos tentar assim 🙂

  • Bruna Morgan

    Ai, bem quarta-série mesmo essa coisa de clubinho de meninas, todas diferentes tentando se encaixar onde não pertencem, e se moldando para caber :c já fui assim também, é doloroso.

    Com amor,
    ❤ bruna-morgan.blogspot.com ❤

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