do coração

1,2,3

“Pagar minhas contas, uma rotina que me permita conhecer/fazer coisas novas e exercício físico regular”. Foi assim que uma amiga minha definiu o que seria a definição de felicidade pra ela. E eu imediatamente concordei, do jeito que a gente só concorda quando realmente sabe, de dentro pra fora, que concorda tanto assim.

Parece pouco, mas é isso. E eu ainda ouso dizer que: nessa ordem, inclusive.

Se tem uma coisa que eu aprendi nesses 27 anos é a listar e priorizar as coisas e, dessa maneira, o primeiro tópico e o mais importante – e, portanto, mais difícil – é o “pagar minhas contas”. Veja bem, não precisa ser “pagar minhas contas e ser rica” ou “pagar minhas contas e comprar um iate”. É só e tão apenas garantir que o aluguel entre, os gatos tenham comida, e a Forever 21 esteja ao meu alcance. As contas, mesmo as supérfluas, são o primeiro ponto de preocupação, o maior, o mais difícil, e o primeiro que deve ser riscado da lista de uma maneira bem prática e programada – que não necessariamente tem que ser ruim ou exaustiva.

O que leva à questão da rotina que eu acabo de nomear como “de boa”, de boa lifestyle. Tempo de parar de ter inveja das pessoas que “largam tudo e vão conhecer o mundo”, que “largam tudo e vão trabalhar com o que amam”, que “largam tudo e….”, de uma maneira geral. Uma rotina que me permite, vez ou outra, conhecer um dos cantinhos do mundo, às quintas à noite trabalhar com o que eu amo e, de vez em quando, largar tudo, nem que seja pra retomar depois, é o que me satisfaz. Os momentos se tornam mais constantes, menos radicais, mais plácidos, menos intensos, mas mais certeiros e mais internos – ainda que os compartilhados. Faz bem.

E o exercício físico regular a gente vai tentando, esse, a gente ainda vai descobrir o que dá prazer e o que dá pra pagar, já que o que dá pra fazer é chato e o que dá pra pagar inviabiliza a primeira parte desse rolê de ser feliz, mas uma hora ele vem, mais leve e com menos cobrança. Não custa nada acreditar.

O mais engraçado é que eu comecei a escrever esse texto em 2015 e hoje reencontrei essa amiga aí do início, dessas  amigas sumidas e que fazem falta, e tanta coisa mudou desde então – mas essas continuam as mesmas. “Pagar minhas contas, uma rotina que me permita conhecer/fazer coisas novas e exercício físico regular”. E quando ela me perguntou como você tá? hoje foi mais fácil responder, mais honesto, mais perto do que tem que ser. Mesmo quando a pergunta mudou pra o que você quer? e um grande ponto de interrogação a ansiedade não foi tanta, deu até aquele gostinho de pensar “tanta coisa, não sei nem por onde começar”, que seja um curso de bordado, um gatinho novo pra completar o trio, pintar a parede do quarto ou toda uma nova vida. Que seja.

Que seja.

imagem lá do Chez Noelle

imagem linda que eu vi no Chez Noelle

revirar-se

Esse caso inominável e bizarro e a gente tá o quê? Explicando pra homem como se comportar.

Tem que explicar. Tem que ensinar. Tem que falar “se você não para de tomar cerveja com o parça que bate na mina, você é igual”. Tem que ser didático e “se você dá risada da piada no whatsapp você é igual”. Tem que contar que “se você acha exagero você é exatamente igual”. Que “se você fala da roupa do batom do biquíni da gorda da vaca da Dilma da puta” você é exatamente igual. Você tem que dizer que não importa a roupa a droga a bebida o filho a idade o funk a escola. Você tem que construir os argumentos pro desconstruidão pegar mulher. Mas ele é tão legal.

Você, mulher, tem que explicar como é fundo e dolorido e pra onde você olha e pra onde você corre tem mais e mais e mais gente igual. Você, mulher, tem que se legitimar através do texto do brother que está envergonhado e que país é esse e que imagina que gente doente, que mundo doente, mas eu não sou assim, eu sou do bem. Você, mulher, nós, mulheres, a gente tem que ouvir que a solução e fazer os 33 virarem mulherzinha na prisão.

Virarem mulherzinha. Mais 33 mulherzinhas.

Mas a gente não precisa do feminismo, não.

