projeto de vida

eu não entendo vocês

Eu não entendo vocês.

Agora todo mundo quer ser magra. Tá certo, tá certo, a gente quer isso há muito tempo, é verdade. Mas agora tá na moda ser magra e trincadinha. Não trincada demais, é claro, porque ninguém aqui quer ser taxada de panicat – sexy sem ser vulgar, né minha gente. Mas haja gominhos na barriga, pernas torneadas e braços com mini-muques tatuados com mini-tatuagens. E haja linhas fashion de roupas de ginástica e receitas de suco verde.

Gente, é suco. E é verde. É verde porque tem alface, tem repolho, tem couve, tem agrião. Gente, ISSO É SALGADO. Isso tem que ficar no prato, e não no suco. Gente, pára, isso não é gostoso.

Qual é o problema em comer salada? No prato, com tomatinho, cenourinha e pouco azeite – olha só como eu sou saudável. Qual é o problema de refogar? De deixar ali, ao lado do seu filezinho de frango grelhado e da farofa de quinoa que sacia e faz você comer menos? É salada, gente. Sa-la-da. Não foi feito pra ser bebido, por favor.

suco-prisao-ventre

isso não é gostoso, gente.

Quem sabe um dia eu deixe de ir à academia (sim, porque eu também quero ser magra) com a camiseta do trote da Usp 2006 ou a de brinde da pré-estreia do Batman. Aí acho que eu vou passar a entender vocês.

NHAM!

Quando você percebe que 80% dos posts publicados no seu blog falam sobre, têm títulos relacionados ou reclamam de comida. É aí que você descobre o que aconteceu com este pedaço de ano que se passou.

Você comeu ele.

é na manteiga, manteiga, manteiga, manteiga (4X)

Eu tinha uma ideia de começar a postar receitinhas aqui no blog. Porque claro, faz parte da hipsterização da minha vida aprender a cozinhar. As fotos vão para o instagram, com filtros bonitos, mas eu nunca consigo mostrar lá o quanto meus pratos são apetitosos. Eu e namorado já fizemos risoto, macarrão e, a última, foi um hambúrguer melhor do que eu comi na melhor lanchonete da cidade (risos). 

Mas, algumas coisas me impediram de seguir no projeto. A primeira delas é que eu não tenho uma cozinha. Assim, a arte da culinária fica restrita a momentos de abandono integral de casa, que têm que ser meticulosamente combinados com a minha vontade de sair da cama de final de semana. Momento raros. O segundo motivo é que eu descobri que cozinhar é caro, e envolve realizarque carne de supermercado é nojenta e que queijo gorgonzola custa mais que um prato no restaurante fuleco da firma. 

Mais que isso, eu descobri que cozinhar é nojento.

Não digo que o ato de cozinhar seja nojento. Pensei que seria uma dessas com nojinho de tudo mas, uma vez com foco no resultado, sou uma profissional bastante inescrupulosa. Nem me refiro às pilhas de louça sujas que se acumulam misteriosamente depois de você fazer um simples miojo. Não. Quando eu digo que cozinhar é nojento eu me refiro ao processo de descobrimento de tudo o que vai naquele seu prato maravilhoso. Todos os ingredientes. Todos os ovos. Toda a manteiga. Todo o óleo. 

Esse final de semana foi o hambúrguer. A começar que carne moída é uma coisa do inferno. E, vejam bem: eu sou viciada em carne crua. Mas carne moída não dá. Então, pede-se pro namorado fazer a parte sangrenta. E você fica com a parte da chapa. Põe o bolinho de carne na chapa. Liga a chapa. E põe manteiga no bolinho de carne na chapa.

Muita manteiga. Mais manteiga. 

O moço hipster do restaurante bombado diz que “quando falamos de hambúrguer, nunca é gordura demais”. E manteiga. Mais manteiga. E quando você acha que nunca mais vai ser capaz de ver nada amarelo na sua frente, você vira o hambúrguer. E põe mais manteiga. Enquanto-o-bacon-frita. No óleo. 

Tudo isso parece bastante instigante pros mais adeptos da culinária-ogra – e, acreditem, amigos, eu não sou nenhuma lady. Não acho que salada seja comida e o único grão que tem no meu prato é grão-de-bico (no tahine). Mas quando você está segurando uma garrafa de óleo em cima de um bolinho de carne e ela está fazendo barulho de ar entrando pelo gargalo, meus amigos…

E você resolve fazer maionese. “Óleo até dar o ponto”. Vocês têm noção de quanto óleo demora para que dois ovos virem maionese? 

dança comigo, remexe bem

Eu nunca fui magra. E também nunca quis tentar ser. Sempre tive muita consciência de que eu nunca seria conhecida como “aquela magrinha”, e nem poderia ser uma dessas abençoadas mulheres que andam por ai sem sutiã, mesmo após eu ter comprado meus próprios peitos.

Eu até tinha a esperança que um dia se referissem a mim como “aquela pequenininha ali”, porque, afinal de contas, eu passei bem longe da fila de altura, mas o que não me deram em pernas, me deram em “onas” distribuídas em meu metro e meio. Tranquilo. Nada de mignon, nada de pernas finas. Sempre soube que teria que conviver com as gorduras que ralam as coxas.

Digamos que meu modelo de mulher nunca foi Gisele, nem Jennifer Aniston, quiçá uma Juliana Paes. Quando eu era criança, me diziam que eu era a cara da Mili, de Chiquititas. E hoje, bom, hoje eu sou a Hannah, de Girls.

Até ai, tudo bem. Nunca gostei de ficar parada e no combo meio-metro + coxas enormes, ganhei um par de joelhos usados que nunca me deixou dar ao luxo de descansar. Exceto quando a coisa tá tão preta que seu dia a dia se resume a ônibus e sopa. E, caros amigos, essa sopa – quando não é canja – tem creme de leite pra caralho. Creme de leite indo straigh to my fat coxas, criando barriga, acumulando nos braços de fazer pão, deixando até um papinho discreto.

E, convenhamos: eu nunca liguei muito. Por mais que eu sempre declame que “não posso, estou de dieta”, basta o primeiro episódio de Grey’s Anatomy sair que eu tô lá, devorando um tablete de Kit Kat e chorando como se TPM fosse um fator constante na minha vida. Eu nunca liguei muito, mesmo.

Até ver essa foto da Mili:

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Barriga sarada, perna fina, shortinho que não entra na dobra da coxa e a cara de “onde está sua Mili agora?” – E a foto é do instagram, minha gente. Nada de photoshop aqui.

Então é isso, crianças. Se a Mili conseguiu, eu também consigo. Preparem suas hashtags, projeto maromba is coming.