vida bandida

vai com calma

Olar meu povo, feliz ano novo!

O que dizer de um ano que já começa na loucura loucura loucura de modos que a gente só consegue chegar por aqui em pleno dia 15? Não sei. Tá sendo bom? Não sei. Tá sendo ruim? Não sei. Tá sendo cheio de coisa? Tá, ô se tá.

A vida de vocês também costuma ter uns ciclos assim, cheios de coisas, e outros em que parece que nada acontece? A minha sim. Especialmente dividida em meses, ou em fases. Do tipo: dez-mar é UMA LOUCURA. Começa no final do ano, em que todo mundo está louquinho pra se ver e matar a saudades/tirar do sistema o fato de que não conseguiu ver os amigos durante o ano inteiro, emenda com natal e ano novo, sempre aquela tensão relacionada às festas, vai pra janeiro e a gente tentando desesperadamente aproveitar o verão – e o verão é maravilhoso, saidaquisevocênãogostaeuquerosolequeimaduradeterceirograu – daí já vem a melhor época do ano, também conhecida como CARNAVAL, dois finais de semana e mais uns diazinhos regados à catuaba, bloquinho na rua e chuvarada tóxica de São Paulo e termina como? Com o meu aniversário.

É mágico.

É aquela fase em que a gente pensa “porra, talvez a vida seja boa mesmo, olha quanta coisa legal acontecendo, olha esses dias ensolarados, olha essa gente feliz!”, em que a gente questiona a necessidade da existência de blogs, newsletters e afins, já que a famigerada ~vida real parece muito mais legal, em que a gente faz declarações de amor à cidade, aos migos, e que tudo parece bom e próspero.

Daí começa a degringolar.

Esse ano eu resolvi não deixar a peteca cair e tentar – digo tentar porque MEUDEUSDOCÉU eu nunca vi tanta enrolação pra programar férias nessa vida socorro burocracia #nãoreclamedacrisetrabalhe #oimickjagger – emendar as minhas férias quaseque nesse período: digamos, em maio, já que tem o aniversário do boy em abril, o que garante uma boa thread de amor e amigos. Conseguiremos? Vamos acompanhar. Temos dinheiro pra viajar esse ano? Nenhum. Ficaremos em São Paulo e faremos listas daquelas coisas que nunca fizemos mas que “faremos nas próximas férias em casa”? Ô SE FAREMOS. Terminaremos as férias com aquele sentimento maravilhoso de frustração? Wait and see.

Lá pra maio/junho, e o segundo semestre de uma maneira geral nunca me agradaram muito – ano passado, ok, tivemos um certo casamento aí e uma certa viagem aí, então não conta. Mas, basicamente, já começa a bater aquela bad de “poxa já passou mais um ano e aí o que você fez?” e a voz da Simone começa a aparecer discretamente no fundo do seu cérebro. E, cacete, parece que esse ano vai ser mucho louco, desses de muito trabalho e pouco tempo pra descanso – e só o que eu queria era descansar um pouco. Estamos cansadas por antecipação? Estamos.

Claro que eu me meti, além do trabalho real oficial, em mais um ou dois projetos paralelos que demandam muito, muito tempo e dedicação e finais de semana de movimentação. Como lidaremos com isso? Não faço a menor ideia (com “crises de ansiedade”, eu digitei e apaguei, mas vou tentar lidar de uma maneira melhor com isso esse ano também). Isso porque, desses dois projetos, nenhum entra no quesito “realização de sonhos”. Ainda tem isso pra gente pensar. Sem contar meus cursos de miçangas que, me parece, terão que entrar num profundo standby esse ano.

Então é isso. Eu prometi que não faria grandes resoluções de ano novo – a única que fiz até agora entrou na agenda-bonitinha como cuidar mais de mim, mas na real, quer dizer “mexer essa bunda gorda” e “parar de ser mão de vaca com comida”, mas eu nunca, em hipótese alguma, assumiria isso pra vocês – e também (ainda) não passei perto das previsões de tia Susaninha, cês acreditam? Juro que (ainda) não, e que tá tudo bem assim, desse jeito meio “manda aí que nóis resolve daqui”. Quem é essa pessoa que vos escreve e o que ela fez com a sua amiga Isadora? Eu não sei. Gosto dela? Também não sei. Quanto tempo ela ficará por aqui? São questões.

2017eita

Essa sou eu depois de ter aceitado fazer um bate e volta que demorou 9h na ida e 6h na volta até o litoral norte na casa de pessoas completamente desconhecidas sem nenhum planejamento prévio num final de semana que marcou 38 graus com um colchão inflável sem saber se havia mais de um banheiro e postando essa foto no instagram sem poder conferir se meu mamilo estava efetivamente aparecendo porque o sol não permitia e postando mesmo assim (não estava aparecendo). eita.

 

Vamos aguardar.

Meanwhile eu entrei na onda, claro, do gracioso e hipster bullet journal planner agendinha incrementada e vou te dizer que está sendo bem legal me organizar por ali. Na real, sem muitos códigos e adesivos personalizados: só uma organização semanal pareada com uma lista de tarefas em que, yes you can, eu anoto tudo o que preciso fazer e não me cobro absurdamente se não consigo cumprir mais do que 1 ou 2 tarefas daquela lista – mas sempre me esforço muito bonitinhamente para cumprir ao menos 1 ou 2 tarefas da lista. Mesmo. Vem funcionando.

Novamente, vamos aguardar. Vem de boas, tá, 2017? Vamos tentar seguir assim até o final, sem dramas. Te amo. Beijos.

2016 eita; ou seventy years of being human

Tá todo mundo feliz que 2016 acabou.

