do coração

resoluções de ano novo – vem de mansinho, 2018

Feliz Ano Novo, meu povo! Como foi a virada de vocês?

Se no ano passado eu fiz apenas uma resolução e a cumpri com louvor – e pretendo continuar cumprindo essa ❤️ – resolvi ser um pouquinho mais ousada e escrever a boa e velha listinha, que funciona tão bem pra mim, que me organizo assim, visualmente. Assim vocês também ficam por dentro e me ajudam a cumprir tudo, que tal? 🙂

  1. Parar de tomar tantos remédios: vou terminar em breve o tratamento com o pesadíssimo roacutan, que me obrigou a usar outros vários remédios em conjunto, e vou, mais uma vez, atrás de descobrir o que é essa bendita alergia que não me larga há mais de ano. Promessa. Depois disso, vamos tentar pegar mais leve com esse corpinho que já está sendo cuidado em tantos níveis, então que seja no mais importante deles também.
  2. Dançar mais: eu amo dançar e, apesar da minha preguiça enorme de sair de madrugada, eu me frustro imensamente se não saio pra dançar ou se sou colocada em situações em que deveria estar dançando e por motivos de desânimo da galera, não danço. Já que a humanidade foi inteligente o suficiente para criar espaços em que as pessoas vão especificamente pra isso, por que não, né?
  3. Prestar (ainda) mais atenção em mim: processo bom e libertador esse que pode e deve continuar em 2018. Se todos os movimentos que eu tive no ano passado foram “físicos” e “estéticos” talvez, que agora o cuidado seja de prestar atenção na intuição, no que vem de dentro, em tentar desabrochar coisas adormecidas, de entrar em contato com o que me é mais ancestral #bruxaisa.
  4. Não me intimidar diante de pessoas intimidantes: existem situações intimidantes, é claro, e essas são complicadas e, na maioria das vezes, realmente difíceis de se sair ilesa, mas existem pessoas intimidantes que parecem que estão ali apenas para se provar. Já que elas estão se provando, eu posso também provar que eu não tenho nada para provar contra elas. Difícil isso, né? Vamos tentar. Com gentileza, sempre, mas sem abaixar a cabeça.
  5. Subir de escada para o trabalho: em casa seria um pouco too much, já que estamos falando de 10 para 11 andares, mas no trabalho são 6, curtinhos, com escadas relativamente ok. Acho que não é o suficiente para chegar suada logo de manhã, mas é exatamente o suficiente pra fazer as pernas se mexerem um pouco e a cabeça esvaziar beeem antes de começar o dia pesado. Vamos?
  6. Me alongar todas as manhãs: é simples, leva 5 minutos e, quem sabe, me ajuda a dar uma melhorada nesse fator tão complexo e que eu sinto tanta dificuldade na vida. Fora que é um momento de atenção total no nosso corpo, quase uma meditaçãozinha – que, espero, entre na lista de resoluções para 2019.
  7. Limpar e hidratar a pele: porque ninguém aqui está ficando mais jovem, não é mesmo?

E, por último, mas não menos importante, pra gente imprimir, cheirar, lamber, ler todo dia, se apaixonar e dormir abraçado com isso aqui:

via Rainha da Internet @lyazumblick

Aproveitem, amores!

retrospectiva 2017: melhores momentos!

Esse post deveria ter sido escrito e postado antes desse, mas vai de bônus de 2017, só porque eu estou com uma sensação bem gostosa nesse final de ano e quero levar as good vibes para ano que vem! Vi o link, My top 10 favorite moments from 2017, do Cupcakes and Cashmere (sigam! ❤️), na Drops, a newsletter da Nath (leiam! ❤️), e resolvi reproduzir aqui:

os meus 10 Momentos favoritos do ano:

1. Dançar num bloco de carnaval de São Paulo vestida de maiô e maravilhosidade: se vocês falassem pra mim no ano passado que eu estaria ali, belíssima de maiô colado, com a pança e as coxas pra jogo, sambando ao som do melhor bloco de carnaval da cidade pelas ruas de São Paulo, eu certamente riria na cara de vocês. Que bom foi ter encontrado essa gangue que me lembra, sempre, que a gente precisa estar feliz com a gente, e só isso importa.

