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avoa #3 – Belo Horizonte

Contei no post sobre Inhotim que a gente decidiu se hospedar em Belo Horizonte – ao invés de Brumadinho ou qualquer outra cidade mais próxima – justamente para conhecer e aproveitar um pouco da capital. E foi uma ótima ideia! Beagá (pode, né?) nos deixou com uma ótima impressão, mesmo com uma viagem super rapidinha, e a vontade de voltar e encontrar todos os amigos que eu não consegui ver DESGURPA MIGOS!

Tivemos, mais ou menos, 2 dias pra conhecer a cidade, além das noites depois que voltávamos de Inhotim: dica, noites muito bem utilizadas para DESCANSAR E DORMIR porque minhanossasenhoradabatidadeperna, que cansaço. Na primeira, conseguimos sair pra jantar, mas na segunda, em pleno sabadão: sopa e cama de hotel, bem glamour mesmo.

Eis que nosso primeiro dia em BH foi então um ensolaradíssimo domingo (e eu continuava de calça de veludo RISOS), e como boa hippie que sou, claro que não poderia deixar de visitar a Feira de Artesanato da Avenida Afonso Pena. Gent, cês não têm ideia do tamanho daquilo, cês têm? Além de grande na extensão, eram fileiras e mais fileiras de barraquinhas de tudo o que você pode imaginar, de roupas a calçados, de brinquedos a decoração, de comidinhas a comidonas, tudo, tudo, tudo reunido. Maravilhoseur, organizado – ponto pra BH! – com uma variedade enorme e a maioria das coisinhas produzidas pelas próprias pessoas, dava pra perceber. Fiquei pensando que, se morasse na cidade, poderia resolver boa parte da vida nessa “feirinha” de domingo.

Saindo de lá, caminhamos até a Praça da Liberdade, que deu beeem o clima da cidade pra gente: arrumadinha, cheia de gente fazendo exercício, passeando com o cachorro, com os filhos, fazendo ensaios de fotos, manifestações, tudo junto e bem tranquilo, com um solão pra arrematar o clima bom do dia. O espaço em volta é conhecido como Circuito Cultural Liberdade, e tem várias instituições culturais, a Biblioteca Pública, diversos museus e o Palácio da Liberdade. Nós conseguimos visitar dois locais: o Centro Cultural Banco do Brasil – e almoçamos no delicioso Café com Letras, debaixo dessa arquitetura monstruosa – e o Memorial Minas Vale. Esse não me emocionou muito: tudo ali me pareceu muito “perfumaria”, pouca densidade e muita tecnologia sem razão, mas o memorial dá um panorama bem interessante de toda a história de Minas, dos escritores e artistas antigos e modernos, passando pela História do Estado, falando de bairros, pessoas, famílias etc. Se tiver tempo, vale uma passada!

O passeio da tarde do domingo foi na famosona e liiiiiinda de morrer Lagoa da Pampulha. Meu, que lindeza. Claro que eu continuava de calça de veludo, claro que continuava fazendo 28 graus, claro que eu tinha comido 8 unidades de pão de queijo recheadas com queijo da canastra e geleia de damasco obg beyoncé e quase faleci, claro que a gente andou pro lado errado em volta da lagoa e perdemos todas as atrações turísticas. Claro. Mas porra, foi lindo. Nesse percurso desajeitado que fizemos, passamos pela Igreja de São Francisco de Assis, projetada pelo Niemeyer e é um desses cartões postais que a gente realmente tem que conhecer, e perdemos todas as outras coisas legais: um parque, o jardim botânico, o Mineirão e o Mineirinho, outro parque, a Casa de Baile, o Museu de Arte e aparentemente a Anira e o Drake estavam do outro lado. Me arrependo? Nãaaao, foi tão lindo! No caminho pro lado errado que fizemos, acabamos topando com a Casa Kubistchek, também projetada pelo Niemeyer para ser a ~residência de veraneio do moço presidente, e que descoberta boa pra quem gosta de decoração, arquitetura etc – e precisava urgentemente de um ar condicionado! Toda modernista, com os móveis da época, os jardins pensados pelo Burle Marx, encantadora mesmo.

