same old same old

leituras de março

Cadê o Leituras de Fevereiro, né gente? Não tá sendo fácil, galera, vamos ter paciência com esse pequeno ser de 1,5m pelamordedeus, porque de cobranças já chega a vida, né?

A verdade é que eu não consegui terminar nenhum livro em fevereiro – todos os que comecei ainda estão pendentes. Quando março começou, ao invés de terminá-los, como eu devia, comecei outros, acho que pra tentar fugir da obrigação. Deu meio certo, já que eu li beeeem menos do que em janeiro mas, ainda assim, livros bacanas. Vamos a eles:

Sejamos todos feministas, de Chimamanda Ngozi Adichie: 

sejamosfeministaso ensaio é a adaptação do discurso feito pela autora no TEDx Euston, que tem mais de 1 milhão de visualizações e…. foi musicado por tia Beyoncé. Fim. Vou fazer a piadinha do flawless aqui por sim, eu posso, e é muita maravilhosidade pra uma coisa só. Eis que a Companhia das Letras sabiamente resolveu transformar a fala da Chimamanda em um livrinho curtinho e fantástico.

“O que significa ser feminista no século XXI? Por que o feminismo é essencial para libertar homens e mulheres?” Ela usa a própria experiência – sua criação na Nigéria, a diferença de tratamento entre homens e mulheres, mesmo quando já era uma escritora famosa – para pensarmos em quanto estamos distantes do ideal na questão de gênero.

O mais legal: a linguagem de palestra é a mais próxima possível do leitor, então é um bom jeito de mergulhar na literatura da Chimamanda que é absolutamente incrível e dolorida.

Podia passar sem: nada, é lindão, necessário e apaixonante. Só é uma porrada, claro, mas aí é esse mundo maravilhoso em que a gente vive, né.

Amy & Matthew, de Cammie McGovern:

ammymatthewuma decepção. Ai que tristeza. Fui toda empolgada pegar esse livro por motivos de: capa linda + título propositadamente trocado para ficar parecido com Eleanor & Park e, puuuuuts, galera, que tristeza. Achei a história mal construída e os personagens extremamente forçado. Amy & Matthew é um romance adolescente com um toque de sicklit, já que a personagem principal, a Amy, tem uma espécie de paralisia cerebral que deixa metade de seu corpo bem ruinzinha: com dificuldade de movimentos (ela caminha com ajuda de um andador), quase não fala – e se comunica através de um computador, tipo Stephen Hawkings, apesar de ser uma garota comum, engraçada e extremamente inteligente. Tá aí o problema: ela não convence. A ideia de construir uma Amy bacanérrima, inteligentíssima, engraçadona, cheia de características adolescentes – das brigas com a mãe ao desejo sexual por Matthew – é muito, muito forçada, e não convence. Na tentativa de mostrar que, apesar da condição dela, Amy é uma garota comum, ela vira só uma mistura de várias personalidades que oscilam muito e a deixam… Chata.

Basicamente, a história é a respeito da amizade entre ela e o Matthew, um fofo de garoto que tem um TOC brabo, desses de atrapalhar a vida. Ele se inscreve para ser uma espécie de “cuidador” dela – a mãe MALUCA oferece essa vaga pra galera – e aí vão se conhecendo, se envolvendo, passando pelos perrengues do último ano do colégio juntos, até a Amy entrar na faculdade. E aí tudo degringola bastante, num enredo muito mal elaborado desses que a gente sai achando que foi inspirado num dramalhão mexicano, sabe?

O mais legal: o Matthew é realmente um querido. As dificuldades que ele enfrenta com o TOC e com o “não saber o que fazer com a Amy” são muito mais reais e despertam muito mais a empatia do leitor. É mais fácil se apaixonar e ficar do lado dele – mesmo que ele também seja um enorme cestinho de clichês adolescentes, com direito a “cachos que caem sobre os olhos”.

Podia passar sem: a autora deveria ter abaixado um tom de tudo o que ela escreveu pra deixar a história mais verossímil e a personagem principal mais simpática. Na tentativa de passar a mensagem “todo mundo pode ter uma vida normal”, só criou uma Amy nem um pouco gostável.