Nayyirah Waheed 01

A gente está indignado, indignadíssimo, com um crime. Um crime absurdo, hediondo, impensável, um crime. Um crime que acontece todo dia – todo. santo. dia. – e ninguém vê. Um crime que quando não são 33 ou não repercute ou não pega tão mal não se pronunciar, passa em branco. Ou, pior ainda: é justificado. Um crime injustificável e inominável e indefensável, tanto quanto os outros 1 a cada 11 minutos crimes que acontecem diariamente mas, esses, sutis, justificáveis, mas e a roupa, mas tinha cara de safada, mas tava querendo, mas tá chorando porque se tá gostando.

Tá todo mundo indignado com a violência e a crueldade da favela, do morro, do tráfico, dos animais, dos pobres, do povo sem estudo porque tem que ler e ter cultura. Ninguém sequer de quantas vezes silenciou as duas ou três mulheres da reunião descoladinha na sala do lado da mesa de bilhar. Quantas vezes chamou de gostosa de vaca vagabunda de puta rodada e essa não essa é só pra comer na balada milionária. De quantas vezes rechaçou, recusou, de quantas vezes julgou a roupa e falou da amiga gorda, da mina vaca, da competição, da legging apertada, de que precisa emagrecer mas tem um rosto lindo. Mas tá todo mundo muito indignado.

Não é nossa função ensinar. Não é nossa função validar. Não é nossa função explicar. São séculos nos tratando como incapazes, burras, menos eficazes. São séculos no diminutivo. No bonitinho. No sensível. Meninas. No educado. No paternalismo patronizing patrocínio que apadrinha ampara protege sustenta defende auxilia. Está. No. Discurso. Não é nossa função compartilhar texto pra deixar (mais) famoso. Vamos escrever nossos próprios textos. Vamos nos compartilhar, divulgar, proteger.  Nos cuidar. Entender quem é o inimigo. Guardar as brigas internas num lugar importante, mas nutri-las com carinho e cuidado para brigá-las com a compreensão de quem já esteve do lado de lá. Quando for possível.

what
massacre
happens to my son
between
him
living within my skin.
drinking my cells.
my water.
my organs.
and
his soft psyche turning cruel.
does he not remember
he
is half woman.

– from

É preciso se unir. E abraçar e cuidar e empoderar e gritar junto e dar as mãos para cada uma das mulheres a nossa volta. Todas-elas. Todas-elas. Todas aquelas que renegamos, que rechaçamos, que chamamos de vadia, que temos inveja, que desprezamos, que nos machucaram, que nos feriram. É preciso abraçá-las. Precisamos promover todas as mulheres a quem admiramos, amamos, todas as mulheres que são muito próximas para dizermos que precisam se emancipar. Aquelas. E todas as que têm medo de falar por erro, e todas as que não desconstruíram e precisam, e todas as que não perceberam mas vão. É preciso dizer que nos inspiram. Que nos dão força. Que estamos juntas. Que somos fortes.

É preciso se posicionar. É preciso entender que não são 30 homens doentes: são 30 filhos saudáveis do patriarcado. Que estupro não é doença, não é sexo, não é desejo: é poder, é política, é dominação. É discurso. Coitada, coitada, coitada… Sofrer coito. Sofrer. Que está na linguagem. Naquele que dizemos todo dia. Na raiz da palavra. Presidenta. Mulher. Mulherzinha. Inha. Nos olhares por cima dos ombros na rua. Na hierarquia superior do homem.

É preciso (se) revirar. Tudo. Do zero. De dentro. Com força. Vermelho.

Nayyirah Waheed 02

Todos os trechos destacados desse post são de Salt, da poeta Nayyirah Waheed. Acho que nunca li nada tão poderoso. Dá pra ler o livro inteiro de graça na Amazon. Façam isso por vocês hoje. E também assistam o documentário Shes’s Beautiful When She’s Angry, sobre o movimento feminista dos anos 1960/70, na Netflix. Pra encher a gente de ideias e de força.

aquele do carnaval em são paulo

Não sei se estava mais ansiosa pra esse carnaval porque meubomjesusinho eu pre-ci-so que esse ano comece de vez, ou, bom… Porque é carnaval.

A quem eu quero enganar? É claro que é porque é carnaval.

Não se enganem, caros amigos: eu já fui a roqueirinha rebelde que dizia que preferia ser enterrada viva do que ficar na rua ouvindo ~música ruim~ e no meio da ~muvuca~ e blá, fugindo do sol, cultivando meus longos cachos com óleo de argan e sobretudo fedido. Claro que fui. Acho que todos nós tivemos essa fase e eu espero que coração que os meus amigos que ainda a vivenciam que possam evoluir e se tornar pessoas que amam o carnaval.

