projeto de vida

balanço geral

Então, é Natal.

Heh.

Claro que eu vou usar essa data magnífica pra vir fazer o balanço geral de 2014, porque não poderia haver data mais emocional/sentimental/meudeustôdestruída pra tanto, né. “Nesta fase, Isadora, procure tomar um cuidado maior no que diz respeito a surtos de melindre emocional”, pede meu horóscopo. CLARO. Tá fácil. Eu nem chorei assistindo 1- ao show do Roberto Carlos; 2- ao especial da Fátima Bernardes. Uhum. Tá tranquilo. Acho que mais ou menos desde outubro que eu venho fazendo esse balanço e implorando que o ano acabe.

Na real, eu ainda acho que ele não vai acabar. Tenho a consciência que vai chegar dia 31 e eu vou estar sentadinha, quietinha, com os gatos no colo esperando ansiosamente as 12 baladas e, PUF, de repente vai ser janeiro de 2014 de novo.

Porque, gente, esse ano foi meio complicado, não foi? Eu tô vendo muita gente exausta. Eu tô exausta. Cansada dele mesmo, sabe? De existir nesse ano, e acho que essa foi a sensação geral. Não foi exatamente um ano ruim: muita coisa boa aconteceu, muitas conquistas importantes, muitos momentos bacanas. Mas tudo meio atropelado. Não sei se porque muita coisa aconteceu ao mesmo tempo, mesmo as coisas boas vieram de uma maneira corrida, difícil de conseguir e difícil de aproveitar. Vou dar um exemplo:

Eu estava em dúvida sobre comprar um Kindle ou comprar uma bicicleta. Eu fiquei o ano inteiro pensando se eu comprava um Kindle ou uma bicicleta, anotando os pontos fortes e os fracos de cada um, sonhando com cada um, colhendo informações sobre cada um. Eu consegui decidir no último m-i-n-u-t-o o que eu iria comprar: um Kindle. No último minuto, quando nada poderia dar errado, quando eu tinha que ir na loja HOJE ou HOJE e comprar o bendito. Dai apareceu uma puta oportunidade: um desconto de R$ 50 em uma promoção de revista (sim, isso existe ainda). UHU QUE SORTE! Dai você liga pra loja da promoção. O cara fala que não tem nada disso, que não sabe. Aí você desliga. Liga de novo. Outro atendente: claro que tem, vem aí, escolhe teu Kindle, a gente tem 19289182 opções! Aí você pede mais informações sobre cada uma delas, fica 40 minutos no telefone, fica mais em dúvida ainda, procura na internet seiscentos vídeos-resenhas de cada modelo, sendo que tem até às 21h pra escolher, sair do trabalho, ir pro shopping, entrar na loja, pegar o bichinho que você escolheu e ir pra casa feliz. Nesse meio tempo, caiu uma bomba no trabalho, você se atrasa, chove como não chovia há 6 meses em São Paulo, tudo alaga, você se atrasa 4 horas, chega faltando 15 minutos pra loja fechar, descobre que está com virose e precisa ir ao banheiro urgentemente mas não dá tempo porque a loja vai fechar, segura o piriri, briga com o namorado no meio do caminho, não te atendem na loja, escrevem seu nome errado e a encomenda não confere, na hora de pagar o cartão dá erro, arruma, paga, saí da loja, vai no banheiro correndo e chorando, abraçada na caixinha preta, sai, pede desculpas pro boy, senta no restaurante, tem febre, não consegue comer, volta pra casa correndo segurando o piriri de novo.

E descobre que o Kindle foi a melhor compra do ano <3

2014 foi assim. Coisas maravilhosas aconteceram. Todas elas, de maneiras bem bizarras.

E coisas bizarras aconteceram também. Essas foram a maioria.

Mas, por mais que eu esteja realmente a fim de esperar 2015 chegar dentro de um iglu, sozinha, enchendo a cara de champanhe, vale parar agora para agradecer e comemorar também as coisas lindas. A casinha nova, os gatinhos – ah, os gatinhos! – algumas pessoas maravilhosas que seguraram o forninho de 2014 comigo, sem deixar cair e, principalmente, todo um processo de autoconhecimento hippie que, meio na base da porrada, me ajudou bastante a crescer, segurar a onda e acreditar que o próximo ano vai ser melhor. Mais centrado, mais tranquilo e mais certo de si e de mim.