Cara, foi treta. Foi difícil. Foi truncado. Exigiu muito da gente. Levou muito da gente. Colocou todos os nossos princípios à prova todo-o-santo-tempo. Se foi. Mas tá aí: a gente sobreviveu. E eu, no alto da minha patetice pisciana, acho que a gente acabou aprendendo com tudo o que se viu obrigado a desapegar. Na marra. Estamos todos cansados, exaustos, sem ter de onde tirar energia.

E também que eu não posso reclamar. Mesmo que tenha sido no meio de um monte de dificuldade, 2016 foi o ano que, bom… Que eu posso dizer que tudo o que foi importante deu certo. Que eu resolvi fazer um casamento do zero em 5 meses – e deu certo e foi lindo. Que eu dei um passo importante pra esse amor tão certo. Que a casinha se tornou finalmente um lar. Que, no meio do fim do mundo profissional que tá rolando, eu consegui pelo menos entender que tatu-do-bem, mesmo que não esteja, porque a gente consegue no final. Que eu botei em prática um dos planos do papel e, mesmo que não seja fácil, ele tá por aí, na vida.

Mesmo que seja na marra, algo fica. Fica que a gente aprendeu a ser resiliente. Fica que a gente descobriu pontos em comum, mesmo quando todo o mundo parecia contra a gente. Mesmo quando somos minoria. Fica que a gente percebe que tem muita gente disposto a lutar, a seguir. Fica que a gente aprende que nem sempre precisamos de tanto. De tantos. Fica que a gente descobre que tudo bem chorar também. Cair.

Foi um ano, acima de tudo, de crescimento pessoal. Dolorido, eita, bem dolorido, porque a gente vai se espremendo e moldando numa casca que às vezes não serve que, depois de um tempo, para de abraçar e começa a esmagar a gente. Dói se livrar dela, dói se desvencilhar de uns pedacinhos que ficam grudados, às vezes, não sai tudo de uma vez: a gente tem que ficar cutucando, tirando com cuidado, descascando até não sobrar mais nada. Longe de mim colocar aqui uma metáfora sobre casulos e lagartas e borboletas, mas é isso aí.

É difícil deixar pra trás, também. Pessoas, princípios, amores, hábitos. A gente se apega a coisas que talvez nem fossem tão reais assim. Também, quando desapega, tem essa mania besta de olhar com desdém, como quem não quer, como quem se alivia – e pode ter alívio, sim, mas que ele seja mais doce. Longe de mim colocar aqui a palavra gratidão, mas é isso aí. Olhar pra trás com a certeza de que ficou e pode continuar lá, mas sem ressentimentos ou mágoa.

Ver o que foi bom. Se esforçar pra ver o que for bom. Ver o que foi bom. Se agarrar no que foi bom.

Eu tou bem feliz com quem eu sou. Eu tou bem feliz com o que eu construí. Eu tou bem feliz com quem me acompanhou até aqui – embora eu precise me lembrar sempre de que tudo bem não estarem também. Eu tou bem feliz com a Isadora, de maneira geral. Foi a duras penas que a gente aprendeu, em 2016, que o foco tem que ser a gente, sempre, então que em 2017 a gente consiga lidar com essa lição de maneira mais calma e mais generosa.

Por isso, eu vou me permitir fazer essa transição de uma maneira mais leve, sem cobranças, sem pressão – sem listas!. Aproveitar que cai tudo num sábado e não permite muita comemoração ou rituais de passagem pra ser essa a resolução: atenção diária ao que foi bom. Comemorações diárias. Celebrações diárias. Ser feliz todo dia sim – e respeitar os dias ruins também.

É engraçado: parece que 2016 me ouviu falando essas coisas todas e resolveu dar seu último suspiro nas duas últimas semanas. Não sei aí com você, mas por aqui, tá tudo bagunçado, de corte de cabelo (que estava maravilhoso ¬¬) que deu errado a conta da Uber e todos os cartões que foram clonados, de maluquices mil no trabalho a burocracias da vida adulta que você nem sabe como surgiram. Dessas que desestabilizam a gente e nos deixam naquele estágio de “mas por que isso tá acontecendo comigo, se eu faço tudo direito?”.

O truque, eu acho, é respirar. Tudo bem dar errado. Não é só com você. A gente não pode controlar tudo. E tentar não criar o bichinho da raiva e da amargura aí dentro. Por pra fora, berrar no travesseiro, comer o pote de sorvete inteiro. Agarrar os gatos – falei que 2016 teve até gatinho novo filhote bebê? Teve.

E como eu ando nessas de não saber direito o que dizer, nem como, nem pra quem, eu queria deixar vocês com duas reflexões mais bonitas e completas que apareceram na minha vida essa semana, justo nela, toda complicada e cheia de problemas. A primeira é da Nath que, com as suas cartas, foi um dos pontos altos do ano, sempre pontual, sempre no timing certo: que o seu próximo ano seja repleto desses momentos que você quer registrar para guardar, postar, compartilhar. Porque a vida do instagram é, sim, muito maravilhosa e, no final das contas, a nossa vida é isso aí: um amontoado de bons momentos que a gente quer guardar pra sempre (em volta de um amontoado de momentos blé que a gente só esquece).

A segunda é um mix da apresentação da Patti Smith no Prêmio Nobel, no lugar do Bob Dylan, com a reflexão que ela fez na The New Yorker sobre o ocorrido – ela ficou nervosa, errou a letra, pediu pra voltar. Musa eterna da minha vida, essa mulher incrível que, a medida que envelhece, vai deixando mais e mais pensamentos importantes pra gente:

When my husband, Fred, died, my father told me that time does not heal all wounds but gives us the tools to endure them. I have found this to be true in the greatest and smallest of matters. Looking to the future, I am certain that the hard rain will not cease falling, and that we will all need to be vigilant. The year is coming to an end; on December 30th, I will perform “Horses” with my band, and my son and daughter, in the city where I was born. And all the things I have seen and experienced and remember will be within me, and the remorse I had felt so heavily will joyfully meld with all other moments. Seventy years of moments, seventy years of being human.

