do coração

gilmore girls e hp + p&rec – um rascunho eterno publicado desconexo socorro mim desgurpem

Eu tenho um rascunho aqui no blog que chama “gilmore girls e hp” faz bem uns três meses e nunca nada evoluiu disso, simplesmente porque eu não sabia qual era a relação entre uma coisa que outra. Eu só vim aqui um dia e escrevi “gilmore girls e hp” depois de maratonar Gilmore Girls porque senti que precisava. Ou, talvez, porque quando terminei de maratonar GG, eu senti. Eu senti igual eu senti quando terminava cada um dos livros de Harry Potter (tradução necessária, eu preciso sempre me lembrar que as pessoas não são, todas, entendedoras de Harry Potter – não sei porque, mas não são). Na verdade, durante a maratona eu já sentia o mesmo quentinho profundo e quase-quase indescritível aqui dentro que eu sentia a cada virada de página de cada livro de HP. A mesma identificação.

Tá, talvez não exatamente a mesma identificação pois momentos e temas diferentes? Claro. Mas a mesma sensação interior de que está tudo bem. Está tudo bem ler esse livro, você tinha que estar lendo esse livro. Está tudo bem ver essa série, você tinha mesmo que estar fazendo isso agora. Você precisava conhecer isso. Você vai se lembrar dessa cena pra sempre. Você vai citar essa frase mais vezes na vida do que pode prever. Vai ser pra sempre. Momentos e temas completamente diferentes: Harry Potter acompanhou minha infância e adolescência, eu cresci com eles, os dramas, por trás da mágica, sempre foram os mesmos. Gilmore Girls eu assisti muito depois de ter passado, já mais perto da Lorelai do que da Rory, embora as questões – coincidência? – fossem bem parecidas.

É engraçado pensar que, perto dos 30, eu não sinto um amadurecimento muito profundo nos temas recorrentes da minha vida. Os sentimentos, talvez, sejam os mesmos de sempre, os mesmo que estavam lá aos 11, 12 anos. Os problemas pontuais existem, é claro, as questões da famigerada vida adulta: aluguel, carreira, futuro, tá tudo aí, mas no final das contas, é mesmo tão diferente do que sempre foi? Me parece que não. Ou talvez eu só seja uma dessas pessoas velhas que não desapega de uma fase da vida em que tudo era mais fácil – mas, mais dramático. Pode ser. O bom de ser adulto é que eu não ligo, se for.

E daí que com o mundo todo de ponta cabeça a gente começa a dar valor pra esse tipo de self care – esse e tantos outros que eu bato na tecla diariamente para não esquecer. A gente se esconde nessas ficções bonitinhas pra fugir da bad? Ô. O que faríamos se não fosse isso?

Eu só consegui ligar os pontos todos hoje cedo, quando a Anna Vitória mandou essa newsletter maravilhosa diretamente pro meu coração gelado: No Recreio #36: Essa não é uma newsletter de bad. Ela fala de Animais Fantásticos e Onde Habitam, o filme “novo” “de Harry Potter” que todos nós fomos assistir com aquele misto de esperança e medo, e do qual todos nós saímos sem conseguir controlar o sorriso – e se você não compartilha desse momento, mim desgurpe, mas você não tem coração. E fala de Parks and Recreation, a minha (e a da Anna também) série favorita da vida, através da outra maravilhosa newsletter da Clara, Meu coração, amarelo e preto, é só parques e recreação -q?

Você tem que ler as duas news inteiras, de verdade, porque essas duas pessoas são capazes de expressar as coisas aqui de dentro de uma maneira muito mais completa do que eu – e têm uma sincronia estranha com o que eu sinto que eu nem sei explicar – mas fica aqui o destaque pra uma partezinha específica de cada uma delas que define tudo tudo tudo o que esse texto desconexo queria ser:

A gente tem adorado se debruçar sobre os anti-heróis da ficção e virou praticamente um lugar comum elogiar alguma obra ou a construção de um personagem com base numa moralidade flutuante e ambígua, e eu entendo isso. Entendo de verdade e gosto. Eu amo Breaking Bad, Mad Men atropelou tudo se tornando uma das minhas séries favoritas muito rápido, e às vezes me sinto mal por amar, entender e me envolver tanto com pessoas tão horríveis, e essa proximidade só mostra o quão incríveis são essas séries, mas isso cansa. Depois de um tempo isso deprime. Às vezes eu quero uma galera de coração bão pra torcer, pra me inspirar, pra me dar força nessa escolha difícil e diária que é me importar demais e ser gentil comigo e com os outros. Eu acho Mad Men perfeita, mas Parks and Recreation ainda é minha série mais favorita. – da Anna Vitória

Coragem, ambição e mesmo inteligência, de certa forma, são pontos cruciais para se chegar em metas. Mas trabalho duro, lealdade e gentileza são pontos cruciais para se manter vivo. Essas coisas não sobre o fim, mas sobre o meio. E, no fundo, nós todos somos o meio. Poder admitir isso e continuar lutando pelo que acredita é a coisa mais hardcore que existe no mundo. Seguir seus princípios quando tudo na vida te faz querer desistir é a coisa mais rebelde que você pode fazer. E essas coisas, meus caros, são atitudes de lufanos. São também as atitudes que permeiam todo Parks and Recreation. São os princípios que levo comigo. – da Clara Browne

Eu fico extremamente feliz de dizer que conheço essas pessoas que escrevem essas coisas. Do fundo do meu coração <3

Às vezes eu quero uma galera de coração bão pra torcer, pra me inspirar, pra me dar força nessa escolha difícil e diária que é me importar demais e ser gentil comigo e com os outros. Pra fazer a gente acreditar que, sim, vale a pena reforçar essa escolha pelo caminho mais difícil todos os dias, mesmo nos mais bizarros deles. Que vale a pena dar risada. Que vai ficar tudo bem. Que existem pessoas do bem. Que a gente vai ficar junto no final. Seguir seus princípios quando tudo na vida te faz querer desistir é a coisa mais rebelde que você pode fazer. Pois é.

Então, é isso, gente. Tudo o que estamos falando aí o ano todo, repetindo, identificando, escrevendo: Vulnerabilidade. Softness. Self care. Cuidar de si. Escolher ser mais de boas. Escolher nossas lutas. Se permitir acreditar. Confiar. Dar risada. Abraçar o coração quentinho. Tá tudo aí, sempre esteve. Falei ali de coração gelado mas, no final, nem é isso: meu coração é quente, quentinho, sempre aguardando ficar um pouco mais. Ele só tá remexido, machucado. Tá cansado de tanto esforço pra acreditar e só tomar porrada. Mas ele bate e se enche de alegria a cada nova descoberta que me faz lembrar que vale a pena acreditar.

 

Se você não entendeu nada desse texto, vai lá ler a newsletter da Anna – pelo amor da deusa, assina esse troço logo – e, aqui tem também uns outros links, pra vocês entenderem porque eu amo tanto essas coisas:

// Sim, ela de novo, mas a Clara agora falou tudo o que eu queria sobre o revival de GG.
//
 Os posts da Pólen, todos, sobre GG, mas especialmente este sobre Lane Kim e como ela merecia mais;
// A crítica “quase séria” de Animais Fantásticos e Onde Habitam, da Anna Vitória e da Ana Luíza, no Valkírias;
// Esse texto da Ovelha Mag sobre assistir GG aos 30 anos, mais identificável, impossível;
// Eu indiquei no último favoritos, mas indico aqui de novo: a Milena falando da Lora Mathis na Pólen, sobre softness como uma escolha, também, de revolução.

Eu acho que vocês não entenderam nada, mas olha, eu tô apaixonada por esse post.

desculpa

Às vezes dá merda.

A gente faz merda. A gente erra, sim, também. Na maioria das vezes a gente acerta, acreditem nisso: porque só na hora que a gente erra, de verdade, na moral, que dá pra perceber o quanto é ruim errar. Se fosse assim o tempo todo nem ia dar.

Acho que ninguém fala muito disso. A gente fala sobre amar, sobre trair, sobre se apaixonar, sobre ser feliz, sobre sofrer sofrer sofrer, ter o coração partido, a gente fala asneira sobre se relacionar, a gente fala da ex, a gente se declara pro atual, a gente chora as saudades, a gente conta, a gente inventa. Mas acho que ninguém fala muito sobre errar, assim, na primeira pessoa.