Já que esse é o momento, vale também fazer um overview do que eu me propus no começo de 2014 pra ver que não estamos tão na pior assim, eu acho:

1. Investir mais em mim: meio check. A ideia era parar de ser muquirana e investir em mim mesmo, pessoa-Isadora. O que eu fiz de duas maneiras bem específicas: fazendo absolutamente todos os cursos do mundo para ~descobrir o que eu quero da vida (tô quase lá) e mudando meu cabelo como se não houvesse amanhã. Mas faltou cuidar da saúde. Ahhhhhh se faltou ¬¬

2. Correr: HAHAHAHAHAHAHA. (Pensando bem, talvez eu devesse ter comprado a bicicleta…)

3. Voltar a estudar: check check check. E não quero parar, não, foi a melhor coisa que fiz esse ano, apesar de ter destruído minha vida social ocupando todos os dias da minha semana. E eu ainda quero estudar uma língua em 2015.

4. Aprender a viver com menos: check. Ou meio check, mas tô no caminho. Entendendo melhor o que eu preciso, o que não preciso e o que eu “posso”. O Kindle entrou nessa brincadeira, mas ele é tão lindo que merece um post só pra ele.

5. Ler mais e escrever mais: check. Especialmente na parte da leitura, até porque meu trabalho exige bastante dessa parte. Escrever também fez parte da coisa dos cursos e, tomara, vai continuar fazendo. O blog não entrou nessa brincadeira, infelizmente, mas (lá vou eu) acho que vou conseguir me organizar melhor no ano que vem. De qualquer maneira, não por quantidade, mas por qualidade e estilo, estou bem feliz com o que rolou por aqui este ano 🙂

E pra 2015, tia Isa? Tenho até medo. Mas vamos lá:

 1. Cuidar mais da saúde e do corpo: vou me comprometer publicamente aqui e entrar em algum #projetoverão da escolha de vocês. Esse ano foi também um ano de aceitação – obrigada Olga <3 – e muito mais entendimento do meu corpo – ainda tenho um caminho gigantesco por aí, mas vamos lá. Mas algumas coisinhas eu sei que posso resolver/melhorar só deixando a preguiça de lado. A bicicleta vai deixar de ser um presente de Natal e vai virar uma realidade em breve. Me aguardem!

2. Por em prática o que estudei: duvido que eu pare de fazer os cursos todos, mas acho que tá na hora de por em prática o que aprendi, né? Ou ao menos tentar de verdade, até pra ver se alguma delas é uma possibilidade real de mudança de vida daqui em diante.

3. Levar as coisas mais numa boa: let it goooo… Além da minha relação com as pessoas, comigo mesma. Entender que é completamente normal e aceitável passar um domingo sem olhar pra uma lista de “coisas a fazer” e ficar olhando pro teto com um gato na barriga. Ou andar por aí sem precisar colocar no instagram. Faz bem pra saúde.

4. Fazer mais trabalhos manuais: já diz meu mapa astral que se esse peixinho não tiver nenhum lugar pra canalizar a energia criativa que mora dentro dele, entra facilmente numa espiral de depressão e autodestruição avassaladora. Então vamos lá gente, tirar do Pinterest toda a minha capacidade de fazer terrários, crochê, ponto cruz, desenhos, objetos de decoração e casas na árvore.

5. Escrever mais aqui: tô gostando cada dia mais desse canto. Nem que seja no esquema diarinho (vocês podem ir embora, se quiserem), mas quero passar mais por aqui. Não quero botar metas (oi, resolução número 3), mas seria legal se saísse 1 postzinho por semana, né? Acho viável, acho possível. Me incentivem 🙂

2015

E gente, vamoquevamo. 2015 há de ser mais gentil, mais tranquilo e as conquistas de 2014 que ainda não foram aproveitadas continuarão existindo. Cabe a gente achar espaço – sempre tem! – pra que venham outras, né?

Feliz ano novo!

slow fashion normcore alguém me faz parar de comprar roupa

Faz bastante tempo que li um post em um dos meus blogs favoritos – sim, é claro que eu leio blogs, é claro que eu tenho meus favoritos – sobre um armário mais minimalista. Quer dizer, totalmente minimalista, muito antes do hype com o minimalismo, a tipografia e as suculentas. O post do Ricota não derrete era curtinho, mais falando do design do “closet flutuante” do que do conceito, em si, mas mexeu um pouco comigo.