Porque gente. GENTE. Carnaval é a melhor festa do mundo.

Tô falando do carnaval de rua, carnaval moleque, carnaval dos bloquinhos – mas quem sou eu pra falar que qualquer outro tipo é ruim? Longe disso, já mordi a língua suficiente por umas 3 vidas. Agora, eu definitivamente não consigo pensar nos lados negativos do carnaval de rua. Tá eu até consigo, mas meu papel aqui é convencê-los de que não há nada melhor do que se fantasiar de unicórnio e sair no viaduto do chá, então segurem essas marimbas aí e me ajudem.

carnaval16_01

Há um tempinho que eu recuso convites de viagens intercontinentais para ficar em São Paulo e curtir essa festa que é o meu tipo de festa. Vem ver comigo os motivos:

// Começa cedo: eu honestamente não sei como vocês fazem para começar a se arrumar depois das 22h e sair após a meia noite, assim, do fundo do meu coração eu não entendo. A única maneira de eu sair pra ~baladam~ é emendando trabalho-bar-semtrocarderoupa-voufedidaprafestinha e, ainda assim, conto nos dedos quantas vezes isso rolou. Já carnaval, que horas começa? 14h, 15h, QUATRO DA TARDE. Olha que horário maravilhoso!

// Não começa tão cedo assim pra inutilizar seu dia: domingo foi dia de faxina pesada na casa. Terminou lá pra umas 13h, deu pra almoçar, tirar um cochilo e começar com tranquilidade minha fantasia de Banana Psicodélica. Ontem foi dia de resolver pendências internéticas, pensar nesse post, assistir Hannibal e ir no sacolão comprar a comida da semana. Deu 14h e eu ainda tinha 1 hora inteira pra pensar em como me transformar em um unicórnio. Fala pra mim se não é maravilhoso?

// Termina cedo: Gente. Termina. Cedo. Cedo assim: cedo às oito horas da noite. Às nove, gente, às nove já deu pra matar aquelas 3 esfirras (sempre um erro) da lariquinha, e você já está a caminho de sua casa linda, loira e com maquiagem derretida. Tudo se resolve por volta das 22h e, meus amigos: daí é só alegria, netflix & chill até o dia seguinte pra mais um dia de folia. Isso se você não chega muito destruído em casa, o que pode se transformar num cenário ainda melhor: você esquece as noções de higiene pessoal, deita e dorme: o que te propicia 10 horas de sono profundo até, sei lá, SETE DA MANHÃ do dia seguinte e de repente, BAM, você está acordada. Acordadona. E ainda é carnaval. AINDA É CARNAVAL GENTE!

// As músicas: se você jurar de pé junto pra mim que houve qualquer coisa da variação samba enredo-marchinha-jorge ben-paródia de qualquer uma das anteriores e não dá sequer uma batidinha com a ponta do pé no chão, miga, precisamos conversar.

// Você pode ser quem você quiser: sem considerar a depressão que é a gente precisar esperar um evento festivo para poder usar essa frase, mas miga, quer ser unicórnio? Seje. Quer ser mulher-fruta? Seje. Quer ser Bela Gil. Seje. Quer ser o casal da catuaba? Seje. Quer ser o japonês da Polícia Federal? Por favor sejesejeseje. Horas de maquiagem, horas de programa de drag queen ensinando a fazer contorno e esconder a sobrancelha, horas de preparação, horas de montação e algumas poucas horas de bloquinho e muito glitter em toda a sua casa pra todo o resto de fevereiro. Amor, né gente.

carnaval16_02Melhor época do ano <3

textão de natal

(é pra ler o título no ritmo da propaganda do “peruuuuu de natal”)

2015. Eita! Eu tô naquela fase emotiva de final de ano que olho pra trás, penso em tudo o que fiz, me arrependo de um tanto de coisa, fico feliz com outro tanto. E daí que eu decidi voltar lá no comecinho do blog esse ano, lá nos idos de 2013, e percebi que a decisão mais acertada que tomei nos últimos tempos anos foi mudar pra cá. O e agora, Isadora? é finalmente uma casa mais com a minha cara, do mesmo jeito que tem sido a vida. Um pouco mais confortável e Isadora friendly. É bom, viu?