2. Me apaixonar pelo pole dance e me permitir me apaixonar pelo meu corpo: na mesma linha, as mesmas mulheres, mas a minha força e meu exercício diário de auto-aceitação, amor próprio e respeito. Descobrir uma atividade física que me desafia “fisicamente”, mas também a cabeça, também meus limites, também minha imagem. Logo eu, que nunca imaginei que ia gostar tanto de me mexer!

3. Conhecer Inhotim: fiz várias viagens bacanas esse ano, mas nenhuma se compara a conhecer esse lugar incrível, que me dá saudades até hoje, todo dia. Pelas paisagens e os jardins maravilhosos, a natureza, o espaço bem cuidado, por todas as obras de arte que mexem com a gente, por uma viagem gostosa de fazer e em boa companhia, por realizar uma vontade que eu tinha há tempos.

4. Mudar e mudar e mudar e continuar mudando a casinha: não é um momento específico, é claro – mas vamos aqui fazer uma grande menção honrosa à tour da parede verde, hahaha! – mas esse ano eu estou de parabéns por essa casa tão linda e aconchegante. Eu gosto demais da sensação de poder fazer, mesmo, tudo o que eu bem entendo, e depois ter que lidar com os buracos dos pregos que eu preguei errado. Eu que fiz! Me traz muita paz namastê entrar ali e me reconhecer <3

5. Andar por São Paulo, conhecer lugares novos e redescobrir os antigos: por mais que eu brigue com essa cidade, com seus preços exorbitantes, com essa cultura horrorosa do trabalho, ouso arriscar que não conseguiria me adaptar tão bem a nenhum outro lugar. Ou ainda não. Esse ano fizemos as pazes e nos aproveitamos mais, com mais tranquilidade e mais novidades também. Amo a retomada do Centro e da Santa Cecília, sou apaixonada por estarmos virando uma grande bolha vegetariana e vegana. Quero sempre mais!

6. Aprender a costurar: se eu soubesse que ia ficar tão feliz fazendo isso, que ia ter uma facilidade tão grande escondida nas pontas dos dedos e que ia gostar tanto de presentear as pessoas com meus projetinhos tortos, teria feito o curso de costura há mais tempo. Comprado a máquina há mais tempo. Me divirto demais e estou louca pra aprender a fazer um milhão de novas coisas! 

7. Ter a plena certeza de que me tornar vegetariana foi a melhor decisão: visivelmente, na minha saúde, na minha relação com a comida, na minha curiosidade em experimentar tudo o que posso, no meu coração e na minha consciência mais leves. Não tenho nenhum arrependimento e, pelo contrário, só consigo enxergar vantagens em ter tomado essa decisão, há mais de um ano.

8. Abraçar o mundo das plantinhas de vez: se a casinha nunca esteve melhor, é também porque a selva urbana que a gente construiu está dominando todos os espaços da casa! Adoro descobrir novas espécies, procurar as necessidades de cada uma delas e ver como elas se desenvolvem em casa. Enquanto tiver espaço, vai ter prantinha!

9. Fortalecer a melhor das minhas parcerias: a que me deixa transbordar em paz, a que segura minha onda quando eu não aguento, a que me levanta quando não dá pé, a que me faz gargalhar todos os dias. Casamento é construção, sim, mas não precisa ser exaustiva ou trabalhosa, e ele me ensina todos os dias que a gente pode ser feliz, e só.

10. Dar chances para novos e antigos amigos: e abrir espaços, e desapegar do que não faz bem, por mais que doa – e dóis muito, quase dilacera. E aceitar que tudo bem não estar com todos, e tentar entender que as pessoas mudam e não necessariamente isso é ruim. E acalmar o coração pois sempre há espaço para curar e abrir novos caminhos, e não adianta endurecer, que a gente só é feliz compartilhando.

Feliz ano novo, queridos! Que em 2018 a gente possa ter muitos momentos favoritos ❤️

2017 sorrisinho smiley coração gratidão :)

Eita, 2017. Acabou, né?

Eu tenho até medo de falar que foi um ano bacana. Porque, no final, foi um ano bacana no meio de um ano bem maluco e difícil para 110% das pessoas e aí a gente fica pensando: mas porque que foi bacana mesmo? Rola aquele sentimento de retrospectiva e aí você vai tentando enumerar todas as coisas incríveis que fez pra dar valor especial àquele ano. 2015: montamos nossa casinha. 2016: casamos, viajamos. E 2017?