No segundo dia, que era também o nosso dia de voltar para São Paulo e, por isso, era mais curto, decidimos ir no famoso Mercado Central. Se tem uma coisa que eu amo nesse mundo é mercadão, né? Minhanossasenhora. Que lugar maravilhoso! Além dos alimentos típicos que são SURREAIS de bons e baratos – nível: compramos uma bolsa térmica gigante pra trazer a maior quantidade possível de queijo para casa? Compramos. E ainda saiu barato! – como queijos e doces de corte, o lugar tem uma infinidade de utensílios de cozinha de cobre e pedra sabão, desses bem hipsters escandinavos nórdicos blogayrinha de decor e, claro, com preços maravilhosos. De encher os olhos! Isso e as canequinhas esmaltadas, de todas as cores e tamanhos possíveis. Uma perdição. Dá pra encontrar também vários móveis de madeira, cestos e outros objetos trançados de palha, produtos de chita, e meu deus do céu. Eu preciso morar perto desse lugar.

Não almoçamos por lá porque aparentemente meu marketing pessoal falhou no quesito: avisar os amigos que não como mais carne. Todo-mundo indicou comer o fígado com jiló. Então, né, gente. Deve ser bom, eu acredito, mas não. Em compensação, todo-mundo também indicou comer na A pão de queijaria. OBRIGADA VOCÊ QUE RECOMENDOU A PÃO DE QUEIJARIA MUITO OBRIGADA. Gente. Imagina um cardápio composto por… pão de queijo. Crouton de pão de queijo na saladinha, pão de queijo de vários tipos de queijo, pão de queijo recheado com tudoodemaisgostosoqueomundopodeoferecer, tipo confit de tomate e queijo de cabra, a bolachinha do cafezinho é um minipãodequeijinho. SABE. Não tem como. O mais legal é que, durante a semana, eles têm um menu de almoço, em que: saladinha + pão de queijo recheado (bem grandinho!) + polenta (peçam a polenta) ou batata rústica = vinte e poucos golpes. Chupa São Paulo. Eu quero morar ali pra sempre. Não curti muito a famosa caipirinha de café, mas eu não costumo gostar das variações da bebida, então tudo bem, deem uma chance, merece.

O último passeio, que eu bem queria que tivesse se prolongado se não fosse o fator aeroporto, foi no bairro Savassi, que é um dos mais badaladinhos e ~descolados da cidade, super agradável, cheio de vida e lojinhas bacanas, e terminou no Edifício Maletta, uma das melhores surpresas pra mim: um prédio histórico, meio residencial, meio comercial, que reúne vários antiquários, brechós e lojas de discos e sebos, além de pequenos restaurantezinhos e bares muuuuuito gracinhas, pequenos, cuidadosos, do jeito que a gente ama. Queria muito ter comido no Las Chicas Vegan, das manas e vegano, mas dessa vez não deu, infelizmente. Só que eu volto, BH, aaaaah eu volto!

O sentimento geral que eu tive por essa cidade foi daquele amorzinho de verão, tranquilinho e de dar saudades, sabe? Fiquei encantada pelo clima, pelas pessoas, pela educação. Uma cidade grande onde as pessoas não querem se matar, não se empurram, não se sacaneiam, pedem por favor e obrigada real oficial. Claro que pode ser só minha impressão de turista, mas foi o suficiente pra bater. Talvez, quem more em São Paulo deva ter essa impressão na grande maioria das outras capitais, mas Belo Horizonte me deixou com a sensação boa de um mix acertado entre “cultura e atrações de cidade grande” e “tranquilidade e calma de cidade de interior”. Vontade de voltar. E ficar?

avoa #2 – Inhotim

Pra longe dos festivais de música e festas hipsters, talvez eu tenha ficado sabendo que Inhotim existia há uns 2 ou 3 anos só. Claro que, imediatamente, eu fiquei apaixonada. O treco é um parque gigantesco, com uma coleção botânica surreal e um acervo de arte contemporânea que é um dos mais relevantes do mundo. Ok, quero. Nunca levei muito a sério a visita ao instituto até as férias desse ano, que não ia ter muito tempo $$$ para viajar pra longe, e decidi fazer um passeio rápido até Minas Gerais.

A primeira coisa é que, ledo engano, não é uma viagem barata. Nós optamos por ficar em Belo Horizonte – e não Brumadinho ou alguma outra cidade mais próxima de Inhotim mesmo – para aproveitar e esticar outros rolês à noite. Com isso, pegamos o famoso ônibus da Saritur por dois dias, ida e volta: cerca de R$ 30 cada “perna”. Caro. O ingresso no parque é R$ 40 por cerumaninho e, claro, lá dentro, nada é barato: os carrinhos de transporte (já falo mais disso), os restaurantes, o café, é tudo bem salgado.