Eu procurei, ô se sim, pra alguém falar por mim, mas acho que não tem. Se tem, não achei. Deve ser porque é difícil admitir. Porque não fica bonito em texto. Porque é foda de poetizar. Na real, só dá pra colocar, assim: errei, desculpa. Foi na intenção de acertar. Foi porque eu não sabia o que fazer. Foi porque eu descuidei um pouquinho, um segundo, um milésimo. Foi por causa da ansiedade, do pânico, foi por conta do dia, dos astros, foram os hormônios, o céu. Não interessa, não.

Às vezes dá merda e a gente só tem que esperar. E torcer. Pro tempo, pras coisas, pra vida, pra saudade bater. Pra não ser esquecido. Pra não ser trocado (mas tem muita gente melhor, talvez você mereça mais…). Pra não ser apagado (mas tem muita coisa mais legal na sua vida, talvez seja melhor…). Pra distância não virar rancor (mas em mim ele cresceria, talvez eu nem seja tão legal assim…). Pra tentar reconstruir (sei lá em cima de quê).

Às vezes dá merda e a gente só pode torcer e ir usando todos os outros textos que fizeram sobre amor e sobre saudade e sobre paixão e sobre relacionamentos e sobre sobre sobre sobre corações partidos, porque não é só o crush que destrói a gente, não é só a cama que fica vazia, não é só o outro que vai embora, a gente também afasta.

Às vezes dá merda.

Desculpa.

vai ficar tudo bem

Tá tudo meio estranho. Se você me perguntar, não é nada pessoal, assim, a vida anda muito bem, obrigado, se fomos pontualmente pensar. Mas tá tudo meio estranho. As coisas andam meio embolotadas, meio devagares, meio estafantes. O que podia ser uma tarefa simples vira um monstrão envolvendo mil pessoas e seus dramas, e os dramas se entrelaçam, e as pessoas se desentendem, e todo mundo parece predisposto a ser rude e violento e discutir ao invés de ouvir. Tem raiva. Tem peso.

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Tá tudo meio estranho e difícil, não tá? Parece um eterno mercúrio retrógrado – e tá tudo tão estranho que eu nem leio mais o horóscopo. Nem sei o que Susan Miller quer dizer a respeito com medo da decepção ou da verdade, já nem sei mais direito. Agosto é sempre meio confuso, meio longo. Ninguém nunca tem dinheiro, já percebeu? E tem tanta coisa acontecendo o tempo todo. Parece que nunca acaba. Parece que nunca para.

Os últimos dias foram meio catárticos, assim, e parece que tudo explodiu – e vieram coisas boas e coisas ruins com os pedacinhos que saíram voando. Primeiro vieram, não sei muito bem em que ordem, uma edição da newsletter da Nath e esse post da Nambs: os dois falando sobre gratidão. Porque a gente reclama, a gente se sente perdido, vazio, mas a gente raramente agradece pelas coisas legais, né? Depois, foi essa edição da newsletter da Aline Valek, sobre conselhos bons que a gente recebe na vida. Eu fiquei com vontade de copiar o tema – e talvez ainda role, mais pra frente – mas um trocinho me pegou mais rápido: Compartilhe o que te inspira, não o que te causa raiva.

No final das contas, é o que eu acabo fazendo aqui. Já adotei há algum tempo a postura de que não vou ficar dando ibope pra matéria zoada, campanha maluca, post bizarro – passei a compartilhar mais gatinhos, mais bonitezas, mais iniciativas legais. A real é que cansei do Facebook e acabei trazendo pra cá muita coisa que postava lá, e ó, tô felizona com isso. Mas esse conselho abriu uma portinha que foi escancarada quando outra amiga, nesse mesmo site feicers aí que eu num gosto, compartilhou essa imagem:

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É simples, quase bobinha, né? Uhum. Cê faz tudo o que tá aí pra você, direitinho?

Hum.