Pra escrever esse post eu estou rolando o feed do Instagram atéeeee o comecinho do ano. Pra ver o que eu fiz, o que eu documentei. E, antes que venha o questionamento “mas você vai se pautar pelas fotos de uma rede social?” eu já respondo: vou, vou sim. Da mesma maneira que a gente, antes, tirava fotos dos momentos especiais. Da mesma maneira que a gente queria registrar viagens, nascimentos, festinhas. Foi assim que eu aprendi nos últimos anos, mas nesse mais que todos, a documentar os grandes acontecimentos sim, mas também os pequenos. Olhar com mais carinho pro dia normal, tranquilinho, “sem graça”. Aprender a ver o bonito dentro de casa, na normalidade do “nada acontece”, nas coisas que a gente já tem – e não precisa ir além.

É difícil de registrar isso, o normal, o cotidiano. Parece que fica tudo igual, que não tem novidade. 2017 trouxe isso também: tudo bem ser tudo igual, tudo bem ser normal, tudo bem não estar em milhões de lugares e com milhões de pessoas diferentes. Talvez o que a gente precise seja mesmo de pouco, de poucos. Talvez o que a gente precise a gente já tenha, também.

Tivemos muitas plantinhasAndamos muito no Minhocão. Também andamos muito por São Paulo, essa cidade que cada vez mais me convence que é aqui que eu pertenço, e ainda quero andar bem mais. Nossa casinha está cada vez mais a nossa cara e cada vez mais aconchegante. Deu até pra tatuarSempre tem os gatos, eles, que me tranquilizam e me divertem tantoTeve carnaval, sempre podemos contar com o carnavalRolaram algumas viagenzinhas também. Alguns projetos saíram do papel e também foram novamente engavetados: e está tudo bem com isso. O blog, esse espacinho que eu tanto amo, teve um ano bem especial e lindo. Rolou um longo, demorado, dolorido e libertador processo de redescoberta pessoal, de amor próprio e do poder de rebolar a raba. Tiveram vários cabelinhos muito bons, e eu tô aqui, pensando já no próximo. Bebês nasceram! Isso dá uma esperança danada pra gente, né? E as amigas estão grávidas <3 E são tantos, tantos amigos incríveis! Amigos que vieram, novos velhos amigos, velhos amigos, de novo. E amigos partiram, literalmente, pra longe, e também no sentido de já não fazerem mais parte. Esses são os que mais doem, mas a gente aprende, a gente se fortalece, e segue em frente. E teve a gente, porque sempre tem a gente, a gente sabe.

É isso que a gente tem que se esforçar pra lembrar, sempre. Que não está tudo bem, é claro que não está, e entre uma coisa incrível e outra, um passeio bacana e um abraço gostoso, uma conquista e um prato de bolo, tem muita coisa. Tem muita coisa acontecendo no mundo, que derruba a gente; tem muita acontecendo com quem a gente ama, que a gente se sente impotente, tem muita coisa rolando dentro da cabeça e que aperta o coração, e a gente nem sabe o que fazer com isso. Uma coisa boa não apaga uma coisa ruim, mas o contrário também vale. Tudo isso aí em cima aconteceu, foi vivido, foi apreciado, foi sentido. Foram todos momentos felizes que a gente tem que sempre lembrar que podemos buscar, podemos nos entregar, podemos buscar, ainda que as coisas ruins existam. Ainda que nos forcem a nos sentir culpados. Ainda que tenhamos a tendência de nos justificar.

As coisas não estão perfeitas, estão longe de estar. O mundo está uma completa bagunça, girando ao contrário, girando pra trás – parece que tudo o que conquistamos a duras penas está desmoronando, que nossas liberdades estão desaparecendo rapidamente e ninguém liga, que não faz diferença lutar. Mas a gente encontra quem lute essa longa e cansativa luta com a gente e, cada vez mais, sabe que existe, sim, um caminho certo pra estar. Um lado. Que posicionamento importa, sim, e muito. Que tudo o que vem acontecendo não é fictício e saí do âmbito dos princípios e passa a ser palpável: magoar os que nos são próximos, prejudicar os que a gente ama. Que as durezas da falta de dinheiro, do excesso de trabalho, da inversão dos princípios transforma as pessoas, faz com que esqueçam. E tudo isso faz a gente pensar também nas prioridades da nossa vida, nos nossos privilégios, em segurar a nossa onda.