As vantagens de ter feito a viagem do jeito que fizemos: realmente pudemos aproveitar as noites de BH (e vai ter post sobre lá também!) e dormimos um monte no ônibus, que partia às 8h e voltava às 16h30 na sexta e 17h30 no domingo – a viagem é bem tranquila, o ônibus super confortável, foi tudo bem ótimo. Talvez uma opção seja ir até BH de avião, e passar essa noite intermediária, entre um dia de passeio e outro em Inhotim, em Brumadinho ou região. Assim economiza-se com o ônibus – e dá pra acordar um tantinho mais tarde também!

Dois dias em Inhotim: pra gente, foi perfeito. Eu ficaria um terceiro dia? Ficaria. Ficaria para voltar em algumas obras/jardins de que gostei muito, pra fazer um piquenique sem pressa, pra ler um livro em algum canto fresco e maravilhoso. Mas em dois dias, nós dois conseguimos visitar toda a extensão do instituto e ver todas as obras. Sim, tudo! Batemos muita perna? Batemos. Queimamos todo o pão de queijo ingerido? Queimamos. Quase morremos de insolação? Uma parte de mim se foi. Mas foi absolutamente maravilhoso. Ah, a gente fez tudo sem o bendito do carrinho, que é tipo aqueles de golfe: é engraçadinho, dá uma boa aliviada se você tem alguma dificuldade de locomoção (ou a famigerada preguiça), mas é caro e deixa os trajetos bem “limitados”. Somente com nosso mapinha e meu bom e velho tênis que talvez tenha falecido, deu. E foi absurdo.

Já falei que foi absurdo? Foi absurdo.

Absurdo. Quando você para pra pensar racionalmente, é um troço meio megalomaníaco. A área total é de 786,06 hectares, o que eu não faço ideia do que seja em metro, quilômetros, só sei que a cada dia eu pensei que não ia dar, mas deu. As obras são, na maioria, imensas, opulentas, completamente malucas e de deixar a gente sem ar. Mesmo. Se você procura a descrição “histórica” do projeto, vai ler várias palavras daquelas que a gente que é comunista comedor de criancinha tem medo, tipo ” empresário da área de mineração e siderurgia”, “valiosa coleção de arte modernista”, “acervo pessoal de arte contemporânea”. Se você desliga o botãozinho da República Bolivariana (e, confia, você vai desligar em 15 minutos), é arrebatado de uma maneira que mexe real oficial com a sua pessoinha.

Arte contemporânea é aquela loucura, né. Pra mim – e é tão pessoal isso que vocês podem simplesmente ignorar esse parágrafo se quiserem – é uma experiência que tem que bater. Teve coisa que não bateu. Que fica aquela sensação de “mas que merda essa pessoa tava fazendo, gente?”, só que a gente não pode falar isso em voz alta (os tios falavam, na moralzona assim!) porque alguém disse que aquilo era arte. Mas teve coisa que minhanossasenhora, bateu. Bateu fortão. Bateu e tá batendo até agora.

  1. Galeria Adriana Varejão:

    uma das galerias com a arquitetura mais bonita. Os temas me encantaram muito: azulejos, botânica, inspiração na mitologia grega… Linda do Rosário (2004) é uma das coisas mais assustadoras e macabras que eu já vi.

  2. Galeria True Rouge, Tunga:

    medo da cabecinha dessa pessoa, ainda bem que ela existiu. Eu, claro, não conhecia nada do Tunga, e gostei demais das duas galerias, mas True Rouge é uma dessas que a gente fica absolutamente espantado – fiquei tocadíssima com a descrição: “Os objetos que pendem do teto, unidos por estruturas interdependentes, aludem a um grande teatro de marionetes: uma escultura de manipulação, que, se valendo da gravidade, não chega, contanto, a tocar o chão.”

  3. Galeria Cosmococa, Hélio Oiticica:

    a dica é: fuja dos grupos de adolescentes em visitas escolares. Fuja. A galeria tem várias obras experimentais e multisensoriais, tipo uma piscina (pode mergulhar, sim!) beeeeem psicodélica, uma sala “feita de espuma”, e outra em que você pode ficar na brisa ouvindo música dos anos 70 relaxando em redes. Quero.

