tia da decoração

conquistá tu casa – um livro para embelezar a vida

Há algum tempo eu fiz um post compartilhando com vocês as minhas principais referências de decoração, e entre elas estava a Casa Chaucha, site argentino que continua sendo rainho absoluto das minhas incursões pinterísticas decorativas. O site está num hiato há algum tempo, já que a diretora, Maria, acabou de ter gêmeos, e eu tô mais ansiosa pra esse retorno do que pra essa Copa, viu? Mas, enquanto isso, consegui reduzir um pouco da saudade das postagens das casas mais lindas, “reais” (não gosto muito desse termo, mas vou falar mais sobre isso em seguida) e com cara de que tem gente morando por lá – ainda mais em Buenos Aires! – com seu livro Conquistá tu casa, um livro de decoração com uma proposta bem diferente.

Acompanhando o título, a ideia do livro é conquistar sua casa, transformá-la no espaço que você quer e que funciona pra você, alcançando melhores versões do seu lar com seu estilo, suas idéias e seu bolso. Se você conhece o Casa Chaucha, aqui você já está 156% vendido como eu, pois já conseguiu identificar que eles realmente conseguiram traduzir aquelas casas maravilhosas em texto, e ainda vão te explicar como fazer isso sozinho! É genial, não é? E tudo isso em formato de um…. jogo!

Um jogo porque decorar pode ser fácil e divertido. Aliás: pode e deve ser! Mais um dos infinitos pontos em que o Casa Chaucha me toca é que aqui não há nada que tem que. As possibilidades são infinitas, nada é definitivo, e essa brincadeira de morar é prazerosa, de descoberta, de mão na massa, de pouco a pouco.

(Eu não vou tentar traduzir porque meu espanhol é tenebroso, mas o google ajuda a gente, vai lá!)

Donce dice decorar, yo leo siempre embellecer. O mejorar. O elevar. Aplica a la casa, que es el escenario principal de tu vida. El único lugar del universo em donde las cosas son como vos decidís que sean. Y donde sucede tu versión más auténtica porque el afuera no está involucrado.

Embelezar. Tornar o principal cenário da sua vida seu lugar preferido, adicionar detalhes autênticos, se apropriar do fato de que esse é o lugar em que você decide como as coisas devem ser – ainda que tenha que lidar com coisas que não são exatamente do jeito que você é. Se livrar de amarras, de obrigações, de padrões, etiquetas e caixinhas. Dá pra sentir onde a gente está chegando? Dá pra perceber que esse jeito orgânico, natural e paciente de imprimir seus desejos e suas características também onde você mora é o jeito que deveria fazer mais sentido?

De cada visita me llevé, además de fotos, información muy valiosa sobre el detrás de escena: el recorrido real, con éxitos y fracasos, que hubo en todos los casos. Nunca me interesó saber dónde compraron o cuánto costó. Lo mío es entender los cómo y los por qué.

“Onde compra?????”. Nesse mundo instagramístico que a gente vive, atire a primeira pedra quem nunca fez uma compra meio sem sentido, meio sem caber, só porque meu deus do céu, olha que linda essa peça na sala dessa moça que eu sigo. Eu sei contar nos dedos quantas vezes eu fiz isso. Eu perdi a conta de quantas vezes fazem isso no meu perfil. E cada vez mais eu me questiono sobre o (des)serviço que eu estou prestando de ficar incentivando esse consumo sem propósito, irrefreado, sem um tico de função.

Longe de fazer um discurso hippie de que não precisamos de nada – como eu queria ser desapegada! Mas não é mais legal ver aquela sala linda, com um carrinho de chá gracinha, cheio de plantas, e pensar: poxa, que boa ideia! Vou ver se encontro um carrinho de chá que tenha mais a minha cara, que caiba na minha sala, que seja mais parecido com o meu estilo, que o moço aqui do bairro possa fazer sob medida pra mim, do que saber que ele custou R$ 399 na Tok Stok? Não é mais autêntico? Não é mais gostoso saber que você garimpou várias lojas atrás de uma mesinha de centro ideal, redonda, de madeira clara, que lembra a mesa da sua avó, na infância, do que receber o link de compra daquela exatamente igual à da blogueira? Não faz mas sentido usar aquela referência da moça que pendura mapas das cidades que já visitou na parede e, ao invés de comprar mapas com aparência usada no site recomendado, pegar um mapa gratuito da sua cidade e passar um dia explorando lugares desconhecidos?