– How does it feel, Patti Smith (The New Yorker)

Todo mundo deveria assistir essa apresentação, pelo menos uma vez na vida.

Que a gente se permita ser assim: mais humanos, com mais erros, com mais sentimentos. Vamos com calma. Com amor. E vamos mais gentis.

Vem, sim, 2017. Seja legal com a gente!

hello can you hear me

Eu não posso falar.

Esse não é um texto metafórico metafísico metonímico em que eu relaciono os acontecimentos do mundo com a minha rouquidão nem nada. Poderia? Poderia, ô se poderia. Mas não é. Essa não é uma grande divagação sobre eu, como mulher, me sinto completamente impotente e insignificante diante dos últimos acontecimentos. Deveria? Uhum. Mas não é também.

Isso é uma recomendação médica.

Sexta-feira à noite, aquele stress gostoso, aquela sensação de “só eu me preocupo com essa porra de verdade” e o quê? Gripe. Aquele começo de gripe gostoso, maroto, moleque, que te deixa toda meio entupida e toda meio quente, de um jeito nada nada nada sensual. Como boa filha da minha mãe que sou, botei pra dentro o combo de remédios mais do que conhecido e capotei às 20h30.

Acordei “nova”: 80% menos entupida (20% eu sempre sou), 90% menos quente (HEH) e sem gripe. Vida que segue. Claro que, pra comemorar, eu resolvi fazer tudo o que não faço em absolutamente nenhum final de semana da minha vida: arrumei a casa inteira – que, na minha língua, significa “desmontar móveis e espalhá-los por outros cômodos” – fui a um aniversário/boteco à tarde e emendei com uma balada num rooftop no Centro de São Paulo de madrugada.

Não, não vou explicar como fui parar em uma balada num rooftop no Centro de São Paulo de madrugada. (Não foi bom)

Ah, Isa, que divertido, que bom que no dia seguinte você conseguiu acordar às 11h30, comer resto de pizza e passar o dia todo reassistindo os melhores episódios de Gilmore Girls de pijama sem tomar banho! Não, amigos. No dia seguinte eu fiz tudo menos acordar às 11h30, comer resto de pizza e passar o dia todo reassistindo os melhores episódios de Gilmore Girls de pijama sem tomar banho. Eu recebi meus pais num horário aceitável, porém não suficiente (com comida, pfv, muita comida, pelo menos isso), eu conversei como uma filha que não via os pais há mais de 1 mês, eu falei falei falei falei falei e depois? Eu saí, na chuva, para encontrar amigos e falar falar falar falar falar mais. E até cantar.

Deu certo? Já sabemos.

Segunda-feira lá estava eu completamente rouca. Não é assim, sexy rouca, Phoebe cantando jazz rouca. Não é engraçadinho rouca, tipo “ai que voz engraçada, Isa, você curtiu muito no final de semana, hein?”. É rouca nível: MENINA VOCÊ TEM CERTEZA QUE VOCÊ TÁ BEM no cafézinho do trabalho rouca. Então, eu tenho. Dói? Muito pouco, já tive piores, já arranquei as amígdalas no susto de dor. Tô comendo? Miga, vai ser necessário mais uns 2 Trumps e umas 3 gargantas pra eu parar de comer. Tô com febre? Num tô. Tô participando do surto de Caxumba de SP (sempre quis participar de um surto de doença contagiosa de SP)? Num tô. Tô funcional? Quem está, não é mesmo?

Daí ontem eu fui no médico e, depois de ele ter me perguntando exatamente 4 vezes se eu não sou alérgica a nenhum remédio – Sono? Alzheimer? Pouco caso? Plantão? Queria ter certeza? Nunca saberemos, mas em uma delas eu recebi “melhor testar, né?” – rolou um terrorismozinho básico que consistiu na frase: você não pode mais falar em hipótese alguma de jeito nenhum porque sua garganta-esôfago-celébro já está lesionado e se você forçar pode criar um calo definitivo e ficar com a voz prejudicada pra sempre ou ter até que operar.

Cês leram direito? A parte do DEFINITIVO FICAR COM A VOZ PREJUDICADA PRA SEMPRE.

Gente. Cês sabem a angústia que é pra uma pessoa com ascendente em Sagitário e lua em Leão não poder falar cas pessoa? [insira o meme do MIMIMI SIGNI DI NIVI aqui] Cês imaginam o meu desespero de não conseguir responder as, em média, 18 interações sem graça-reaça-sobre doenças dos velhos do meu prédio no elevador todas as manhãs? Cês têm ideia do que é não conseguir puxar assuntos imbecis olha-o-tempo-tá-chovendo-tá-calor no elevador da firma? Vocês conseguem entender o que é não poder sair correndo pra sala da coleguinha de trabalho berrando NÃO NÃO ERA ISSO PLMDDS CÊ FEZ ERRADO FOI O ARQUIVO ERRADO LIGA PRA CHINA ANTES DE IMPRIMIR MINHA FILHA SOCORR JESUSA e ter que mandar um email e esperar que ela visualize o mesmo?

Cês têm ideia do que é não poder responder toda vez que meu gato me chama MAMAI?

como estou por dentro

 

Pois é, amigos. E que dia é hoje? Sexta-feira. E desde quando eu tô assim? Desde sábado. E o que aconteceu desde então que eu não pude comentar em voz alta pra ninguém chorar gritar me esgoelar falar que eu vou embora pra sempre? Pois é. Então cês me desgurpe, mas enquanto não houver voz eu vou vir aqui fazer textão do desabafo e me esgoelar virtualmente com vocês enquanto tento ferozmente não procurar no Google “ficar rouca pra sempre é possível”.

etiqueta do casamento: não f*de o meu rolê

Socorro.