Por lugares incríveis, de Jennifer Niven:

porlugaresincriveisque livro pesado. Já aviso que se você tiver problemas com depressão e suicídio, não leia. Se você tiver e quiser um livrinho bobinho que te acalente e mostre que “outras pessoas também passam por isso”, então leia. Mas é pesado. Bem pesado.

Ele conta a história do Theodore Finch e da Violet Markey que se encontram… No topo da torre do colégio, dispostos a pular. E bom, como a ideia não era um suicídio coletivo, eles desconversam e, a partir daí, começa a história. O Theodore pira na da Violet: ela não entende muito. Ele é conhecido como um garoto problema que só faz besteira. A vida dela era perfeita até o acidente de carro que sofreu junto com a irmã, que morreu na ocasião, e claro que a Violet se culpa um monte. E aí, numa aula de geografia, ele ~gentilmente~ faz dupla com ela num trabalho em que os dois têm que descobrir lugares bacanas no Estado em que moram.

Ai, gente, que coisa mais linda. O amo-mas-não-assumo dos dois é tão delicado e permeado de momentos sinceros e sentimentos tão reais que é quase palpável. Os problemas de cada um também. Mesmo que você não tenha passado por nada parecido – a perda de alguém querido, uma depressão forte – é de sentir na pele as aflições, as dúvidas, os medos de cada um. E a coisa da viagem para os lugares incríveis, cada um mais estranho e doidinho que o outro, é de encher o coração de alegria e amor <3

O mais legal: Theodore Finch é um desses personagens que a gente se apaixona, quer conhecer um igual, pensa no ator que vai interpretá-lo no cinema, fica reconhecendo na rua. Eta menino apaixonante – o que deixa tudo mais triste e difícil de engolir. A autora tem um texto bem bacana, desses que faz a história parecer real e fica ecoando na nossa cabeça quando a gente fecha o livro – quero que venham mais livros delas por aí!

Podia passar sem: já falei que o livro é pesado? Tenho medo que adolescentes desavisados peguem achando que é mais um romance YA, até pela capa – lindíssima e alegre, mas alegre até demais – e acabem tomando uma porrada mais forte do que possam aguentar em momentos de fraqueza. Talvez o posfácio, em que a autora explica a “inspiração” dos personagens e da narrativa, pudesse vir antes, ou na orelha/quarta capa, quase como um aviso.

E vocês, estão lendo o quê? Me sigam la no Goodreads pra compartilhar!

as séries que estou assistindo – a volta dos que não foram

Tá aí uma constante nessa vidinha de meu deus: assisto compulsivamente a séries. Todo dia. Maratonas no final de semana. Séries sem fim. Assisto séries para matar tempo enquanto minha série não volta ou eu não descubro uma nova série favorita. E as da vez são:

Sons of anarchy: cabô. Eu comecei a assistir e já tinha acabado, na real. Acabou esse ano. É uma série sobre uma gangue de motoqueiros no fim do mundo dos EUA, com problemas de motoqueiros e vida de motoqueiros… Não sentiu uma empatia? MANO É MUITO BOM. É viciante. Você sempre quer mais. E tem a bundinha do Jax. E tem o Opie, meu marido:

Na real fica bem ruim nas últimas 2 temporadas, mas qual série não fica? Breaking Bad é a resposta.

Better all Saul: nhé. Nunca vai ser Breaking Bad. Beijos.

How to get away with murder: ai, gente. Tinha tudo pra ser maravilhoso, né? Tem a diva-mór-surpresa da Viola Davis sendo apenas a advogada fodona do Universo que livra todo mundo da prisão. Tem a Shonda Rhimes, essa coisa abençoada que fez Greys Anatomy (xiu, o pau vai comer se reclamarem). Tem assassinato. Tem investigação. Tem mistério. E tem as atuações mais bestas e os personagens mais rasos e MEU DEUS antipáticos da história da televisão desde a Paolla de Oliveira. Nada cola. Nada. Vontade de continuar assistindo? Zero.