Não que a coisa da vida adulta seja fácil. Longe disso. Era legal achar, numa era pré-2010, que quando as aulas acabassem teríamos tempo pra tudo: é mentira. Funciona nos primeiros meses de desemprego pós faculdade, mas aí você tá deprimida e procurando emprego. Depois, o trabalho te consome (em maior ou menor nível, depende do quanto você deixar), a faxina, a janta, a casa, o trânsito, a falta daquela juventude e energia pra fazer 45 coisas por dia – agora você só faz 35.

Também tem aquela fase – linda – de aceitação: você não vai fazer tudo o que quer. As coisas se tornam melhores quando você passa por ela mesmo que, pra isso, você tenha que abandonar muita coisa, muitos projetos, muitas vontades. E também aquela pitadinha de inveja da vida dos amigos que parece realmente muito incrível, ao menos, nas redes sociais. Esse ano eu li um texto legal da Liz Gilbert, traduzido pela Juliana Amato, que se resume a essa frase aqui: “Você precisa aprender a dizer não para as coisas que você QUER fazer, sabendo que a sua vida é uma só, e você não tem tempo e energia suficientes para dar conta de tudo”. É. Então por mais que você ache incrível bordar, fazer ponto cruz, projetos DIY, trabalhar, escrever, fazer pós, ter gatos, assistir séries, ler livros, aprender tricô, cantar, andar de bicicleta, dar rolê no Minhocão, passear na loja nova do shopping, passear na loja antiga do shopping, ir pra Paulista Aberta, conhecer restaurantes novos… Não dá. Aceitar isso é uma parada muito importante que ajuda muito a gente a, também, se aceitar mais desse jeito falho e bonito que a gente é.

2015 foi um ano disso tudo aí. De descobrir tudo o que a gente quer e aprender que a gente não tem tempo de fazer tudo. De ficar frustrada. De correr atrás. De deixar planos mirabolantes pra trás e pisar com o pé mais no chão. De abandonar o que não vale a pena, em todos os sentidos. De seguir em frente com o que vale, por mais difícil que seja.

Numa análise cósmica (minha) de 2015, eu diria que foi um ano de muitas realizações e conquistas. De coisas boas, bem boas. Importantes, ainda, eu diria. Porém – praticamente todas elas – poderiam ter acontecido de uma maneira, mais suave, calma, aos poucos, sem surpresas. Não: elas vieram da maneira mais maluca, confusa, difícil, dolorida e aos tropeços que poderia. Vocês sentiram isso também? O que fica é uma liberdade maior, um peso menor, a sensação de que, daqui pra frente, tudo o que doeu, tudo o que foi duro, tudo o que foi árduo, vai ser recompensado aos pouquinhos. AOS POUQUINHOS, gente, num adianta tia Susan dizer que a gente vai ficar rica, já sabemos que isso não vai acontecer.

Como eu comentei no blog da Ana Luíza, a melhor interpretação de 2015 pra mim foi a galera dizendo no tuínter que o ano foi escrito e dirigido por Nossa Senhora Shonda Rhimes. E, se me permitem mais uma analogia pobrecita de minha parte, 2015 foi tipo umas das milhares de séries que fizemos binge-watching esse ano: louco, rápido, intenso, maluco, nem lembro direito o que aconteceu, parece que foi ontem/ não foi há 6 meses, meu deus aconteceu isso mesmo? Foi assim. 2015 foi um ano de muitas séries vistas e poucos livros lidos, o que já determina bem o nível de concentração-calma-paciência deste ano.

O que esperar de 2016? Que venha mais em ritmo de novela ou de dramalhão do cinema, pode ser. Pode até ter final feliz do Maneco no episódio de natal-casamento com todos os núcleos reunidos, que eu não ligo. Mas que seja mais calmo e mais tranquilo, mais plácido, eu diria, pra gente não ter que viver no atropelo.

