véia dos gatos

o post sobre gatos e plantas

O post mais esperado dessa blogosfera de meudeus.

Chegou a hora, meu povo! Vocês perguntaram e eu vou passar aqui todo o meu vastíssimo conhecimento sobre a convivência pacífica entre gatos e plantas.

Primeira coisa: eu demorei demais pra falar “a sério” sobre isso porque: eu não sou veterinária. Eu não sou botânica, jardinista, produtora de sementes, cuidadora de mudinhas, eu não sou a minha avó e meu conhecimento é 153% empírico e na base do erro e do acerto. Logo, eu não sou uma profissional qualificada para dar respostas definitivas a ninguém. É sempre bom lembrar que faz parte da adoção responsável dos nossos bichinhos a gente se informar com PROFISSIONAIS sobre o que faz bem, o que faz mal, o que pode e o que não pode. E não com a galera que a gente acha na internet. Tá certo? Então, perguntem pro veterinário da confiança de vocês antes de comprar qualquer plantinha, antes de seguir qualquer “receitinha” que o povo indica, antes de fazer qualquer tipo de “treinamento comportamental” que a gente lê por aí. Combinado?

Posto isso, vou tentar dar algumas dicas gerais que funcionam no meu caso, com os meus gatos, na minha casa. Isso não quer dizer que são universais. Isso não quer dizer que você tenha que ignorar meu conselho acima e não perguntar para o seu veterinário de confiança. Ok? Então ok.

sou muito educada galhera

1) Os gatos aqui de casa não comem as plantas: não posso dizer se é por costume, por sempre terem convivido com elas, porque eu sou um ser abençoado pela deusa felinista, porque alguma vantagem a gente tem que ter nessa vida, mas eles não as mastigam. Obviamente isso não significa que eles nunca fizeram isso e nem que nunca farão, portanto, “eles não comem” não é uma desculpa para não tomar cuidado, para não deixá-las ao alcance deles, para não deixar de ter espécies tóxicas em casa. Eles são animais, e animais surpreendem a gente se escondendo por horas em cima do varal, porque eles não comeriam as plantas de surpresa? Novamente, não se esqueça: eles são bichos, então nada pode ser regra definitiva.

muito obrigada pelo cantinho das prantinha mamai

2) Suportes suspensos e outras “barreiras”: não preciso nem dizer o quão hipster e instagrammer é ter um monte de plantinha pendurada em belos hangers de macramê, certo? Então pendure suas plantas. Pendure-as em locais altos e que não tenham móveis “de apoio” pros gatos subirem. Use outros tipos de suportes, como os de samambaia, prateleiras altas, e tantas outras coisas que o Pinterest permite que exista. O famoso carrinho azul lá de casa também funciona: como não há muito espaço entre as plantinhas, eles não ficam saracoteando dentro dele. Mas hoje existe uma infinidade de possibilidades para todo mundo deixar a casa bonita e as plantas fora do alcance dos bichinhos – e também das crianças, pra quem tem -, então não há desculpa para essa parte, tá bem?

mim acher kkkkk

3) Procure se informar sobre as plantas: é muito difícil encontrar informações definitivas sobre quais plantas efetivamente são tóxicas, fazem mal, ou podem vir a fazer. Algumas são meio certas, como heras, a famosa Costela-de-Adão, lírios, comigo-ninguém-pode – essas, não entram em casa, ou foram doadas a partir do momento que eu soube que eram tóxicas. As que não têm informações definitivas sobre eu tento me informar o máximo que posso e observar a relação dos bichinhos com ela: tem cheiro? Eles vão atrás dela? Tentam derrubá-la? Mordem? Na dúvida, vão pra cima da prateleira do sofá ou ficam suspensa em hangers por aí. As espécies “de horta”, os temperinhos, frutinhas etc certamente chamarão a atenção do seu bichinho, certo? Elas são cheirosas até pra gente! Logo: vai pra cima da prateleira, fica suspensa, pendurada na parede.