House of cards: não vai ser a minha resenha que vai convencer vocês que essa é uma das melhores séries já feitas, então eu vou me deter em apenas um pequeno, minúsculo, quase ínfimo detalhe que me faz estar chorando nesse momento por ter terminado mais uma temporada: Claire Underwood. QUE MULHER, amigos, que mulher. Gostei muito de como ela cresceu ainda mais esse ano, como o papel dela se consolida como um dos centrais da série.

Unbreakable Kimmy Schmidt: ainda bem que eu não li muita coisa antes de começar a ver, porque eu só sabia o necessário – uma série da Tina Fey. Ainda bem mesmo, porque eu provavelmente nunca me interessaria por nada que a sinopse é “mulher resgatada de um culto religioso tenta se adaptar ao mundo real”. GENTE. Gentê. Vocês não estão entendendo o quanto essa série é genial. Primeiro porque é uma das coisas mais engraçadas que eu já vi nos últimos tempos – e eu meço o nível de engraçadisse de uma série contando o número de vezes que eu tenho que pausar pra continuar rindo. Muitas. É o tipo de humor sarcástico e doentio que faz com que eu me dobre de tanto rir. Depois que tem a pegada feminista cínica que só a Tina Fey, aaaaah a Tina Fey, consegue dar, sem parecer piegas ou panfletário. Lindo. E ainda tem os personagens mais incríveis e queridos e identificáveis do mundo todo. É muito amor só pra tão poucos episódios, viu?

Ah sim, e tem essa entrada. Não sei o que dizer, só sentir:

E aí, que cês tão vendo?

fervereiro – hah!

Vou experimentar esse modelo de post por aqui, faz tempo que não faço. Na verdade, é tudo uma tentativa e um esforço homérico de cumprir aquela minha promessa de ano novo de escrever ao menos uma vez por semana – vou fingir aqui que o ano já não teve 8 semanas, e apenas 4 posts. E, numa análise mais profunda, um agradecimento a fevereiro por ter sido esse mês tão bacana e sorridente.

O carnaval

Há boatos de que em fevereiro teve carnaval – repitam teve carnavál! – e que nós ficamos aqui por São Paulo mesmo: o que foi uma delícia. Numa média nada mais do que justa de 3 dias de pijama + filme pra 1 de bloquinhos + loucuras, claro. Vejam bem: eu adoro carnaval, me fantasiar, ir dançar na rua, mas eu adoro ainda mais minha cama e meus gatos, e o equilíbrio entre os dois termos foi bem aproveitado. Adoro como as pessoas ocupam a cidade tirandoavilamadalena nessa época, e como estão todas felizes e bêbadas e amáveis.

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há boatos que teve bloquinho sim

Essa cidade

E sobre a cidade… Ah, essa cidade! Cada vez mais – mesmo quando vem a conta no final do mês – eu sinto que tomei a decisão mais acertada da minha vida em mudar pra cá. Ô São Paulo, sua maravilhosa. A gente sofre, se estrepa, mas ama essa coisa estranha que é você. E o carnaval é sempre aquela época em que a gente nota o quanto tudo aqui é legal. Os bloquinhos tão nossos, no meio de Higienópolis cantando a Internacional Comunista e xingando o governador, acenando pros velhinhos reaças que acham que a gente tá só reproduzindo uma marchinha antiga.  #chupariodejaneiro (Mentira, Rio, eu te amo, quero voltar). Esfolar os dedos do pé no asfalto da Consolação, tomando Heineken, levando chuva de granizo na cabeça…

A Santa Cecília

Eta Centrão maravilhoso. Ainda tem que rolar algum post melhor do que esse pra descrever o que significa morar no Centro de São Paulo. Tem gente que tem vontade de mandar a polícia me buscar quando eu digo que moro aqui – mas é do lado da Cracolândia minhanossasenhora! – e acho que nunca vou conseguir explicar o significa morar num lugar em que as coisas acontecem. O tempo todo. E já aconteceram. E vão continuar acontecendo. Em que tudo é perto e cada canto tem vida.

