same old same old

as séries que eu estou assistindo – edição de natal

series

// JESSICA JONES: Meu super-herói favorito sempre foi o Wolverine (antes mesmo do Hugh Jackman, mas que benção esse homem existir) e nunca fui muito ligada em mais nada do universo Marvel, mas não poderia deixar o bafafá passar batido e lá fui eu, em um feriado chuvoso, assistir Jessica Jones. Claro que eu me apaixonei instantaneamente, o que foi bem surpreendente, já que eu também nunca fui muito fã da Krysten Ritter, a atriz que faz a personagem principal. A série, na real, é cheia de falhazinhas de roteiro, tem alguns personagens meio batidos, maaaaaaaaaaaassss… Jessica Jones. Que mulher fantástica. Netflix lendo nossos pensamentos e as vibes ~sociais~ do momento e transformando algo que poderia ser da mesma trupe nerd-machistinha de sempre em uma série sobre mulheres. Sobre ser mulher do jeito que der, sobre ser uma super-heroína, sobre relacionamentos abusivos, sobre ser amiga, sobre a vida. Ai que coisa maravilhosa.

Leia coisas melhores do que essa sobre a série aqui e aqui e aqui, no mínimo.

E tem o David Tennant. Eu não era da turma do David Tennant. Eu não assisto Dr. Who. Mas tem o David Tennant. Ele me obrigou.

// MASTER OF NONE: Conheci o Aziz Ansari em Parks & Recreation (amor eterno, amor verdadeiro), mas nunca achei muita graça no personagem escrachadão que ele fazia na série – exceto todas as cenas envolvendo treat yourself, que são as melhores do mundo. Já tinha ouvido falar bastante coisa boa do livro dele, o Modern Love, que ainda não li, mas está na lista, e mais ou menos ao mesmo tempo o Netflix anunciou a série do comediante… Fiquei meio reticente, mas nos primeiros quinze minutos eu já estava completamente ganha. Que. Série. Incrível.

Conta basicamente a história de um ator wannabe vivendo em Nova York e acompanha sua vida como filho de imigrante, vinte e poucos-trinta anos, empreguinho marromeno, vida amorosa marromeno, relação com os pais, com os amigos… Reconheceu? É uma série sobre uma geração. É tudo aquilo que Girls quer ser pra uma geração e se perde na falta de empatia com os personagens. (E eu amo Girls). Ah, e como deveria, Master of None toca nos pontos principais das relações modernas também no que diz respeito a gênero, feminismo, racismo, e mostra que dá pra ser muito engraçado e sagaz sem ser um completo imbecil.

Obrigada, Aziz, te amo <3

// BROADCHURCH: Já falei pra vocês que amo séries e filmes sobre serial killers? E sobre investigações policiais envolvendo assassinatos? Se isso não envolvesse de fato ser um policial, vocês podem ter certeza que eu ia dar um jeito de fazer isso da vida. Dessa vez, não foi essa paixão, mas outra, a que me motivou a assistir uma série da qual nunca tinha ouvido falar: a paixão sobre o David Tennant, que aqui é um investigador desses bem damaged, amargo e do jeito que a gente gosta que é chamado pra resolver um crime, a morte de um garotinho, numa cidade no litoral da Inglaterra chamada… Broadchurch.

Pausa pra lembrar daquele cenário MARAVILHOSO.

Daí que é isso. Mais pra vibe de The Killing do que pra um CSI, é um dramão sobre a vida das pessoas afetadas pelo assassinato: os pais, a família, os habitantes da cidade minúscula, a especulação, a traição, os dramas, já falei dos dramas? Tudo bem devagar e maravilhosamente bem construído. O ritmo é bem lento mesmo, mas te prende a cada minuto e tem o David Tennant. Já falei que tem o David Tennant? Ah tá.

