vida bandida

vamos falar sobre casamento

Crianças, então. Eu vou casar!

YEY!

Eu pensei bastante sobre falar sobre isso com vocês porque, né, galera, o olho gordo, virge, ele não tem limites. Mas vocês também sabem que eu não sou capaz de esconder nada que me anime e me apaixone por tempo suficiente pra comprar os cristais e o olho grego e a comigo-ninguém-pode necessários pro dia-a-dia, então cá estamos nós, falando sobre casamento.

Cês tão ligadas que eu já moro junto do boy há um tempo e tals, então essa história de casamento é apenas uma formalidade e oportunidade de encher a cara de catuaba celebrar nosso amor em público cozamigo. Por isso, menos importante? NÃO, MIGAS. Não é não. Por isso, menos pastas no Pinterest? Também não. Por isso, menos ansiedade, toneladas de chocolate consumidas e infinitos dinheiros a menos? Hah.

Eu sempre achei legal casar. Mas eu sempre achei legal casar porque eu sou alucinada por festas, especialmente no que se trata de decoração e organização. E claro, minha Lua em Leão não pode negar que eu não adore ser o centro das atenções. E meu Sol em Peixes, né, gente… Eu sou uma viadinha. Junte tudo isso em uma festa e pronto: casamentos são feitos pra mim. Obviamente, eu já tinha tudo organizado mesmo antes do boy fazer – porque ele fez ceeeertinho, com direito a pedido, aliança, musiquinha e tudo! – o pedido, mesmo sabendo que nóis é comunista, nóis num vai na igreja, nóis num acredita na eternidade e nóis num tem dinheiro. E dai, SURPRESA, num é que rolou? Rolou, mores. E daí, como é que nóis faz?

Entre noites sem dormir de felicidade e noites sem dormir de angústia (tá difícil dormir esse ano de 2016 da graça do sem or deus do céu), tamo aqui, meio zumbi, totalmente falida e com as ponta dos dedos queimadas de cola quente e, certamente, muito felizes e ansiosas e oscilando entre toneladas de chocolate e dietas detox #noivafitness.

Daí eu vim contar umas coisas bem engraçadas que acontecem com você quando você entra no maravilhoso mundo do casamento. Tipo:

// Acabou toda e qualquer chance de você ser chamada pelo nome, por qualquer fornecedor, migo um pouco mais distante, parente distante, conhecidos. A partir de agora, você é NOIVINHA. Uhum. Eu faria um snapchat apenas para registrar meu rosto se contraindo a cada n.o.i.v.i.n.h.a. que eu recebo, mas meu celular num aguenta, então vocês usem a imaginação abençoada têm ou acessem esse web-sítio aqui;

// Você passa a ter ~fornecedores;

// Seus fornecedores te adicionam no whatsapp SEM VOCÊ DEIXAR, acabando com qualquer limite de intimidade forçada que possa existir, e mandam fotos de ~referências medonhas, orçamentos, ou simplesmente, bom dia;

// Se você pensa que já conhece o limite da breguice humana, cara noivinha, você está completamente enganada. Existem DJs que fazem músicas personalizadas para o casal e cerimônias inspiradas literalmente na Disney em que todos os convidados vão fantasiados;

// Se você se considera uma pessoa muito elegante, phyna, descolada, hipster, deusmelivreeununcavoufazerisso… Miga, você vai. Todo o conceito do casamento tem um pezinho, um dedinho, uma unhinha que seja no brega. Aceita. Depois a gente volta pro minimalista-escandinavo-urbano-industrial desconstruído. Ninguém vai te julgar (muito);

// Lembra quando você disse pra sua amiga sobre aquela outra amiga que casou que “meu deus, nossa não nunca que eu vou fazer isso se um dia eu for casar não vou fazer nada disso vai ser bem simples os convidados vão poder ir de havaianas”: é mentira. Você vai fazer igual. Seus convidados vão dar um jeito de te odiar um pouquinho. Um pouquinho. Pelo menos um dia. Depois passa. [desgurpa madrinhas pelo vestido ornandinho mas eu vi em Girls e vai ficar lindo cês são lindas não me odeiem <3];

// O equivalente matrimonial de churras é casório e não, não é bacana falar casório – a não ser que você esteja participando de um casório na roça, em junho, com o Chico Bento;

