vegetarianisa

não compre, adote

Essa é uma tentativa de não fazer textão no Facebook.

Eu sempre tento manter o blog um espaço mais íntimo e menos polêmico, simplesmente porque já fico extremamente exausta com todas as discussões que passamos – ativamente ou não – nas redes sociais. Mas isso não é justo. Isso não é justo comigo, já que alguns temas desses que exaltam os ânimos me são muito caros e importantes, e nem com “meus leitores”, se é que existe isso, já que eu acredito que a gente pode (e deve) tentar mudar o mundo assim, pasito pasito, suave suavesito.

Posto isso, eu vim aqui falar sobre o comércio de animais domésticos. Na semana passada, a Luisa Mell – que, para quem não conhece, é hoje uma super ativista dos direitos animais e presidente de um instituto que leva seu nome – resgatou 135 cachorrinhos de um canil depois de receber denúncias de maus tratos. Ela fez uma cobertura em tempo real no seu instagram, mas é possível ver alguns vídeos e a repercussão na página dela – são cenas bem fortes. E por ela ser uma figura pública já bem famosa, pelos vídeos serem bem fortes e compartilhados à exaustão por blogueiros e outros influencers, a coisa repercutiu bastante.

Um resumo pra quem não vai ver as imagens, que acredito que seja a maioria de vocês aqui: são 135 animais em uma casa. A começar pelo espaço que eles deveriam ter, e não têm, a coisa já está errada. A grande maioria desses cachorros estava coberta por fezes, muitos deles jamais haviam tomado um banho na vida, o pelo dava nós enormes, crostas de sujeira, doenças de pele horríveis. Alguns deles estavam com doenças mais sérias, vários deles já haviam morrido, e foram descartados em sacos de lixo na lixeira no fundo da casa. Tudo sujo, contaminado, tudo horrível de se ver, filhotes empilhados em gaiolas minúsculas, adultos disputando espaço, com medo, assustadíssimos. As denúncias, que eram de agressão, porrada mesmo, pareciam muito possíveis, já que haviam vários paus e cabos de vassoura espalhados pela casa, e vários dos animais mostravam machucados, deslocamentos, hematomas. Pois é.

Tudo muito horrível, né? Que pessoas cruéis, né? Então, esse não é um canil “de fundo de quintal”. Esse é um canil certificado, com todas as fiscalizações possíveis, que vendia filhotes de raças como pugs, yorkies e lhasas pra gente com bastante dinheiro e conhecimento. O que leva a gente a pensar (ou ao menos, deveria): o problema não é este canil, pontualmente: são todos. O problema é o comércio de animais.

O problema é precificar, cruzar, criar e vender animais por simples capricho nosso. Quando alguém compra um cachorro é porque está querendo “aquela raça”, seja ela da moda (vejam, estamos sujeitando vidas a algo volátil e passageiro, ou seja, uma TENDÊNCIA, certo?), seja por ela ser “pequena”, seja porque ela é conhecida como “boa companhia para crianças”. Estamos submetendo a reprodução de seres vivos a nossa vontade, estamos geneticamente tratando os animais para que eles atendam às nossas “necessidades”, aos nossos desejos.

Existem canis que tratam os animais com cuidado e até com carinho? Com toda certeza. Esse, novamente, não é o problema. Claramente a dona desse canil é uma pessoa sem nenhum tipo de compaixão ou discernimento sobre a vida? Sim. Mas esse não é um problema pontual de uma pessoa sem coração. É a mesma coisa de falar “que homem doente” para casos de estupro. Não é um homem: é toda uma sociedade patriarcal e doente, que facilita, motiva e induz a esse tipo de comportamento. E a gente, comprando bicho, incentiva isso. A partir do momento em que a primeira pessoa compra um golden retriever maravilhoso, simpático, desses de propaganda de televisão, que corre com crianças e dorme no sofá, estamos motivando que esse comércio continue existindo.