Também assisti de novo Unbreakable Kimmy Schmidt, que é uma das séries mais incríveis que eu já vi na vida e merece ser vista uma vez por ano, mais ou menos <3

as séries que eu estou assistindo – a compilação

the good wife

Fazia tempo que meu coraçãozinho não batia tão forte por episódios e mais episódios de uma dessas séries longas que só, com uma história central de um personagem tão cativante (com certeza tem um termo técnico pra isso, não é possível que todo mundo precise de 3 linhas pra descrever esse estilo). Meu. The Good Wife é a história da advogada Alicia Florrick. Muita gente começa a descrever a série do começo, quando Alicia era só uma esposa, esposa do promotor da cidade que foi pego num esquema de corrupção e usou dinheiro público paraaaaa… prostitutas, claro. Ele vai pra cadeia, ela fica do lado dele – COMO ASSIM ELA FICA DO LADO DELE!!!? calma. – e percebe que vai ter que voltar a trabalhar, depois de 13-14 anos sendo só uma desperate housewife, pra dar conta da vida e dos filhos. Daí que a história fala sobre a Alicia: sobre ela voltar à profissão, sobre ela se adequar aos tempos modernos, sobre a competição com os colegas mais novos, sobre ela ser uma puta advogada, sobre os casos, sobre os casos dela (os affairs mesmo), sobre ela ser mãe, sobre ela ser esposa, sobre as suas ambições.

É mágico. É mágico porque a gente consegue se identificar com a Alicia num nível muito íntimo basicamente porque: somos todas mulheres cheias de forças incríveis e fraquezas avassaladoras, e ela não esconde nenhuma das duas partes. É lindo. É sarcástico. É engraçado. VOCÊ SE MATA DE CHORAR. Que coisa mais linda essa série.

Como toda série dessas extensas – é muito parecido com House, por exemplo, em que o personagem central vai conduzindo também as histórias dos personagens secundários, e os episódios são quase que independentes, mostrando cada um, um caso – The Good Wife tem altos e baixos, temporadas mais ou menos incríveis, mas certamente regulares o suficiente pra você seguir até o final da sexta temporada aguardando ansiosamente, tipo MUITO, pela sétima. É lindo.

E sim, a Alicia é sim a Carol, de E.R.. Cada vez mais poderosa. Cada vez mais linda. Ai, ai, Alicia… E também temos Allan Cumming, Mr. Big e Michael J. Fox no elenco. Amor.

E por favor, leiam esse texto da Capitolina sobre a série, que é infinitamente melhor que o meu.

narcos

Jesus cristinho, né mores. Que coisa mais incrível. Fico muito feliz que a gente viva num mundo em que o Netflix analise todos os nossos desejos mais íntimos e transforme isso em uma série com direito a close nos pelos pubianos do Pedro Pascal e Wagner Moura falando espanhol – não critiquem o espanhol do moço, amiguinhos. Cês todos sabem que ninguém fala melhor que ele, nem depois de 3 tequilas. Não critiquem!

Bom, Narcos é a história do Pablo Escobar, um dos maiores traficantes que o mundo já viu, um dos homens mais ricos que o mundo já viu, uma dessas figuras controversas e meio apaixonantes, porém completamente malignas, que deixam a gente meio aicomoédifícilnãogostardevocêpablito. E a série faz a gente se enamorar instantaneamente, a começar por colocar Wagnercito com aquele ganho de peso que a gente adoooooram num ator para ganhar Oscar. Palmas. A produção é absolutamente impecável, o ritmo que a série tem é, sem sombra de dúvidas, empolgante e viciante (oi, Netflix, oi, Obama!), e as passagens pra Colômbia devem estar bombani nesse exato momento, porque eu quero ir pra lá ahora.

Que puta série. Que erro de conceito a gente estar apaixonado por um cara desses. Por que catzo teremos duas temporadas de uma história que a Wikipédia nos conta o final? Não sei. Quer dizer, eu sei, mas eu finjo que eu não sei como estamos sendo lindamente manipulados por mais uma empresa de comunicação gigantesca que faz a gente ter vontade de se afiliar a guerrilhas terroristas. Mas ah, ele é tão bonitinho hablando español!