// A lista de coisas a fazer é infinita. Especialmente se você, como eu, vai fazer-fazer as coisas – fazer-fazer significa que você efetivamente vai comprar o papel de seda, dobrar o papel de seda, recortar o papel de seda, prender o papel de seda, desdobrar o papel de seda e, enfim, ter um pompom DIY. Se você realmente for fazer-fazer as coisas do seu casamento, miga, minha dica é: seja organizada e faça listas das listas das listas do que você tem que fazer, no esquema Decoração > Coisas Penduradas > Coisas Penduradas Que Precisam Ser Montadas Na Hora > Coisas Penduradas Que Precisam Ser Montadas Na Hora Com A Ajuda De Pessoas Com Mais De 1,5m Ou Escada ****** LEMBRAR DE PEGAR ESCADA ISADORA! (em papel e na versão digital, migas, sempre. SEMPRE);

// Lembra quando você era criança e com R$ 30 reais você ia no cinema e no Mc Donalds (com casquinha) e R$ 100 era uma fortuna? Lembra quando você chegou na vida adulta e descobriu que R$ 100 não dá nem pra fazer mercado? Você, noivinha, acaba de adentrar o maravilhoso mundo do milão. Mil. Reais. Tudo custa mil reais e variantes. Comida? Muitos mil reais. Vestido? Outros tantos mil reais. Maquiagi? Mil reais. Docinhos? Mil reais. Sapato? Mil cunhasdoimpítima. Garrafa de água que custava 3 reais antes do casamento e agora que você vai casar mudou de preço? Cê já sabe;

// Você considera gastar [mais] mil reais para uma pessoa que vai apenas juntar todos os seus problemas em uma sacolinha e desaparecer com eles sem que você saiba que eles sequer existiram um dia. Sim, é um sonho. Sim, custa mil reais;

// Dependendo da quantidade de mil reais que você tiver, você pode contratar não uma, mas várias pessoas que fazem o mesmo processo problemas -> sacolinha -> paz de espírito e você só diz “boho-chic-com-um-toque-romântico + salmão-alho-poró-escondidinho-camafeu” e voilá: você casa. Tudo se resume à quantidade de mil reais. ECONOMIZA, MIGA;

// A não ser que você tenha muitos mil quemassumeéoaécio, a lista de casamento é uma das coisas mais difíceis que você terá que fazer na sua vida, e sim, eu tô incluindo aqui ter um filho e não adotar mais gatos. Se você não tem dinheiro, miga, você vai ter que cortar gente. E isso dói. Dói fisicamente. Especialmente quando as pessoas são incríveis e querem saber de tudo e te desejam tudo de bom. Lembra do mapa astral acima citado? Minha vida ultimamente consiste hein ganhar bom dia da moça da padaria e mandar msg pro boy MAS MOR A MOÇA DA PADARIA ELA CONHECE A GENTE DESDE QUE A GENTE SE MUDOU VAMO CHAMAR ELA OLHA QUE FOFA. Tá difícil. Por isso, migos que leem esse post: provavelmente você não será chamado pro meu casamento porque eu não tenho muitos mil dinheiros mas eu continuo amando você e querendo no íntimo da minha alma que você estivesse comigo nesse momento de amor e festerê MAS EU NUM POSSO MIM DESGURPA. Sério. Desculpa galera. Amo vocês;

// A gente não fala só disso. Pelo menos, eu não falo só disso. Mas se você realmente odeia casamentos, não vê qual o ponto de fazer uma festa incrível e reunir todos os seus amigos em torno de uma coisa tão linda quanto o amor e catuaba… Bom, talvez você não queira falar comigo até o segundo semestre. Porque a gente não fala só disso mas, miga, é tanta coisa pra falar. É TANTA COISA LEGAL PRA FALAR!