Essa imagem na real me abriu um sorrisão de ver que, calma, tá tudo bem. Que a gente se preocupa demais com o macro, com o futuro, com os planos, com os amanhãs, mas na real, às vezes a gente só precisa parar um pouquinho e tomar um copo de água ou lavar o rosto. Num é? E aí, igualzinho quando a gente ouve uma palavra pela primeira vez e dez minutos depois todo-mundo-no-mundo-inteiro-usa-aquela-palavra, eu fui devastada por posts e imagens e gente e amor em formato de self care.

A Sofia já deu dicas ótimas sobre a gente se amar um tiquinho, dividindo as sugestões entre cuidado energético e mágico e cuidado físico. Leiam, é ótimo. Eu também sempre recebo o conteúdo da Gala Darling, rainha-mór da vibe radical self-love – eu sou alucinada nesse mote do site, adorn yourself, adore your life <3 – que sempre me dão uns insights bacanas (e ela é divertidíssima no instagram stories, gente!). E, por último, o que me deu um estalo tipo “eita, tá todo mundo mal mesmo”, desgurpa Jout Jout, foi esse post lindíssimo no Hello Lolla, que é impossível de ler sem um sorriso no rosto.

Daí entre uma coisa e outra, o que eu fiz? Eu não sei como, eu não sei quando, eu não entendi direito de que maneira ainda, mas eu fiz um desenho. Um “desenho”, vai, um infográfico, olha que chique. Um mapa mental. Um lembrete do tamanho de um A4, to tamanho que tem que ser. Pra eu me lembrar, o tempo todo, que vai ficar tudo bem. E do que eu posso fazer pra me ajudar nesse processo, que às vezes é mais complicado, outras é menos, mas é sempre cansativo porque tudo é mais tentador: reclamar, chorar, gritar, berrar, falar que vai sair correndo. E, às vezes, pode ser mais simples.

Então, nessa vibe de compartilhar, eu tirei coragem sabe-seládeondemeudeus pra fazer isso aqui e postar para lembrar que…

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Vou postar aqui e sair correndo antes que eu me arrependa – já tô me arrependendo ¯\_(ツ)_/¯

Atualizando: durante essa mesma semana a Couth postou uma coisa maravilhosa da rainha Liz Gilbert, que a Anna Vitória fez o favor de me lembrar agora:

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go to the water – leiam <3

aquele do casamento

Então. Esse é o post do casamento. Sim, esse é o post do casamento. SIM GENT.

Olha, eu não sei muito bem o que escrever, então eu vou encher vocês de foto – que eu sei que na real é o que vocês querem, num é? Ninguém quer ficar aqui me ouvindo dizer que casar é muito legal, que todo mundo deveria fazer pelo menos uma festa (pode ser um aniversário, tá?) pra se celebrar. Pra estar com as pessoas que ama, com uma energia surreal de positiva, música boa pra dançar até o chão e champanhe servido no copo americano amor. Mas todo mundo deveria, viu? Faz bem pro coração.

Como eu tenho que escrever alguma coisa aqui, eu vou contar a história toda do rolê pra quem ainda não cansou de me ouvir sabe. Desde o começo, a gente decidiu “fazer tudo sozinho”. Entre aspas porque logo na primeira virada de esquina percebemos que, né, gente, não dá pra fazer tudo sozinho. Especialmente quando estamos falando pra uma festa que, embora não tenha sido grande, envolvia muita gente. Gente que precisava comer, beber, dançar, ter lugar pra sentar, fazer xixi, se proteger da chuva…

Muita coisa. Muita coisa. Coisa que você nem imaginava que existia. Coisa que você nunca tinha ouvido falar. A primeira coisa que a gente percebeu é que, pra ser do jeito que gostaríamos que fosse – 100% com a nossa cara, sem pacotes fechados – a gente teria que se dedicar muito à decoração que, como vocês devem ter percebido, é minha praia. Logo, num ia dar pra ninguém ficar pensando muito em comprar e organizar comida, local, dj, agendas, cadeiras. Não dava pra ficar pensando em como fazer a logística de levar tudo até um sítio lindo e distante de frente pra represa. E não dava, certamente, pra pagar alguém pra pensar em tudo isso pra gente.

