teorias da madrugada

A etiqueta do whatsapp

A etiqueta do whatsapp, eu não entendo. Nem de longe. Ao mesmo tempo que não vejo a necessidade de extensos “oi!”/ “oi!”/ “tudo bom?”/ “tudo”/” e você?”, tudo assim, em várias linhas, vários apitos, várias notificações, também não consigo colocar na minha cabeça que você seja capaz de se despedir de uma pessoa somente usando uma carinha.

Sim, eu chamo emoticons de “carinhas”.

Eu acho que vocês falam “emojis’, né? Eu falo carinha e, quando me esforço, emoticon.

Mas aí eu dou uma chance, olha, que vem lá do fundo do meu coração e do meu esforço em ser um pouco mais tolerante com as pessoas/as novas tecnologias, e estamos lá conversando e você me dispensa com uma carinha. Uma carinha, assim, uma piscadinha e um beijinho, como se ali estivessem contidos os “bom, tenho que ir, estou com sono, amanhã acordo cedo” – esses sim, todos em uma linha só, numa desculpa esfarrapada que deve ser dita logo, pra não ter tempo do contra-argumento – “ah, tudo bem, amanhã nos falamos mais!” – também de uma vez só, compreendendo a urgência da pessoa em soltar o celular e ver um episódio de The Good Wife antes de dormir – “claro, então tá!”/ “beijão, boa noite”/ e, aí sim, a carinha. Piscadinha, beijinho, depois da detalhada e educada descrição das minhas atividades noturnas, e não só carinha, piscadinha, beijinho, tudo contido numa bolota amarela que resume o bom e velho “boa noite”.

Eu não entendo, eu espero resposta, eu digito tudo junto mesmo assim, criando aquele espaço extremamente sem graça de quando você encontra a pessoa no shopping, conversa dois minutos, se despede e a reencontra no corredor seguinte. Vem carinha, piscadinha, beijinho, e eu respondo “então tá” e “acordar cedo” e “The Good Wife” e “beijão e boa noite!”, em várias frases separadas, com vários apitos, várias notificações e uma porção de constrangimento gratuito noturno.

E me recuso a mandar a carinha, só ela. Me recuso.

(Imagina se algum dia eu for usar o Tinder…)

Ainda estamos em hiato. Escrevi do celular, jesus amado.

fevereiro: um horóscopo comentado

Desde que eu aprendi um pouquinho sobre astrologia – as pessoas legais gostam e manjam de astrologia, esse é um princípio deste blog, eu espero que você saibam disso – eu tenho um grande medo nessa vida: o mercúrio retrógrado. Não que eu saiba explicar o que ele significa tecnicamente, vejam bem: meus conhecimentos se restringem a ler e interpretar a Susan Miller do jeito que mais me convém. Mas basta analisar minimamente a palavra RETRÓGRADO pra perceber que, bom, boa coisa isso não deve significar, e considerando que estamos falando de MERCÚRIO – você lembra de alguma boa com Mercúrio? Mercúrio cromo? Um Cavaleiro do Zodíaco? O moço da mitologia grega que levava as notícias? – claro que vem bomba por aí.

Particularmente, eu imagino o tio Mercúrio de mal. Tipo, pisaram no calo dele, não deixaram ele ir pro carnaval no Rio, ele não passou no concurso público que estudou tanto e, solução: ficou retrógrado. Ao invés de girar ~pra frente – cês tão ligado no que eu tô falando, né? Ir rodando em volta de si mesmo e pra frente ao mesmo tempo, saca? – ele resolveu ficar meio parado ali, fazendo birra. Qualquer astrônomo pode comprovar essa minha teoria, é só procurar.

Enfim, mercúrio retrógrado, o maior empata foda, com o perdão da expressão, de todos os tempos. Quer resolver um problema? Não no mercúrio retrógrado. Quer dar um jeito naquele mal entendido com o chefe? Não com mercúrio retrógrado. Quer comprar uma bendita alpargata colorida pra passar o carnaval? No mercúrio retrógrado, ela vai te machucar o pé. Quer assinar um contrato, comprar um imóvel (claro, todo o dinheiro do mundo), casar, comprar uma bicicleta? DEIXA MERCÚRIO SE ACERTAR GATA.