Encho a boca quando falo que moro aqui na Santa Cecília, que vem se tornando cada dia mais legal, com lugares tipo o Conceição Discos, que tem a melhor comida da cidade – sim, é dali o MELHOR pudim de leite que eu já comi na minha vida – e ainda agita coisas incríveis, como o bloco da Espetacular Charanga do França, carnaval com saxofone, minha gente!

Sério, dá play:

O Pará

E daí eu fui conhecer o Pará. Quer dizer, claro que eu não fui conhecer O Pará, porque EITA GIOVANA o tamanho daquele Estado. Mas o namorado tinha um Congresso em Barbados Belém, a Gol é essa empresa maravilhosa de passagens baratas, e lá fui eu pro Pará.

(Tá liberado cantar Calypso a partir daqui)

Daí que eu descobri várias coisas. Que dá pra viajar 4 horas de avião e não sair do Brasil. Mas quase: porque o Pará faz divisa com outros países, tipo Guiana Francesa e o Suriname. Lembra das aulas de geografia? Nem eu. Descobri também que aquele marzão que a gente via não era mar, era um riozãozãozão gigantesco, e que a cidade tem uma hidroviária – #fikdik São Bernardo do Campo – e que to outro lado do rio tem ilhas, várias, e tem Marajó, que é uma puta ilhazona da p*rra, e que tem búfalos. Sim, búfalos. Fim da história.

Isso e muito mais você só vai encontrar no pará. (2x)

E que cidade incrível que é Belém. Deus e a Joelma abençoaram a gente com ~amenos 32º, mas sem sol, o que os paraenses estavam chamando de “que dia frio está fazendo hoje”, então pudemos caminhar com dignidade por uma mistura de cidade colonial opulenta, meets nosso povo brasileiro maravilhoso que adora uma feira livre e uma boa dança, meets graças a tupã a gente tem índio nessa terra que ensinou esse povo a cozinhar, meets vamos nos orgulhar dessa amazônia absurda = Theatro da Paz, Estação das Docas, 18218726 parques com bichinhos livres, leves e soltos e macaquinhos me atacando e bicho-preguiça sorrindo e cotias, e passeio de barco, e pernilongo, e pernilongo, e tucupi e tacacá e cupuaçu e tucunaré e TAPIOCA. Meu bom deus, tapioca.

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só no Pará

E, mais que tudo, deu pra sacar que dá pra se divertir muito, mas muito mesmo, em um final de semana só. Que seja virando a noite e indo trabalhar meio zumbi, dormindo três dias seguidos, conhecendo uma cidade que você nunca imaginou conhecer assim, do nada, só embarcando de repente. Que delícia de mês, seu fevereiro.

E você ainda tem 2 dias, um inferno astral e um sábado gostoso pra acontecer 🙂

leituras de janeiro

Conforme prometido – vejam bem, eu estou efetivamente cumprindo uma das coisas que disse que faria por aqui! – um resuminho das minhas leituras do mês. Como eu estou de férias (xiu, não estraga!), consegui ler uma cacetada de livros que eu tinha por aqui parados, além de indicações de amigos e tudo o mais que acabou surgindo no meu Kindle através daquele inferninho de compras que é a Amazon. Também li algumas coisas pro trabalho, mas não vou fazer jabá por aqui – por enquanto. Então desconsiderem essa divergência entre o que eu vou postar aqui e o número de livros lidos no Goodreads, ok?

De todo jeito, achei janeiro um mês bem produtivo e com leituras que me encantaram bastante. Vamos a elas [com as marcações para o #DLdoTigre acima de cada livro]:

[recomendado por um amigo]

clarossinaisdeloucuraClaros sinais de loucura, de Karen Harrington:

a história é contada por Sarah, uma garota de onze/doze anos com uma vida bem maluca… A mãe tentou afogá-la e ao irmão quando eram bebês (e acabou conseguindo matar o irmão) e, desde então, vive presa em uma instituição psiquiátrica. Como o livro é contemporâneo, bom, a Sarah sabe de tudo: acompanhou a cobertura da mídia, sabe que todos seus colegas sabem de sua história, acostumou-se a mudar de cidade toda vez que o clima pesa demais para o lado dela e do pai, que, claro, virou alcoólatra com o trauma. A vida da Sarah não é tranquila: ela oscila entre a falta de ajuste típica da pré-adolescência, somando esse fator meio complicado da família e, puts, ela acha que vai ficar louca como a mãe. Daí o título.

