do coração

de plástico não morrem

Ontem eu encontrei amigas depois do trabalho. No almoço, aproveitei o café com uma outra amiga – veja que dia bom! – e comprei flores. Uns 3, 4 raminhos de flores para levar pra cada uma delas. Pensei nas cores: eram uns pompons verdes bem vivos, margaridinhas roxas e gérberas da mesma cor, um crisântemo branco bem enorme pra ser a atração principal. Tudo ali naquelas flores eram eu, mas tudo ali naquelas flores também eram elas.

O dia inteiro as flores ficaram comigo: passaram por um dia bem ruinzinho e cheio daquelas não-notícias ruins: aquelas ocorrências cotidianas que te deixam sem energia, com vontade de sair correndo e botar o pijama e encerrar o dia às 20h, antes de jantar. Elas olhavam pra mim, tão eu, tão elas: nas minhas cores favoritas, calma, logo você vai estar entre as suas, guenta firme, vai dar.

Saí do trabalho depois do horário de pico pensando em como levar meus buquezinhos por vagões e baldeações e pessoas e frustrações. Eu e minha sacola de pano com ilustração descolada sobre o meu amor por plantas, minhas duas garrafinhas de água de coco e meus buquês, um clichê ambulante meio mal diagramado e emburrado.

Ontem as pessoas não souberam lidar com as minhas flores em nenhum lugar, de nenhum jeito. Não foi a falta de espaço que fez com que amassassem minhas flores; o vagão vazio para os padrões de uma terça-feira às 19h não deu. Encostaram e esbarraram e ignoraram o verde o roxo e o branco e os dois buquezinhos das minhas mãos. Ainda as pessoas que olhavam pra elas pareciam não enxergar; trocavam de lugar e de posição e sempre davam um jeito de voltar a incomodar. Eu segurei elas contra o peito e até empurrão tomei. Ninguém soube lidar com as minhas flores ontem.

foto da dona das flores

Ontem as pessoas não souberam lidar com as minhas flores em nenhum lugar que eu fui. Nem eu.

5 Comments

  • Luciana

    Te acompanho muito no instagram e acho tão linda a relação que tu tem com as plantinhas… Por enquanto só sei lidar com elas nas estampas de roupas e cadernos.

    No mais, as pessoas não sabem lidar com plantinhas no meio da cidade louca. É uma pena.

  • Ana Palombo

    vem cá que a gente te entende. Se tivesse esbarrado contigo no metrô, ia sorrir pela coragem em levar as florzíneas para uma volta.
    sabe que vira e mexe me alegro comprando flores pra mim, hoje vou encontrar amigas e vou comprar flores pra elas. <3

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