Gratidão é por isso também. Pra gente lembrar de tudo o que a gente tem com a devida proporção e importância. E também lembrar de todas essas coisas quando a gente tiver tão cansado que parece que nada mais faz sentido. Isso realmente vai importar daqui a um ano? Esse é realmente um problema seu, ou é problema da outra pessoa? A gente se perde muito numa onda negativa de reclamações e auto depreciação, às vezes, o mundo (e a internet, eu diria!) faz isso com a gente. Mas é importante respirar. Olhar pra dentro, olhar pra fora, e voltar pra dentro. Gratidão também é isso aí: é pequenininha, é silenciosa, é reproduzindo o que a gente recebe – pro Universo, se você acredita, pras pessoas do teu coração, pras pessoas desconhecidas também.

É nesse momento do ano que a gente volta pra famigerada resolução de ano novo do ano passado pra ver se rolou alguma das coisas que prometemos – você lembra quais foram as suas? Eu não lembrava. Mas aí a gente agradece também por ter se importado a ponto de escrever aqui, e vem isso:

Por isso, eu vou me permitir fazer essa transição de uma maneira mais leve, sem cobranças, sem pressão – sem listas!. Aproveitar que cai tudo num sábado e não permite muita comemoração ou rituais de passagem pra ser essa a resolução: atenção diária ao que foi bom. Comemorações diárias. Celebrações diárias. Ser feliz todo dia sim – e respeitar os dias ruins também. […] E como eu ando nessas de não saber direito o que dizer, nem como, nem pra quem, eu queria deixar vocês com duas reflexões mais bonitas e completas que apareceram na minha vida essa semana, justo nela, toda complicada e cheia de problemas. A primeira é da Nath que, com as suas cartas, foi um dos pontos altos do ano, sempre pontual, sempre no timing certo: que o seu próximo ano seja repleto desses momentos que você quer registrar para guardar, postar, compartilhar. Porque a vida do instagram é, sim, muito maravilhosa e, no final das contas, a nossa vida é isso aí: um amontoado de bons momentos que a gente quer guardar pra sempre (em volta de um amontoado de momentos blé que a gente só esquece).

Uma das coisas que eu aprendi esse ano, aqui dentro, nesse processo de redescobrimento pessoal, é que a gente tem que parar de ser humildona – o que é bem diferente de ser humilde. Faz parte do mesmo sistema opressor e patriarcal que a gente tanto quer derrubar essa postura que adotamos meio que por instinto do “deixa disso!”, “são seus olhos!”, “imagina, eu não fiz nada!”. Eu fiz sim. Eu cumpri, direitinho, o compromisso que eu assumi comigo – a pessoa mais importante da minha vida. Eu disse pra mim que eu faria uma coisa e eu fui até o final e fiz, direitinho – com altos e baixos, como é tudo, mas eu fiz! Talvez até mesmo meio inconscientemente eu tenha liberado espaço na vida, na minha cabeça, até no meu corpo mesmo e no “espaço físico” que eu ocupo pra poder ser feliz, ser mais leve, compartilhar e guardar essa felicidade e me apropriar dela. Me apropriar de tudo o que eu sou, eu fiz, e eu lutei pra ter e pra fazer. Meu esforço, minha responsabilidade, minhas escolhas. Eu fui e fiz – ou não fiz, e aí foi por minha causa também. Fiz direitinho, igual eu mandei que eu fizesse aí em cima, ainda em 2016. Porque eu sou foda pra caralho, e eu reconheço isso.

Que em 2017 a gente seja isso então: que em 2017 a seja foda pra caralho e, principalmente, saiba reconhecer isso. Não interessa onde nem como: no seu trabalho, na sua vida pessoal, no seu relacionamento, nos seus estudos, no silêncio do seu quarto falando com as prantinha. Eu quero isso aí pra todo mundo, e me comprometo a ajudar, quem estiver aberto a receber essa ajuda, a chegar nesse reconhecimento. Que no ano novo a gente pense na tal lista de resoluções com foco exclusivamente no que fará um bem genuíno pra gente, e se relembre desse bem a cada nova semana, a cada novo mês, seja pra cumprir as metas, seja para trocá-las por outras mais importantes.