Longe de ficar remoendo tudo naquele tom de autopiedade que a galera adora, a Sarah é uma garota engraçada, mega observadora e bastante autêntica, meio na linha do “já que é pra ser louca, então vou ser louca de verdade”, o que rende várias situações superlegais de reconhecimento de identidade. Todas as dúvidas e nóias da adolescência – primeiro beijo, ajuste nos grupos, escola – ganham um ponto de vista interessante e desprendido daquele julgamento que a gente costuma ter: a protagonista compartilha suas experiências – que ora são bem típicas da idade, tipo se apaixonar pelo carinha mais velho, ora são mega exigentes, como cuidar do pai bêbado – com sua amiga Planta e com as cartas que escreve para Atticus Finch, o protagonista de O sol é para todos (que entra na minha lista de leitura).

O mais legal: Sarah tem dois diários. O que ela escreve tudo o que ela realmente pensa e sente, assumindo que talvez esteja mesmo meio maluca, e revelando tudo o que se passa na sua vida; e o seu diário falso, em que escreve coisas banais do dia a dia, que esconde “mais ou menos”, que é pra quando ela morrer, acharem primeiro e pensarem “poxa, ela era normal”. Sarah <3

Podia passar sem: não curto muito o esquema final do Manoel Carlos, em que tudo da certo e o escritor finaliza com uma frase pra estampar capinhas de iPhone, mas como bem disse um amigo, “ela é tão novinha quando tudo acontece, ainda tem a vida inteira pela frente, vai se decepcionar bastante”. Heh.

[emprestado]

filomenafirmezaFilomena Firmeza, de Patrick Modiano:

o moço ganhou o prêmio Nobel de Literatura no ano passado e, bom… É isso. A Filomena Firmeza, além de ter esse nome sensacional – no original em francês é Catherine Certitude. Eu não sei se a tradução é fiel, mas achei o nome incrívelé uma dessas garotinhas que a gente se apaixona logo de cara. Aparentemente pode parecer uma história bobinha: ela faz aulas de balé e acompanha seu pai em seu trabalho meio complicado e no dia a dia de um pai solteiro, mostrando a cumplicidade comovente entre os dois. Aos poucos, você vai notando que através das memórias da Filomena – o livro é narrado por ela já adulta, rememorando os acontecimentos – rola uma reinterpretação, como se somente agora, quando a vida já mostrou o que tinha pra mostrar, ela entendesse o que rolou.

A mãe da Filomena era uma bailarina americana. O pai, um “comerciante” – um “faz tudo”, cheio de gambiarras – francês. Eles se separaram temporariamente, quando a mãe volta para os EUA e o pai fica, até arrumar seus negócios. Nesse tempo Filomena cresce com ele, ajudando e vendo as trapaças em que se mete. Ela começa a dançar como a mãe – de óculos, uma graça! 

O mais legal: você lê o livro de uma sentada só. Tudo é muito singelo e delicado, e o autor consegue passar a mesma sensação que deve ter pensado para os personagens: só no final você saca que, por trás do cotidiano aparentemente banal, do dia a dia construído, é tudo meio artificial e se escondem outras histórias que não podem ser tão legais assim. E as ilustrações do Sempé (do Le Petit Nicolas)!

Podia passar sem: nadinha. Amei!

[com a capa alaranjada]

pequenaabelhaPequena abelha, de Chris Cleave:

que coisa mais linda e mais triste do mundo. Chorei enquanto estava na praia, de pernas no sol e tomando água de coco – vejam o nível de sofrimento. Eu peguei esse livro sem saber nada sobre o enredo, e foi melhor assim. Dei de cara com uma história sobre refugiados nigerianos em Londres (socorro!), contada pela voz da Abelinha, uma personagem encantadora.

