do coração

as fuck

A gente escolhe uns caminho que não têm volta, né? A gente escolhe, defende, se posiciona. A postura muda. Não emudece mais. A gente se posiciona e não leva mais desaforo, e não cai mais no “mas é o jeito dele” e no “deixa pra lá que nada vai mudar”. Tudo vai mudar. A gente se posiciona, a gente escolhe, muda a postura, a gente grita, a gente levanta, a gente bate tambor e bate bunda e bate cabelo. E não tem discussão ganha e não tem briga acaba, a batalha é todo dia – e quando cansa a gente se abraça e levanta. A gente escolhe uns caminhos que não têm volta e ainda bem.

28 quase lá

Me amar mais. Me amar. Me olhar no espelho e me reconhecer. E gostar de quem eu vejo. E querer ser mais. E sorrir. E deixar chorar. E tudo bem não querer ver ninguém. E fazer carão. E tirar nude. E dançar sozinha.

Aceitar que certos lugares não são seus. Aceitar que as pessoas, todas, não são suas. Se aceitar. Se permitir ir mais longe. Levantar do sofá. Pedir desculpas. Ler mais poesia. Escrever mais poesia.

IMG_20170311_133216_607Eu gosto muito muito muito muito do número 8, mas acho 28 um número tão feio. Credo. Vou me manter nos 27.

gilmore girls e hp + p&rec – um rascunho eterno publicado desconexo socorro mim desgurpem

Eu tenho um rascunho aqui no blog que chama “gilmore girls e hp” faz bem uns três meses e nunca nada evoluiu disso, simplesmente porque eu não sabia qual era a relação entre uma coisa que outra. Eu só vim aqui um dia e escrevi “gilmore girls e hp” depois de maratonar Gilmore Girls porque senti que precisava. Ou, talvez, porque quando terminei de maratonar GG, eu senti. Eu senti igual eu senti quando terminava cada um dos livros de Harry Potter (tradução necessária, eu preciso sempre me lembrar que as pessoas não são, todas, entendedoras de Harry Potter – não sei porque, mas não são). Na verdade, durante a maratona eu já sentia o mesmo quentinho profundo e quase-quase indescritível aqui dentro que eu sentia a cada virada de página de cada livro de HP. A mesma identificação.

Tá, talvez não exatamente a mesma identificação pois momentos e temas diferentes? Claro. Mas a mesma sensação interior de que está tudo bem. Está tudo bem ler esse livro, você tinha que estar lendo esse livro. Está tudo bem ver essa série, você tinha mesmo que estar fazendo isso agora. Você precisava conhecer isso. Você vai se lembrar dessa cena pra sempre. Você vai citar essa frase mais vezes na vida do que pode prever. Vai ser pra sempre. Momentos e temas completamente diferentes: Harry Potter acompanhou minha infância e adolescência, eu cresci com eles, os dramas, por trás da mágica, sempre foram os mesmos. Gilmore Girls eu assisti muito depois de ter passado, já mais perto da Lorelai do que da Rory, embora as questões – coincidência? – fossem bem parecidas.

É engraçado pensar que, perto dos 30, eu não sinto um amadurecimento muito profundo nos temas recorrentes da minha vida. Os sentimentos, talvez, sejam os mesmos de sempre, os mesmo que estavam lá aos 11, 12 anos. Os problemas pontuais existem, é claro, as questões da famigerada vida adulta: aluguel, carreira, futuro, tá tudo aí, mas no final das contas, é mesmo tão diferente do que sempre foi? Me parece que não. Ou talvez eu só seja uma dessas pessoas velhas que não desapega de uma fase da vida em que tudo era mais fácil – mas, mais dramático. Pode ser. O bom de ser adulto é que eu não ligo, se for.

E daí que com o mundo todo de ponta cabeça a gente começa a dar valor pra esse tipo de self care – esse e tantos outros que eu bato na tecla diariamente para não esquecer. A gente se esconde nessas ficções bonitinhas pra fugir da bad? Ô. O que faríamos se não fosse isso?