// … Mas também é tão exaustivo, caro, difícil, cheio de detalhes e burocracias e tretas que as pessoas criam pra você – não miga, você não vai entrar na minha lista de última hora já pedir desgurpas anteriormente – e o ~mercado casamenteiro~ é tão saturado, repetitivo e insistente que cansa. Cansa MUITO. Cansa pra cacete. Eu não entendo vocês que ficam 2 anos nos preparativos do casamento, eu não tenho estrutura pra isso. Aqui são 5 meses** e eu já tô gorda, sem dormir, me descabelando e considerando seriamente me mudar pro interior, tudo isso pra uma festinha não-tradicional-DIY-pintando-garrafa-de-spray-dourado que, eu tenho certeza, vai ser maravilhosa, talvez o dia mais legal da minha vida. Mas cansa, migos.

cansa

No mais, está tudo bem. Repita comigo: está tudo bem. [Aliás, tá aí uma função que ainda não vi se existe: a pessoa pra ficar do teu lado dizendo que está tudo bem. Já sei até quanto vai custar, heh.] Está tudo bem e mais que isso: está sendo muito estressantesocorrovomorre divertido e gostoso pensar e tudo e, claro: eu tenho pessoas incríveis ao meu lado que estão tornando tudo ainda mais incrível. Como cês pediram #blogayra #seguenosnap, eu provavelmente vou fazer uma série de posts por aqui que seguem o tema casamento: o que eu estou fazendo de decoração, os ~fornecedores bacanas que encontrei por aí, as coisas que eu tive vontade de sair correndo, enfim… Esse mundinho lindo e charmoso e machista!

Que mais que cês querem saber?

*****

* Dicona da tia Isa: quanto menos meses de preparativos, menos parcelas pra você pagar as várias mil dilmas que você terá que pagar, então talvez a proporção encheção de saco/número de parcelas seja uma boa coisa a ser analisada.

EITA

27.

EITA.

Aquela idade em que você deveria já ter feito tudo. Tá, eu sei que os 30 são os novos 20, mas porra. TRINTA. Lembra, quando você dizia pra você do futuro que com trinta anos você ia ser o máximo? Tudo ia estar resolvido, certinho, arranjado? É. Eita.

O mais engraçado? Parece que tá tudo no lugar, sim. Obviamente que tem ainda uma tonelada de coisa pra acontecer/pensar/conquistar/ficarmilharesdenoitesemclaropensando. Infinitas coisas que me fazem pensar diariamente se o caminho escolhido tá rolando e, mais que isso, se o destino é aquele mesmo (parece que sim!). Aquela ansiedade diária de estar fazendo apenas 450 coisas, mas existem tantas outras 1200 para serem feitas. E aí, né? Se você não teve tempo para fazê-las até os 27, agora faltam só 3 anos pra você não poder fazê-las nunca-mais.

Óbvio que esse é um surto passageiro da últimasemanacom26-TPM-gripe. Claro que eu tô ligada que as possibilidades são infinitas e que eu posso fazer tudo aquilo que eu quiser. Falei pra vocês, que tô no sabático (só que trabalhani néam) das artes manuais? Pois bem, tô no sabático das artes manuais. Quem é que me ensina a tricotar, aliás?

Tô feliz gente. Muito legal fazer as coisas. Muito legal saber que você já comeu muito cup noodles mas, hoje, tá comendo até uns creme bruleé de vez em quando no food truck da firma. Muito legal saber que se os amigos não são tantos quanto antes, são os principais. E que sempre tem espaço ser preenchido por mais coisa boa. E mais generosidade. E mais tolerância. E, ao mesmo tempo, mais certeza dos seus princípios. E mais amor pelo seu cabelo – tá aí uma das coisas principais de envelhecer, gente: ficar em paz com o próprio cabelo. E mais certeza na hora de falar “não”. Os sims são mais legais assim.

Tá tudo bem. Esse é o mantra que a gente tá repetindo aqui. TÁ TUDO BEM. Pra tentar olhar, de dentro pra fora, e ver o que quem tá vendo de fora pra dentro vê. Tá tudo bem.

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Cês já devem ter lido esse texto aqui no blog umas 26 vezes pelo menos né? ¯\_(ツ)_/¯

*****
Um sonho: que alguém organize uma festa surpresa pra mim. Não pros 27, pros 27 eu já organizei (quem quiser ir me dar um beijo [SP] me fala aqui, que eu dou as coordenadas), mas pros próximos, algo que diga assim “relaxa você já é adulta o suficiente e organiza sua vida o suficiente e tá tudo bem então nós estamos aqui pra comemorar com você e pra você e você não precisa fazer nada só ficar aí sendo linda e dançando Florence e sendo servida de champanhe e red velvet”. Um sonho.

coisas que eu não sou boa at: fazer o pé

Cês já notaram como essa expressão é engraçada? “Vou fazer as mãos!”, “Preciso marcar pra fazer os pés”. Se a gente levasse ao pé (heh!) da letra, eu também seria terrível em executar essas tarefas, visto que todos os meus desenhos de infância se resumiam em personagens escondendo as mãos atrás do corpo e com elaborados sapatinhos que não mostravam os dedos. Mas, no caso, estou falando aqui daquela arte maravilhosa em que as moças tiram vossas cutículas, lixam vossas unhas e as pintam com cores adequadas para passar valores de jovens de caráter e família que são, ou: como eu queria pintar as unhas de vermelho para o casamento da minha melhor amiga.