Então 1) a gente colocou a mão na massa e 2) a gente contou com a ajuda dos amigos.

Escolhido o local – um bar/casa de eventos bem low profile, bem alternativo, perto do metrô e que aparentemente “não dá pra casar aqui”, como eu ouvi de algumas pessoas – também eliminamos a questão da comida, da bebida, do som, dos funcionários, do gerador, da tenda de proteção da chuva. Um preço bom e uma confiança meio louca em pessoas desconhecidas – que foram absolutamente incríveis e fizeram tudo ser impecável. Petiscos, cerveja, nada fancy, como a gente também não é.

Depois, foi a hora de enfrentar alguns ~probleminhas de controle que meu não-diagnosticado mapa astral virginiano encontrou. Um dos padrinhos fez os bolos – um “falso”, de mesa, e red velvet no pote para os convidados -; uma das madrinhas fez a playlist insana que fez todo mundo dançar até doer (mesmo, doeu por dias); outra madrinha-irmã foi responsável por idas ao Ceagesp, 150 arranjos de flores, 100 suculentas e um buquê maravilhoso… Cada uma das madrinhas e dos padrinhos foi responsável por uma pontinha da arrumação, das caronas, dos carretos de 100 pompons de papel de seda, todo mundo acordou cedo NO DIA da festa pra arrumar o local. Sim, as nossas mãozinhas – as minhas também! – foram responsáveis por cada arranjo, cada vela, cada decoração, cada posicionamento das mesas.

Sim, a gente abriu mão de muita coisa. A gente abriu mão de casar ao ar livre e ter que se preocupar, sozinhos, com um milhão de coisas avulsas e o transporte delas. E a preocupação com o uber/táxi/gasolina dos amigos. A gente abriu mão de montar 18921626 projetos DIY (mas montamos outros 500) do Pinterest por não ter (ainda!) um galpão onde guardá-los. A gente abriu mão de muita coisa que faziam parte do sonho, e eu posso dizer com todas as letras pra você: eu só pensei nelas hoje, 2 meses depois, na hora de escrever esse post. Todas as memórias daquele dia são sorrisos, abraços, champanhe no copo americano e muito, muito amor.

Amor por todos os lados. Amor por ele. Amor pelo o que está por vir. Amor por cada um dos amigos. Amor por quem veio de outro Estado, de outros países. Amor por “fornecedores” – amigos disfarçados de fotógrafas, de artesãs, de donos de bar.

Ele não dobrou as mangas da camisa como eu pedi. A câmera, tão bonitinha, ficou lá derrubada porque alguém teve que sair correndo pra comprar pilha na hora. Saiu até na foto! Não teve aquelas toneladas de arranjos do meu tamanho (ainda bem). Nosso melhor amigo, que foi o cerimonialista – mas a gente prefere chamar de MC! – chamou o Bruno de Bruna na primeira frase. Eu errei a mão da aliança. Todo mundo riu um monte. Todo mundo trocou a energia boa que a gente emana quando está junto, que guia nossa vida, que é nosso objetivo de relacionamento a dois e com o mundo.

E num mundo todo torto que parece que não tem muita esperança, parece até bastante egoísta celebrar o amor dessa maneira, como se o que importasse fosse só isso. Mas, no final, é. São esses momentos que fazem a gente ter forças pra se erguer, pra lutar, pra brigar, pra falar, são esses momentos que fazem a gente ter orgulho de tudo o que foi construído, são essas pessoas que seguram tua mão, são essas risadas que te levam adiante.

E, claro: tem o champanhe.

Se fica uma lição de tudo isso, é: celebre. Se auto celebre, celebre seu amor, seus amigos, seus gatos, sua vida. Se junte com os que você ama – ainda que sejam eles dois ou três – e deem risada, dancem se forem de dançar, bebam se forem de beber, joguem pokemón (e me chamem) se forem dessas. Não “deixem passar” o que quer que seja, qualquer situação importante, por preguiça, por falta de confiança nos outros (viu, Isadora?), por falta de grana. Sejam vulneráveis. Amem. Vale a pena.

isa & bruno from KARINE BRITTO on Vimeo.