(Se alguém fizesse um gráfico sobre quantos posts desse blog começam contém a palavra “socorro” este ano, aposto que daria uma estatística interessante. Não que alguém esteja contando…)

10 dias.

E como toda a minha lista de afazeres terminou, e como está tudo certo, e como eu não tenho mais nada pra responder quando as pessoas me perguntam “e os preparativos?”, eu vim aqui conversar com vocês sobre aquelas coisinhas que tiram a gente do prumo nessa altura do campeonato.

Muita gente acha estranho que eu tenha tomado essa decisão, de casar. Especialmente os amigos mais próximos, que sabem das minhas inclinações políticas-sociais-de gênero – ou seje, sabem que eu sou feminazi comunistinha que ganha dinheiro dos petralhas e dorme com mais de 10 hómi por noite. Essasoueu, uma princesa. E daí ficam espantados quando eu solto um então gente vou casar.

Eu julgo? Não. Porque eu, como a maioria desses amigos, sabe tudo o que vem envolvido nessa tradição de casamento e que, néam, gente, não é nada muito bacana. Nada. Eu poderia aqui fazer um momento De Repente História™ e jogar uns dados da tradição casamenteira ao longo dos séculos, datando da tradição romana, passando pelos enlaces de Game of Thrones, mas vocês já são grandinhos o suficiente pra procurar no Google.

A questão é que a gente adora uma festa. Adora, assim, desde o momento um. Ir, arrumar, organizar, reunir. E que eu sou um bicho extremamente dos paranauê místico – tanto que usaria meu céu quase inteiro em Peixes pra explicar isso pra vocês – e das passagens, dos ritos, dos eventos, para marcar datas. E somos, bom, somos grandes fãs do amor e das energias positivas que encontros com pessoas amadas proporcionam. E a gente quis casar, fim!

Não interessa a mais ninguém. Sabe o que interessa? Que a gente tá dando uma festa pros amigos. Pra quem acompanhou nossa história. Pra quem a gente ama. Pra quem a gente faz questão. Pra quem não vai ligar se eu tô servindo coxinha na bandeira de plástico. Nem se eu tô mais ou menos gorda de quando conheci o boy.

Não é fácil, migas. Falar que vai casar abre aquela porteira imaginária do limite do bom-senso, um portal tridimensional de um mundo que todos as pessoas em volta acham que podem dar pitaco, que você vai compartilhar da opinião delas, e que você, noivinha, quer ouvir coisas absurdas. Absurdas. Então, segue abaixo PSC um guia das bad trips do casamento para você, amiga de noivinha, futura noivinha, mãe de noivinha, noivinha da noivinha, boy da noivinha, noivinha do boy, não repetir em casa:

// “Agora vocês são um só”: miga. MIGA. Ele pode ir trabalhar no meu lugar? Então, não. Eu não sei de onde é que veio essa história de fusão nuclear que gente que se ama tem que virar um só. Tá, na real eu sei, mas eu vou me esforçar pra não xingar (muito) a religião alheia aqui.

// “E o casamento?”: tudo bem que em termos práticos, 99% da sua vida – se você for fazer tudo sozinha – vai girar em torno dos acontecimentos dessa festa, mas aquele 1% engloba: seus sentimentos, seu trabalho, sua vida pessoal, seus gatos, sua unha encravada, tudo o que passa dentro da sua cabeça… Enfim, aquela pessoa que você era antes de se tornar ~a noivinha. Sabe, a amiga que existia ali antes disso? Sim, ela continua existindo. Pergunte sobre ela. Ela vai gostar.

// Quem vai ser a próxima? Ahhhh essa graciosa conversa entre as amigas envolvidas na festa ¯\_(ツ)_/¯. Ainda bem que faltam apenas duas semanas, acho que não vai dar tempo d’eu criar o Bingo do Desconvite, que consistiria num jogo de erros e acertos envolvendo frases como “A próxima tem que ser a Mariazinha que já vai fazer 30 anos, logo mais está velha pra casar!” e “Boa, Isa, conseguiu amarrar o boy, agora tá com a vida feita”. Todas essas frases são verídicas e aconteceram, sim, entre as minhas amigas, aquelas que a gente considera esclarecidas, desconstruídas etc e tal. O que fazer, além do Bingo do Desconvite? Sentar com cada uma delas e explicar “miga, veja bem o que você tá falando”, claro. E, minhanossasenhora, pensar melhor em como a gente tá criando essas meninas, sem or.

// A cerimônia: ah, o machismo nosso de cada dia… Como fugir dele? Bom, a gente começou por não ter uma cerimônia religiosa, evitando assim qualquer tipo de assassinato nesse dia lindo. Porém, muita coisa além dessa continua: e a coisa do pai entregar a filha pra um novo cara, que vai cuidar dela? Béh! E a coisa de jogar o buquê pra todas as amigas solteiras se estapearem pra ver quem vai casar depois e não ficar pra titia? Béh! Algumas dessas coisas ainda estou processando e tentando achar alternativas menos misóginas. Todas elas envolverão Valesca. Aguardemos.