Pra quem aqui não tem o hábito de pintar as unhas, eu explico algumas regras básicas:

  • Cutícula é aquela pele mais molinha que fica entre seu dedo (pele de verdade) e sua unha (dura). Alguém um dia inventou que aquela pseudopele é feia e, desde então, usamos alicates afiadíssimos pra retirá-la antes de pintar a unha. O que acontece em 99% das vezes? Obviamente, arrancamos um pedaço da pele de verdade junto da cutícula – movimento conhecido como “tirar bife” e saímos com o dedo sangrando e ardendo após a aplicação de acetona para finalizar a aplicação do esmalte.
  • Quanto mais escuro o esmalte, ou ainda, quanto mais pigmentada a cor, mais infernal é aplicá-la.
  • Se você faz suas unhas em casa, um lado do seu corpo invariavelmente será mais bonito que o outro, a não ser que você seja ambidestro (nunca escrevi essa palavra antes na minha vida). Se esforce para que as fotos sejam tiradas do lado oposto ao lado que você é hábil.

Posto isso: unhas vermelhas, da mão e dos pés, casamento da melhor amiga, você vai ser madrinha. Você começa pelas unhas das mãos enquanto vê mais um episódio de Pedro Pascal sendo o homem mais maravilhoso do mundo inteiro Narcos com relativa destreza, um bife ou outro pra conta, abstraindo o conceito de “pelinha do canto” da sua mente. Ok. E daí você olha para os seus pés, seus pés seus queridos pés que te aguentam o dia inteiro caminhando pelo Centro de São Paulo dentro de sapatilhas fechadas e outras atrocidades do mundo moderno.

Vamos lá. Passa creme. Deixa o creme agir por mais um episódio de Pedro Pascal porque a coisa tá feia e pensa que, caso dinheiro você tivesse, você estaria agora recebendo uma massagem relaxante da moça da pedicure, com esfoliante de macadâmias e essas coisas bonitas que supostamente te fazem relaxar. Mas na real, você está com uma perna apoiada no chão, a outra em cima de um banquinho, enquanto você está sentada no sofá de casa com Vazenol vencido melecando os dedos.

E claro: a sua elasticidade não permite que você alcance seus dedos com a habilidade que você deveria – afinal, você vai ter que arrancar meia São Paulo dali, o que exige força, torque, ângulos corretos e um alicate afiado. Você precisa de uma outra pessoa. Você certamente precisa de um adulto. Você precisa se lembrar de que vale a pena economizar R$ 50 no próximo mês pra te salvar da dor no ciático que isso vai te proporcionar amanhã. E depois de um cavocar exaustivo, em que os tendões da sua virilha e daquela parte atrás do joelho urram de dor, já que sua perna está basicamente atrás do seu pescoço, chega a hora de passar o esmalte. Vermelho.

Quando eu escrevia na editoria de Beleza da Capricho, me lembro da matéria de dicas para as garotas economizarem, que incluía: aprenda a fazer suas unhas em casa. Pois bem. Acho que finalmente encontrei a prova maior que diferencia meninas de mulheres, a vida adulta da adolescência deboísta, a definição última de uma vida plena e a razão pela qual as pessoas esquecem seus princípios, seu caráter, tudo o que lhe foi passado por seus pais em troca de dinheiro… Fazer as unhas no salão.