Tia Susan sempre alerta:

Mercury has been retrograde in Aquarius since January 21, but will turn direct on February 11 porque, né, minha gente, o menino leva tempo pra se acertar, precisa ficar quase 1 mês de bunda virada pra lua. This tour of Mercury may not have affected you as much as other retrogrades, but everyone, including you, will always be happy when Mercury regulates its orbit dur ¬¬. Avoid signing papers if possible when Mercury is retrograde, as anything you agree to prior to February 11 is likely to need to be renegotiated again later neste momento, agradeça ao proprietário do seu apartamento por ter a ótima ideia de pedir a casa de volta para “uso próprio” e você estar, tecnicamente, homeless. It is always a no-no to buy electronics, appliances, a car, or any machines when Mercury is out of phase, as Mercury rules the moving parts within these products a car. of couse. mas meu celular tá uma bosta.

After February 11, you will see the pace of your life pick up noticeably, and you will be able to get quicker responses from higher-ups who need to approve your ideas.

Então vamofocarnessaparte, minha gente. Quarta-feira. 11 de fevereiro. Uma data emblemática para a pequena Isadora. O momento em que Mercúrio, esse deus lindo da sabedoria, fertilidade, sensualidade, dinheiro e da colheita (adoro deuses da colheita, são sempre úteis), resolveu ficar de bem do resto do Universo e tocou o puteiro generalizado em todas as áreas da minha vida. E tudo o que parecia amarrado e out of my hands – e, claro, eu sou uma pessoa que lida muito bem com os problemas que eu não posso resolver, quase nada ansiosa, não engordei 3kg no último mês não – fez PLIM e se desenrolou.

Ao mesmo tempo.

Deus me dê acesso a uma Smart Fit, minha gente, é muita emoção pra essa comedora compulsiva segurar.

You still appear to be planning new things, and being filled with surprises and new plans, you will seem mysterious to your friends, like the cat who ate the canary, so to speak, happy and satisfied, but no one who knows you will be sure about what you are doing until you are ready to make your announcements. LIKE THE CAT WHO ATE THE CANARY. Eu comi muita coisa nesses 15 dias gente. Satisfação é meu middle name. Vou fazer esse announcement tipo o nascimento do Simba, aguardem. This is how it must be for now, but next month, with the gorgeous, friendly, new moon solar eclipse in Pisces on March 20, your professional life will be poised to break open like a big juicy coconut.

A. BIG. JUICY. COCONUT. Como questionar qualquer coisa que venha junto dessa expressão?

O resto da previsão é tia Susan dizendo como eu vou ficar rica e magra até março. Praticamente impossível não amar fevereiro, né folks? Seguirei atualizando vocês a respeito da minha vida com esses tipo de post que importa absolutamente a mais ninguém, senão a mim.

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Ah, eu sou de Peixes – com ascendente em Sagitário e lua em Leão (ou vocês tinham alguma dúvida a respeito?)

eu não sei ouvir música

Vocês curtiram aquele texto rabugento em que eu disse que odeio o whatsapp, né, gente? Seu bando de velho ranzinza. Tava prestando atenção nisso: quando eu posto algo bonitinho por aqui, dá 3, 4 likes, zero comentários e alguns “eu quero!” esporádicos. Daí basta eu reclamar da vida, do cocô do passarinho que caiu, do azar que eu tenho na vida: pá, o blog bomba. Ô gente que ama ver desgraça <3

Pois é, daí pensando sobre isso, as coisas que eu odeio, as coisas que não sei fazer – já falei que não sei andar de bicicleta nem nadar? Discutam. – e eu percebi que tem uma coisa bem simples que eu sou absolutamente inábil: ouvir música.

Tipo, eu não sou surda nem nada. Eu GOSTO de música, não sou nem louca de vir aqui e falar que prefiro um mundo silencioso e pacífico. Não. O problema é que eu realmente não sei ouvir música. Em primeiro lugar, porque eu me desconcentro. Acho o máximo essa galera (todo mundo) que fala “eu não vivo sem música!”, “eu não se escrever sem música!”, “música me inspira”. Eu sou um senhorzinho de 102 anos que desconcentra com música.

Eu ouço música em duas ocasiões:

1 – enquanto faço alguma tarefa doméstica;

2- nos trajetos da minha vida;

O que, a princípio, era uma boa, considerando que eu passava 5 horas por dia em “trajetos” até o começo desse ano. Porém, pra quem acha que isso foi o suficiente pra me tornar uma conhecedora profunda do submundo do mangue beat afro-nipônico do bixiga: errou. Porque eu dormia. Longamente. Profundamente. Colocava os fones de ouvido e CATAPLOFT, acordava no Jaguaré. Beijas. Vez ou outra até conseguia decorar alguma música, meio que por osmose, mensagem subliminar ou o que fosse, mas né, gente? Sem chance. Shuffle e bateria infinita do bom e velho iPod Classic e adeus mundo real.