// Acabou o casamento… e agora? Eu já perdi as contas de quantas histórias ouvi sobre noivas “que surtaram”. Além de tudo o que vem embutido nesse estereótipo de “mulher histérica”, de “bridezilla”, o que eu percebi é que realmente muitas minas são construída pra esse momento da vida. Esse é um dos/o único sonho delas. E quando essa fase de ser o centro das atenções, a princesa, a noivinha, acaba, ou está na iminência de acabar, elas ficam extremamente deprimidas. É triste demais. Demais isso. A gente precisa mesmo pensar em como estamos criando as nossas meninas pra esse conto de fadas da Disney, migas. Não tá certo. Acabou o casamento: e daí? Bora pensar na próxima festa, viagem, rolezinho da pizza, no que vai ter no trabalho na segunda-feira, em quais são teus próximos sonhos? Bora.

// Tá chegando, hein? Você tá se preparando? Isso, migas, quer dizer: você tá fazendo dieta? Você quer ficar mais magra, né? Você tá fazendo bronzeamento artificial? Você tá fazendo clareamento… dental? Não vou ser hipócrita de falar que meu peso não é um fatos que sempre me incomodou e me incomoda ainda mais numa situação dessas, mas migas… Tem perfis #noivafitness entrando em contato comigo no instagram. Fala pra mim: is this real life? Amiga noivinha: segura essa piriquita e pega na minha mão. Você é linda e vai estar radiante, RADIANTE, nesse dia lindo. Independente do #bumbumnanuca ou não.

Tem mais? Ô se tem. Aqui tem mais.

“Credo, Isa, você só reclama, parece que só tem gente chata entre os seus convidados!”. Isso é verdade? Não, não é verdade. Mas tem tanta gente chata circulando os meus convidados, vivendo no meu convívio social, habitando o planeta Terra que nunca é demais botar pra fora o que vem desaquietando meu coraçãozinho pisciano esquerdogata felinazi. Sabe pra quê? Pra mostrar que a gente também não precisa ser 1001% revolucionária e odiar todas as instituições existentes pra ser manter fiel ao que a gente é e acredita. Dá pra casar e ser legal. Dá pra casar e não ser bad trip. Dá pra casar e respeitar as mina, os mano, as trava, as trans. Dá pra casar e ser feliz gente peloamordedeusvamofocarnisso, que é o mais importante.

Casar é amor. É sim. É tanta energia boa que neutraliza o chorume, te juro que sim. Mas falar de amor e coisa bonita num dá ibope, né gente, e eu tô querendo um publipost pra pagar os arranjo de frô dessa história. Longe de mim querer parecer caga-regra na interação social alheia, mas já sendo: miga, não seje essa pessoa. A noivinha agradece. Repassem.

<3

vamos falar sobre casamento

Crianças, então. Eu vou casar!

YEY!

Eu pensei bastante sobre falar sobre isso com vocês porque, né, galera, o olho gordo, virge, ele não tem limites. Mas vocês também sabem que eu não sou capaz de esconder nada que me anime e me apaixone por tempo suficiente pra comprar os cristais e o olho grego e a comigo-ninguém-pode necessários pro dia-a-dia, então cá estamos nós, falando sobre casamento.

Cês tão ligadas que eu já moro junto do boy há um tempo e tals, então essa história de casamento é apenas uma formalidade e oportunidade de encher a cara de catuaba celebrar nosso amor em público cozamigo. Por isso, menos importante? NÃO, MIGAS. Não é não. Por isso, menos pastas no Pinterest? Também não. Por isso, menos ansiedade, toneladas de chocolate consumidas e infinitos dinheiros a menos? Hah.

Eu sempre achei legal casar. Mas eu sempre achei legal casar porque eu sou alucinada por festas, especialmente no que se trata de decoração e organização. E claro, minha Lua em Leão não pode negar que eu não adore ser o centro das atenções. E meu Sol em Peixes, né, gente… Eu sou uma viadinha. Junte tudo isso em uma festa e pronto: casamentos são feitos pra mim. Obviamente, eu já tinha tudo organizado mesmo antes do boy fazer – porque ele fez ceeeertinho, com direito a pedido, aliança, musiquinha e tudo! – o pedido, mesmo sabendo que nóis é comunista, nóis num vai na igreja, nóis num acredita na eternidade e nóis num tem dinheiro. E dai, SURPRESA, num é que rolou? Rolou, mores. E daí, como é que nóis faz?

Entre noites sem dormir de felicidade e noites sem dormir de angústia (tá difícil dormir esse ano de 2016 da graça do sem or deus do céu), tamo aqui, meio zumbi, totalmente falida e com as ponta dos dedos queimadas de cola quente e, certamente, muito felizes e ansiosas e oscilando entre toneladas de chocolate e dietas detox #noivafitness.

Daí eu vim contar umas coisas bem engraçadas que acontecem com você quando você entra no maravilhoso mundo do casamento. Tipo:

// Acabou toda e qualquer chance de você ser chamada pelo nome, por qualquer fornecedor, migo um pouco mais distante, parente distante, conhecidos. A partir de agora, você é NOIVINHA. Uhum. Eu faria um snapchat apenas para registrar meu rosto se contraindo a cada n.o.i.v.i.n.h.a. que eu recebo, mas meu celular num aguenta, então vocês usem a imaginação abençoada têm ou acessem esse web-sítio aqui;

// Você passa a ter ~fornecedores;

// Seus fornecedores te adicionam no whatsapp SEM VOCÊ DEIXAR, acabando com qualquer limite de intimidade forçada que possa existir, e mandam fotos de ~referências medonhas, orçamentos, ou simplesmente, bom dia;

// Se você pensa que já conhece o limite da breguice humana, cara noivinha, você está completamente enganada. Existem DJs que fazem músicas personalizadas para o casal e cerimônias inspiradas literalmente na Disney em que todos os convidados vão fantasiados;

// Se você se considera uma pessoa muito elegante, phyna, descolada, hipster, deusmelivreeununcavoufazerisso… Miga, você vai. Todo o conceito do casamento tem um pezinho, um dedinho, uma unhinha que seja no brega. Aceita. Depois a gente volta pro minimalista-escandinavo-urbano-industrial desconstruído. Ninguém vai te julgar (muito);