Explico: eu sou um monstro consumista. Really. Desde que comecei a ganhar dinheiro, lá no auge dos meus 17 anos, eu fiz apenas uma coisa: comprei. Roupas. Sapatos. Livros. E olha, longe de mim fazer uma crítica no esquema “namore uma mulher que compre livros e não sapatos aqui”, porque todos eles, os livros, os sapatos, as milhares de roupas, e todas as outras tranqueiras, fizeram parte de todo um amadurecimento pessoal que fez com que eu me conhecesse muito melhor. Muito. Eu demorei pra chegar num “estilo pessoal”? Demais. Eu passei por fases constrangedoras, da modinha, que nada tinham a ver comigo? Porra. Eu gastei mais dinheiro que deveria e poderia estar dando entrada no meu condo em Seattle agora se tivesse economizado? Provavelmente não, mas quase.

Tudo isso me fez perceber duas coisas 1) eu preciso dar um fim das minhas roupas; 2) eu preciso aprender a comprar. Já comecei a fazer as duas coisas, claro, porque aqui não tem brincadeira não, mermão. Tenho 4 ou 5 caixas de roupas para doação separadas, aguardando a minha boa vontade de descer com elas até a igrejinha mais próxima, e bom, quanto à segunda parte… Estamos caminhando. Eis que no meio disso tudo, desse processo que começou no início de 2014 quando eu me mudei de casa e percebi que não são todos os apartamentos do mundo que têm armários que comportam o meu volume de compras absurdo, surgiu uma coisa que aparentemente se chama Slow Fashion.

Amo essas tendências Slow Something. Ah, amo. Tem gente chamado de Normcore também. Eu tenho uma palavra muito complicada e conceitual que vou tentar explicar pra vocês da maneira mais didática que conseguir… Assim… Chama BÁSICO. Lembra? Quando a gente falava “básico”? É tipo um básico cool. Camiseta cinza mescla. Aliás, um ode ao cinza, aos 50 tons de cinza, a todos eles. Preto. Branco. Jeans é o máximo que a gente vai abusar. O simples do simples, de um jeito “só tenho 2 camisetas em casa”. E dai, quando você colocar aquela camiseta pink escondida no armário, BOOM. Ousada.

Ah: listrado. CLARO. Modelagens amplas, quase sem pregas, estilo sou-magra-e-posso-usar-sacos (eu não posso, mas eu uso). Saias longas. Comprimentos até a canela. Duvidosos.

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casual

Tô achando bonito. Na verdade, um meio termo entre todas essas coisas. Menos peças. Peças melhores. Menos promoções, mais investimentos. MENOS ROUPA, mais Omo, né minha gente. Estou desesperadamente procurando vestidos-longos-de-uma-cor-só. Preto. Cinza. Cadê a Hering que antes servia pra isso, comprar roupas básicas? Não tem mais. Alguém tem uma costureira amiga? Agora as peças básicasslownomcoregatadopinterest custam 200 reais também. O que acaba levando todo o meu plano por água abaixo.

Mas tá legal. Tô na escala de cinza. Tô nas modelagens amplas. Tô nas saias longas. Com um toque hippie. Com chinelos. Ahhhhh, os chinelos…

PS: ah, eu achei um blog (claro) absolutamente maravilhoso que fala sobre tudo isso de uma maneira muito incrível, o Into Mind. É uma consultoria de estilo ali, linda, gratuita, cheia de imagem do Pinterest. Ele te dá vários passo a passo explicadinhos e inspiradores sobre como “refazer” seu armário/estilo; dá dicas práticas (e bonitas, ah a beleza!) para exercer todas as propostas; e propõe algumas reflexões sobre o que realmente é levar uma vida melhor com menos. E aqui tem TUDO. Muito bacana!

halloween atrasado – e bem mais divertido

Festinha dá certo quando é assim: ainda que não seja na data mais correta – quando a casa tá vazia! -, mas com quem a gente ama e muita, muita criatividade. Eu sou maluca por decoração de festa e, quando deram a deixa “nós vamos fazer um Halloween fora de época”, corri pra 25 de março com o pouco que restava do salário e voltei com a sacola cheia. O que virou:

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Abóbora nojentinha: abóbora de plástico, uns R$ 3. A gente cortou a boca com estilete e encheu de guacamole!