  4. Coleção Luiz Zerbini:

    pintura pode não parecer nada muito alternativo freak, mas as obras desse cara conseguiram me pegar: misturam muita bagunça, um pouco de falta de nexo e o quê? Plantinhas. Eu amei as cores.

  5. Exposição Chris Burden:

    não consegui encontrar a referência correta no site nem por mil golpinhos, midesgurpem. O Chris Burden tem duas obras gigantes no Inhotim – Beam Drop e Beehive Bunker – mas o que mais me interessou foi essa exposição de fotografias e explicações das suas intervenções e performances, sempre violentas e beeeem fortes.

  6. Folly, Valeska Soares:

    no meio da natureza deslumbrante, essa cabana super romântica. Você entra e participa (mesmo!) da dança dos bailarinos, através de espelhos e jogos de luz. Recomendo ir bem cedinho pra fugir dos outros visitantes e dançar sozinho comozão <3

  7. Narcissus Garden, Yayoi Kusama:

    sou completamente apaixonada por tudo o que essa mulher toca. De chorar. Muito.

  8. Sonic Pavilion, Doug Aitken: 

    o problema dessa galeria é que eu nunca mais vou conseguir dormir tão em paz e acordar tão bem na minha vida. Você aaaaaaanda anda anda até morrer e encontra um pavilhão de vidro circular, isolado de tudo. Lá dentro há um furo de 200  metros de profundidade no solo, com microfones que captam o som da Terra. Este som é transmitido em tempo real no interior do pavilhão, e você fica lá, vendo a natureza, de olho fechado, dormindo, ouvindo a terra respirar. Adeus.

  9. The Murder of Crows, Janet Cardiff & George Bures Miller:

    a gente entrou na galeria e o moço falou “ainda não está funcionando, mas pode esperar lá dentro”. Entramos, só eu e o boy, e ficamos sentados no meio de uma salona enorme, rodeada por caixas de som. Começamos a ouvir uns cochichos, umas tossidinhas, umas vozes ao fundo – pra mim, elas estavam vindo da sala ao lado. E daí começou: uma cantoria incrível (também conhecida como um canto polifônico medieval desgurpa), vinda daquelas caixas, com o detalhe de que cada uma delas era a gravação de uma voz diferente. Lá do meio, você ouvia tudo reverberando muito, de deixar arrepiado e, ao andar pelas caixas, podia prestar atenção em cada “pessoinha” específica. Incrível!

  10. Ttéia 1C, Lygia Pape:

    fios e feixes de luz, ilusão de ótica, arquitetura incrível. Foi a primeira obra que vimos e inaugurou com chave de ouro a visita.

Além das galerias, a natureza é realmente um clichezão da porra e uma obra de arte a parte. Mesmo. Além de cada caminhada permitir que você conheça milhares de prantinhas diferentes – ah, e tem esquilos E macaquinhos, eu quase morri! – o “acervo botânico” é muito bem cuidado, com indicações de cada espécie, além dos jardins temáticos maravilhosos, com focos diferentes: bromélias, palmeiras e o nosso preferido absoluto, um jardim inspirado nos jardins mexicanos, cheio de cactos e suculentas gigantes!

Algumas dicas finais que ficaram perdidas por aqui:

  1. O instituto sugere roteiros de visitação, divididos em três eixos: roxo, amarelo e laranja. Nós optamos por fazer o laranja no primeiro dia, pois parecia o mais extenso, e deixamos o roxo e amarelo para o segundo dia – apesar de maior e com mais atrações, era mais “condensado”.
  2. Restaurante Tamboril: falei lá em cima que tudo é bem caro, e é, mas o restaurante Tamboril é uma delícia! O esquema é buffet pelo salgaaaado preço de R$ 70 por pessoa, mas com opções deliciosas, milhares de alternativas pros vegetarianos, serviço ótimo, tudo impecável. Se tiver com uns golpinhos sobrando, recomendo!
  3. Peloamordadeusalevem água, protetor solar e confiram a previsão do tempo – não façam como a sua amiguinha que achou que o tempo estaria igual ao de São Paulo e levou apenas uma calça de veludo, ok?

