vida bandida

NHAM!

Quando você percebe que 80% dos posts publicados no seu blog falam sobre, têm títulos relacionados ou reclamam de comida. É aí que você descobre o que aconteceu com este pedaço de ano que se passou.

Você comeu ele.

verificando…

Sempre que eu faço uma compra online e o Itaú me diz “guardião verificando…” (no caso, a chave de proteção do banco) eu penso num senhor de bigodes incrivelmente parecido com meu pai, vestindo uma armadura e segurando uma espada.

E ele checa meu armário de sapatos e me olha com claros sinais de reprovação.

Doimilestresse

Funciona assim: é junho, Susan Miller já prometeu mudanças mais vezes do que o Serra, e até agora, parece que você tá empurrando o ano com a barriga. A gente promete que vai atualizar o currículo e mandar praquela editora maravilhosa que tem o seu perfil, promete que vai entrar na academia e parar de tomar toddynho à tarde, e diz que vai finalmente reformar aquela bicicleta velha que está na sua garagem. O que você faz? Aceita trabalhos de origem duvidosa que você consegue fazer de pijamas, descobre que tem cookie de toddynho e o máximo de exercício que faz é correr atrás dos filhotes que cresceram e descobriram como subir em cima da mesa.

2013 é isso: o ano da gordura abdominal e do toddynho.

canja

Então que o restaurante da firma custa R$ 13,50 pros “não-funcionários e colaboradores”, e você se encaixa nessa magnânima categoria. E dai que o restaurante da firma é ruim. Claro que, além disso, você gasta R$ 13,50 por dia – não é uma metáfora, a minha vida se desenrola em ironias metafísicas assim – de transporte público, porque você (ainda) mora em outra cidade. Não preciso dizer nada sobre a qualidade do transporte.

Nesse cenário, fica óbvio que eu estou emagrecendo. Até porque – por mais uma dessas ironias cósmicas – R$ 27 é exatamente o valor da parcela do próximo mês na Renner, porque todas nós jornalistas precisamos de um vestido de cavalinhos. Todas nós. Logo, entre gastar esse valor com comida ruim e pagar minhas dívidas para que eu possa fazer mais dívidas, eu não como.

Obviamente essa é só mais uma piada ruim. Quem me conhece sabe que eu não tenho maturidade suficiente nem para levar meu próprio corpo a sério. Então, e é no desespero que nós conhecemos o melhor e o pior das pessoas, eu descobri a alternativa que me permite 1) me alimentar de uma maneira minimamente não-fatal; 2) gastar menos que a parcela da Renner: sopa.

Existe sopa na firma. Sopa grossa, encorpada, com colheres nada saudáveis de maisena e outras substâncias não identificadas ou identificáveis. Mas sopa boa, que enche a barriga e esquenta o coração nos dias que o vestido de cavalinho fica para lavar.

Menos quando tem canja.

Quando tem canja, sou só eu. Eu e aquele caldo aguado de resto de frango e resto de arroz e resto de amor. Quando tem canja, não há lei. Quando tem canja a gente investe mais R$ 0,80 centavos no pacotinho de queijo ralado. Quando tem canja, você está sozinha na lanchonete.

E você tenta. Colherada after colherada você bota pra dentro, pensando na sopa de ervilha – que te traz pedacinhos de bacon surpresa -, na sopa de feijão – que, se você tiver sorte, tem cenoura molinha -, na sopa, DEUS, na sopa de mandioquinha. E enquanto você imagina porque desfiariam uma coisa se ela fosse realmente boa e checa o instagram à procura de fotos inspiradoras de rodízios japoneses, olha em volta ansiosa por um suspiro que seja de compaixão.

E derruba o celular na canja.