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Bexigas engraçadinhas: bexiga, né, gente? E caneta de CD. Voilá!

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Cortininha de fantasmas: melhor DIY – barbante, uma sacola de bola de isopor pequena (R$ 6) e um pacote de guardanapos. É só ir amarrando e desenhando as carinhas, fica mega simpático!

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Mais abóbora e uma caveirinha. R$ 3 também, é tipo uma cestinha pra colocar doces. A gente pôs velas dentro pra iluminar.

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Copinho de festa colorido e caneta. SIMPLÃO. E um pacote do bom e velho pirulito que deixa a língua azul…

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Eu tava saindo da loja de decoração quando vi jogado num canto um monte de saquinho com aquele musgo falso, de colocar em vaso, sabe? Juntei 2 sacos desse com uns de pout pourri e pronto: floresta maligna. O esqueleto foi o que saiu mais caro na decoração: o pacote com 4, R$ 10.

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Mais papel, mais copo plástico 😉

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Luzinhas de natal: SEMPRE TENHA. Melhor jeito de iluminar uma festa!

Um dia eu vou largar tudo e viver disso. Anotem aí o que eu tô dizendo. E sim, eu faço a sua festa, é claro!

projeto #tiadadecoração: a penteadeira

Esse é um post mulherzinha. Já aviso de antemão que eu ando meio monotemática. As horas livres se tornaram extensas buscas pelo Pinterest, eu troquei as lojas de roupa pelas de decoração, e eu me preocupo realmente com o nível de poeira acumulado – e ele tem que ser inferior ao aceito em um hospital.

Deal with it.

Então pra coroar o meu momento, eu comprei uma penteadeira. Uma penteadeira – não é uma escrivaninha, um móvel, uma mesinha, uma estante. Ela tem que ter esse nome como se eu fosse uma jovem princesa escovando 100 vezes minhas madeixas antes do príncipe chegar. É claro que ela é amarela. Amarelo-ovo. Amarelo-amarelo.

a penteadeira!

a penteadeira!

– Onde você comprou a penteadeira, Isa?

Foi assim: em Diadema. Numa fabriquinha de móveis bem honestos e bonitinhos que, claro, não tem site. No “catálogo” – uma lista de preços no Word – diz que o nome do vendedor é Morramed, mas né, gente? Eu sou turca, eu posso zoar com essa irônica coincidência da vida. Não vou ficar divulgando o único contato que tenho do povo por aqui, abertamente, então se alguém se interessar, please, deixa um email nos comentários e eu repasso, tá?

Mas eis que a bichinha custou aproximadamente 400 dilmas e chegou aqui em casa, diretamente de Diadema, linda e no MDF em um sábado de manhã. No MDF. Molinha, molinha. Marrom, marrom. Sem nenhum acabamento. Sem vidro. Sem espelho. Sem puxador. SEM GLAMOUR.

– Como você fez pra penteadeira ficar bonita, Isa?

Primeiro, eu lixei. Eu lixei como se não houvesse amanhã – estamos aqui agradecendo publicamente o namorado por horas de poeira de madeira no nariz – até a superfície, que era lisa, ficar bem porosa. Tem que ficar bem porosa, gente. Tipo madeira mal acabada mesmo, senão a tinta não entra.

O segundo passo é passar uma coisa que chama primer ou fundo preparador de madeira. Ele deixa a superfície mais uniforme e garante que a cor que você escolheu vai ser o mais próximo da embalagem possível [/c&cpreçomelhorpravocê]. Dai você passa o bichinho em tudo. EM TUDO. Deixa tudo com aquela de pátina dos anos 90, meio branco, meio bege, meio cara de móvel da feirinha do shopping. Uma lindeza que só. Mas, acredite, isso vai ajudar a….

-… Por que você pintou tudo de amarelo, Isa?

Cara, porque amarelo é legal. E porque já basta uma senhora de 25 anos com uma penteadeira rococó no quarto, né, amores, vamos deixar ela pelo menos um pouco mais descolada. A cor que eu usei é o amarelo RGB, amarelo ouro, amarelo 500. Amarelo de verdade, sem mimimis. Dai eu vou contar a melhor parte pra vocês: não deu certo.