// Lembra quando você disse pra sua amiga sobre aquela outra amiga que casou que “meu deus, nossa não nunca que eu vou fazer isso se um dia eu for casar não vou fazer nada disso vai ser bem simples os convidados vão poder ir de havaianas”: é mentira. Você vai fazer igual. Seus convidados vão dar um jeito de te odiar um pouquinho. Um pouquinho. Pelo menos um dia. Depois passa. [desgurpa madrinhas pelo vestido ornandinho mas eu vi em Girls e vai ficar lindo cês são lindas não me odeiem <3];

// O equivalente matrimonial de churras é casório e não, não é bacana falar casório – a não ser que você esteja participando de um casório na roça, em junho, com o Chico Bento;

// A lista de coisas a fazer é infinita. Especialmente se você, como eu, vai fazer-fazer as coisas – fazer-fazer significa que você efetivamente vai comprar o papel de seda, dobrar o papel de seda, recortar o papel de seda, prender o papel de seda, desdobrar o papel de seda e, enfim, ter um pompom DIY. Se você realmente for fazer-fazer as coisas do seu casamento, miga, minha dica é: seja organizada e faça listas das listas das listas do que você tem que fazer, no esquema Decoração > Coisas Penduradas > Coisas Penduradas Que Precisam Ser Montadas Na Hora > Coisas Penduradas Que Precisam Ser Montadas Na Hora Com A Ajuda De Pessoas Com Mais De 1,5m Ou Escada ****** LEMBRAR DE PEGAR ESCADA ISADORA! (em papel e na versão digital, migas, sempre. SEMPRE);

// Lembra quando você era criança e com R$ 30 reais você ia no cinema e no Mc Donalds (com casquinha) e R$ 100 era uma fortuna? Lembra quando você chegou na vida adulta e descobriu que R$ 100 não dá nem pra fazer mercado? Você, noivinha, acaba de adentrar o maravilhoso mundo do milão. Mil. Reais. Tudo custa mil reais e variantes. Comida? Muitos mil reais. Vestido? Outros tantos mil reais. Maquiagi? Mil reais. Docinhos? Mil reais. Sapato? Mil cunhasdoimpítima. Garrafa de água que custava 3 reais antes do casamento e agora que você vai casar mudou de preço? Cê já sabe;

// Você considera gastar [mais] mil reais para uma pessoa que vai apenas juntar todos os seus problemas em uma sacolinha e desaparecer com eles sem que você saiba que eles sequer existiram um dia. Sim, é um sonho. Sim, custa mil reais;

// Dependendo da quantidade de mil reais que você tiver, você pode contratar não uma, mas várias pessoas que fazem o mesmo processo problemas -> sacolinha -> paz de espírito e você só diz “boho-chic-com-um-toque-romântico + salmão-alho-poró-escondidinho-camafeu” e voilá: você casa. Tudo se resume à quantidade de mil reais. ECONOMIZA, MIGA;

// A não ser que você tenha muitos mil quemassumeéoaécio, a lista de casamento é uma das coisas mais difíceis que você terá que fazer na sua vida, e sim, eu tô incluindo aqui ter um filho e não adotar mais gatos. Se você não tem dinheiro, miga, você vai ter que cortar gente. E isso dói. Dói fisicamente. Especialmente quando as pessoas são incríveis e querem saber de tudo e te desejam tudo de bom. Lembra do mapa astral acima citado? Minha vida ultimamente consiste hein ganhar bom dia da moça da padaria e mandar msg pro boy MAS MOR A MOÇA DA PADARIA ELA CONHECE A GENTE DESDE QUE A GENTE SE MUDOU VAMO CHAMAR ELA OLHA QUE FOFA. Tá difícil. Por isso, migos que leem esse post: provavelmente você não será chamado pro meu casamento porque eu não tenho muitos mil dinheiros mas eu continuo amando você e querendo no íntimo da minha alma que você estivesse comigo nesse momento de amor e festerê MAS EU NUM POSSO MIM DESGURPA. Sério. Desculpa galera. Amo vocês;

// A gente não fala só disso. Pelo menos, eu não falo só disso. Mas se você realmente odeia casamentos, não vê qual o ponto de fazer uma festa incrível e reunir todos os seus amigos em torno de uma coisa tão linda quanto o amor e catuaba… Bom, talvez você não queira falar comigo até o segundo semestre. Porque a gente não fala só disso mas, miga, é tanta coisa pra falar. É TANTA COISA LEGAL PRA FALAR!

// … Mas também é tão exaustivo, caro, difícil, cheio de detalhes e burocracias e tretas que as pessoas criam pra você – não miga, você não vai entrar na minha lista de última hora já pedir desgurpas anteriormente – e o ~mercado casamenteiro~ é tão saturado, repetitivo e insistente que cansa. Cansa MUITO. Cansa pra cacete. Eu não entendo vocês que ficam 2 anos nos preparativos do casamento, eu não tenho estrutura pra isso. Aqui são 5 meses** e eu já tô gorda, sem dormir, me descabelando e considerando seriamente me mudar pro interior, tudo isso pra uma festinha não-tradicional-DIY-pintando-garrafa-de-spray-dourado que, eu tenho certeza, vai ser maravilhosa, talvez o dia mais legal da minha vida. Mas cansa, migos.

cansa

No mais, está tudo bem. Repita comigo: está tudo bem. [Aliás, tá aí uma função que ainda não vi se existe: a pessoa pra ficar do teu lado dizendo que está tudo bem. Já sei até quanto vai custar, heh.] Está tudo bem e mais que isso: está sendo muito estressantesocorrovomorre divertido e gostoso pensar e tudo e, claro: eu tenho pessoas incríveis ao meu lado que estão tornando tudo ainda mais incrível. Como cês pediram #blogayra #seguenosnap, eu provavelmente vou fazer uma série de posts por aqui que seguem o tema casamento: o que eu estou fazendo de decoração, os ~fornecedores bacanas que encontrei por aí, as coisas que eu tive vontade de sair correndo, enfim… Esse mundinho lindo e charmoso e machista!