Independentemente de como é o canil do qual você comprou ou pretende comprar seu filhotinho lindo igual ao da blogueira famosa, vamos lembrar que estamos falando aqui de comercialização e, como todo tipo de comercialização nos dias de hoje, apliquemos a lógica geral do capitalismo: produção em larga escala, de acordo com a demanda. Só que a gente não está falando de um smartphone, de uma caneta, de uma brusinha. A gente está falando de reprodução em larga escala. O que quer dizer que as melhores fêmeas são selecionadas, os melhores machos são selecionados – de acordo com essas características tão imprescindíveis que vocês precisam que seus cachorrinhos tenham – e eles são forçados a se reproduzir. Forçados a copular. A ter o maior número de gestações possíveis. O maior número de filhotes, saudáveis e perfeitos, é claro, possíveis.

Dá pra perceber o erro? Então além de a gente estar forçando essa reprodução descontrolada, estamos também selecionando geneticamente esses filhotes. Ou seja: além de muitas das matrizes – as fêmeas reprodutoras – morrerem precocemente por conta de desgaste (sim sim, de usar seu corpo até não dar mais), outras adoecem, rejeitam suas crias, têm milhares de problemas por conta de stress. Ah sim, e os filhotes rejeitados, ou aqueles que não são perfeitamente machadinhos, peludinhos, bonzinhos, bonitinhos? Descartados. Descarte de produto é feito no lixo, certo? Certo. É isso mesmo. Ah, tem também a pancada de problemas que esses filhotinhos aparentemente lindos vão passar a apresentar ali, depois de uns 2, 3 meses: ou seja, na casa do seu comprador. E se você compra um produto com defeito, um defeito assim, irreversível… Você leva pra devolver à fábrica, certo? Ok.

Presenciar um filhote em uma vitrine ou numa gaiola de uma pet shop, oferecido como um produto é algo deplorável. É um atestado de nossa falência moral. Reflete do que somos capazes de fazer em nome do lucro.

Entendem que o problema vai muito além de uma crueldade pontual? Que, ao tratar como uma questão de caráter de uma pessoa doente, a gente desqualifica o tamanho do problema? Que, ao naturalizar o comércio de vidas – porque sim, a gente está forçando a reprodução e comercializando vidas, sim – a gente fecha os olhos para tudo o que está por trás disso apenas por caprichos nossos? Em linguagem mais simples: só porque a gente pode? Só porque a gente é a espécie que “ganhou”?

Eu comprei meu Lulu da Pomerânia em um canil maravilhoso, super certificado, conheci os pais dele e são todos muito bem tratados! Que bom que você tem esse privilégio: a maior parte das pessoas não têm. E porque você tem esse cachorrinho lindo e peludo e quietinho, várias outras pessoas vão querer tê-lo também. E elas vão comprar os filhotes sabe onde? Na OLX, no canil que vende por R$ 500, e não R$ 5000, no criador clandestino. Se esse canil do vídeo, certificado, fiscalizado, era assim… E os outros?

Eu preciso de um cachorro pequeno e que não lata, pois moro em apartamento! Se você condiciona a existência do animal ao que você precisa, a coisa já começou errado. Mas, ainda assim: um bom veterinário sabe dizer se aquele filhote de vira-latas vai ficar de porte pequeno também, é possível. Latidos e outros “problemas de comportamento” (cachorros sempre vão latir, vamos pensar por aí?) são muito mais condicionados à criação e ao tratamento (e podem ser corrigidos com socialização e adestramento), do que à raça, sabia? Não te convenci? Que tal então adotar um cachorro adulto, que já tem sua personalidade e seu tamanho completamente determinados? Zero chance de se decepcionar com essa opção. Filhote fica mais bonito na foto? Hm.

Mas é o sonho da minha vida ter um buldogue francês, olha como ele é bonitinho! A gente tem que parar de pensar nos animais como produtos. É urgente. É imprescindível.