tooooodos los lllllllllladosssssssh

wet hot american summer

Doente. Totalmente doente. Acho que essa é a resenha que eu faço da maioria das séries que eu assisto por motivos de: se você adivinhar o que eu curto numa série, te dou um gif doente. Heh. É claro que eu comecei a assistir isso por causa do elenco, que tem a deusa maior da minha vida, o Jason Schwartzman, o Christopher Meloni, o Paul Rudd, e mais um monte de gente da comédia doente que eu amo e que não sei o nome pois não importa – eu me refiro a eles como “aaaaah, é eleee!” e tá tudo bem. A premissa também é incrível, né, minha gente: é o primeiro dia no acampamento americano Camp Firewood, um desses tradicionaizões dos EUA, e a molecada está tentando se adaptar. Aquela apresentação, o reencontro entre as turmas dos anos anteriores, o menino tímido que não se enturma, a menina bonitinha por quem todo mundo se apaixona, no final do dia, vai rolar um musical de interação entre monitores e adolescentes… Aquela coisa que, quem já teve uma “turma de férias” alguma vez na vida, conhece bem. Só o que o elenco é uma mistura dessas pessoas citadas acima interpretando adolescentes e, bom, atores crianças/adolescentes. DOENTE.
Claro que tem muito mais no roteiro: tipo a jornalista que vai fazer uma matéria ~infiltrada~, fingindo ser uma das adolescentes do acampamento, tipo os romances, tipo as disputas e gincanas, tipo o estudante ~estrangeiro e diferente~… Tipo uma enorme piada sobre o cinema americano que a gente bem conhece. É hilário, eu juro. Especialmente quando tudo descamba pra uma viagem maluca sobre perseguição do governo, melecas de lixo radioativo e conspiração. SIM.
Não falei que era doente?
Existe um filme de 2001 com o mesmo nome que conta, adivinhem? O último dia no acampamento. E o elenco? É QUASE O MESMO MEU POVO. Corrão e assistão e me contem porque eu ainda não vi.

Doente. Totalmente doente.

transparent

Que porrada. Essa série é totalmente necessária. Pode parecer só a história de um pai de família que se assume transgênero – sempre foi Maura, mas tinha que ser Mort -, o que já seria uma narrativa bem interessante por si só, mas é também a história de uma família com tudo o que ela tem de ruim, de egoísta, de “disfuncional”, de maluca. A maneira com que cada um dos três filhos reage à descoberta sobre o pai mostra bastante sobre a personalidade de cada um e a relação entre eles.
É uma dessas séries que força a barra pra você terminar pensando “porra, será que não tem ninguém decente?”, mas que também faz a gente refletir sobre o quanto a gente é escroto, mesmo quando esconde o quanto. Deu pra entender? É o que eu sinto assistindo Girls. “Porra, que mina mais egoísta, não é possível que ela ache mesmo que tudo gira em torno dela!”. Será que não? Acho que lá no fundo, a gente acha, a gente se identifica: mas também tentamos nos controlar, esconder, ser menos, não demonstrar. Faz sentido? Não sei. Mas vamos continuar essa resenha…
… Dai que, claro, tem a questão dos transgêneros e dos travestis – inclusive, de “rixas” entre grupos que a gente acha que “ah mas é tudo a mesma coisa” – cenas belíssimas sobre a descoberta do próprio corpo, da identidade, a atuação do Jeffrey Tambor, que é, sem dúvidas, o cara perfeito pra interpretar esse papel, e uma fotografia maravilhosa de deixar a gente meio sem ar.
É belíssimo e extremamente dolorido. Assistam.

veep

Confesso que não conhecia a série até o Emmy deste ano, apesar de ter 5 temporadas, e pra mim a Julia Louis-Dreyfus era a eterna Christine – não, eu não vi Seinfeld (podem me xingar), mas Veep é a comédia que estava faltando na minha vida nos últimos tempos. Absolutamente sarcástica e boca suja, a vice-presidente americana é, finalmente, uma mulher e, finalmente, a Christine, digo, a incrível Julia Louis-Dreyfus maravilhosa. Que coisa linda. Além de uma super série sobre a política norteamericana e seu bando de pataquada ridícula, é sobre as mulheres no poder, o poder das mulheres, a falta de poder das mulheres e ah…. Ah meu coraçãozinho dá pulinhos de alegrias irônicas com cada escolha de vestido presidencial.

E tem o Buster, gente. Vocês lembram do Buster? Sim, tem o Buster.

