conheça seu bairro – passeio por Campos Elíseos/SP

É bacana falar que a gente mora na Santa Cecília, aqui em São Paulo. É um desses bairros hipsters e descolados em que a famosa gentrificação chegou chegando, esparramando bares, cafés e lojinhas de decoração industrial, gente bonita e interessada em ocupar a cidade, criando listas de lugares que a gente tem que conhecer.

Isso é um mea culpa, tá? Me encaixo em todos os pré-requisitos, e amo o bairro, cada uma de suas lojinhas hipsters, cada canto novo que eu descubro e que abre e fecha com a velocidade da luz. Mas, a real mesmo, é que eu moro nos Campos Elíseos. O que significa que eu moro do lado de lá do Minhocão, o que significa também que eu moro no Centro real oficial, Centro oldschool, Centro que a galera descolada não chega porque é perigoso.

Pra quem não manja de São Paulo: aqui estão as estações mais populares e cheias da cidade – tipo a Luz e a Júlio Prestes e o Terminal Princesa Isabel e o Terminal Amaral Gurgel – e a tão famosa e perigosa (?) Cracolândia. Pra além da opinião política que cerca o tema, basta dizer que existe uma alta concentração de moradores de rua. O que não significa dizer que é perigoso. MAS EU VOU SEGURAR O TEXTÃO.

Vou dizer apenas que a gente tem que dar valor ao lugar que a gente mora. E aproveitar e conhecer os cantos – novos ou antigos, os antigos são incríveis! – que existem escondidos na nossa rua, no nosso bairro, na nossa região. Ainda mais em uma cidade tão gigante e diversa quanto São Paulo, é um absurdo a gente não andar – andar mesmo, hein, a pé, bater perna, parar pra olhar – mais ao nosso redor. E foi isso que a gente decidiu fazer nesse feriado ensolarado que passou.

Passeio por Campos Elíseos

A primeira parada foi um brunch no Menor, restaurante recém-inaugurado e gracinha na R. Conselheiro Nébias, 1278. Uma portica de nada, uma comida deliciosa, preços justíssimos e atendimento delícia, com mesas na calçada – socorro, o sol! – e ingredientes selecionados, zero ostentação. O cardápio sai no instagram e tem opção vegetariana todos os dias. Forte candidato a virar nossa passada obrigatória em todos os finais de semana.

 

Saímos de lá para continuar o passeio pela rua Conselheiro Nébias até a Galeria Crua, sem lembrar que era feriado, risos nervosos de quem andou no sol do meio dia risos. De qualquer maneira, quando aberta, a Crua é uma galeria de arte, espaço cultural e ateliê com um monte de exposições e ideias bacanas, e dá pra acompanhar a programação online.

Depois disso caminhamos até um lugar que eu estou curiosíssima pra conhecer quando estiver realmente aberto: por enquanto, o café funciona, mas as betoneiras ainda estão trabalhando no jardim. É a Casa Don’Anna, na esquina da Rua Guaianases com a Alameda Nothmann, que vai realizar eventos além de funcionar como coworking, e abrigar um jardim de orquídeas – que está sendo montado e parece um projeto absurdamente lindo! Assim que acabar a bagunça de reforma eu visito novamente, e volto com fotos.

 

Campos Elíseos foi o primeiro bairro planejado de São Paulo, onde moravam os barões do café – daí o nome das ruas e por isso os inúmeros casarões, restaurados ou não, que se espalham pela região. Hoje, o bairro foi tomado pelo marabrijoso capitalismo uma certa empresa de seguros comprou a maior parte dos imóveis, e faz um trabalho de restauro em alguns e daquela coisa horrorosa e espelhada e azul e moderna em outros. Das benesses da modernidade, podemos listar o Teatro e o Centro Cultural Porto Seguro, e também o Sesc Bom Retiro, que dividem espaço com a Estação da Luz – e a belíssima Sala São Paulo – e a Estação Júlio Prestes.

Pra cá também ficam lugares deliciosos e mais tradicionais e diferentões, como o Said Ali (Al. Barão de Limeira, 608) – o antigo Vovô Ali – restaurante de delícias árabes de uma família tradicional libanesa, que hoje vem abrindo várias unidades pela cidade; a unidade inicial do Riconcito Peruano (R. Aurora, 451), outro império imigrante que se estabeleceu em São Paulo, e o Biyou’ Z (Al. Barão de Limeira, 19), recomendadíssimo por mim, de comida típica africana. Na Rua Guaianazes há uma infinidade de restaurantes da culinária latina – além de peruanos, com uma unidade do Riconcito, boliviana, colombiana e venezuelana – que vale a pena ser explorada. E dos cafés, o descoladinho e especializado Bio Barista (R. Helvétia, 640) e o Armazém do Campo (Al. Eduardo Prado, 499), loja com produtos vindos de assentamentos da Reforma Agrária, de pequenos produtores e de fabricação orgânica e agroecológica.

São Paulo. Ê, São Paulo <3

Bora brincar de conhecer nosso próprio bairro, tipo 4ª série, quando a gente dava a volta no quarteirão? Vou ficar esperando vocês me contarem o que encontraram por aí! Mesmo, hein?