Cada vez que alguien hizo un click referido a la casa, este tuvo que ver con expansiones personales.

Decorar não é uma tarefa que termina – ou, ao menos, não deveria ser. Decorar reflete quem a gente é, e a gente muda (e ainda bem). É preciso paciência: não só aquela que nos impede de entrar numa loja e comprar absolutamente tudo o que achamos bonito, sem saber se vamos conseguir usar, encaixar, combinar (ou mesmo, pagar!), mas também a paciência da gente entender quem a gente é. O que funciona pra você. O que deixa de funcionar depois de um tempo? As mudanças da vida, que são tantas e tão importantes, refletem nos nossos espaços também. É mais gostoso permitir que elas façam parte.

É por isso que a desculpa que a gente tanto ouve, do “mas meu apartamento é alugado!”, não faz sentido se a gente entende a decoração como extensão da gente também. Estar e ser são parecidos, são fluídos, são inconstantes. Se a gente não pode quebrar uma parede, seja porque o imóvel não é seu ou simplesmente porque você não tem a grana pra fazer uma reforma agora, invente! Se existe algo na sua vida que você não consegue mudar agora, por qualquer que seja o motivo, porque não tentar deixar o entorno mais leve?

Mi relación con la casa se volvió visible, tangible. La uso como vehículo para una vida más amable y me funciona.

Conquistá tu casa é dividido em níveis: o nível 1 é uma investigação profunda sobre a gente mesmo que, pra mim, é a parte mais bacana e diferente do livro. É um exercício de descobrir o que você procura na sua casa, o que funciona pra você, e também os “equipamentos e materiais” que você já tem. É o nível mais abstrato, mas também o mais importante. O nível 2 promete entregar as ferramentas e fazer o “treinamento” para começar a transformar sua casa. E o nível 3 é o nível prático, de efetivamente por a mão na prática. Cada nível é dividido em algumas missões, que você pode jogar sozinho – o que eles recomendam que você faça primeiro – ou em grupo, se você não mora sozinho.

O livro fala também das inúmeras desculpas que arrumamos pra (nos) convencer que não podemos fazer isso ou aquilo, e é extremamente certeiro em todas elas. Eu gosto especialmente da atenção que dão para o que chamam de “esnobismo”, a tentativa de categorizar estilos e encaixar tendências de tem-que-ter, que frustra, que tolhe a imaginação, que impede a gente de se expressar. Obviamente que a gente se sente mais atraído por um ou outro estilo ou “tema”, mas nos ater somente a isso é muito pouco pra infinidade de possibilidades que temos dentro da decoração de um lar, os detalhes mais autênticos, aquilo que vem de dentro da gente.

Decorar, pra mim, é isso: me expressar. Tem quem desenhe, tem quem pinte, tem quem cante, tem quem tatue. Eu escrevo, sim, mas eu também transformo o meu lar. Embelezo o meu cotidiano. São coisas pequenas e possíveis que tornam meu dia a dia muito mais divertido e a vida muito mais leve. Me permitem me sentir, literalmente, em casa, me permitem ser quem eu quiser – e onde eu quero.

Eu estou morrendo de vontade de fazer algumas das missões do livro e dividir aqui com vocês passo a passo, os questionamentos que surgiram, o “resultado”: deve ser a maneira mais interessante e fiel de mostrar como esse livro é bacana e produtivo. O que vocês acham? É interessante? E qual formato seria mais legal? Me contem aqui nos comentários o que gostariam de ver! 🙂

* Conquistá tu casa é vendido no site da Monoblock, a livraria mais incrível do mundo todo risos, e entrega no Brasil.

13 Comments

  • Bruna

    Acho supeeer interessante!
    Li esse post agora por cima mas depois vou voltar e ler com mais calma. Depois que você mostrou o livro no insta fiquei bem interessada e deve ser mesmo muito legal fazer as missões e ver a casa ficando a nossa cara. Aqui tenho dado muitas desculpas para não deixar do jeito que eu gostaria que ficasse mas espero que isso mude. Queria comprar o livro traduzido mas pelo que você disse ainda não é possível :c QUERIAAAA

  • Katarina

    Esse livro é apaixonante! Compartilha as experiências com as missões sim ❤
    Mas nem consigo imaginar tua casa ficando ainda mais linda, hahahaha.