Garotas de 15 anos de hoje que por acaso caíram nesse blog (saiam, por favor): a vida de vocês será melhor quando tiverem dinheiro para fazer as unhas dos pés no salão. Acreditem em mim. Uns dois anos depois do fim da faculdade, ainda que vocês tiverem que ficar sem comer por 1 ou 2 dias para tanto: vale a pena. Vale cada centavo e cada minuto do seu dia. Economizem. Pensem no futuro. Rezem por isso. O dia de vocês vai chegar.

eita, março

É engraçado como essa coisa de idade mexe mesmo com a gente. Eu tenho plena consciência de que não estou… Velha. Mas a sensação de passar dos 25, puts, rola um medinho. Especialmente porque a gente tem essa mania linda de se comparar com… Todo mundo. Se não é com o boyzinho bem sucedido que criou um aplicativo e tá milionário – com 25 anos -, é com a Rihanna – ela ainda tem 22 anos, gente? Ela sempre tem 22 anos -, ou com os nossos pais, que com a mesma idade já tinham casa, pelo menos um filho, e plena noção do que ia acontecer com a vida deles até… Bom, até os 50 anos.

26, tô achando, é uma idade da reflexão, de pensar o que você fez até aqui e o que vai fazer antes dos trinta.Esse balanço é bom, no final das contas. Por mais que assuste e, talvez, deprima um pouco, o importante é tirar energia disso pra dar aquela mexida na vida. Porque essa é uma das coisas mais valiosas que eu aprendi até agora: ninguém, nunca, vai dar um jeito na sua vida por você. Então ainda que a lista seja longa – aqui, no caso, é – é uma dessas listas pra fixar no teto, em cima da cama, e lembrar todo dia dos objetivos. O que eu quero fazer? O que eu nunca fiz? É hora de mudar?

Acho que sim.

Pra ajudar, os 26 vieram em 2015, que sei lá se é porque é o ano do carneiro, meu novo animal favorito, ou é porque Saturno tá de olho na vida pra começar a dar as caras, ou é a crise, a Dilma, o panelaço, ou sei lá que catzo de alinhamento dos planetas, mas é um ano que tá passando de rolo compressor na vida. Tudo o que é excesso, o que está fora do lugar, o que tá marromeno, meio capenga, sai fora. Definitivamente. E de uma maneira bem bruta.

O que no começo me assustou, mas agora já está sendo extremamente reconfortante: o exercício é entregar pros orixás e não se preocupar tanto, porque uma hora as coisas se encaixam. Pra quem, como eu, precisa ter total controle dos mínimos detalhes da vida, é difícil? Quase impossível. Mas é um exercício válido, necessário e que vem sendo bem útil. Então vamos de mãos dadas com 2015, esse maravilhoso, numa vibe bem Khaleesi dominando os sete reinos. Com dragões. E cabelos platinados.

Março decretou definitivamente que é isso: as coisas vão mudar e você vai ter que se mexer. E no meio de muita insegurança, bastante medo e aquele breve pavor de “meu deus, e agora?”, o mês foi recheado de coisas e gente linda, meio que pra lembrar que, mesmo que tudo passe, tem sempre gente em volta pra ajudar a recolher os guardanapos que saem voando. Março veio grande, longo, com mudanças definitivas: de casa, de emprego, de vida, de postura. Veio com almoços em casa – a maior recompensa! – com comemorações inesperadas, pessoas novas, e gente amada de sempre.

E uma vontade de acompanhar esses tempos novos com mais paixão e força do que nunca. Não adianta nadar contra a maré, né? A gente se agarra na portinha do Titanic, coloca todo mundo que ama em cima – porra, Kate, cabia mais uns 4 nego ali em cima com você – e vai batendo o pezinho até a ilha mais próxima. Lá deve dar pra estender uma toalha de piquenique ou duas.

meu livro da Lena Dunham

Eu nunca fui muito boa em fazer resenhas: toda vez que me vi obrigada a fazer uma, na faculdade, em alguma tag de blog, etc, me sentia tão travada quanto quando era obrigada a fazer dissertações no colégio. E não é que eu não consiga fazê-las: eu sei bem qual é a estrutura, o caminho, o jeito engraçadinho de incluir sua opinião ~polêmica lá no meio. Mas acho que é justamente isso tudo. Tenho vontade de compartilhar aqui o que eu ando lendo – e eu ando lendo muito – mas ao mesmo tempo acho que isso vai ficar tão, tão besta…

Daí eu li o livro da Lena Dunham.