Nós fechamos os olhos pra muita coisa. Nós fechamos os olhos para a indústria de alimentos, maior responsável pelo colapso ambiental que estamos tão próximos de sofrer. Nós fechamos os olhos pra indústria da higiene, de beleza, de medicamentos, e tantas outras que utilizam dessa pretensa superioridade da espécie. Nós fechamos os olhos para o fato de que estamos modificando geneticamente diversos animais e criando monstruosidades exclusivamente pra que eles atendam melhor à função de produtos que são, para nossa conveniência.

Em última instância: o problema é a gente submeter os animais aos nossos caprichos. E sim, é hipócrita falar de tudo isso e continuar consumindo produtos de origem animal, como é o meu caso, ou “ah, eu não posso falar de adoção se como carne normalmente?”. É hipócrita, sim. O que não significa que seja errado, ou que você não possa falar, ou que você não possa se conscientizar, ou que você não deva SABER de tudo isso. Da mesma maneira que, você que come carne, deveria saber como são criados os bois e porcos que aparecem na bandejinha do mercado. Que eu, que como ovo, sei claramente como são criados as galinhas e pintinhos que produzem meu café da manhã.

A gente precisa de um pouco de humildade também. Humildade pra falar “poxa vida, eu já comprei cachorro sim”. “Sim, eu já quis muito ter um pug”. “Sim, eu já dei um filhote de poodle pra minha filha”. E tudo bem. A gente vêm aprendendo muito nos últimos anos, as coisas estão mais abertas, as informações chegam mais rápido. Nunca ninguém dirá que você ama menos seu buldogue – ele é lindo, eu rolarei no chão com ele! – por isso. A questão é, a partir do momento que você entra em contato com essa realidade, o que fazer com ela? É botar a mão na consciência e falar, com menos afronta e menos preocupação em lacrar, “é mesmo, a partir de agora, não faço mais”.

Existem inúmeras ONGs que fazem trabalhos muito sérios no acolhimento, na castração, na doação de animais incríveis, que às vezes ficam anos a espera de um lar – que, muitas vezes, morrem sem terem conhecido uma família. Que precisam de dinheiro pra comprar ração, para castrar, para cobrir tratamentos de outros tantos bichos que estão doentes ou foram machucados. Que tal conhecer o trabalho do Projeto Segunda Chance, do Projeto SalvaCão, dos Amigos de São Francisco, do Animais da Aldeia? Da Adote um Gatinho, da Gatópoles, da Catland? Que tal ajudar a Celebridade Vira-Lata, que já castrou quase 10 mil animais? Que tal conhecer o Santuário Ecológico Rancho dos Gnomos? Que tal conversar com quem você conhece e pretende comprar um filhote de raça? Vamos?

Ter um bichinho muda a nossa vida – e faz com que a gente abra o olho pra muitas dessas coisas. Então: não compre, adote. Adote e castre o seu animal. Um cachorrinho, pequeno ou grande. Um animal adulto, que vai te dar tanto amor quanto um filhote. Um gato preto. Um animal que precisa de cuidados especiais. Ou um filhote recém-nascido de qualquer uma dessas opções, saudável, lindo, amoroso, pequeno, peludo, que até parece um golden, que vai fazer um eventual xixi fora do lugar e comer aquela sua meia favorita, que vai morder teu móvel caro e render fotos incríveis pro seu perfil de bicho no instagram. Mas adote. Adote. Não incentive esse mercado.

Demorei um tempão pra escrever esse texto e, quando vi, ele ficou pronto hoje, 04 de outubro, no Dia Mundial dos Animais <3 Cabalístico, não? Então aproveitem e, quem for de São Paulo, dê uma passada na festa da Associação Natureza em Forma e na outra festa, da Celebridade Vira-Lata, que terão a renda revertida para a causa. Vamos?