*****

Eu não poderia terminar esse post sem agradecer do fundo do meu coração pisciano cheio de amor a todos os fornecedores-amigos que toparam minhas loucuras e fizeram tudo ser perfeito (ai que blogayra, no próximo casamento quero publipost):

Fotos do amor: L’amourgraphy | Vídeo do amor: Karine Britto e Claudia Barros | Local da cerimônia, da festa, buffet, staff e Gigi-melhor-pessoa: Bambu Brasil Bar |  Lapela maravilhosa, bouquets de papel das madrinhas e amiga de carolina: Annita Loja | Cabelo e make bapho e amiga da vida: Paula Vidal | Madrinho e melhor doceiro de SP: Henrique Carrenho

Logo mais eu volto a ser azeda. Agora, sou só amor <3

tudo aqui até agora em um episódio aleatório de gilmore girls café e um broken wooden goat

Vocês já devem ter percebido que eu ando monotemática, e não estamos nem falando daquele acontecimento passado do qual eu já falei bastante por aqui e vou voltar a falar bastante ainda. Estou falando do novo amor da minha vida, a razão do meu viver, o motivo do meu caminhar: Gilmore Girls.

Antes de qualquer coisa, eu queria esclarecer que eu não assisti Girlmore Girls na minha adolescência. Pois é. Meus early years não foram recheados de bons itens da cultura pop que me renderiam referências engraçadas na vida adulta – essas eu tive que pesquisar sozinha depois, digamos, ano passado, quando eu finalmente descobri que Meninas Malvadas é o filme da minha vida. Nossa você era muito hippie alternativa e só assistia TV Cultura, Isa? Não, caros amigos, eu só via SBT e Globo mesmo. MTV não pegava, não tinha tv à cabo – por pão durice alheia, nada de história sofrida aqui – e na rádio só tocava 88,1 então cês imaginem como foi difícil caminhar para toda essa hipsterização tardia.

Bem, eu não vi Gilmore Gils na adolescência, eu não conhecia Rory e Lorelai ou Stars Hollow, eu não sabia o que a vida poderia me oferecer de bom. Mas, graças a essa maravilha moderna chamada Netflix, eu posso dizer-lhes (vou usar mesóclise mais a frente, aguardem) que minha vida mudou.

Não vou fazer aqui uma lista de 10 motivos pelo quais vocês deveriam (re)assistir Gilmore Girls porque, olhando em retrocesso, eu sou bem ruim nisso de listas. Mas assistam e caminhem comigo nesse mundo inocente e tão adulto e tão fantasioso e tão real, em que todo mundo é meio cagado mesmo antes de Girls e Broad City, e tudo bem, em que todos os relacionamentos são bem complicados, tipo na vida real, e em que o café resolve todos os problemas do mundo.

Eu tomo, mais ou menos, uns três chacoalhões por episódio – você sabia que cada episódio de Gilmore Girls tinha de 70 a 80 páginas de roteiro, quando a média das outras séries do mesmo tamanho é de 60? VIRGE – mas dia desses, vendo o 8º episódio da 2ª temporada, eu me deparei com um diálogo desses que fazem a gente ficar encolhidinha em posição fetal embaixo do edredom abraçando os gatos. Segue em anexo att,