protetores das prantinha inclusive

4) A plantinha que eles podem comer: tem gente que chama de “clorofila” (?), tem gente que chama de “triguinho”, é um matinho que parece grama e vende em um vaso pequeno em praticamente todas as lojas de plantas e também nos petshops. Essa planta estimula a ingestão de fibras e faz com que os gatos não acumulem bolas de pêlo. Ou seja: 100% show! Eu sempre deixo um vasinho pela casa para que eles comam: e eles comem mesmo essa, somente essa, o que parece ser bem instintivo – nessa linha, eles já comeram a folha de um bambu e as de uma palmeirinha que eu tive, o que me leva a pensar que essas folhas que são mais “mato”, mais parecidas com grama, sejam mais atrativas pra eles. Mas, de novo, isso é apenas uma especulação.

não como prantinhas e aprecio sua beleza

5) Observe seu bichinho: novamente uma benção do universo gatístico, mas a gente tem a sorte de, o boy, trabalhar em casa, e eu, trabalhar muito perto. Ou seja: estamos sempre perto deles, sempre observando como eles se comportam entre si e com a casa. Desse jeito, a gente pode observar se eles estão mordendo, cheirando, causando, ou se apenas ligam zero para a planta. Isso é uma sorte tremenda e sei que a maioria das pessoas não consegue fazer isso – mais um motivo pra apostar em deixar os bichos sem acesso às plantas. Quando viajamos, as plantas com as quais eles podem causar vão para um quarto fechadinho para evitar qualquer maluquice de retaliação!

também gosto muito de flores que bonita a natureza

6) Eles são animais, lembra? Eles brincam, derrubam e causam, sim – e isso faz parte de ter um bichinho em casa. É da natureza deles – e ainda bem que eles fazem tudo isso, significa que estão felizes e em segurança! Então, sim: eventualmente há vasos quebrados, plantinhas caídas e sujeira de quem rolou e saiu espalhando terra pela casa inteira. Se você não está disposto a lidar com esse tipo de inconveniente, totalmente natural para quem tem bichos, talvez não seja a hora de adotar um gatinho ou cachorro.

* Dica extra que não envolve comer, mas envolve xixi e uma das histórias engraçadas da minha vida: um dia eu cheguei em casa, linda e loira, e encontrei um Pé de Sr. Raposo, uma planta muito rara e difícil de encontrar, de folhas laranjas rajadas e aproximadamente 7 quilos de pura gostosura. Na verdade, o infeliz desse desgraçadinho estava fazendo o que? Isso mesmo, caros amigos: xixi no meu lindo vaso de zamioculcas. Por que, caros amigo? Porque havia espaço. Eles gostam muito de terra e, bom, terra se parece com areia, então cês imaginem a combinação. Pra resolver essa treta a gente encheu o vaso daquelas pedrinhas ornamentais maiores, que não dão espaço pro meliante fazer suas necessidades.

gostamos inclusive de estampas de prantinhas

Pode ser que eu tenha muita sorte agora, mas pode ser também que daqui a um mês, dois, três anos, os comportamentos deles mudem e tudo isso de “poder ter plantas em casa” venha por água abaixo. E tudo bem! Porque ter bichinhos é isso, a gente tem que adaptar muita coisa ao jeito deles, ao que eles precisam e ao que eles fazem. É um exercício de desapego, sim, mas muito mais um exercício de amor <3

Mais uma vez: pergunte ao seu veterinário de confiança. Pergunte ao seu veterinário de confiança. Observe seu gato, cachorro, papagaio (não tenham papagaios gente), gato, cachorro, coelho imaginário (pelo amor de deus vocês já sabem né?). Pergunte ao seu veterinário. Não é porque deu certo comigo, com os meus gatos, e que as fotos do instagram sejam bonitas que isso é válido para todos os casos e, em primeiro lugar, sempre, a gente tem que pensar neles, certo? E ah: não compre, adote!

TAG: louca dos gatos

Essa coisa linda que é a Nicas me indicou pra fazer a tag Louca dos Gatos que veio em ótima hora, pois até eu tava ficando exausta dos meus posts reflexivos socorr-a-vida-adulta-é-desesperadora. Não que eles vão acabar, afinal de contas, a vida adulta é desesperadora, mas é bom dar um respiro, ainda mais com essas coisas maravilhosas que são esses serumaninhos:

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Benjamin e O Fantástico Sr. Raposo, muito prazer.