(E a menina do Meu Primeiro Amor e eu identifiquei ela de primeira, sim).

download

Em tempo: eu não sei porque eu ainda não falei de Grace & Frankie, que é uma delícia de série, engraçada na medida, dura na medida, um amorzinho desses de aquecer o coração. Eu também me perdi sobre um monte de comédia que assisti, tipo Louis, tipo Inside Amy Schumer, tipo Mindy’s Project – mas ainda quero escrever sobre as mulheres comediantes da minha vida. Porque eu fiz isso? Não sei. Acho que teve um período nublado e misterioso aí na minha vida que tudo foi meio confuso, né gent, mas quem nunca? O bom é que estamos voltando para a programação normal 🙂

Eu não acho nenhuma série ruim, né? Meu deus, que previsível.

leituras dos últimos tempos

O diário de leitura, que costumava ser mensal, sofreu umas mudanças por motivos de: NUM LEMBRO. Mentira, é que faz tanto tempo – e tanta coisa aconteceu nesse tempo – que parei pra escrever sobre as leituras que, aff, num vai dar pra ser no esquema de antes não. Mas como eu não quero deixar vocês órfãos (HAHAHA) e a minha ansiedade competitiva é grande demais para não estar cumprindo com afinco o meu desafio de 30 livros anuais no Goodreads, segue um overview das leituras dos últimos tempos aí:

leitura_ligaçõesLigações, de Rainbow Rowell

Rainbow, minha amada Rainbow – será que dá tempo de mudar de nome, gente? RAINBOW! – ataca novamente em mais um livro delicinha de ler, porém, mais fraquinho que os outros. Vamos deixar claro: eu sou apaixonada por essa mulher. Muito. Eu acho que ela tem um dom de tornar a leitura muito gostosa e seus personagens são imediatamente apaixonantes. Dessa vez, a gente conhece a Georgie, que é roteirista de séries.

Sim, eu falei roteirista de séries. Veja meu coração dando pulinhos de alegria!

O drama entra logo de cara, quando a gente vê que a Georgie e o Neal – o “cara perfeito” que também é seu marido – estão numa daquelas fases tensas do casamento. Ela prioriza o trabalho, ele não aguenta mais. Eles têm filhos e estão prestes a fazer a viagem de Natal pra casa dos pais dele – e ela tem que trabalhar. Daí, no meio da crise, a Georgie pega um telefone velho na casa da sua mãe e descobre que ele faz… Ligações para o passado! Para um passado em que ela e Neal tinham dado um tempo, pro começo do relacionamento, pra antes do casamento.

A história, que parece que não daria pra se relacionar e tals, fica bem, bem íntima: outro ponto super positivo da Rainbow é conseguir tirar questões bem universais – nesse caso, sobre relacionamentos, sobre o que é o amor, sobre dar prioridade pra você, e não pro boy – de histórias aparentemente bem particulares. Fica bacana! Porém, o drama se perde um pouco e a coisa toda começa a se arrastar num caminho muito novela da Globo. De qualquer maneira, vale a leitura até o fim.

Tem um parto de pugs em determinado momento. Queria finalizar com isso.

leitura_apanhadorO apanhador no campo de centeio, de J. D. Salinger

Antes que me apedrejem aqui, eu já tinha lido a versão em inglês deste livro, mas gente, isso foi num passado muito longínquo e obscuro em que metade das coisas que fazem sentido hoje nem sequer existiam. Então, numa tarde fria, com um bom lugar para ler um livro, acompanhei as aventuras de Holden de uma vez só – e, olha, que puta experiência, tentem fazer vocês também.

A história é a de um menino de 17 anos, Holden Caulfield, que foi reprovado em quase todas as matérias do seu internato de menino rico e é mandado pra casa antes dos outros alunos. Pra fingir que nada aconteceu, nosso amigo resolver dar um rolê pela cidade pra não levantar suspeitas, com um pouco de dinheiro na mão e um monte de minhoquinha na cabeça. O livro todo se passa no período de um final de semana, numa espécie de fluxo de consciência infinito, que mistura os acontecimentos reais, os pensamentos angustiantes e um pouco do passado e da vida dele até ali.