30 antes dos 30 – Não comer carne por 1 mês

ou Sobre me tornar vegetariana

Faz um tempo que eu decidi me tornar vegetariana. Ovo-lacto-vegetariana, pra ser mais específica, o que significa que eu como ovos e consumo derivados de leite também. Eu não gosto de contar os dias/meses exatamente, comemorar uma data específica, porque minha única e principal “regra” sobre essa decisão foi: eu vou levar numa boa. Eu tenho que levar numa boa, comigo, eu não posso ficar me cobrando ou me sentindo mal com essa decisão, exclusivamente porque minha relação com a comida sempre foi essa: de culpa. Seja na infância dos olhos julgadores para a criança gordinha, seja na adolescência das nóias com as amigas, ou ainda hoje, comida pra mim sempre foi um tópico complicado, cheio disso: de culpa, de julgamentos. Uma relação desfigurada, em que comida virou 1) recompensa por momentos ruins/bons; 2) fonte de preocupação constante.

Gente, é comida. Não pode ser assim. A alimentação é o que deixa a gente em pé, com energia pra mudar esse mundão de meu deus, com vigor pra nos levar pros lugares, com vontade de acordar, de fazer a vida acontecer. Não pode ser um motivo de culpa.

Foram essas coisinhas que fui percebendo com o tempo que me fizeram tomar a decisão de parar de comer carne. Essas, é claro, e a grande sensação de incoerência que eu sentia – veja bem, que eu sentia, porque não dá pra usar isso de argumento pra veganizar ninguém – de me importar, sofrer, sentir, querer, cuidar tanto de alguns animais, e comer outros. Como diz a Ana, minha amiga e um dos grandes motivos dessa mudança na minha vida, “tem que bater”. Não adianta forçar, não adianta tentar doutrinar com vídeos horríveis, não adianta: tem que bater em você, de dentro pra fora, tem que fazer sentido e, eu arrisco dizer, que teu corpo tem que pedir. Tem que vir de dentro pra fora mesmo, sem papo hippie tilelê de humanas – embora seja todo ele.

Eu nunca me senti tão bem com uma decisão.

A primeira mudança é que você acaba se tornando muito mais consciente do que está consumindo. Eu não fico louca preocupada com a quantidade de calorias ou carboidratos, mas sei que as porções do meu prato têm que balancear as proteínas de origem vegetal (sim, elas existem!!), os carboidratos vilões horrorosos meu deus que tenebroso (não), e mais um monte de coisas que vão entrar em meu corpinho de 1 metro e meio e fazer sentido. Veja: você pode se preocupar com isso tudo comendo carne? Pode. Eu me preocupava? Não. Pode ser só um método meio torto de conseguir essa consciência? Pode. Mas, pra mim, funcionou. Muito. Eu continuo sentindo alguma culpa se exagero no doce ou se como alguma massa cheia de queijos e castanhas à noite? Claro que sim. Mas eu sempre – sempre! – me lembro do bem que tenho trazido ao meu corpinho nos outros momentos. É um abracinho, de Isadora para Isadora, assim.

A parte hippie titelê de humanas que você pode não gostar de ouvir é relacionada às energias que eu consumo – e sim, você pode achar isso uma baboseira tremenda, mas é nisso que eu acredito. Então, rapidamente e resumidamente: eu não quero mais consumir nada morto. Eu não preciso disso. Eu não preciso do sofrimento de outro ser vivo pra que eu possa viver. Eu não quero compactuar com essa indústria horrorosa e deprimente (e capitalista até o talo). Eu não quero isso pra mim. Pra mim.

O que resume bem esse meu sentimento é essa conversa da nutricionista que tem me ajudado nessa transição, a Natália Utikava – que tem uma página muito legal no Facebook e uma newsletter incrível de verdade, com dicas práticas e simples para o dia a dia (assinem!):

Considero que a pessoa que optou pelo vegetarianismo como estilo de vida, pratica o mindful eating antes mesmo de colocar o alimento no prato. E não é exagero. São valores. Valores são diferentes pra cada pessoa. Não são melhores ou piores, apenas são. Devem ser respeitados.