Esse texto poderia ter começado de outro jeito também: Isa, não é por nada não, mas você é a cara da moça do Girls. Eu já perdi as contas de quantas vezes ouvi isso. Já me pararam na rua pra falar isso (mesmo). Uma vez eu estava comprando batons e a vendedora me falou isso (mesmo). Eu estava no meio da muvuca da Bienal do Livro e um menino sussurrou pro outro: olha, a Lena Dunham! (mesmo, e eu respondi “não precisa sussurrar e eu não sou ela, mas valeu!”). E todo mundo fica meio na dúvida se me fala ou não porque, bom, a Lena é a Lena. Primeiro, porque o povo tem uma mania meio escrota de ficar com medo de falar que alguém parece uma pessoa que não segue exatamente os padrões de beleza. Depois porque a Hannah, a personagem dela em Girls, tem a mania meio maluca de aparecer pelada em todo e qualquer episódio.

Eu sei. Eu acho estranho. Porque sou eu.

Normalmente a gente não se acha parecida com a pessoa que todo mundo acha a gente parecida, né? É, eu acho. Primeiro episódio de Girls, a Hannah lá, de quatro, numa cena de sexo pra lá de desconfortável e eu MEU DEUS DO CÉU O QUE EU TÔ FAZENDO. Ah. Não sou eu. Acontece. No começo foi estranho, mas depois eu só fui percebendo o quão maravilhoso é me identificar com uma mulher tão incrível. Sério. Só que daí ela escreveu um livro e botou tudo pra fora e eu fiquei, digamos, um pouco exposta.

Eu me senti mais à vontade pra escrever essa “resenha” porque é quase como se estivesse escrevendo um diário. É sério. Não é apenas em termos estéticos que eu me identifico profundamente com Leninha – não, eu não tive atração pela minha irmã quando jovem, nem nada do tipo, e minha vida é bem menos interessante que a dela, mas é um sentimento geral que, mano. TOMARA que essa seja a tal da “voz da nossa geração”, porque isso só pode significar que a gente é uma geração bem bacana. Fodida, porém bacana.

O livro é dividido em algumas seções: Amor & Sexo (claro); Corpo (graças a deus); Amizade; Trabalho (Lena, eu quero ser você); e Panorama, que é um soco na porra do estômago. Do meu, ao menos – e olha que foi porrada atrás de porrada. Além das experiências e da falta de pudores em se expor da maneira mais nua possível, o estilo da Lena é muito pessoal, dá pra ouvir a voz dela enquanto a gente lê. Apesar de não ter curtido o nome em português, gostei bastante da tradução. Quem conhece um pouco dela – ou quem é maluco feito eu e assistiu a cada uma das entrevistas pelo menos umas 5 vezes – sabe que  trabalho foi bem fiel. Tem uma pegada moderna, tipo dicas e listas, ao final de cada capítulo, hilária também.

Com os temas acima, bom… Cês já sacaram que o livro é um enorme episódio de Girls – com ainda menos edição? Daqueles que deixam a gente meio constrangida, meio achando maravilhoso, meio querendo ser como ela e meio agradecendo pela vidinha boba que a gente leva. Em todos os casos, meu maior sentimento era: “Por que você está espalhando sobre isso por aí, Lena? Esse segredo é meu!”.

especialmente "eu" nessa foto, Leninha

especialmente “eu” nessa foto, Leninha

E, tirando a parte pessoalíssima e um tanto quanto egoísta, fica essa análise fantástica da Carla Rodrigues no Blog do IMS, que é muito melhor e mais sã que eu na hora de escrever uma resenha belíssima:

“Ela expõe de forma corajosa e dura a forma rude como foi tratada por seus parceiros, as fantasias forjadas por modelos de sexo cinematográficos as decepções que já haviam pontuado a primeira temporada de Girls […] Lena problematiza no sexo tudo que significa para uma mulher não atender a uma expectativa forjada em moldes impossíveis de alcançar, incluindo seus problemas com a balança e as inúmeras dietas a que se submeteu como tentativa de se encaixar em padrões de beleza e magreza. […]

Quando, desde o título, anuncia “não sou dessas”, ela encontra a única possibilidade de afirmação nesta negativa: não sou aquilo que querem que eu seja. Tarefa difícil, sobretudo para mulheres, e ao mesmo tempo cada vez mais necessária. Um dos legados deixado pelo feminismo do século XX foi a possibilidade de nos rebelarmos contra as formas pré-determinadas de gênero. Para as mulheres, um desafio ingrato (para os homens também, mas por outras razões que não vêm ao caso).”