Primeiro porque eu quis usar o bendito do rolinho que, a princípio, é lindo, cobre superfícies inteiras num piscar de olhos e… Não chega nas beiradas. Óbvio, né? Não pra mim. Olha, pra mim demorou bastante pra entender isso. Fora que olha essa penteadeira rococó, gente. Tá notando a quantidade de dobrinhas e curvinhas e outras inhas que ela tem? Pois é. Nada de rolinho. O pincel é o melhor instrumento nessas horas: e dá-lhe paciência.

Lembra aquilo que a tia de Artes ensinou na 2ª série: pintar sempre pro mesmo sentido e na mesma direção? Aham, usem. Senão o acabamento fica porco. Outra dica que dou é você ir mensurando a quantidade de tinta no pincel: pouca vai deixar aquelas listras que as cerdas desenham, muita, vai escorrer e ficar meio “pingado”. É cara, é uma arte. Como eu fiz pra dar certo? Liguei pro meu pai. Sim. Eu admito.

– Quanto tempo demorou, Isa?

UMA ETERNIDADE. Cara, entre uma camada e outra – e foram umas 4! – demora tipo, um ou dois dias. Isso pra estar bem seco e evitar problemas maiores, como manchas, bolhas e afins. Vale a pena. Recomendo que, caso você pretenda copiar o procedimento em casa, mesmo depois de tudo isso, use um espaço que você não transita muito. Ou seja: não faça como eu que deixou no meio da sala, tá? Fica a dica.

E daí que umas 2 semanas depois, muitas idas e vindas da casa dos meus pais e muito tempo pensando que eu fosse ter que me contentar com um móvel de pátina… Eis que eu tinha uma penteadeira!

os detalhes da penteadeira ;)

os detalhes da penteadeira 😉

Os puxadores e o potinho branco, que eu guardo algodão, são da Collector 55 – que eu não recomendo visitar caso você esteja no final do mês. Sério, é tudo divino e megadiferente do que você por aí em termos de decoração. Eu também mandei fazer os espelhos em uma loja em São Bernardo (de novo, se alguém quiser o contato, me avisa pelos comentários!) e um vidro para a mesa, que valeu cada um dos seus R$ 60 assim que eu derrubei a primeira talagada de base em cima. A bandeja onde estão os perfumes são da Maria Presenteira e os outros potes, que usei de porta-pincel, de lojinhas de R$ 1,99. Ah, sim: ali do lado tem um caixote de madeira, o ícone máximo do hipsterismo que, como vocês podem perceber, foi muito mal pintado.

E esse foi meu primeiro projeto do it yourself: um móvel, do zero. Não se preocupem que em breve eu volto ensinando vocês a construir uma casa na árvore, ok?

Sozinha

Hoje eu cheguei sozinha em casa.

Tipo, eu faço isso todo dia. Eu saio do trabalho, venho pra casa, chego sozinha. Nem sempre tem alguém aqui, mas sempre tem gente. Tem uma ligação, um toque “olha, cheguei, fica tranquila”, um abraço até, às vezes – com sorte, um franguinho do limão, de vez em quando.

Hoje eu saí sozinha e cheguei sozinha. Fui, encontrei uma amiga, me despedi e dei uma volta. Já não era mais hora de metrô, todo mundo já estava na rua. Eu andei uns dois quarteirões e percebi que não fazia a menor ideia de como voltar dali. Minha cabeça, já acostumada a cronometrar as paradas dos ônibus, os milímetros dos trajetos, apenas desligou o GPS involuntário e eu demorei uns bons 10 minutos pra entender que, pra sair dali, eu teria que andar. E aí eu andei. E peguei um ônibus. Subi e vim – cheguei, sim.

E daí que eu cheguei sozinha em casa. Não liguei pra ninguém, não sei onde as pessoas estão. Percebi agora – mais ou menos 1 hora depois – que eu fiz tudo isso, e tô aqui, vivona.

Eu já cozinhei, eu já comi atum da lata, eu já pintei um móvel, eu já desentupi banheiro, eu já limpei geladeira e já quebrei umas 3 garrafas. Mas nunca tinha chegado sozinha assim.

Foi bom, viu.