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caminhar por San Telmo, encontrar-se, reconhecer

ou: Sobre a nossa estadia em San Telmo – Buenos Aires, Argentina

Se a gente já conhecia Buenos Aires antes e, a princípio, a cidade parecia um destino meio comum, meio sem graça até, talvez meio batido, a decisão de nos hospedarmos em um apartamentozinho bem no meio de San Telmo, “o bairro boêmio”, não poderia ter sido mais acertada. Ignoramos imediatamente os avisos preocupados sobre os períodos das ruas tão próximas do Centro, dos paralelepípedos desiguais, da pouca luz e das pessoas esquisitas que por ali circulavam tão logo percebemos o óbvio: ali, estaríamos em casa.

O mesmo quase-Centro de vida estranha fora do horário comercial, de gente estranha que escolhe essa opção não convencional, de quem não tem opção a não ser viver fora normal, o mesmo quase-Centro que nos acolhe nessa outra imensa metrópole, menos justa e mais viva, o mesmo quase-Centro em que a gente caminha com a segurança observada sem medo de gente, com medo de quem tem medo de gente.

San Telmo tem aquela esquisitice que funciona de dia, pra maioria, que atrai quem diz que gosta do ousado e do charmoso; tem a enorme feira que reúne as antiguidades mais encantadoras e os jovens mais inovadores – do design fresco e que ganha prêmios à galera que vende miçanga, essa mesmo! -; tem a mistura dos casarões antigos das famílias aristocratas que tiveram que abandonar suas casas para os trabalhadores e imigrantes depois de uma epidemia de febre amarela.

Foi tomada, não diferente daqui, por cafés moderninhos e industriais, que brigam com os tradicionais e belíssimos e pomposos; de restaurantes estrelados; de cervejarias artesanais; de livrarias e museus. Tem essa mistura que a gente ao mesmo tempo ama e não entende – e talvez ama tanto por isso mesmo -, do senhor árabe que te proíbe de tirar foto do brechó à banda descoladinha fazendo uma milonga a céu aberto pra turista dançar.

O encanto das portas imensas, das fachadas suntuosas e destruídas, das ruas difíceis de andar, de cada canto que parecia tanto, tanto. O incrível jeito que a cabeça tem de transformar numa memória nítida um lugar completamente novo, transformando em um caminho familiar ruas completamente novas e desconhecidas; o senso de direção guiado por alguma outra vida? Se somos todos parte da mesma grande coisa, eu sei lá, só sei que dá vontade e vergonha e uma ânsia louca de melhorar o espanhol e falar ali, rapidinho, contar piada, explicar melhor que a gente se sente tão em casa porque realmente está.

Cada esquina ruazinha, mi Buenos Aires querida, que delícia te reencontrar. Obrigada pelo quase-Centro que nos foi tão caro e acolhedor como é a nossa casa, com as suas esquisitices e gente diferente que nos lembra o tempo todo que somos mesmo parte de uma grande e mesma coisa, desigual, injusta, feia, suja, orgulhosa e vencedora, misturada e lutadora, tudo junto no mesmo mar.

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Decidi fazer posts mais “sensoriais”, mais subjetivos, mais hippie tilelê diario de viagem, eu diria, já que lá no instagram, onde tenho aparecido bastante, postei mais o dia a dia, lugar a lugar – a maioria dos pontos turísticos, restaurantes, bares e museus -, da viagem. Se quiser alguma dica específica, algum lugar, alguma informação: pergunta, que eu respondo!

10 Comments

  • Patthy

    Mas sabe que eu gosto de posts de viagens assim mais pessoais? Posts mais “informativos” dá para achar em blogs de viagem e afins, mas um post com visão mais pessoal é único!
    Esse ano dei preferência por viajar dentro do Brasil mesmo, mas a vontade era conhecer algum dos nossos vizinhos sulamericanos. Vou acompanhar aqui pra passar mais vontade e me progamar para o ano que vem. heh

    • Isadora

      eu também acho assim mais legal! especialmente quando a gente conhece e se identifica com a pessoa que escreve de alguma maneira, parece que estamos viajando juntas, né? ♥

  • Claudia Hi

    Adorei o formato dessa postagem Isa! É bom que dá pra ver várias fotos ♥

    Nossa eu fico muito nervosa quando alguém diz que não posso fotografar e eu tô lá de boa com a câmera, parece que tô matando alguém haha

    Ah queria ver mais do apê que vocês alugaram… centro é sempre caro, mas compensa por ter tudo perto né?

  • Emy

    Eu sempre quis conhecer Buenos Aires e depois de “conhece-lo” assim pela sua perspectiva… Ah, fiquei com mais vontade ainda de ir pra lá quando puder! hahaha

    Gostei tanto das suas fotos, acho que tô apaixonadin <3

    Bjo!
    Meraki | Emy Teranishi

  • BA MORETTI

    aaaa que coisa bonita, que texto, tudo 🙂 amo essa coisa de sentir as coisas, seja onde for ♥ dá vontade de sentir as coisas viajando mas dá vontade de sentir as coisas no dia a dia também 🙂

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