domingo é um dia bunda

domingo é um dia bunda #6

A minha vida, essa eterna quarta série. E como a minha cabecinha funciona, isso também. Se me chamam de “Isadora”, eita, que dor. Se não gostam de mim. Se não me respondem no whatsapp. Se riem com outra. Se roubam minha piada e a tornam engraçada, pois não era minha. Se nada em mim é interessante. Se eu tento tento tento tento tento agradar e se torna essa coisa extremamente insistente e torta e chata – e talvez eu nem seja tão chata assim. Se eu tenho que me convencer que eu me basto. Se eu tenho que me convencer de que eu tenho que fazer as coisas por mim. Se eu tenho que me convencer que preciso parar de tentar agradar. E buscar e buscar e buscar e buscar uma aceitação externa, quando nem a própria eu tenho totalmente. A minha vida, essa eterna quarta serie.

Quanto eu estava na quarta série, eu fazia “parte” de um grupo de “amigas” que absolutamente nada tinham a ver comigo. O tanto que eu tentava fazer parte consumiu os bons anos da minha quarta série e era proporcionalmente doloroso ao quanto nós não tínhamos nada a ver. Nada a ver. Um dia, eu fui informada que elas tinham criado um clube – que além de um grupo, nós éramos um clube. Um clube de ~patricinhas. Dolorosamente distante do que eu era. E também fui informada que, para participar do tal clube, eu teria que passar por um teste. Me entregaram a minha carteirinha – sem foto, elas já tinham tirado as respectivas fotos juntas, elas já tinham plastificado suas carteirinhas, a minha era um pedaço de cartolina sem foto – e atentaram ao espaço em branco: nota da semana. Meu teste de merecimento, de pertencimento, de adequação.

Eu tirei 4,5 de 10.

É assim que a minha cabecinha funciona. Minha vida, essa eterna quarta série. Essa eterna busca pela aprovação e pelo pertencimento em coisas e questões e caixinhas que eu nem sei se realmente me pertencem. Esses mini relacionamentos hiper abusivos em que nos jogam as migalhinhas de amor e de atenção. As conversas que você tenta puxar e se enrola de tanta vergonha e vontade de agradar – que doem só de lembrar. O sentimento recorrente de ser uma fraude, uma farsa, de estar claramente deslocada, de tem um holofote te marcando com a luz vermelha do você nem deveria estar aqui, miga.

A minha vida, essa eterna quarta série, em que você se encaixa onde não queria e queria onde não se encaixa.

domingo é um dia bunda #5

Eu ainda surto quando não tenho um plano. Seja o plano, detalhado, pra esse domingo ensolarado, seja um plano de vida que me coloque nessa ou naquela cidade definitivamente, nesse ou naquele país. Se eu paro pra pensar, é aquele vórtice infinito de medo paralisante misturado com a necessidade de me levantar agora e fazer algo – na maioria das vezes, algo equivocadíssimo.

A gente segue tentando encher os buracos, e os buracos são cada vez mais nítidos. Talvez a gente até tenha se acostumado com eles. Já não são tão escuros e gelados, vez ou outra, eu diria, são até um pouco aconchegantes. Buracos que dão aquela abraçada de leve, meio safada, mas também meio paternal, dizendo: vem cá, senta aqui, curte esse pedaço de tempo de fazer nada, curte esse dia que pedaço de dia que você vai nunca mais vai lembrar. E você vai jogando o jogo: esse eu não lembro, esse passa em branco, o próximo eu guardo, amanhã eu escrevo, eu fotografo, eu registro.

Tudo ainda te assusta, te enerva, te deixa o quê? É, ansiosa. Chegar antes – mas não antes o suficiente. Não saber quantas noites você vai ter que ficar fora. A lista interminável de coisas para comprar pra casa. Os quilos que não vão embora, por mais que você se esforce. A pele que não fica boa nunca. Não ter absolutamente nenhum controle sobre quem vai ficar na minha frente naquele show, o show, meu show. Ter a certeza, toda vez que sai de casa, que a gente perdeu uma briga importante e que estamos em minoria.