Basicamente, o livro se desenvolve através da voz de dois personagens: a Pequena Abelha, jovem nigeriana que fugiu da guerra em seu país para a Inglaterra, mas acaba indo para uma prisão de refugiados; e Sarah (outra¬¬), que Pequena Abelha conheceu por um dia em um incidente pra lá de confuso na Nigéria, há anos. As vidas das duas voltam a se cruzar da maneira mais dramática possível, e elas são obrigadas a enfrentarem o passado juntas, de novo. TADAM. Parece enredo de novela, mas gente, juro: é maravilhoso. Mesmo nas horas mais forçadinhas – tipo, CHORA LEITOR, vou matar uns 4 personagens aqui – é tudo escrito de uma maneira tão maravilhosa que você só quer continuar grifando e grifando e chorando de raiva por não ter escrito nada parecido.

O mais legal: a maneira com que a história é contada. Sério. Se você procurar outras resenhas por aí (tem várias mais completas que a minha, vai em frente!), vai ver várias frases de efeito falando de cicatrizes e destino e futuro e o terceiro mundo. Isso é lindo, mas entra um pouquinho na frase da capinha de iPhone que eu citei ali em cima. Tô falando de como o moço Cleave conseguiu captar algumas diferenças de linguagem que formam abismos imensos entre dois mundos.

Ás vezes eu penso que gostaria de ser uma moeda de uma libra esterlina em vez de uma menina africana. Todo mundo ficaria satisfeito ao me ver.

Todas as histórias das moças começavam com os-homens-vieram-e-eles. E todas terminavam com então-me-puseram-aqui-dentro.

Isto era sempre um problema pra mim quando estava aprendendo a falar a língua de vocês. Todas as palavras sabem se defender. No momento em que você vai agarrá-las, elas se dividem em dois significados diferentes de modo que a compreensão se fecha no vazio do ar. Admiro vocês. Vocês são iguais a feiticeiros, tornaram sua língua tão segura quanto seu dinheiro.

Abelinha passa o livro inteiro angustiada por uma busca de uma identidade que ela não consegue encontrar em lugar nenhum. Ela não é mais nigeriana, e também não é inglesa, por mais que se esforce.

Ah, pra quem ler: e o Batman <3 <3 <3

Podia passar sem: nas últimas páginas, a Sarah tem uma epifania e dá uma de Highlander pra vencer todos os inimigos da humanidade, de Gotham e da Abelinha. Fica-forçado, é claro. Acho que o próprio autor percebeu que o desfecho não era dos mais verossímeis e acabou correndo com um monte de acontecimento importante, tipo viagem-a-África-matança-suborno-aventuras-girafas-elefantes e final. Não prejudica o livro, não, a poesia continua lá, mas podia ter sido um pouco mais elaborado.

[recomendado por um amigo]

quartoQuarto, de Emma Donoghue:

outro narrador infantil aqui e veja, temos um padrão. É, eu não tenho jeito, adoro histórias contadas por crianças. Só que, no caso de Quarto, não tem nada de bonitinho na narrativa: Jack, um garoto de 5 anos, descreve como é seu dia a dia com a mãe. Tudo bem literal, mostrando como eles acordam, comem, brincam, leem, se exercitam, dormem… no Quarto, que é só o que eles têm. Jack e a mãe vivem em um cativeiro desde que ela foi raptada, há mais de 5 anos, pelo “velho Nick”, que vai visitá-la toda noite. Tenebroso.

É claro que não é tudo horrível, porque a gente fica apaixonada pela relação da mãe com o Jack. É linda a maneira que ela constrói o mundo para o filho, usando as poucas coisas que pode, e é lindo ver a criança incrível que o Jack se tornou apesar de todo o drama. O livro é dividido em duas partes: a agoniante vida dos dois dentro do Quarto e, depois (spoiler necessário), o comecinho da história deles no mundo real, no Lá Fora. É aí que acho que a autora consegue fugir do lugar comum “e tudo terminou bem”: ela desconstrói um pouco a coisa da mãe super heroína e do final feliz, e mostra, além do processo de adaptação de Jack, com milhões de coisas e pessoas novas, como as pessoas não estão preparadas pra ficarem sozinhas. Nunca.

