eu escrevo

Amanhã eu vou fazer uma grande reflexão sobre blogar, sobre como se organizar direitinho, todo mundo bloga, sobre como é legal estar na internet e ser da internet, sobre como esse mundo online é meu mundo, mesmo, ele todinho. Mas hoje eu vou escrever sobre escrever.

Vou escrever sobre escrever porque finalmente eu começo a entender, na minha vida ~adulta, que a minha arte é essa. Que eu sempre passei os dias procurando algo ou algum lugar bonito e visual pra ser, quando, na verdade, eu já era escrevendo. Que a minha frustração me impedia de produzir de criar de publicar de dizer que eu escrevo e, sim, é só isso, e não preciso de mais. Até porque eu sou bem boa nessa história.

Escrever você não publica no Instagram, escrever você não compartilha no Pinterest. Escrever você recebe 3 ou 4 comentários tímidos – que são o suficiente pra você escrever mais. Escrever você não vê o quê ou como fazer, especialmente trabalhando com coisas de escrita, você não vê futuro, você cria impedimentos. Escrever é difícil de mostrar, de estruturar, é difícil de explicar sim, eu escrevo, e só isso, e tudo isso, e eu escrevo sempre.

Escrever num mundo onde Há Cada Vez Menos Leitores, escrever em um lugar que conta meus caracteres e critica minha legibilidade e minhas tags de SEO. Escrever de dentro pra fora, escrever como quem conversa com o leitor, encontrar o seu estilo, ficar preso ao seu estilo, odiar o seu estilo, revolucionar o seu estilo, ter fases estilísticas nomeadas por cor, escrever para que um dia escrevam sobre você, escrever morrendo de medo que leiam, tomara que não leiam, Impedir Que Seu Site Apareça Nos Mecanismos de Busca.

Escrever quando todo mundo diz que você tem que escrever.

Eu escrevo mais do que gosto de ler.

Escrever vem com aquela competição de egos, vem com aquele melindre de quem cozinha, vem com o medo da crítica, vem com a diminuição imagina, eu só escrevo umas bobagens pra mim, mesmo. Escrever é solitário e demorado demorado demorado, começa às 7 a.m. e termina agora, e não tem whisky ou luzes neon ou o glamour dos infográficos sobre escritores que escrevem bêbados e de madrugada. Escrever é feio.

 

Escrever pode ter mil e um métodos e técnicas e formas e formatos e dicas, e você pode ler mil e um outros textos sobre pessoas que escrevem e nunca vai ser igual, nunca vai ser igual. Escrever pode ser uma obrigação às 7 a.m. para uma brincadeira da internet e ainda assim te lembrar que você escreve, escreve sim, escreve no meio de um monte de gente que mal lê e só quer seguir de volta, e mais um tanto outro de gente que escreve junto e não admite que apenas escreve.

E a gente escreve. E eu escrevo. Sempre.