Tudo o que te acalma é cada vez mais nítido, também. Chacoalhar a cabeça e mandar fisicamente embora os pensamentos. Saber que vai acabar. Estar cada vez mais em paz com a pessoa que você escolheu ser. Se incomodar cada vez menos quando tentam te convencer que você está errada sobre essa pessoa. Os gatos. As escolhas. O sol que bate na janela no fim da tarde – mesmo de domingo. Escrever. Cantar sozinha pela casa. Qualquer coisa que eu faça com as minhas mãos. Terminá-las.

Falta muito, ainda. Falta mais calma, falta mais espontaneidade, faltam mais chacoalhões. Falta aquela casa pequena de dois andares cheia de plantas, dois ou três gatos, falta acordar cedo todo dia, incluir frutas na rotina. Falta entender, de uma vez por todas, que a vida é isso aí, e que tá tudo bem, e que a comanda individual dessa conta fecha – ainda que a do mundo esteja longe de fechar. E não é você que vai arrumar isso. E que, quem importa, fica. E que o que importa já está aí.

Eu ainda surto, mas cada vez menos.

domingo é um dia bunda #4

É primavera, mas a luz ainda é de inverno – as plantas ainda estão inclinadas procurando o sol, o frio ainda deixa a gente com preguiça de sair, as coisas ainda parecem não se encaixar.

A receita de brownie deu certo e a manhã foi produtiva, cheia de arrumação e limpeza, pra abrir espaço pra receber os amigos e mais coisa linda, assim que der.

Tem um gato preguiçoso dormindo nas minhas pernas e uma série boba passando na tv.

Registra: grava essa nota mental pra respirar durante a semana.

d-o-m-i-n-g-o

 

domingo é um dia bunda #3

Eu preciso muito de silêncio (note to self: ainda preciso escrever sobre isso). E de organização. Isso não é uma coisa bonitinha e curiosa da minha personalidade: é algo que me derruba. Se eu fico dias sem rotina, tudo vira uma bagunça. Se tudo vira uma bagunça, eu me enfio no vórtice infinito do “não dá pra arrumar porque tá tudo uma zona”. Eu preciso de silêncio pra me organizar e de organização pra entrar no eixo.

Acordar às 9h num domingo silencioso, estar sozinha, tirar as caixas. Tirar todas as caixas. Tirar todas as coisas. Colocar tudo de volta, reorganizar, encaixar, guardar. Com sol, com gatos, minhas coisas. Por tudo em ordem.

Às vezes é só isso.

domingo é um dia bunda #2

fail edition.

Quer dizer, considerando os últimos tempos, eu poderia muito bem mudar o nome desse blog para “domingo é um dia bunda”. que vergonha.

Mas venho dizer por meio deste que, apesar da semana bizarra cadê-perspectiva-da-profissão-da-vida-do-mundo-socorro-quero-fugir, o final de semana foi cheio de planos, de eventos, de pessoas amadas. De preguiça de sair da cama que foi vencida e trocada por comida boa, amigos, novos amigos, amigos que damos segundas chances. Teve até show, vejam. E lugares lindos. Que bom, né?

(Não que eu não tenha assistido vários episódios de Gilmore Girls. Afinal, eles não vão se assistir sozinhos, né?)

domingo é um dia bunda #1

Sete temporadas de Gilmore Girls – que não, eu nunca tinha assistido, cês imaginem quando é que eu vou levantar desse sofá -, dois baldes de pipoca, uns jogos de futebol bacana, uns homi de bermuda justinha. Talvez seja sobre isso a (boa) vida adulta.

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Domingo é um dia bunda: num é? Daí que eu tive uma brilhante ideia de escrever uma ou duas frases sobre os domingos, todo domingo, pra ver o que acontece, e se essas bundas são boas bundas, bundas moles, bundas firmes, #bumbunsnanuca.
Eu tô gostani dessa coisa de numerar os títulos dos posts, né? hm que criativa e inovadora.