Desde que me mudei pra São Paulo, o tempo entre os lugares diminuiu drasticamente, e eu acabo aproveitando esses intervalinhos pra ler, já que consigo ficar mais atenta – mesmo na linha vermelha, viu gente? O que me leva ao segundo problema gravíssimo da minha vida: eu não sei ouvir música. Ah, você já falou isso, Isa! Mas calma, jovem padawan, eu explico: eu ouço sempre a mesma coisa. Sempre. A. Mesma. Coisa. Que se resume a: Whitesnake. Aerosmith. Beatles. Metallica. Playlist “Rock clássico”. Volta.

E eu queria deixar algo claro aqui: eu não me orgulho disso. Antes que alguém venha falando “mas issssssso que é música de verdade”, não, gente, não é legal. Eu morro de inveja de vocês que conhecem coisas novas. Que incentivam novos artistas, que se divertem em shows diversos, que trocam ideias sobre músicas, que fazem playlists temáticas. MORRO DE INVEJA. Eu sou um fiasco.

Eu já passei anos ouvindo a mesma coisa. Assim, não anos da minha vida: anos, mesmo. Um ano ouvindo só Beatles. Um ano ouvindo só Metallica. Teve até um longínquo e horroroso 2011 em que eu só ouvi e cantei e chorei Adele sem parar. Vocês têm noção de quão triste é minha vida, gente? Vocês fazem ideia do que é só saber quem é Lana del Rey porque eu dei um Google na 4ª vez que alguém me achou um E.T.? John Mayer? Nunca ouvi. Vamos pro show daquela banda hispter que estourou e todo mundo ama o vocalista? ….

Eu estou procurando ajuda, quero dizer. Já procurei especialistas. Tento anotar todos os nomes que meus amigos dizem em suas conversas absolutamente normais na hora do almoço. Eu tento ouvir tudo em casa, depois. Procuro mesmo, de verdade, eu juro. Muitas vezes eu até gosto das bandas… Mas eu esqueço. Eu esqueço de anotar, eu esqueço de baixar – porque, claro, amigos, eu ainda baixo música! – eu esqueço.

Eu estou tentando. Eu me cadastrei no Rdio e eu dou SHUFFLE em tudo o que eu posso. Peço sugestão dos amigos. Peço sugestão do aplicativo. Peço sugestão pro dono da banca de jornal. Eu juro que eu tento. E que eu vou melhorar. E que um dia vocês me pedirão sugestão de músicas também, e eu vou fazer um post musical com “o que eu estou ouvindo agora” e será lindo.

Eu tenho fé.

eu e a Rainbow e os livros

Eu já falei tanto de girl crush aqui que vocês já devem estar com uma impressão bem específica de mim, né? Sem problemas. Primeiro é a Lena Dunham, cujo meu cosplay involuntário só não é mais deprimente e escrachado (oi, quem tá loira? que, não eu.) porque a gente ainda não se conheceu. Depois tem a Amy Poehler, rainha das rainhas, aniversariante de ontem e dyva-mór da minha vida. E agora eu vim aqui falar da Rainbow Rowell.

Essa é a Rainbow Rowell.

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Ela é linda desse jeito. E ela escreve livros. Segundo ela mesma, algumas vezes são livros sobre adultos (Attachments Landline – que eu ainda não li), às vezes, ainda bem, sobre adolescentes. Que é o caso de Eleanor & Park e Fangirl, os dois da Novo Século. Mas são sempre livros “sobre pessoas que falam demais. E sobre pessoas que sentem como se estragassem tudo. E sobre pessoas que se apaixonam.”

Vocês estão ligados o quanto eu sou apaixonada pela literatura chamada de Young Adult – ou “juvenil”, pra gente – e eu não vou nem gastar tempo explicando muito. 1 – eu nunca cresci; 2 – eu continuo achando que eu vou estragar tudo a todo momento; 3 – eu não sei resolver nada que envolva assinaturas mesmo morando há quase 1 ano sozinha e, por fim, 4 – esse povo tem que ler, gente. Muito. Tudo. O que for apaixonante. Então não é mistério nenhum que eu tô sempre ligada no que está saindo por aí depois do John Green e, bom, eu conheci a Rainbow.

Dizem que o E&P (íntima) não fez tanto sucesso no Brasil quanto fez lá fora, mas eu realmente não sei por qual motivo – nem se é verdade. O livro é um romance adolescente bem típico, se não fosse por um motivo: é extremamente real. Através da voz da Eleanor, uma garota gordinha, ruiva do cabelo cacheado, vai listando de uma maneira bem nua e crua tudo: bullying, abuso (do padastro escroto), inseguranças (sou gorda. Sou feia. Minha mãe é mais bonita que eu.) e, é claro, uma paixão avassaladora, e tão eterna quanto pode ser uma paixão adolescente.