A última recomendação é: vão. Vão de carrinho ou sem carrinho, de BH ou de Brumadinho, de calça de veludo ou shortinho da Anira, não importa: vão. Todo mundo deveria poder conhecer esse lugar <3

avoa #1 – fugidinha pra Campos do Jordão

Olar. Será este o início de uma nova era uma série de posts sobre viagens? Veremos. Torçam para que sim. Me dá um desespero esse mundo moderno que a gente não imprime foto e faz evento ca família pra ver o álbum de 250 fotos de mãe? Sim.

Pois bem. Daí que desde a situação política-social-brasileira-mundial o meu aniversário eu estou morrendo de vontade de sair correndo de São Paulo – sem sucesso. Uma outra hora eu escrevo sobre isso, mas a única dificuldade na vida que eu tenho de ter escolhido não ter carro é justamente essa: viajar pra perto. Veja bem: quer ir pra Cuba? Pra Rússia? Pra Madagascar? Tá sussa. Quer ir pra praia? Não, sem carro não dá. Isso já vinha me frustrando há algum tempo e me deixou bem cabreira no fatídico dia de meu nome, mas eis que, no aniversário do boy, esse lindo, resolvemos investir real oficial na busca de uma viagenzinha rapidinha sussinha vamo sair daqui antes que a gente morra, já que também era feriado.

E daí a gente achou Campos do Jordão.

#disclaimer: eu tenho preconceito. Tenho sim, real oficial, eu assumo. Tenho preconceito para com essa cidade topster que é Campos-meu (leia com sotaque paulistâaaaaanu), depois de toda uma vida vendo pessoas erradíssimas indo passar feriados certíssimos nesse lugar. DESGURPA CAMPOS. A condição de ir pra Campos-meu era, então, ficar bem longe – veja bem, eu disse BEM LONGE – do centrinho rodízio de fondue casa do Dória palácio do seu-não-meu Governador. E assim foi.

Encontrei os Chalés do Rancho Santo Antônio fuçando real oficial nas fotos dos conhecido no instagram #teamointernet. Assim que entrei no site, soube que poderia ser o que fosse, poderia ser o próprio Satemer me recepcionando que todos meus princípios seriam postos de lado imediatamente. Por que, vocês me perguntam? Por isso:

Gente, cês tem noção que minha cara de bolacha tá ali e do outro lado tem a serra e araucárias e frio e plantinhas e tudo que nos separa é esse vidro e um deque? UM DEQUE?

Aham.

Isso que eu nem vou comentar que no nosso chalé também tinha uma hidromassagem e uma lareira. Yas queen.

Bom, já que vamos ser blogayrinhas de viagem aqui, vamos aos fatos práticos: dá pra ir de São Paulo a Campos do Jordão de ônibus, saindo do Tietêzão de meudeus. A passagem é uns R$ 50 golpinhos por pessoa, por trecho. No feriado, demoramos cerca de 4 horas em cada pernada pois, claro, trânsito. Alguém aqui já passou pela cidade de Taubaté sem enfrentar trânsito, minha gente? Eu não. Eu posso estar indo pro Brás que vou dar um jeito de passar por Taubaté e pegar trânsito.

Daí você chega na fofuchérrima e minúscula rodoviária de Campos do Jordão – não sem antes arrumar confusão com o velho sentado atrás de você que resolveu ver vídeos Daquele que Não Deve ser Nomeado SEM FONE DE OUVIDO – e, bom… o Rancho Santo Antônio fica bem distante dali. Não se engane, caro padawan: se você procurar no Google, ele te dirá: 15 minutinhos, sussa, se não tivesse de mala dava pra ir a pé. É-MEN-TI-RA. A gente pegou um táxi (tem ali na saída da rodoviária mesmo) e demorou uns 40 enormes minutos e, atenção: 80 motherfuckers golpes. É. Ouch.

Acho que todo mundo aqui, considerando que acho que vocês são tão pé rapados quanto eu, já passou por essa situação: o taxímetro vai rodando, rodando, rodando, você sabe que ainda falta uma boa pernada pro destino e pensamentos como “será que eu aguento chegar a pé?”, “será que se eu disser pro taxista que não tenho dinheiro ele me leva mesmo assim?”, “será que ele aceitaria favores sexuais pra terminar a corrida preciso mijar sos” começam a aparecer. A diferença é: você está no meio da Serra da Mantiqueira, não tem nenhum carro em volta e sua vista é essa aqui:

Foda-se os oitenta reais, né mores.