Resumão de 2015 pra lembrarmos que foi um ano daora

Vocês lembram como a gente reclamou que 2014 foi parado? Tá aí: 2015 não foi parado. Não podemos reclamar, migas. Além da tradicional zona de final/começo de ano, 2015 de Nosso Senhor começou com coisas bacanas como férias. Faz tanto tempo que eu sequer lembrava que tirei férias sim, esse ano, e aproveitei São Paulo 40º como ninguém, emendando com formatura dos migos e uma viagem inesperada e incrível e rápida ao Pará, a descoberta do bairro mais legal de São Paulo (o meu) e um Carnaval divertidíssimo que está me deixando profundamente incomodada de não estar sendo novamente. E uma mudança de emprego providencial, desejada e acertadíssima. E também aquelas passadas de pernas marotas que a ~vida profissional~ te proporciona, e o aprendizado de levantar e let it go. Março foi o mês do meu aniversário (costuma ser todo ano) e eu entrei naquela vibe paranoica-depressiva dos quase-trinta, mas que veio também com uma boa dose de autoconhecimento e análise. Foi produtivo. E teve um piquenique maravilhoso com a melhor companhia de festas, que ainda me deu um dos dias mais incríveis do ano, me chamando pra ser madrinha de casamento <3 E falando em casamento, eu não casei uma, mas DUAS amigas nesse ano cheio de amor.

E depois, rolou um longo e cinza hiato, em que as coisas pareceram realmente entrar em um stand-by estranho e incômodo: rolaram 2 mudanças de apartamento, muitas dúvidas, muitas dívidas, muitas tretas, muita angústia. Muita. E muito silêncio e introspecção. Que resultou na coisa mais importante de 2015 que foi a nossa casinha, linda, com parede de cimento queimado, gatinhos e amor diário em forma de café e plantas. Nhóin. Ah, sabe o que rolou esse ano também? Eu me formei, gente. Me formei depois de 9 longos e tenebrosos anos, assinei esse papelzinho aí e PUF, sou historiadora, ói que chique e inútil.

Teve tatuagem nova, teve o cabelo que eu mais gostei de ter na vida, sim (e ainda tá tendo). Teve muita drag queen e a descoberta da noite mais incrível de São Paulo. Teve uma coisa linda da qual eu ainda não falei, que consegui reduzir muito o consumo de carne aqui de casa! E também começou a rolar uma preocupação maior com consumo responsável, produtos feitos por gente do bem, sem testes em animais, sem exploração.

E os amigos, né gente? O que seria da vida sem essas pessoas lindas? Eu entendi muito sobre amizade esse ano, de várias maneiras diferentes: aceitando melhor as pessoas que entram na nossa vida de sopetão; deixando algumas outras irem embora como deve ser; entendendo melhor o limite das relações e até onde a gente deve se abrir; valorizando as que permanecem e entendendo até onde se entregar.

E o mundo foi um lugar bacana também, com a primavera das mulheres rolando em peso – e vai ter mais, the future is female -; com as escolas ocupadas, com o Minhocão e a Paulista recebendo gente. E teve o chorume também, mas o chorume tá aí todo dia lembrando a gente que ele existe, não precisamos lembrar dele.

Tá bom, né?

No ano passado fiz um balanço geral e fui batendo as resoluções de 2014 que realmente resolvi, mas vi que as minhas expectativas para 2015 continuam sendo, em grande parte, as de 2016 também. Então, ao invés de ficar me lamentando, vou considerar que esse ano que passou serviu realmente de base pra construir muita coisa importante, mesmo que com mais dificuldade, e que o próximo vai ser mais leve, mais de colheita e realizações. Mas gente, eu aprendi a andar de bicicleta. SÉRIO. Melhor momento de 2015.

Resoluções PARA 2016:

// Tirar projetos do papel: já passou da hora. Já falei que já sei muito do caminho, mas tá na hora de parar de ter medo e ficar só no plano das ideias, meter as caras (e parar de se meter em furadas!) e ver no que dá. Mesmo.

// Aprender/fazer mais trabalhos manuais: porque é incrível e tem a ver com outra resolução aí embaixo, porque eu preciso de uma terapia, porque eu preciso controlar a ansiedade, porque as coisas tão aí pra gente aprender e tudo vai dar certo. Próximo natal vai ter sabonete pra todo mundo!

// Fazer alguma coisa pra me mexer: vocês viram que evoluiu de “emagrecer” pra isso? Eu não consigo me conformar que não seja possível gostar de absolutamente NENHUMA atividade física, e vou fazer o teste definitivo em 2016, até achar algo que me faça levantar minimamente feliz às 7h pra mexer o corpinho flácido. #projeto30anos (olha que humilde e pé no chão).

// Viajar: depois de um ano falida, agora me organizei e voilá! As férias já estão marcadas pro meio do ano e agora é só preparar o roteiro. Não vejo a hora! Sugestões?

// Tirar o dente do siso: esse item está nessa lista única e exclusivamente pra que vocês fiquem me enchendo o saco pra eu fazer isso logo. Eu preciso fazer isso desde os 18 anos e morro de medo. Mas eu vou fazer. São 4. Eu vou vencer.