Aqui não tem nada de disfarce ou eufemismo: as coisas doem como doíam na adolescência, doem de verdade – lembra? E por isso é tão bom. Uma amiga que leu o livro antes de mim disse que “é exatamente igual a como era se apaixonar!”, e é. A narrativa, a história, mas também o livro, apaixonante. Claro que a Eleanor conhece um boy gracinha, o Park – que é asiático, gente! Pensa num mocinho asiático? Demais. Claro que ela acha que ele nunca vai olhar pra ela. E no começo  ele não olha mesmo. Mas depois eles se amam. E ele gosta do cheiro do cabelo dela. E ela gosta de como ele é magrinho. E ele gosta dos olhos da Eleanor. E ela gosta dos quadrinhos que ele lê. E ele grava músicas pra ela. E ela quer fugir com ele. Ai, gente…

E bom, depois tem Fangirl. Quando eu achei que não ia conseguir mais ler nada da autora – ah, eu tenho isso. Eu enjôo – eu acabei comprando o segundo dela na Bienal. Ganhei dois bottons. Sou fácil assim. E eu comprei Fangirl e comecei a ler no mesmo dia, só porque eu li que era uma história sobre… Fanfics.

rainbow

Ah gente, e aqui o momento revelação vai ser curto e sorrateiro, muito embora arranque um pedação gigante da Isadorinha adolescente que fui: é óbvio que eu escrevia fanfics. A coisa foi mais ou menos assim: eu li o 1º Harry Potter com 11 anos, o Harry tinha 11, fez 12, eu fiz 12, fez 13, eu fiz 13, e a gente foi crescendo juntos. O que vocês acham que eu tinha pra fazer, além de esperar o Hagrid vir me buscar? Eu escrevia e escrevia histórias paralelas que me impedissem de chorar enquanto Hogwarts entrava em hiato de um livro pro outro, é claro. Eu shippava os moço tudo, eu inventava personagens de cabelo cor de chocolate, eu dava o devido valor para o Lupin e para o Sirius e, é claro, eu nunca publicava nada (nem adianta googlar). [/fimdarevelação]

E a Cath, a Cather, a personagem principal de Fangirl escreve fanfics. De Harry Potter – ou Simon Snow, a versão da Rainbow do personagem da J.K.Rowling, absolutamente igual e, por isso, ainda mais engraçado. Ela é uma escritora famosa na internet junto da irmã gêmea, a Wren. Mas as duas cresceram e entraram na faculdade, e a Wren tá a vibe curtir a vida adoidado: não quer dividir quarto, bebe loucamente com as amigue, pega os boyzinho tudo e who the fuck is Simon Snow? Tá na hora de apagar esse passado adolescente, né gata? E sobra tudo pra Cath.

Enquanto isso, a Cath tenta: 1 – terminar a sua fanfic mais famosa, lida por milhares de fãs, antes do lançamento do último livro da série; 2 – passar de ano; 3 – sobreviver à faculdade; 4 – não tretar com a irmã revolts; 5 – lidar com a volta da mãe, que abandonou as duas quando eram crianças. Deu pra sacar que a Rainbow curte um drama, né? Bom, pisciana que sou, eu nunca reclamaria. Então tá, né gente. Tô apaixonada.

E para além das personagens femininas incríveis que ela constrói – ah, mas um dia eu vou escrever sobre isso! – Fangirl me pegou pelas descrições incríveis de o que é ser fã. E o que é ser fã de um livro – ou uma série, uma saga. Eu acho engraçado como as pessoas hoje em dia ficam assustadas com o sucesso, por exemplo, de uma Cassandra Clare na Bienal. Eu lembro perfeitamente como é sentir que uma pessoa que não te conhece, que mora a milhares de quilômetros de você, que não sabe da sua existência, consegue escrever exatamente aquilo que você sente. O que você queria escrever. O que você anseia, com todo o seu ser, que acontecesse com você.

Harry Potter teve esse papel na minha vida e, mais do que me fazer ter vontade de sumir do mapa e aparecer num mundo mágico (oi, metáfora da vida?), fez com que eu me apaixonasse por ler e por escrever. Pelos mundos maravilhosos que a gente pode criar, e tantos outros que a gente pode visitar quando quiser. E eu fico inacreditavelmente feliz sabendo que agora existem outros Harrys Potters – seja a Rainbow, o John Green, a Cassandra, a moça dos Jogos Vorazes, Divergente, ou qualquer um deles. É lindo e traz esperança saber que tem mais gente apaixonada por aí. Não importa pelo o que seja, né, Rainbow?