Eu só consegui ligar os pontos todos hoje cedo, quando a Anna Vitória mandou essa newsletter maravilhosa diretamente pro meu coração gelado: No Recreio #36: Essa não é uma newsletter de bad. Ela fala de Animais Fantásticos e Onde Habitam, o filme “novo” “de Harry Potter” que todos nós fomos assistir com aquele misto de esperança e medo, e do qual todos nós saímos sem conseguir controlar o sorriso – e se você não compartilha desse momento, mim desgurpe, mas você não tem coração. E fala de Parks and Recreation, a minha (e a da Anna também) série favorita da vida, através da outra maravilhosa newsletter da Clara, Meu coração, amarelo e preto, é só parques e recreação -q?

Você tem que ler as duas news inteiras, de verdade, porque essas duas pessoas são capazes de expressar as coisas aqui de dentro de uma maneira muito mais completa do que eu – e têm uma sincronia estranha com o que eu sinto que eu nem sei explicar – mas fica aqui o destaque pra uma partezinha específica de cada uma delas que define tudo tudo tudo o que esse texto desconexo queria ser:

A gente tem adorado se debruçar sobre os anti-heróis da ficção e virou praticamente um lugar comum elogiar alguma obra ou a construção de um personagem com base numa moralidade flutuante e ambígua, e eu entendo isso. Entendo de verdade e gosto. Eu amo Breaking Bad, Mad Men atropelou tudo se tornando uma das minhas séries favoritas muito rápido, e às vezes me sinto mal por amar, entender e me envolver tanto com pessoas tão horríveis, e essa proximidade só mostra o quão incríveis são essas séries, mas isso cansa. Depois de um tempo isso deprime. Às vezes eu quero uma galera de coração bão pra torcer, pra me inspirar, pra me dar força nessa escolha difícil e diária que é me importar demais e ser gentil comigo e com os outros. Eu acho Mad Men perfeita, mas Parks and Recreation ainda é minha série mais favorita. – da Anna Vitória

Coragem, ambição e mesmo inteligência, de certa forma, são pontos cruciais para se chegar em metas. Mas trabalho duro, lealdade e gentileza são pontos cruciais para se manter vivo. Essas coisas não sobre o fim, mas sobre o meio. E, no fundo, nós todos somos o meio. Poder admitir isso e continuar lutando pelo que acredita é a coisa mais hardcore que existe no mundo. Seguir seus princípios quando tudo na vida te faz querer desistir é a coisa mais rebelde que você pode fazer. E essas coisas, meus caros, são atitudes de lufanos. São também as atitudes que permeiam todo Parks and Recreation. São os princípios que levo comigo. – da Clara Browne

Eu fico extremamente feliz de dizer que conheço essas pessoas que escrevem essas coisas. Do fundo do meu coração <3

Às vezes eu quero uma galera de coração bão pra torcer, pra me inspirar, pra me dar força nessa escolha difícil e diária que é me importar demais e ser gentil comigo e com os outros. Pra fazer a gente acreditar que, sim, vale a pena reforçar essa escolha pelo caminho mais difícil todos os dias, mesmo nos mais bizarros deles. Que vale a pena dar risada. Que vai ficar tudo bem. Que existem pessoas do bem. Que a gente vai ficar junto no final. Seguir seus princípios quando tudo na vida te faz querer desistir é a coisa mais rebelde que você pode fazer. Pois é.

Então, é isso, gente. Tudo o que estamos falando aí o ano todo, repetindo, identificando, escrevendo: Vulnerabilidade. Softness. Self care. Cuidar de si. Escolher ser mais de boas. Escolher nossas lutas. Se permitir acreditar. Confiar. Dar risada. Abraçar o coração quentinho. Tá tudo aí, sempre esteve. Falei ali de coração gelado mas, no final, nem é isso: meu coração é quente, quentinho, sempre aguardando ficar um pouco mais. Ele só tá remexido, machucado. Tá cansado de tanto esforço pra acreditar e só tomar porrada. Mas ele bate e se enche de alegria a cada nova descoberta que me faz lembrar que vale a pena acreditar.