O mais legal: sem dúvida, acompanhar as coisas mirabolantes que passam na cabeça de uma criança de 5 anos que, apesar de viver numa situação praticamente inconcebível, ainda é uma criança (fantástica <3) de 5 anos. Ah, e vai virar filme! Tem tudo pra ser bacana, viu!?

Podia passar sem: a coisa também se estende um pouco mais do que o necessário, e acaba desgastando bastante os dois personagens – afinal, são praticamente só os dois. O drama beira o brega em algumas partes – mas né, gente, olha esse tema ¬¬

E vocês, o que leram esse mês?

* Das quatro leituras do mês, três (apesar de eu só ter marcado duas, Pequena abelha também foi pescado em uma conversa nossa) foram indicações do queridíssimo Vitor – gente, vão ver as ilustras dele, pfv – que com certeza entendeu direitinho o meu gosto literário e predileção por narradores infantis/jovens. Gracias, Vi <3

as séries que estou assistindo

Foi a querida da Jules que me deu essa tarefa e, antes de respondê-la efetivamente, tenho que explicar duas coisas: a primeira é que, tipo uma resolução de ano novo, me prometi que vou escrever mais por aqui, participar mais de memes, de “projetos”, dessas coisinhas; a segunda é que essa é a pior fase da minha vida para responder esta tag, porque eu só tenho assistido a uma série – e eu sou a pessoa que assiste a 64 séries ao mesmo tempo, normalmente.

Vou fazer diferente então, e falar DA série que estou assistindo no momento, mas também das últimas que assisti/gostei.

A série  do momento: Ru Paul’s Drag Race

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can I get a amen?

Eu não deveria nem quer que explicar porquê, mas se vocês insistem: reality show de drag queens. Sim, Ru Paul, essa maravilhosa, diva, o Sílvio Santos de cílios postiços, quer achar as próximas drags super stars e, bom… Elas tem que work it, baby. Provas de coreografia, de costura, muito desfile, muita extravaganza e muita eleganza, muito gender fuck e muito sobre ser mulher, e muitas expressões maravilhosas que você certamente vai aprender e usar no seu dia-a-dia.

Assistam. Sério. Tem tudo no Netflix.

As outras:

True Detective

Eu comecei a assistir por conta de dois motivos: Matthew McConaughey e  Woody Harrelson. Mentira: e porque é uma série policial. Sobre um serial killer. E porque me daria medo. Bom, nem preciso dizer que fiquei viciada no primeiro episódio, certo? E aquela abertura é uma das coisas mais assustadoras do mundo – concorrendo com a de True Blood. E quase ganhando.

Parks and Recreation

Eu amo a Amy Poehler. E não resisto a séries sarcásticas, sem exageros. Eu amo a Amy Poehler. E os personagens falam olhando pra câmera. Eu amo a Amy Poehler. E me identifico muito com o jeito “vamos mudar o mundo, um parquinho por vez”. E amo a Amy Poehler. E adoro todos os outros personagens bizarríssimos. Eu amo a Amy Poehler.

Orange is the New Black

Uma moça loira, rica, no auge da vida, vai parar na cadeira por um crime que cometeu há mais de 10 anos. Cadeia bad trip, gente da pesada. Poderia ser um enorme, um imenso, um chatérrimo clichê, mas consegue ser uma das séries mais bem trabalhadas que eu encontrei nos últimos tempos, com personagens profundos que me fizeram reascender a chama da pira em séries de prisão que eu tinha com… O.Z. É, bem mocinha. Pra uma análise infinitamente melhor que a minha, o texto Amiga negra em filme de branco, da Juliana Cunha pra Confeitaria Mag.

Game of Thrones

Eu sei que muita gente aqui vai querer que eu morra mais do que o Joffrey Lannister, mas gente… Perdeu a mão, né? Aquela história maravilhosa, épica, porém original, medieval, porém mágica, está ficando… Brega. Mas brega num nível difícil de engolir. Brega de um jeito que eu, que assisto um reality show de drag queens, não consigo conviver. Brega num nível eu-serei-seu-cavaleiro-ergue-uma-tocha-e-ilumina-a-escuridão. Brega.

E aí, o que vocês estão assistindo?