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Buenos Aires, os clássicos e as sensações

A Plaza de Mayo aos domingos, as pessoas encapotadas que enfrentam o frio por um dia lindo e iluminado, o encontro das Abuelas de Mayo que recebem a nova geração e conquistam coisas tão incríveis por todas nós; A lembrança dolorida que está em toda parte e que nos cutuca como quem diz: vizinhos, que merda é essa que estão falando nas suas ruas?; Os cafés e as livrarias, esse orgulho bonito e valorizado; A mistura bem clara do que é velho e novo, a beleza de cada um espalhada nas ruas, lado a lado; A cafonice de uma grandiosidade desproporcional do Centro Cultural Kirchner e o impacto do que é grotesco, silencioso, imóvel.

É engraçado: tem viagem que a gente busca desesperadamente pelo novo, por outras culturas, comidas diferentes, lugares surpreendentes, quanto mais doidera, melhor… Tem viagem que, assim, meio inconscientemente, a gente se apega ao que é tão nosso e tá lá dentro no quentinho que parece que nem saímos de casa. Ou que a casa tá dentro da gente. Ou que a gente reflete pra fora o que guarda com carinho, eu não sei.

Sei que Buenos Aires, de repente, não tinha mais nada além de cafés e livros e gatos e plantas. Tantas plantas. E o horário do Jardim Botânico que nunca batia e, de repente, brotou ali, na nossa frente, contrariando o que o Google e o site oficial diziam. E me apresentou estufas vitorianas que eu nunca tinha visto e agora quero ter em casa, e um brilho iluminado diferente, e um criancinhas portenhas aprendendo sobre o cultivo de hortas, e um dia que pareceu extremamente surreal e vindo de um sonho de jardineira maluca – e terminou naquele nosso apartamentozinho em San Telmo, aquele, que tinha também um terraço tomado e uma gata carente, que me extranã, Ella.

Das duas últimas vezes que fui a Buenos Aires – coincidentemente, na mesma semana, com 7 anos de diferença – peguei o período mais frio do ano, isso dito por nossos hermanos, nem fui eu, não! Mas semana passada estava chovendo, que suerte!, e o sol foi nosso amigo discreto enquanto vestíamos mais ou menos seis camadas de roupa e xingávamos os interiores extremamente aquecidos e as comidas extremamente cheias de queijo.

Havia a Copa iminente, a animação turística com os brasileiros, aquele sentimento de velhos conhecidos e a rivalidade camarada de vizinhos, o sotaque que entregava qualquer tipo de discrição. Havia aquela sensação de que já nos conhecíamos e de que também não era a última vez, e que sempre haverá o frio e o calor e os gatos e os cafés e as plantinhas e o som do tango meio melancólico, meio bonachão, como o velho senhor portenho que nos recebeu.

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Decidi fazer posts mais “sensoriais”, mais subjetivos, mais hippie tilelê diario de viagem, eu diria, já que lá no instagram, onde tenho aparecido bastante, postei mais o dia a dia, lugar a lugar – a maioria dos pontos turísticos, restaurantes, bares e museus -, da viagem. Se quiser alguma dica específica, algum lugar, alguma informação: pergunta, que eu respondo!

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