Que mais que cês querem saber?

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* Dicona da tia Isa: quanto menos meses de preparativos, menos parcelas pra você pagar as várias mil dilmas que você terá que pagar, então talvez a proporção encheção de saco/número de parcelas seja uma boa coisa a ser analisada.

EITA

27.

EITA.

Aquela idade em que você deveria já ter feito tudo. Tá, eu sei que os 30 são os novos 20, mas porra. TRINTA. Lembra, quando você dizia pra você do futuro que com trinta anos você ia ser o máximo? Tudo ia estar resolvido, certinho, arranjado? É. Eita.

O mais engraçado? Parece que tá tudo no lugar, sim. Obviamente que tem ainda uma tonelada de coisa pra acontecer/pensar/conquistar/ficarmilharesdenoitesemclaropensando. Infinitas coisas que me fazem pensar diariamente se o caminho escolhido tá rolando e, mais que isso, se o destino é aquele mesmo (parece que sim!). Aquela ansiedade diária de estar fazendo apenas 450 coisas, mas existem tantas outras 1200 para serem feitas. E aí, né? Se você não teve tempo para fazê-las até os 27, agora faltam só 3 anos pra você não poder fazê-las nunca-mais.

Óbvio que esse é um surto passageiro da últimasemanacom26-TPM-gripe. Claro que eu tô ligada que as possibilidades são infinitas e que eu posso fazer tudo aquilo que eu quiser. Falei pra vocês, que tô no sabático (só que trabalhani néam) das artes manuais? Pois bem, tô no sabático das artes manuais. Quem é que me ensina a tricotar, aliás?

Tô feliz gente. Muito legal fazer as coisas. Muito legal saber que você já comeu muito cup noodles mas, hoje, tá comendo até uns creme bruleé de vez em quando no food truck da firma. Muito legal saber que se os amigos não são tantos quanto antes, são os principais. E que sempre tem espaço ser preenchido por mais coisa boa. E mais generosidade. E mais tolerância. E, ao mesmo tempo, mais certeza dos seus princípios. E mais amor pelo seu cabelo – tá aí uma das coisas principais de envelhecer, gente: ficar em paz com o próprio cabelo. E mais certeza na hora de falar “não”. Os sims são mais legais assim.

Tá tudo bem. Esse é o mantra que a gente tá repetindo aqui. TÁ TUDO BEM. Pra tentar olhar, de dentro pra fora, e ver o que quem tá vendo de fora pra dentro vê. Tá tudo bem.

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Cês já devem ter lido esse texto aqui no blog umas 26 vezes pelo menos né? ¯\_(ツ)_/¯

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Um sonho: que alguém organize uma festa surpresa pra mim. Não pros 27, pros 27 eu já organizei (quem quiser ir me dar um beijo [SP] me fala aqui, que eu dou as coordenadas), mas pros próximos, algo que diga assim “relaxa você já é adulta o suficiente e organiza sua vida o suficiente e tá tudo bem então nós estamos aqui pra comemorar com você e pra você e você não precisa fazer nada só ficar aí sendo linda e dançando Florence e sendo servida de champanhe e red velvet”. Um sonho.

coisas que eu não sou boa at: fazer o pé

Cês já notaram como essa expressão é engraçada? “Vou fazer as mãos!”, “Preciso marcar pra fazer os pés”. Se a gente levasse ao pé (heh!) da letra, eu também seria terrível em executar essas tarefas, visto que todos os meus desenhos de infância se resumiam em personagens escondendo as mãos atrás do corpo e com elaborados sapatinhos que não mostravam os dedos. Mas, no caso, estou falando aqui daquela arte maravilhosa em que as moças tiram vossas cutículas, lixam vossas unhas e as pintam com cores adequadas para passar valores de jovens de caráter e família que são, ou: como eu queria pintar as unhas de vermelho para o casamento da minha melhor amiga.

Pra quem aqui não tem o hábito de pintar as unhas, eu explico algumas regras básicas:

  • Cutícula é aquela pele mais molinha que fica entre seu dedo (pele de verdade) e sua unha (dura). Alguém um dia inventou que aquela pseudopele é feia e, desde então, usamos alicates afiadíssimos pra retirá-la antes de pintar a unha. O que acontece em 99% das vezes? Obviamente, arrancamos um pedaço da pele de verdade junto da cutícula – movimento conhecido como “tirar bife” e saímos com o dedo sangrando e ardendo após a aplicação de acetona para finalizar a aplicação do esmalte.
  • Quanto mais escuro o esmalte, ou ainda, quanto mais pigmentada a cor, mais infernal é aplicá-la.
  • Se você faz suas unhas em casa, um lado do seu corpo invariavelmente será mais bonito que o outro, a não ser que você seja ambidestro (nunca escrevi essa palavra antes na minha vida). Se esforce para que as fotos sejam tiradas do lado oposto ao lado que você é hábil.

Posto isso: unhas vermelhas, da mão e dos pés, casamento da melhor amiga, você vai ser madrinha. Você começa pelas unhas das mãos enquanto vê mais um episódio de Pedro Pascal sendo o homem mais maravilhoso do mundo inteiro Narcos com relativa destreza, um bife ou outro pra conta, abstraindo o conceito de “pelinha do canto” da sua mente. Ok. E daí você olha para os seus pés, seus pés seus queridos pés que te aguentam o dia inteiro caminhando pelo Centro de São Paulo dentro de sapatilhas fechadas e outras atrocidades do mundo moderno.