 

Se você não entendeu nada desse texto, vai lá ler a newsletter da Anna – pelo amor da deusa, assina esse troço logo – e, aqui tem também uns outros links, pra vocês entenderem porque eu amo tanto essas coisas:

// Sim, ela de novo, mas a Clara agora falou tudo o que eu queria sobre o revival de GG.
//
 Os posts da Pólen, todos, sobre GG, mas especialmente este sobre Lane Kim e como ela merecia mais;
// A crítica “quase séria” de Animais Fantásticos e Onde Habitam, da Anna Vitória e da Ana Luíza, no Valkírias;
// Esse texto da Ovelha Mag sobre assistir GG aos 30 anos, mais identificável, impossível;
// Eu indiquei no último favoritos, mas indico aqui de novo: a Milena falando da Lora Mathis na Pólen, sobre softness como uma escolha, também, de revolução.

Eu acho que vocês não entenderam nada, mas olha, eu tô apaixonada por esse post.

desculpa

Às vezes dá merda.

A gente faz merda. A gente erra, sim, também. Na maioria das vezes a gente acerta, acreditem nisso: porque só na hora que a gente erra, de verdade, na moral, que dá pra perceber o quanto é ruim errar. Se fosse assim o tempo todo nem ia dar.

Acho que ninguém fala muito disso. A gente fala sobre amar, sobre trair, sobre se apaixonar, sobre ser feliz, sobre sofrer sofrer sofrer, ter o coração partido, a gente fala asneira sobre se relacionar, a gente fala da ex, a gente se declara pro atual, a gente chora as saudades, a gente conta, a gente inventa. Mas acho que ninguém fala muito sobre errar, assim, na primeira pessoa.

Eu procurei, ô se sim, pra alguém falar por mim, mas acho que não tem. Se tem, não achei. Deve ser porque é difícil admitir. Porque não fica bonito em texto. Porque é foda de poetizar. Na real, só dá pra colocar, assim: errei, desculpa. Foi na intenção de acertar. Foi porque eu não sabia o que fazer. Foi porque eu descuidei um pouquinho, um segundo, um milésimo. Foi por causa da ansiedade, do pânico, foi por conta do dia, dos astros, foram os hormônios, o céu. Não interessa, não.

Às vezes dá merda e a gente só tem que esperar. E torcer. Pro tempo, pras coisas, pra vida, pra saudade bater. Pra não ser esquecido. Pra não ser trocado (mas tem muita gente melhor, talvez você mereça mais…). Pra não ser apagado (mas tem muita coisa mais legal na sua vida, talvez seja melhor…). Pra distância não virar rancor (mas em mim ele cresceria, talvez eu nem seja tão legal assim…). Pra tentar reconstruir (sei lá em cima de quê).

Às vezes dá merda e a gente só pode torcer e ir usando todos os outros textos que fizeram sobre amor e sobre saudade e sobre paixão e sobre relacionamentos e sobre sobre sobre sobre corações partidos, porque não é só o crush que destrói a gente, não é só a cama que fica vazia, não é só o outro que vai embora, a gente também afasta.

Às vezes dá merda.

Desculpa.

vai ficar tudo bem

Tá tudo meio estranho. Se você me perguntar, não é nada pessoal, assim, a vida anda muito bem, obrigado, se fomos pontualmente pensar. Mas tá tudo meio estranho. As coisas andam meio embolotadas, meio devagares, meio estafantes. O que podia ser uma tarefa simples vira um monstrão envolvendo mil pessoas e seus dramas, e os dramas se entrelaçam, e as pessoas se desentendem, e todo mundo parece predisposto a ser rude e violento e discutir ao invés de ouvir. Tem raiva. Tem peso.