Me dá uma felicidade surpreendentemente palpável saber que sou dona de tudo o que me faz feliz. Dona no sentido de que são minhas conquistas, meus esforços, minha responsabilidade, minhas escolhas – veja aí em cima e repita comigo! E com isso vem também uma aceitação maior de que o mundo é composto por um milhão de outras coisas, acontecimentos, eventos, ocasiões que eu não tenho o menor controle. Que estão fora do meu alcance. E que eu não faço ideia de como lidar. Mas, como tudo é equilíbrio, a primeira parte faz com que eu aceite melhor a segunda. Cultivando meus portos-seguros, agradecendo por eles, respeitando cada uma das conquistas e dando seu merecido valor. Pra quando a vida chacoalhar a gente, a gente saber que vai passar, que está tudo bem, e que a gente pode reconquistar tudo de novo.

 

Eu realmente só tenho a agradecer. E compartilhar. E que o ano novo seja de cultivo das coisas boas, de apropriação das conquistas, de aceitação de quem a gente é e de agradecimento por tudo o que a gente tem. Ainda mais. Que seja nosso, e que a gente saiba disso!

respiro

A gente tem que celebrar.

As coisas boas da vida, as pequenas, sempre elas. Uma boa notícia. Uma neném nova – é menina! – entre as amigas. Um bonde de bebês novos vem vindo. Um ingresso comprado, assim, bem besta. Uma boa notícia. Um almoço gostoso, um almoço saudável. Uma tarde de conversa e risada – ainda que virtual. Decidir pintar o corredor inteiro de verde escuro mesmo a casa inteira sendo clara. Pintar o corredor inteiro de verde escuro mesmo a casa inteira sendo clara. Os novos quadros a serem pendurados. As novas possibilidades.

O respirar fundo no meio do caos, o respirar no meio da raiva, sentir a raiva se dissipando, deixar pra lá.

O sábado cheio, cheio, cheio, os tantos amigos pra abraçar, os tantos eventos para comparecer, é tempo de desabrochar. O cansaço bom da gente que tem que descansar. O reconhecimento pequenininho, desses que vêm cheios de emoção de verdade, que fazem a gente ver o que importa, o que toca lá dentro, o que ilumina a gente. Os comentários. Os agradecimentos.

Um sorriso, e só.

A gente tem que respirar.

era a roupa certa para um dia difícil

Eu achava que os corações partidos estavam seguros lá com os 20 e pouquinhos. Achava que depois a gente aprendia a lidar de uma maneira diferente. Toda vez que me disseram “eu sei que dói, mas passa”, confiei como que só tem aquilo pra confiar – e passou. Achei que nunca voltaria. Achava que todas aquelas fases – a que você fica com raiva e quer falar, a que você está destruída e quer só chorar, a que você ainda não acredita e fica completamente anestesiada – estavam diretamente ligadas aos que os 20 e pouquinhos não traziam, à falta de segurança, ao descobrimento inteiro, à certeza de que sabemos de tudo.

Toda vez que eu fico triste, eu descubro um livro novo. Eu não sei se eu descubro este livro porque eu estou triste ou se eu fico triste e então descubro magicamente um livro que me faz querer morar lá dentro. Mas quando eu não tenho muita força pra colher os caquinhos eu deixo eles esparramados mesmo, e me encontro inteira lendo sem parar, como se a sequência das frases e a coerência da história fosse me reconstruindo. Normalmente esse livro é um desses meio mágicos, que lembram pra gente que a gente pode fugir pra lugares mais incríveis, onde nada faz sentido e a gente pode viver uma outra vida. Onde os gatos não fazem mais do que a sua obrigação de nos levar por caminhos desconhecidos e lagos são oceanos e as pessoas sabem todos os mistérios do Universo, como que o dinheiro destrói todos os nossos sentimentos e que a gente precisa aprender a confiar uns nos outros.

O pavor ainda não tinha abandonado minha alma. Mas havia uma gatinha no meu travesseiro e ela ronronava em meu rosto e vibrava suavemente a cada ronronar, e logo eu adormeci.