[Luke holds up a broken wooden goat]
LUKE: How about chuppah goat figure repairman?
LORELAI: Gilbert.
LUKE: What?
LORELAI: The goat. We named him Gilbert, he’s headless. Can you fix him?
LUKE: Yeah, I got some glue here. I can fix him.
LORELAI: Good. I’ll make some tea.
LUKE: So, Sookie stopped at the diner this morning.
LORELAI: Oh.
LUKE: I asked her how your plans were going with the new inn, and she very awkwardly changed the subject to women’s basketball.
LORELAI: Huh.
LUKE: She’s never shown much interest in sports before.
LORELAI: No?
LUKE: What’s going on with that?
LORELAI: Oh well, you know, women’s basketball is getting super popular. That’s good, I think. The tall girls need an outlet. We had a fight. A big, humongous fight. She’s never going to speak to me again.
LUKE: What happened?
LORELAI: I just flat out panicked about the enormity of what we were getting into and it clobbered me, and I clobbered Sookie, and was such a jerk. Hey, if I cry, will it freak you out?
LUKE: Totally.
LORELAI: What if I whimper?
LUKE: How about you suck it up?
LORELAI: Hmm, I’ll try.
LUKE: I don’t get it. You’re as ready as you’ve ever been.
LORELAI: Oh Luke, do not underestimate the complete and total lack of confidence I have in my abilities.
LUKE: What? You’re the most confident person I know. Obnoxiously so.
LORELAI: Thank you.
LUKE: I mean in a good way. You’re good at what you do and you know it.
LORELAI: Oh, no, no, no. I’m good at doing what I have to do. When I had to get a job, I got it. When I had to find a house for us and a life for us, I got it. When I had to get Rory into Chilton, I did it. But I don’t have to leave the Independence Inn. I don’t have to go into business for myself, I don’t have to walk out on that limb and risk everything I’ve worked for.
LUKE: Then do it.
LORELAI: What?
LUKE: Just say where you are.
LORELAI: What is this, reverse psychology?
LUKE: No, just stay at the inn. You’re happy there.
LORELAI: Oh, so you think I can’t hack it.
LUKE: Of course you can hack it.
LORELAI: Great, lip service, that’s what I need.
LUKE: Hey, if I start to cry, will it freak you out?
LORELAI: Ugh. I couldn’t stay where I am if I wanted. Mia is selling the inn. And that hit me hard too, maybe harder than the other thing. I’m gonna be without a home.
LUKE: What do you mean? This is your home.
LORELAI: No, I mean a home home. A memory home. The inn is where Rory took her first step. It’s where I took my first step. It’s more of a home to me more than my parents’ house ever was.
LUKE: You’re just scared. Just like everybody else when they’re taking on something big.
LORELAI: Well, then what does everybody else do to get through this feeling?
LUKE: They run in the back, throw up, pass out and then smack their head on the floor.
LORELAI: What?
LUKE: That’s what I did on the first morning I opened the diner. Look, there is no button to push to get you through this. You just gotta jump in and be scared and stick with it until it gets fun.
LORELAI: How long ‘til the diner got fun?
LUKE: About a year.
LORELAI: Wow. And there’s no button?
LUKE: Nope.
LORELAI: How about a lever, can I pull a lever?
LUKE: Nope.
LORELAI: Turn a knob?
LUKE: Nope.
LORELAI: You just jump?
LUKE: You just jump.
LORELAI: I wanna do it.
LUKE: You should do it. Check it out. [holds up the fixed wooden goat]
LORELAI: Gilbert. You’re not worse for the wear.
LUKE: I’ll go reattach him. How’d this happen anyway?
LORELAI: Oh, something must’ve smacked into him with a hedger.
LUKE: Uh huh, well, no one’ll ever know. Oh, and uh, women’s basketball is in season. You might wanna run that news past Sookie, and maybe you can go to a game or something.
LORELAI: Yeah. Or something. Thanks.

[Fica aqui um agradecimento para essa crazy internet people que disponibiliza roteiros inteiros online pra gente poder viver as neuras tranquilamente sem o trabalho extra de transcrever passagens de séries adolescentes obrigada.]

Cês leram? Se vocês num leram, cês podem assistir o ep. inteiro na linda Netflix ou então nesse link aqui (não que eu financie esse tipo de pirataria) a partir do minuto 36:10. Cês assistiram, agora?

Então, é isso.

Desde que eu criei esse blog lá em 2013, todos os posts, todas as fases, todas as fotos, tudo o que foi feito de lá até aqui poderia ter sido resumido maravilhosamente bem com essa cena. Essa cena de uma mãe solteira gerente de um hotel em Stars Hollow, essa cena com um diálogo entre pessoas imaginárias completamente diferentes de mim, essa cena de uma conversa entre dois personagens de uma série adolescente. Tá aí. A vida. A vida adulta. As aflições, os medos, as reflexões, a ansiedade, o café, os bodes de madeira feitos pelos amigos que, mesmos feios pra cacete, a gente ama e guarda com carinho.

Tá aí, gente.

Assistam Gilmore Girls.

(A mesóclise fica pro próximo post.)