do what your lovezzzzzzzzzz

Eu finalmente me formei na primeira faculdade que comecei. História. Na Usp. Comecei lá em 2007, decidi largar, não larguei, parei, comecei outra, larguei, voltei. Fiz tudo meio nas coxas. E fui voltando esse ano meio assim, do jeito que dava – e claro que teve uma greve gigantesca no meio – e, de repente, recebi um email dizendo que meu curso tinha sido encerrado por motivos de: conclusão. Tive que ler algumas vezes. Conclusão. Se pá eu me formei. Ainda não fui lá conferir.

O que me fez pensar em muita coisa – muita coisa que desde que começou essa tal de ~vida adulta eu penso, ô se penso, insistentemente, até eu ficar louca (e daí quando eu fico louca eu chacoalho a cabeça [chacoalho mesmo, é físico, não é uma metáfora] e falo “Isadora, você não tem tempo nem dinheiro pra pirar, então vai ver um episódio de Grey’s Anatomy e depois fazer seus frilas”). Penso naquele famigerado “faça o que te faça feliz”. Tá aí: eu nunca ouvi isso de ninguém. Tirando um ou outro professor do colégio, é claro, minhas escolhas foram sempre pautadas no “eu sou boa no quê?”. Karma is a bitch, vou sempre me cobrar por não ter sido tão boa no que eu poderia ter arrasado. Por escolha, por preguiça, ou simplesmente por ter mudado minhas prioridades – o que eu tento me convencer numa tentativa meio patética de parecer independente/autossuficiente.

Daí eu comecei a trabalhar e, imediatamente, entrei naquela pira do inferno: ama o que você faz. Mas gente, não. Maior erro da vida. E eu só percebi isso agora, digamos, uns 8 anos depois que eu comecei a me preocupar com isso (ok, ainda dá tempo de ter uma atitude melhor a respeito, a gente tá torcendo!). Mudei de empregos com frequência baseada do “não tô satisfeita com o que estou fazendo” e, contando com a compreensão quase incompreensível dos meus empregadores, fui pingando aqui e ali, passando pelos mais diferentes tipos de trabalho, migrando entre uma área e outra. E reclamando. Porque sempre tinha um problema. Ou por que o problema era que eu estava encarando tudo errado?

Tá aí. Esses dias, doismilecatorze, o Brasil perdeu a Copa em casa, a Dilma foi reeleita no sufoco, o George Clooney casou e eu comecei, finalmente, a entender que trabalho é trabalho. Que essa maldição do Pinterest de caligrafias manuscritas gritando DO WHAT YOU LOVE LOVE WHAT YOU DO só serve pra gente se perder numa pira maluca de trabalhar 12 horas por dia e aceitar os tipos mais insanos de exigência/remuneração/falta de café coado no ambiente de trabalho. Ou uma eterna insatisfação que pode te levar à loucura. Acreditem.

ói que caligrafia maravilhosa, que hipsterismo discreto, que lema de vida sutil e concretozzzzzzzzzz

ói que caligrafia maravilhosa, que hipsterismo discreto, que lema de vida sutil e concretozzzzzzzzzz

Há algum tempo eu li uma série de artigos que, numa vibe mais profunda, analisavam como esse tipo de pensamento “faça o que você ama” acaba desmerecendo todo tipo de trabalho que não o intelectual, o quanto é uma coisa elitista e meio vazia, bem típica dos nossos tempos. Mas eu perdi esses artigos. Sendo bem egoísta e pensando única e exclusivamente na minha sanidade mental e no meu belo e gordo umbigo, percebi que o que tem que rolar é uma mudança de postura em relação ao trabalho e, principalmente, às minhas exigência para/com (olha que profissional) ele.

Levado a um dos extremos, essa minha enorme divagação que não interessa a ninguém me faz fez que a gente pode acabar perdendo o limite do “amor”, e vivendo, mesmo, daquilo. Ao outro, me leva a pensar que um emprego qualquer que me garanta um salário sobrevivível e horários decentes que me permitam ter uma vida fora dali pareça o melhor dos mundos. O borogodó tá em encontrar esse meio termo, né? E, enquanto isso, arrumar um jeito de blindar o corpo contra esses exus sem luz que aparecem no ambiente corporativo e vão destruindo a vida da gente. Nesse texto do Vida Organizada eu achei umas dicas bem práticas, do jeito que eu, pisciana dramática, mais preciso, pra levar a vida numa nice sem matar ninguém e tirar dali o melhor que dá.

E antes que vocês me digam “poxa Isadora, você só fala tudo isso porque ainda não encontrou o que te faz feliz”, eu vou responder: pode ser. Mas eu já acreditei ter chegado bem perto disso várias vezes e, bom: a realidade acaba bringing us down rapidamente em todas elas. Vejam bem: eu acredito em fazer o que a gente ama, sim. Só não sei se a melhor maneira é fazer disso um trabalho. E outra: eu admiro de verdade quem conseguiu fazer isso. Tenho amigos que ~largaram tudo, seja lá o que isso signifique, pra ir atrás do velho sonho. Vários deles conseguiram. E é LINDO. E eu tenho certeza que um dia eu vou voltar aqui, linkar esse texto e falar “olha que jovem inocente, não sabia nada da vida, olha como hoje eu sou uma famosa escritora de livros infantis, rica e poderosa, tenho o armário dos sonhos e SÓ CONSEGUI TUDO ISSO PORQUE LARGUEI TUDO E CORRI ATRÁS DO QUE AMAVA”, cês podem acreditar.

Mas, até lá, ou enquanto eu não descubro qual é o mundo ideal que pague as minhas contas e não me tire dos eixos, o jeito é ir me convencendo de que o que eu preciso – segurem minha mão, digam que eu estou certa, galé! – é uma postura diferente em relação a isso tudo, ao trabalho, à vida, à rotina (às pessoas, morram todas azinimiga). Uma maneira mais prática e, claro, que se torna mais leve, de encarar tudo como “só um trabalho”. E, fora dali, aí sim, dar a maior raça possível para encontrar tudo aquilo o que me faz feliz de verdade. Aí sim, sem limites.