Eu nem sou tão a favor dessa coisa de ~contextualização~ assim, mas a gente fica ainda mais besta quando descobre que este é um livro lá dos anos 50 e bom, nos anos 50, minha gente, a gente não tinha ainda As vantagens de ser Invisível e nem todos esses maravilhoso YA à disposição. Nos anos 50, num tinha essa de “adolescência”, não tinha essa de busca existencial dos 17 anos, não tinha nada disso. Daí, quando você pensa na cabecinha do Holden e na sua, há uns anos, BAM. Muda tudo. É assustadoramente incrível!

Cara, que puta livro.

leitura_arrumaçãoA mágica da arrumação, de Marie Kondo

Ai que coisa marlinda. Japinha Marie Kondo sendo maravilhosa e destruindo toda a nossa bagunça acumuladora ocidental capitalista em 3, 2, 1. Apesar de achar um pouco too much – especificamente falando em tempos de mudança de cada e inúmeros site de decoração – e muita gente ter considerado o método KonMari bem radical, a gente tem que avançar na leitura pra perceber que tudo se resume a uma coisa simples: eu quero ter esse item? Querer da maneira mais íntima e sentimental do mundo, nesse caso, que é um absurdo tremendo se a gente fala em tempos de consumo maluco, desenfreado, de blogueiras de moda e de itens “tem que ter”, né? Mas é isso mesmo.

É um desses livros que você anota as dicas pra vida, do tipo: não é pra arrumar um pedacinho por dia – tire um dia e arrume TUDO; arrume por temas, e não por cômodos; nunca deixe sua mãe participar da arrumação com você; seja sincera: o que esse objeto te faz sentir? 

A gente tem (eu tenho, pelo menos, vocês têm também?) aquela mania estranha de guardar as coisas porque vaique. Vaique eu emagreço, vaique eu precise ir pra um lugar que precise dessa legging de oncinha com pintas neon, vaique um dia eu volte a usar esse material todo da 7ª série, vaique um dia eu volte com o ex e precise de todas as cartas de amor e fotos que tínhamos juntos. Gente: desapega. Guardar só gera menos espaço pra energia circular, e energia parada não significa nada de bom, nada de novo, nada de diferente – isso é Isa Kondo, não Marie Kondo 😉

Tia Marie vai na onda também do tal do armário cápsula, que virou moda e a gente tá aqui amando, e numa vibe mais geral, nessa percepção (tardia que só, né, gente?) que a gente não precisa de tanto pra ser feliz. Então bota abraçar o livro, dizer que o ama e partir pra arrumação e desapego, porque nada como a casa limpa e o coração tranquilo <3

leitura_cachorroTe vendo um cachorro, de Juan Pablo Villalobos

Juan Pablo Villalobos é um dos meus autores favoritos contemporâneos, e mescla duas coisas que meu coração revolucionário não pode resistir: histórias da América Latina/Central e um teco de realismo fantástico. Não dá, né? Eu sou fãzoca desde que comprei, obviamente pela capa – continue, mercado editorial, por favor, não pare! – o Festa no Covil. Depois veio o Se vivêssemos num lugar normal e, agora, Te vendo um cachorro. E eu não sei ainda qual meu favorito.

Já falei que não tô nem perto de fazer altas resenhas literárias por aqui, mas o sentimento geral de quando eu termino um livro do Villalobos é: eu preciso sair correndo e ir pro México. Eu imagino que todas as histórias tenham muito das lembranças de infância/vida adulta do autor, e ele consegue passar essa sensação de “este é um lugar completamente diferente de tudo o que você viu” misturada com aquela de “eu me lembro, mas não muito bem, posso ter inventado alguma coisa porque faz muito tempo” maravilhosamente. Ou seja: é tudo aquilo que eu queria ser como ~contadora de histórias~ e bom, ainda por cima, é mexicano. Já disse que meu coração não aguenta?