Vamos lá. Passa creme. Deixa o creme agir por mais um episódio de Pedro Pascal porque a coisa tá feia e pensa que, caso dinheiro você tivesse, você estaria agora recebendo uma massagem relaxante da moça da pedicure, com esfoliante de macadâmias e essas coisas bonitas que supostamente te fazem relaxar. Mas na real, você está com uma perna apoiada no chão, a outra em cima de um banquinho, enquanto você está sentada no sofá de casa com Vazenol vencido melecando os dedos.

E claro: a sua elasticidade não permite que você alcance seus dedos com a habilidade que você deveria – afinal, você vai ter que arrancar meia São Paulo dali, o que exige força, torque, ângulos corretos e um alicate afiado. Você precisa de uma outra pessoa. Você certamente precisa de um adulto. Você precisa se lembrar de que vale a pena economizar R$ 50 no próximo mês pra te salvar da dor no ciático que isso vai te proporcionar amanhã. E depois de um cavocar exaustivo, em que os tendões da sua virilha e daquela parte atrás do joelho urram de dor, já que sua perna está basicamente atrás do seu pescoço, chega a hora de passar o esmalte. Vermelho.

Quando eu escrevia na editoria de Beleza da Capricho, me lembro da matéria de dicas para as garotas economizarem, que incluía: aprenda a fazer suas unhas em casa. Pois bem. Acho que finalmente encontrei a prova maior que diferencia meninas de mulheres, a vida adulta da adolescência deboísta, a definição última de uma vida plena e a razão pela qual as pessoas esquecem seus princípios, seu caráter, tudo o que lhe foi passado por seus pais em troca de dinheiro… Fazer as unhas no salão.

Garotas de 15 anos de hoje que por acaso caíram nesse blog (saiam, por favor): a vida de vocês será melhor quando tiverem dinheiro para fazer as unhas dos pés no salão. Acreditem em mim. Uns dois anos depois do fim da faculdade, ainda que vocês tiverem que ficar sem comer por 1 ou 2 dias para tanto: vale a pena. Vale cada centavo e cada minuto do seu dia. Economizem. Pensem no futuro. Rezem por isso. O dia de vocês vai chegar.

eita, março

É engraçado como essa coisa de idade mexe mesmo com a gente. Eu tenho plena consciência de que não estou… Velha. Mas a sensação de passar dos 25, puts, rola um medinho. Especialmente porque a gente tem essa mania linda de se comparar com… Todo mundo. Se não é com o boyzinho bem sucedido que criou um aplicativo e tá milionário – com 25 anos -, é com a Rihanna – ela ainda tem 22 anos, gente? Ela sempre tem 22 anos -, ou com os nossos pais, que com a mesma idade já tinham casa, pelo menos um filho, e plena noção do que ia acontecer com a vida deles até… Bom, até os 50 anos.

26, tô achando, é uma idade da reflexão, de pensar o que você fez até aqui e o que vai fazer antes dos trinta.Esse balanço é bom, no final das contas. Por mais que assuste e, talvez, deprima um pouco, o importante é tirar energia disso pra dar aquela mexida na vida. Porque essa é uma das coisas mais valiosas que eu aprendi até agora: ninguém, nunca, vai dar um jeito na sua vida por você. Então ainda que a lista seja longa – aqui, no caso, é – é uma dessas listas pra fixar no teto, em cima da cama, e lembrar todo dia dos objetivos. O que eu quero fazer? O que eu nunca fiz? É hora de mudar?

Acho que sim.

Pra ajudar, os 26 vieram em 2015, que sei lá se é porque é o ano do carneiro, meu novo animal favorito, ou é porque Saturno tá de olho na vida pra começar a dar as caras, ou é a crise, a Dilma, o panelaço, ou sei lá que catzo de alinhamento dos planetas, mas é um ano que tá passando de rolo compressor na vida. Tudo o que é excesso, o que está fora do lugar, o que tá marromeno, meio capenga, sai fora. Definitivamente. E de uma maneira bem bruta.

O que no começo me assustou, mas agora já está sendo extremamente reconfortante: o exercício é entregar pros orixás e não se preocupar tanto, porque uma hora as coisas se encaixam. Pra quem, como eu, precisa ter total controle dos mínimos detalhes da vida, é difícil? Quase impossível. Mas é um exercício válido, necessário e que vem sendo bem útil. Então vamos de mãos dadas com 2015, esse maravilhoso, numa vibe bem Khaleesi dominando os sete reinos. Com dragões. E cabelos platinados.

Março decretou definitivamente que é isso: as coisas vão mudar e você vai ter que se mexer. E no meio de muita insegurança, bastante medo e aquele breve pavor de “meu deus, e agora?”, o mês foi recheado de coisas e gente linda, meio que pra lembrar que, mesmo que tudo passe, tem sempre gente em volta pra ajudar a recolher os guardanapos que saem voando. Março veio grande, longo, com mudanças definitivas: de casa, de emprego, de vida, de postura. Veio com almoços em casa – a maior recompensa! – com comemorações inesperadas, pessoas novas, e gente amada de sempre.

E uma vontade de acompanhar esses tempos novos com mais paixão e força do que nunca. Não adianta nadar contra a maré, né? A gente se agarra na portinha do Titanic, coloca todo mundo que ama em cima – porra, Kate, cabia mais uns 4 nego ali em cima com você – e vai batendo o pezinho até a ilha mais próxima. Lá deve dar pra estender uma toalha de piquenique ou duas.