Essa não foi uma viagem barata, definitivamente. A estadia nos chalés é cara, ainda mais o pacote para feriado prolongado, não é mesmo? Quer saber? Nos demos de presente e nem Beyoncé poderia nos julgar. Era tudo o que estávamos precisando ficar 3 dias longe de absolutamente tudo, sem contato com outros seres humanos, ouvindo o vendo, no friozinho, e sendo acordados por um picapau que insistia em querer entrar no nosso quarto. Sim, um picapau.

O Rancho Santo Antônio é um espaço gigantescão com atividades “de final de semana”, tipo passeio a cavalo e arvorismo para as crianças, um borboletário (R$ 30 gilmys sdds por pessoa para entrar, não entramos), trilha de bike radical socorr para adultos, tudo o que obviamente não fizemos, visto que a única atividade que fizemos que eu posso listar nesse horário neste blog de família foi acender a lareira e levantar o trequinho de pegar fondue.

Os chalés são equipados com uma minicozinha beeeem completinha, e eles deixam o ~material para um café da manhã bem responsa para os dias que o hóspede vai ficar por lá: tinha frutas, pão, bolinho, bolachas, uns frios e café. É claro que a gente levou um monte de tranqueira para cozinhar por lá, afinal musa fitness a ideia era realmente não sair de jeito nenhum – apesar de que, em um dos dias, descemos até a área “social”, onde ocorrem todas essas atividades das quais falei, e aproveitamos para almoçar uma feijoada bem digna no restaurante do rancho: com feijão sem carne, abobrinha refogada e farofa de pinhão quero tomar banho de farofa de pinhão para os vegetarianos.

Pinhão. Eu não preciso explicar pra vocês que pinhão é o melhor alimento do mundo a essa altura da minha vida, né mores? Ata. Então cês imaginam minha alegria quando eu me dei conta que eu estava no paraíso do pinhão na Terra. Inclusive, no domingo, decidimos dar uma chance ao centro topster de Campos do Jordão pois avistamos a faixa 56ª Festa do Pinhão e quem sou eu pra negar uma FESTA DO PINHÃO. Pois bem, mais 80 fucking golpes e pinhão no crepe, pinhão no macarrão, pinhão na farofa, pinhão na batata frita e, sim, pinhão no pastel – que eu ainda estou aqui pensando se entra no ranking de “pelo menos eu estive viva na mesma Era em que”, que até agora tinha Patti Smith e Beyoncé. Pinhão no pastel, gente.

 

Essa foi, marromeno, nossa viagem pra Campos do Jordão cidade topster de meudeus que nos brindou com as maravilhas da serra, dos pinheiros, das araucárias, do silêncio, do friozinho e do zero contato com outros seres humanos por três dias. Se eu voltaria? Pra ficar no mesmo esquema, voltaria amanhã e moraria para sempre. A cidade em si, o centro, atendeu bastante às minhas expectativas de um lugar muito cheio e com uma vibe muito diferente da minha. O que só me deixou com ainda mais vontade de conhecer a região menos hypada ali em volta, tipo Santo Antônio do Pinhal. Vocês já foram pra lá?

Para informações menos trouxas que as que eu dei, falem com a Viviane, do Rancho Santo Antônio, melhor pessoa <3 O site é esse aqui, babem comigo nas fotos dos chalés, babem: www.chalescamposdojordao.net

sobre Cuba

Eu demorei pra escrever sobre Cuba porque eu estava de ressaca. Uma ressaca que nada tinha a ver com a média de 1,7 mojitos/dia que eu tomei durante a viagem; Mais parecida com a ressaca que eu senti no pós-show do Paul McCartney. Uma ressaca que sussurrava lá dentro: você realizou um sonho, Isadora. E junto daquela satisfação que te deixa radiante – além do bronzeado maravilhoso –, traz também uma sensação de “e agora?”.

Eu demorei pra escrever sobre Cuba porque eu estava de ressaca. Uma ressaca que nada tinha a ver com a média de 1,7 mojitos/dia que eu tomei durante a viagem; Mais parecida com a ressaca que eu senti no pós-show do Paul McCartney. Uma ressaca que sussurrava lá dentro: você realizou um sonho, Isadora. E junto daquela satisfação que te deixa radiante – além do bronzeado maravilhoso –, traz também uma sensação de “e agora?”.