Bom, falando especificamente da história em si: os três livros formam uma trilogia, não necessariamente por histórias contínuas, mas por uma linearidade na voz dos narradores. O primeiro é Tochtli (leia fazendo o som, por favor), filho de um traficante de drogas, que ama hipopótamos-anões e palavras difíceis – não não, nem de longe é meu favorito, imaginem <3 -, depois vem Orestes, adolescente, que vive na base da disputa de quesadillas com os irmãos, e agora, Teo, um senhor de quase 80 anos completamente desbocado e artista. Tá vendo? Rola uma evolução.

O Teo é um desses senhores meio safados, meio tristes, que a gente adora e tem aquela pena ao mesmo tempo. Ele vive num prédio com um monte de outros aposentados, fãs de literatura que juram que ele próprio está escrevendo um romance. E daí, na narrativa meio amalucada e completamente cheia de sarcasmo, o autor consegue fazer, como faz também nos outros livros, a crítica social que pretende desde o começo ao seu país. Nada sutil, nada encoberto, mas lindo, lindo, lindo que só.

leitura_amigaA amiga genial, de Elena Ferrante

Não vai ter resenha cabeçuda nem enaltecendo a tal da “Ferrante Fever” que tentaram promover por aí – essa história de escritora misteriosa, que ninguém sabe quem é, que não fala com ninguém, mais me desmotiva do que anima pra procurar mais sobre dona Elena. E não precisa: o livro é sensacional, absolutamente sensacional, sem toda a parafernália literata.

A amiga genial é o primeiro da série chamada napolitana, que conta a história de duas amigas, Elena Greco (Lenu) e Rafaella Cerullo (Lila). Esse primeiro livro foca na infância delas. E daí? Bom, e daí que a escrita da sra. Ferrante é absolutamente envolvente: a ambientação, o bairro em que moram as duas garotas e suas famílias é, claramente, um dos personagens mais importantes da narrativa; ao mesmo tempo, o mergulho que a gente faz na cabeça das meninas é profundo e constrangedor, já que a autora não se esforça em nada para esconder aquela série de pensamentos horríveis, mesquinhos e às vezes até meio assustadores que a gente tem.

Numa história aparentemente simples, de competição entre amigas, das maluquices da adolescência, da evolução interior de cada uma, a gente consegue ter um panorama da Itália do pós-guerra e, ao mesmo tempo, uma reflexão sobre amizade e relacionamentos. Eu, particularmente, adoro a maneira como o bairro e as famílias são descritos: as fofocas, a construção dos mitos – o ogro comedor de criancinhas, a senhora maluca apaixonada – as safadezas das crianças, são muito próximas de todo mundo que teve uma família italiana dessas cheias de intrigas e um vocabulário pra lá de macarrônico.

É desses livros que mexem com aquelas coisas que a gente tem guardadas lá no fundo, mesmo que não se lembre (ou não queira admitir). Lindo, lindo.

***

Apesar de parecer bastante coisa, eu estou pra lá de atrasada no desafio de leitura do ano, e muito infeliz com a quantidade de livros/tempo de leitura que estou tendo. Me indiquem coisas bacanas? Prometo solenemente melhorar!

5 coisas que eu não dou a mínima

Eu comecei a ler essa tag no maravilhoso Girls With Style – que só gente linda respondeu, aliás, vão lá ver logo! – e vi que logo essa se espalhou por aí, fazendo bastante sucesso no #BEDA, achei tão bacaninha que resolvi guardar pra responder depois.

Adoraria responder todos esses itens com mensagens de “who gives a shit?” e “nossa olha como eu sou feliz sem ligar pro que os outros dizem”, mas pisciana, né, mores? Não vai acontecer. Então conheçam esses pontos graciosos da minha personalidade e do meu ~gosto pessoal~ que faz de mim uma ótima puxadora de assuntos em círculos sociais desconhecidos:

1 – Música “nova”, ou hype, ou indie, ou alternativa, ou como vocês queiram chamar

A cena é sempre a mesma: qualquer situação embalada por música, todo mundo começa a cantar, eu mexo os bracinhos no ritmo fazendo duckface sensual pra disfarçar que não sei a letra. Alguém percebe e fala: “mas Isa, é Sbrubles Brubles, a música do [insira aqui uma novela/série/clip] que tá passando, eu respondo com “ah, sei!”, volta pra duckface. Faço uma anotação mental “pesquisar Sbrubles Brubles” que dura mais ou menos até eu sentar novamente no computador e, bom, não, eu não pesquiso. Por isso, não dou a mínima pros seus ídolos atuais, suas músicas de balada (até porque, né gente, “balada”), seus festivais lotados de gente, carésimos e com disputas violentas para a compra de ingresso. Eu fico aqui, de boa, oscilando entre Bon Jovi e Aerosmith e tá tudo bem. Tá tudo bem!