Os vendedores começaram a empilhar grandes caixas de livros – caixas especiais, azul-marinho com estrelas douradas. A gerente da loja vestia uma capa e um chapéu pontudo muito equivocado. Ela subiu numa cadeira e tocou uma das caixas registradoras com uma varinha mágica que se parecia com algo que a Sininho usaria. Cath revirou os olhos. […]

Cath saiu do caixa, tentando abrir caminho, segurando o livro com as duas mãos. Havia uma ilustração de Simon na frente, segurando a Espada dos Magos sob um céu cheio de estrelas.

– Você tá bem? – ela ouviu alguém, talvez Levi, perguntar. – Ei… tá chorando? […]

– Não acredito que acabou mesmo – sussurrou.

Wren a abraçou com força e balançou a cabeça. Estava chorando mesmo.

– Não seja tão melodramática, Cath – Wren riu, rouca. – Nunca acaba… É o Simon.

eu não sei usar o whatsapp

Eu não sei usar o whatsapp.

Em primeiro lugar, eu não entendo o whastapp. Veja bem: eu não sou uma dessas pessoas blasé que reclama da tecnologia, dos smartphones, da vida, do café gourmet. Eu amo imensamente todas as facilidades, eu abro o Instagram como primeira coisa do meu dia, eu sofro a cada mensagem do Facebook que o 3G da Vivo não me deixa ler imediatamente. Mas eu não entendo o whatsapp.

Não consigo imaginar uma coisa mais opressora do que um aplicativo que me deixa conectada a todo mundo o tempo todo. NÃO DÁ. Tipo, tô cagando, gente. Não, não assim, no sentido figurado: eu tô literalmente cagando, e vocês estão lá, me contando sobre a vida, sobre o jantar, sobre o moço que não liga de volta. Eu tô dormindo: vocês estão me falando sobre o que viram na rua. Eu tô comendo: vocês estão me contando sobre o que estão comendo.

Não que eu não queira saber tudo isso. É claro que quero, amigos queridos. Mas me mandem um email. É tão mais elegante. Tão mais “chegado”. Tão mais íntimo. Tem tantas possibilidades mais que eu resposta, nossa, vocês nem imaginam. [Parênteses, ou chaves: aqui entra também o meu plano requentado da Vivo, que não entrega as mensagens quando ele não quer.] Se for urgente, então, por favor: me liga, minha nossa senhora. Nem que seja pra falar que o boyzinho não te liga. Serião. Vai ser mais legal.

“Ah, Isa, mas você tá no trabalho, eu preciso te contar…”. Nega, eu tô sempre no trabalho. E eu tô sempre conectada. O que significa que a chance de eu ler seu email, sua mensagem no Facebook (hello xoxo media!), sua DM no Twitter são infinitamente maiores do que eu alcançar meu celular – provavelmente sem bateria, aliás -, conectar no wifi da firma (hello plano requentado da Vivo), esperar o app abrir (oi, iPhone 4 desatualizado) e te responder no tempo em que uma mensagem de whatsapp demandaria.

Dai a gente entra no: eu não sei usar o whatsapp. Porque, por mais que eu demore, eu respondo ao Facebook, aos emails, às DMs, ao resto da vida inteira, e é te ligo de voltar, se você der sorte. Mas daí eu faço todo o procedimento citado acima e, quando o troço conecta, IH GENTE, deu xabu no trabalho. E eu esqueço o celular. E daí o que acontece? Ninguém me lembra que aquela mensagem um dia na história desse país existiu. E aí vocês dizem que eu sou relapsa.

E pra terminar uma conversa então, meu povo? Emoticons são infinitos. Você manda um delicado “oi, fulana, hoje vou chegar atrasada porque meu gato entrou embaixo da cama e não quis mais sair de lá”, e a pessoa te responde “claro, fica tranquila!”. Você responde :). A pessoa responde :). Daí você manda um 😉 pra não parecer muito escrota. Ela te manda um gatinho com corações nos olhos. Você manda sorriso. Ela piscadinha. Ela te manda um avião. Você uma boia de piscina. INFINITAMENTE. Até o sol raiar e eu parar de achar que estou sendo mal educada com as pessoas.

Sabe, eu sou legal, gente. Eu sou educada. Eu gosto de conversar. Mas eu não sei usar o whatsapp. Sejam elegantes e me escrevam emails. Com assinatura, sabe?

Beijos com saudades,

Isadora. 

Assim.