  • Fernanda Alves

    Primeira coisa: como assim eu nunca entrei no seu blog?
    Segunda coisa: tenho uma paixão não correspondida por decoração. Não correspondida porque tenho pouca ou nenhuma habilidade manual (compro as paradas pros DIYs da vida e depois morro de preguiça e fico puta da vida pq ficam uma versão mais pobre e torta da original) e também pq sou uma serial killer de plantas, e todas as casas maneiras parecem ser cheias de prantinhas. O que sobra pra mim? Comprar. Olha a loucura.

  • Tati

    O livro por si só já é um objeto de decoração, né? haha
    Aqui em casa isso sempre foi uma questão, porque quando meu pai morava aqui tinha que ser tudo do jeito dele — uns fuscas em miniatura na estante da sala e uma lata de coca vazia com o nome dele, sério, THE HORROR –, e mesmo agora minha mãe tem bastante dificuldade pra saber se apropriar do espaço, mas já consegui deixar meu quarto mais e meu e mal vejo a hora de conseguir passar isso pra mamain, hehe. FIQUEI SEDENTA PELO LIVRO!!!

    Limonada (antigo Novembro Inconstante)

  • Ricardo M

    Parece é um livro muito bom mesmo.
    Também acho que para ficar bonito mesmo, precisa passar a informação de que tem gente morando ai.
    Os detalhes, as singularidades de cada um, o jeito de ver o mundo, tudo deve estar impresso lá.
    Construir uma casa é meio como construir um ninho, tem que ser confortável, bem feito e cheiro de lar.

    Adorei o post.
    Abraços, boa noite.

  • Yasnaya

    Que delícia de post! Adoro decoração e livros mais ainda. Sem falar nas fotos que amei!
    Interessante a dinâmica do livro, fiquei curiosa de como funciona.
    Nunca li nada em espanhol, tenho preguiça, a menos que seja um espanhol falando rs
    Mas tem a vantagem de entender alguma coisa, então já facilita minha empatia.

    Pra mim casa tem que ter cara de lar mesmo. Algo familiar, ter uma identidade do dono, ser aconchegante, transmitir tranquilidade. Tem casas que eu já entrei e fiquei até com medo de sentar pra não contaminar o ambiente.
    Tem sim muitas possibilidades para deixar seu cantinho mais legal, pinterest tá aí pra isso, sem falar que tem muita coisa baratinha, oxe dá super certo, vale super à pena!
    Se eu começo a ler uma matéria e tem escrito tem-que-ter, já fecho, não aguento isso desde dos blogs de moda que eu acompanhava antes, saco.

    Eu tô pensando em fazer algumas mudanças pequenas no meu quarto.
    Google é o paraíso! Moro em casa alugada, mas com certeza quadros na parede, pufe e outras coisinhas já fazem diferença e não alteram em nada a infraestrutura. Tô pesquisando infinitamente.

    Já vou deixar anotado esse livrinho, espero que traduzam para o BR ♥
    xero nega
    https://leayasnaya.blogspot.com.br

  • Julie

    Só quem conheceu sua casa em dias/meses/anos distintos sabe como é real essa coisa de eterna mudança. Não só a mudança nas paredes, nas prateleiras e nas plantas, mas a mudança interna mesmo. Como você cresceu, como você floresceu.

    É emocionante de ver.

    Lembro de sentar no seu sofá quando peguei uma certa mochila emprestada, e TANTA coisa aconteceu desde então, e sua casa evoluiu junto, e da ultima vez que estive aí, juro – tirei uma foto e guardo até hoje, pra guardar aqui dentro o quanto eu gosto de vocês e do seu lar.

    Um beijo,

  • Karine

    MIGA ESSE POST TA TÃO LINDO, AMEI TUDO QUE ESCREVEU, SOCORRO.
    querendo demais que você faça essas missões do livro e compartilhe aqui, vai ser maravilhoso acompanhar, juro. faz mesmo, faz o mais rápido possível <33333333

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