Florence, você eu amo, me perdoa!

2 – Masterchef

Eu odiaria cair no clichê do “critico porque é modinha”, já que, GENT, trás mais modinha que tá pouco. Nunca vocês me verão usando um “mas só eu que não assisto esse tal de Masterchef” só para angariar uns “kkkk não eu também!”. Adoro uma modinha, amo tuitaço da modinha, sou maluca por fazer amigos da modinha e usar gifs da modinha para ilustrar meu dia a dia. Mas não, não ligo a mínima pra Masterchef. Além de não assistir TV, nada, nem o Twitter, nem vocês, nem o Fogaça, nem os deuses me convenceram de que valia a pena parar de ver The Good Wife para assistir o reality da Record (é da Record, né?). E eu amo séries, vocês sabem. Então, catzo, por que eu não me importei nem um pouco com isso? Só o tempo dirá. Um dos mistérios do Universo. Um caso para o Globo Repórter.

3 – O Adam Levine

Pode ser influência do item nº 1, pode ser uma simples questão estética, mas eu não faço ideia, do fundo do meu coraçãozinho Isadorístico, no que vocês enxergam nesse cara. Eu tentei, sabe. Eu fiz um estudo de caso: antes de fazer esse post comecei a ouvir todas as músicas que o Youtube selecionou pra mim, vi fotos, assisti vídeos dele em programas de TV, eu me detive especialmente na tal da foto sensualíssima do moço e: não. Can’t. Nadinha. É óbvio que ele é indiscutivelmente gostoso, mas gente, não. E a música? Não também. Next!

sorry, Adam

4 – Carros

Não é uma questão “nem ligo pro Camaro amarelo” ou “não me importo com marcas”. Mores: eu não sei porque vocês gastam tanto dinheiro com carros. Porque vocês se importam tanto com eles. Porque vocês relacionam aqueles troços a ícones de uma vida bem sucedida. Esses dias eu ouvi de uma amiga que “fulaninho desistiu de chamar cicraninha pra sair porque ele teve que vender o carro e ficou com vergonha” e a minha reação é WHAAAAT? Vocês estão ficando malucos? Essa é uma cena que só aconteceria em uma paródia mal feita dos anos 90 dentro da minha cabeça e, gente, ela existe MESMO? Vocês se endividam por conta de carros? Vocês pesquisam sobre carros? Vocês acham carros bonitos? Eu não consigo acreditar.

5 – O que você acha sobre o meu cabelo

Cara, então, eu vou tentar salvar esse post com um pouco de otimismo e empoderamento da minha parte e dizer, com todas as letras, que eu não me importo nem um pouco com o que você acha sobre o meu cabelo. Nem um pouco. Se você pensa que “é prático, né?” ou se você acha que “você faz essas coisas porque seu namorado deixa” (dái-me forças!), ou se você pensa que é uma fase que vai passar, se você sequer pensou em dizer que você acha que eu ficava melhor de cabelo comprido, ou que “olha que doidinha, a Isa”, ou qualquer coisa do gênero: vê eu te explicando os meus motivos pra fazer o que eu bem entendo com o meu cabelo? Vê? Não? Então.

 

Não me odeiem.

blogday e a blogosfera

A única coisa que eu tenho pra dizer sobre o dia de hoje, o famigerado Blogday, o final do BEDA – que obviamente eu não participei, mas que me dará inspiração para todo o sempre – e a minha querida blogosfera é:

Vocês me fazem querer voltar a cada mês que eu resolvo que não vou mais vir aqui. Obrigada, migos <3 Amo todos vocês.

(E se você não entendeu nada do que eu escrevi você não é velho o suficiente pra ler o restante dos posts beijos)