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Colonia del Sacramento: a cidade-cenário de filme hipster

De Buenos Aires a Montevidéu, a outra parada “oficial” dessa viagem, havia um entreposto um pouco desanimado da nossa parte, algum canto que não merecia muita atenção além do descanso da viagem de barco que precede o descanso da viagem de ônibus. Colonia del Sacramento, já no Uruguai, tinha resenhas que faziam que a cidade lembrasse Paraty, da qual não sou muito fã, com cara de destino de lua de mel de casal brasileiro que vai na Paulista fazer coreografia em prol de coisa errada. Essa última parte estava certa, mas que erro enorme não prestar mais atenção na parte colonial dessa cidadezinha incrível.

Ou talvez acerto, visto que a gente passou um dia completamente não tô acreditando no que eu tô vendo em Colonia. Ainda que a primeira impressão tenha sido exatamente essa referente ao valor dos pratos dos restaurantes da ciudad vieja – eita lugarzin caro! -, de barriga cheia e carteira vazia, caminhar no fim de uma tarde geladíssima nessa paratyzinha praticamente vazia se tornou uma memória dessas que a gente lembra até os cheiros.

O vento geladíssimo do Rio da Prata, que é rio mas é mar também, quase não deixava a gente ouvir mais nada, mas também não precisava. Os muros e o chão de pedra, as portas de madeira, as vielas, as historias, os resquícios, aquela vibe inconfundível de centro histórico latinoamericano, mesmo. Cartagena no frio, que frio! Paraty, sim senhor! E ninguém na rua, e ninguém por perto, exceto o casal da Paulista que fazia um ensaio profissional com fotógrafo importado, roupas de verão e um drone. É.

E, de repente, tudo junto, ruínas e um farol, e mais ruínas e passarinhos falantes, e outras ruínas e outro farol e um vento cortante e cachorros enormes carentes que te seguiam nas ruas fazendo escolta, certamente alguém que morava ali há muito, muito mais tempo. E o centro cultural aberto de graça pase pase por favor e um jardim imenso com vista exclusiva para o pôr-do-sol mais indescritível que já existiu. E ninguém na rua, e tá muito frio, e não tem turistas aqui, e na TV no bar local com lanche vegano sabe-se lá como, e a família uruguacha que torcia com a garçonete e de repente a gente todo mundo gritava gol contra o Uzbequistão, como num roteiro de filme hipster cuidadosamente montado para parecer acidentalmente tão natural e bizarro, mas de leve, assim.

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Decidi fazer posts mais “sensoriais”, mais subjetivos, mais hippie tilelê diario de viagem, eu diria, já que lá no instagram, onde tenho aparecido bastante, postei mais o dia a dia, lugar a lugar – a maioria dos pontos turísticos, restaurantes, bares e museus -, da viagem. Se quiser alguma dica específica, algum lugar, alguma informação: pergunta, que eu respondo!

One Comment

  • Fêh Zenatto

    Que delícia de post! Morro de vontade de conhecer Colonia del Sacramento, deve ser muito o que eu gosto.
    Moro pertinho do Uruguai e conheço alguns lugares já;amo esse clima beeem gelado do inverno uruguaio! Deu muita vontade!

    Beijos, Isa!

    BLOG COISA E TAL

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