A gente sempre teve aquele sonho comunista de conhecer Cuba, ver qual era, aquecer o coração vermelho de esperança marxista. Meus pais, lá nos idos dos anos 80, visitaram a terra do Fidel num esquema muito turista, resort, avião e moças vestidas com frutas tropicais. Eu e o namorado já somos mais pé no chão – pra não dizer falidos – e pensávamos em como adequar o orçamento reduzidíssimo, que cortava de cara qualquer local com mais de 3 cifrões.

Duas coisas ajudaram a bater o martelo: os poucos, mas ótimos, relatos de viajantes mais ou menos tão falidos quanto nós na internet, e o guia Lonely Planet do país. Os blogs porque nos deixaram tranquilos no fator “mochileiros”, deixando claro que era possível fazer uma ótima viagem sem ter que pedir empréstimo no banco, além de terem sido definitivos na escolha do roteiro (reduzido, porque aquela ilha é larga demais). O guia conseguiu reunir algumas dessas informações – como a hospedagem em casas de cubanos, mega barata – com outras mais práticas: locomoção entre as cidades, dúvidas sobre o dinheiro, algumas atenções especiais de segurança.

E daí a gente foi. Quando vimos, estávamos parcelando as passagens (caríssimas) em 1287 vezes e mandando emails com um portunhol vergonhoso, tentando confiar que aquele acordo boca-a-boca – ou nem isso! –, ia ser o suficiente pra garantir que tivéssemos onde dormir em terras cubanas. E foi. O povo cubano começou a ser surpreendente a partir daí: jogando na cara da gente, dois paulistas acostumados a tomar cuidado até com a sombra, que um acordo firmado apenas com um email “te aguardamos en nuestra casa, saludos!”, sem nenhum dinheiro envolvido, seria garantia de uma recepção não só honesta, como pra lá de calorosa.

Viajamos durante 16 dias por alguns lugares: Havana, a cidade mais incrível que eu já conheci, com gente saindo pelas janelas, pelos bueiros, pelas frestas; Cienfuegos, cidade-lego-dos-franceses, com o povo mais engraçado e caloroso, que bebe vodka russa e canta Benny Moré; Trinidad, Paraty cubana, jovem, sexy, animada, das ruas difíceis de andar e das praias surreais; Varadero, artificial como só ela poderia, terra dos resorts e do descanso. Cuba me encantou mesmo quando caímos nos trambiques inofensivos, mesmo quando a cama tinha pulgas, mesmo quando meu estômago desistiu da sua culinária. Cuba é incrível, cada pedaço e, tenho certeza, cada canto que faltou.

E pra quem quer ouvir sobre a situação política-econômica, eu não vou me alongar muito: existem, sim, tantas coisas erradas quanto a gente encontra em cada esquina aqui do Brasil – um abismo social artificial imenso, criado pela bolha bizarra do turismo -, tentativas meio esquizofrênicas de abertura e um descompasso surreal se você analisa com olhos de quem vem de fora e vê o país parado no tempo. Sim, existe. Ao mesmo tempo, existe a garantia de que da educação, da saúde, da segurança de deixar as crianças jogando bola – beisebol, tá aí um grande erro! – na rua até de madrugada, e só se preocupar se algum cubanito mais caliente vai te passar uma cantada na volta pra casa. Existe um sentimento de irmandade meio inexplicável, de acolhimento e simpatia inerentes, uma tranquilidade dessas de abrir a sua casa pra um completo estranho e servir abacaxi com mel no café da manhã.

Os cubanos são incríveis.

Eu até podia fazer um post dia-a-dia da viagem, cheia de fotos, lugares e dicas, mas nem sei se consigo mais distribuir os dias em dias, os locais em locais. De Cuba eu trouxe a sensação que já me acompanha nos últimos meses de 2013, de que não é preciso muito pra ser feliz daquele jeito calmo e tranquilo que eu tanto quero. Não falo do mar do Caribe, das cidades encantadoras (mas delas também). Falo de paz de espírito e convicções pessoais de que a gente pode ser simplesmente bom – e não precisa de muito.

IMG_0688Se alguém pretende viajar pra lá e quiser dicas pontuais, lugares/restaurantes, essas coisas, podem me perguntar nos comentários ou nos ícones de contato ali do lado, que eu terei prazer em responder! Por enquanto, não consigo ir além dessa sensação que tentei descrever aí em cima. Algumas fotos eu coloquei aqui.