A querida amiga Fê Canna escreveu brilhantemente sobre isso aqui“toda vez que eu levanto o garfo, estou sinalizando que eu concordo com o que está no meu prato. Tenho vontade de cuidar para que todo o processo esteja de acordo com os meus valores, e é um exercício diário para sair do automático e questionar. De onde vem? Sobrou? Do que é feito? Mas não é simples, envolve tentativas frustradas, tem ocasiões que eu não tenho vontade de levantar o garfo.”

Eu ainda quero muito parar de comer ovos, leite e derivados. Ao menos em casa. É sobre fazer sentido, sabe? Fazer sentido pra mim. Hoje, não se encaixa na minha rotina – talvez por pura preguiça e falta de hábito, mesmo – um cardápio elaborado, que envolva muita produção, horas cozinhando etc. Eu acho lindo quem faz isso e gostaria muito de chegar nesse ponto, sim. Mas lembra o que eu falei ali em cima, sobre não sentir mais culpa relacionada à comida? Então é com calma, no meu tempo, no que, aos poucos, vai fazendo sentido pra mim, pra minha rotina, pro que eu consigo fazer. Até porque é importante lembrar o quão privilegiada é essa minha decisão e minha postura, desde a primeira linha desse texto, não é mesmo?

São decisões, são escolhas, mesmo. E pra tomá-las, a gente tem que ter alguma motivação, senão nada se sustenta. Uma das coisas mais legais que aconteceu recentemente foi quando, em um retorno, a nutricionista me pediu que eu levasse a embalagem de um produto que eu gostava muito, pra analisarmos juntas os componentes. E eu não tinha nada em casa para levar! Nenhum saquinho, nada embalado, nada industrializado – exceto uma bolachinha toda orgânica de chia e os paranauê todo, que ela mesma tinha indicado. E isso não foi feito com nenhum esforço ou nóia não: foi completamente natural.

Eu sinto as mudanças visíveis no meu corpo, na minha pele, no meu cabelo, no meu sono, na minha disposição, sim. Mas eu sinto também as mudanças mais internas, de uma decisão coerente com o momento da vida em que eu estou hoje, com a pessoa que eu me tornei e, principalmente, com a pessoa que eu ainda quero ser.

alimentacao

Se eu puder deixar um conselhozinho aqui, no final de todo esse blá blá blá, ele seria: pense sobre a comida que você come. Se pra você não faz sentido – se não te incomoda, se você acha que não vai ter tempo de cozinhar, ou se simplesmente você não quer, tudo bem – para de comer carne, não pare; mas que tal procurar saber a origem da carne que você está comendo? Hoje dá pra achar frango Korin em quase todos os mercados, e a diferença de preço é bem pequena. E os ovos, você sabe como são produzidos? Dá uma olhada nesse documentário do Gastrolândia e começa a procurar por ovos orgânicos e caipiras – tem até no Extrinha, te juro! E sabia que se você reduzir seu consumo de carne apenas uma vez por semana, como aderindo ao Segunda sem carne, já muda drasticamente o dano ao meio ambiente a longo prazo? É verdade!

Vou terminar esse post por aqui, antes que vocês desistam de mim, com duas indicações em frentes opostas: uma na vibe vamo veganizar na base da porrada, de uma palestra essencial, pesadíssima e importantíssima; e outra na base do vem comigo ser feliz e comer bem, com sugestões deliciosas e de deixar com fome.


esse post faz parte da série ~30 antes dos 30~, lista ambiciosa de coisas que eu separei pra fazer antes da fatídica idade chegar. você pode acompanhar meu fracasso por aqui – mas eu torceria por mim. estou torcendo. vamos lá.