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Tá tudo meio estranho e difícil, não tá? Parece um eterno mercúrio retrógrado – e tá tudo tão estranho que eu nem leio mais o horóscopo. Nem sei o que Susan Miller quer dizer a respeito com medo da decepção ou da verdade, já nem sei mais direito. Agosto é sempre meio confuso, meio longo. Ninguém nunca tem dinheiro, já percebeu? E tem tanta coisa acontecendo o tempo todo. Parece que nunca acaba. Parece que nunca para.

Os últimos dias foram meio catárticos, assim, e parece que tudo explodiu – e vieram coisas boas e coisas ruins com os pedacinhos que saíram voando. Primeiro vieram, não sei muito bem em que ordem, uma edição da newsletter da Nath e esse post da Nambs: os dois falando sobre gratidão. Porque a gente reclama, a gente se sente perdido, vazio, mas a gente raramente agradece pelas coisas legais, né? Depois, foi essa edição da newsletter da Aline Valek, sobre conselhos bons que a gente recebe na vida. Eu fiquei com vontade de copiar o tema – e talvez ainda role, mais pra frente – mas um trocinho me pegou mais rápido: Compartilhe o que te inspira, não o que te causa raiva.

No final das contas, é o que eu acabo fazendo aqui. Já adotei há algum tempo a postura de que não vou ficar dando ibope pra matéria zoada, campanha maluca, post bizarro – passei a compartilhar mais gatinhos, mais bonitezas, mais iniciativas legais. A real é que cansei do Facebook e acabei trazendo pra cá muita coisa que postava lá, e ó, tô felizona com isso. Mas esse conselho abriu uma portinha que foi escancarada quando outra amiga, nesse mesmo site feicers aí que eu num gosto, compartilhou essa imagem:

selfcare

É simples, quase bobinha, né? Uhum. Cê faz tudo o que tá aí pra você, direitinho?

Hum.

Essa imagem na real me abriu um sorrisão de ver que, calma, tá tudo bem. Que a gente se preocupa demais com o macro, com o futuro, com os planos, com os amanhãs, mas na real, às vezes a gente só precisa parar um pouquinho e tomar um copo de água ou lavar o rosto. Num é? E aí, igualzinho quando a gente ouve uma palavra pela primeira vez e dez minutos depois todo-mundo-no-mundo-inteiro-usa-aquela-palavra, eu fui devastada por posts e imagens e gente e amor em formato de self care.

A Sofia já deu dicas ótimas sobre a gente se amar um tiquinho, dividindo as sugestões entre cuidado energético e mágico e cuidado físico. Leiam, é ótimo. Eu também sempre recebo o conteúdo da Gala Darling, rainha-mór da vibe radical self-love – eu sou alucinada nesse mote do site, adorn yourself, adore your life <3 – que sempre me dão uns insights bacanas (e ela é divertidíssima no instagram stories, gente!). E, por último, o que me deu um estalo tipo “eita, tá todo mundo mal mesmo”, desgurpa Jout Jout, foi esse post lindíssimo no Hello Lolla, que é impossível de ler sem um sorriso no rosto.

Daí entre uma coisa e outra, o que eu fiz? Eu não sei como, eu não sei quando, eu não entendi direito de que maneira ainda, mas eu fiz um desenho. Um “desenho”, vai, um infográfico, olha que chique. Um mapa mental. Um lembrete do tamanho de um A4, to tamanho que tem que ser. Pra eu me lembrar, o tempo todo, que vai ficar tudo bem. E do que eu posso fazer pra me ajudar nesse processo, que às vezes é mais complicado, outras é menos, mas é sempre cansativo porque tudo é mais tentador: reclamar, chorar, gritar, berrar, falar que vai sair correndo. E, às vezes, pode ser mais simples.

Então, nessa vibe de compartilhar, eu tirei coragem sabe-seládeondemeudeus pra fazer isso aqui e postar para lembrar que…

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Vou postar aqui e sair correndo antes que eu me arrependa – já tô me arrependendo ¯\_(ツ)_/¯

Atualizando: durante essa mesma semana a Couth postou uma coisa maravilhosa da rainha Liz Gilbert, que a Anna Vitória fez o favor de me lembrar agora:

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go to the water – leiam <3