Quando o Raposíneo chegou e a adaptação dos dois foi pra lá de difícil, eu escrevi um textão contando um pouco da história, até pra ajudar as miga que também tiveram problemas e deixar claro: tudo dá certo. Hoje, os dois não se separam nem por um minuto, dormem juntinhos dividindo a caminha e me acordam às 4 a.m. caçando um ao outro embaixo das cobertas na região da minha bunda. Apenas amor.

Mas vamos às perguntas da tag:

// Quantos gatos você já teve? não é uma pergunta complexa, mas a resposta pode ser. Minha tia sempre teve gatos, que me ignoravam devidamente como gatos desconhecidos devem fazer, e eu sempre levei da maneira que levo hoje: crying for attention. Na casa do boy, depois de véia, tivemos experiências bem traumáticas com “nossos gatinhos” que eu ainda não tô pronta pra contar (mas escrevi um textico por aqui), mas que me fizeram ser a pessoa que quer assassinar seres humanos que deixam seus gatos soltos na rua – não interessa o quanto eles “sejam felizes de andar por aí”. Enfim, assunto pra outro dia. Quando eu finalmente pude ter meu apartamento telado e seguro pros bichinhos, adotei primeiro o Benja e, depois de alguns meses, o Raposo, que são os donos da minha vida até hoje.

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// Sempre teve gatos? não, e inclusive, me dizia uma pessoa muito mais do time dos cachorros. Mal sabia eu que, nossa, não. Sou tão do time dos gatos que provavelmente eu seja um felino e só não tenha notado ainda.

// Quantos gatos tem agora? dois, Benjamin e Sr. Raposo.

// Gostaria de ter mais? to-do-dia penso nisso, cada vez que recebo um post de um site de adoção, cada minuto que os dois estão calminhos dormindo, cada segundo que piso na rua e vejo um espacinho vazio que certamente já serviu de abrigo prum felino de rua.

// O que determina o número de gatos? Dinheiro, espaço, tempo, pessoas com quem divide a casa? Principalmente o espaço (apesar da nossa casa ser relativamente grande, ia ficar meio cheio), e também a perspectiva de, quem sabe um dia, dar umas voltas pelo mundo. Dois gatinhos a gente conseguiria levar “um em cada mão” mas, mais que isso, poderia deixar os planos mais complicados – e envolveria, claro, mais dinheiro, o que sempre complica.

// Já resgatou gatos da rua? Quantos? Não ainda. Faz parte dos planos futuros participar mais ativamente dessa parte de resgate, não sei direito como ainda, mas vai rolar.

// Já passou apuros por ser a louca dos gatos? Tirando todos os momentos que eu tento raptar gatos alheios e a quantidade de dinheiro que eu gasto com objetos de decoração, brinquedos e outras parafernálias ridículas com a temática, não, nunca. Absolutamente nunca. “Mas nem pra viajar, Isa?”. Gente, nem pra viajar. Pra viajar existem amigos, cat sitters incríveis, família: dá-se um jeito. O coração fica apertado, destruidinho de ficar longe, mas eles estão lá: bem alimentados e felizes. É só amor, gente.

// Ajude as migas gateiras: marca de ração seca, marca de ração molhada, marca de areia, brinquedo preferido. Aqui a gente dá Royal Canin Premium pros dois, misturada com a Royal Renal pro Benjamin – cujo uso ainda será discutido com um veterinário mais confiável. Ração molhada acaba sendo Whiskas mesmo (não julguem migos) de vez em quando, pra não entupir muito os bichinhos. Não usamos areia: a sílica grossa resolveu melhor a questã, reduziu muito o cheiro e diminuiu a bagunça que ficava pela casa – eles se adaptaram super bem. E sobre brinquedos: os ratinhos de 2 golpinhos são os preferidos, mas vocês também podem incluir nossos pés, as plantas, carregador de celular e canetas caras da mamaim.

// Miga, você se imagina virando ~a velha dos gatos~? É só o que eu espero, não consigo imaginar um cenário melhor <3

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Recadinho do Benjamin pra vocês:

c1crrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr

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Fiquem à vontade pra responder, quero ver foto de gatíneo!