// Consumir com mais consciência: Uma coisa que já veio muito forte em 2015, com essa onda maravilhosa de consumir mesmo, ser mais minimalista e preocupada com a procedência das coisas, que eu pretendo levar não só pra 2016, como pra vida. Investir mais nos produtores locais, amigas que metem a mão na massa e coisinhas com mais alma e menos marca.

// Usar mais batom: Porque eu tenho muitos e porque eu fico linda com eles e tenho que me lembrar disso.

Que 2016 seja generoso com a gente <3

10 motivos para se apaixonar completamente por Festa no Céu

Desde que eu descobri a animação Festa no Céu fiquei me perguntando: gentê, por que não estamos todos falando incessantemente sobre essa maravilhosidade? Não sei. Daí hoje o Facebook me indicou eu seiláporquecargasdágua esse link amazing do Follow The Colours (amô, gente, visitem <3) que fala do filme de uma maneira bem melhor do que essa lista que eu vou fazer abaixo com o único intuito de compartilhar essas imagens absurdas. Então leiam no link, gente, e depois me expliquem why não estamos falando mais dessa coisa incrível.

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1. É absolutamente lindo e colorido

Como tudo é no México? Não sei, né gente, nunca fui. Mas com certeza, como a gente imagina que seja, sim, e também de uma maneira um pouco mais ampla do que costumamos ver nas animações (maravilhosas, não é uma crítica!) da Pixar e time: com explosão de cores e padronagens e misturas de uma maneira que chega a dar uma incomodada, até abraçar a gente por completo.

2. É uma história de girl power

Maria. Ahhhhhh, Maria. Como não se apaixonar por Maria? A “mocinha” da história está cagando e andando pros dois heróis tentando conquistá-la, fica maluca quando descobre que o pai “deu sua mão” para o gostosão da cidade e até agita uma revolução para defender seu povo dos bandidos. Sério. SÉRIO. Maria <3 E tem a La Muerte, né? Ai gente, eu fui criada no país errado, tanto esforço em vão pra me fazerem acreditar em alguma religiãozinha sem graça, era só-colocar-caveiras-mexicanas, meu povo.

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3. E tem uma visão bem bacana sobre maus tratos de animais

Um dos plots da história é a tradição de uma família de toureiros e seu drama quando Manolo, o mais novo dos Sanchez, se torna um ótimo bull fighter que… Não finaliza o touro. Ou seja: não mata o bichinho. É bem bacana ver a preocupação em passar essa mensagem de um jeito que também não agride tão diretamente a questão da tradição familiar e tals.

4. Faz a gente refletir sobre ter uma visão mais positiva sobre a morte…

A mensagem mais bonita do filme, pra mim, é: enquanto lembrarem dos mortos com alegria e saudades, eles permanecerão vivos e em festa. Quer coisa mais linda que isso? Uma vez por ano, você poderá sentir a presença daqueles que já partiram ali por perto, se cuidar com carinho da lembrança… Ai, emocionante!

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5… Para crianças

Pra gente parar de achar que livros, filmes, histórias infantis precisam ser cheia dos dedos e dos medos de falar de temas considerados “pesados”.

6. Eu quero ir pro México

Gente, sério. SÉRIO. Tem comida, tem paisagens, tem aquela língua maravilhosa, tem tequila, tem comida, tem Manolos e Joaquins, tem comida, tem tequila, tem paisagens, tem ruínas, tem histórias sobre deuses que adoram uma apostinha e tem aquele monte de artesanato típico colorido que vai transformar minha casa numa zona. Quero.

7. A trilha sonora é a coisa mais divertida do mundo

Mariachis? Tem. Baladinhas que as pessoas menos idosas que eu ouvem nas festas hoje em dia? Tem. Composições originais que entram como em um musical nos momentos mais emocionantes? Uhum, também. Melodias das músicas que eu amo em versões mais calientes? Opa. EU QUERO ESSE CD CADÊ

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8. A estética dos personagens

Eles-são-de-madeira. SABE GENTE? Olha esse narizinho! Olha essa barba! Olha essas caveiras mexicanas entalhadas! Não bastasse o cuidado com as cores, a reprodução do estilo bem típico mexicano, os detalhes das roupas, das casas, do cenário… Os personagens são como se fossem brinquedos de madeira, de caixinha de papel EU NÃO AGUENTO OLHA ISSO.

9. O Candlemaker

10. Tó: