As 3 situações mais malucas que eu já vivi

E estamos todos vivos e inteirinhos. E há quem diga que eu não sou uma pessoa aventureira:

// 01: O dia que saímos andando de madrugada a esmo em Havana com tudo dentro de uma mala por causa de uma barata monstruosa

Vejam, a viagem pra Cuba foi maravilhosa, sim, mas temos que lembrar que estávamos em Cuba, mais precisamente em Habana Vieja, mais precisamente mochilando há cerca de 20 dias, mais precisamente dormindo na casa das pessoas há cerca de quase um mês. Já havíamos tido a experiência de acordar com uma barata andando nas nossas pernas – na verdade, nas pernas do mozão, se fosse nas minhas eu não estaria aqui hoje pra contar essa história – e não havíamos particularmente gostado da mesma. Eis que em nossa última estada, num dos únicos prédios altos de Havana, cerca de 13 andares acima do nível em que as baratas deveriam permanecer, no apartamento de uma senhorinha que, sim, havia participado da Revolução, com uma vista que conseguíamos ver talvez até mesmo os mullets de Trump à distância, apareceu não somente uma barata, como uma baratona da porra, cascuda, enorme, que mais parecia um dinossauro. Sim, essa foi também a ocasião em que a cama estava infestada de pulgas. Não tivemos nenhuma dúvida sobre enfiar tudo nos mochilões e sair andando na rua, em Havana, mais precisamente em Habana Vieja, às 2 a.m. Em busca do quê? Nós não sabíamos. (A gente sabe que encontrou o amor verdadeiro quando tromba com pulgas e baratas monstruosas em Havana e só se olha e, sem usar palavras, enfia tudo no mochilão e vai embora do lugar na mesma hora). Mas nós saímos com tudo nas costas em busca de alguma perspectiva melhor que pulgas e baratas – o que, na rua, de madrugada, não parecia nem um pouco uma possibilidade – e, depois de bater em 2 lugares diferentes, acabamos nos hospedando um dos hotéis da máfia no coração da praça central de Havana. Deu certo. A cama era king size – estava quebrada, mas era king size. Não tinha barata. Nem pulga.

// 02: dia em que quase morremos assassinados por um porco gigante em Guarulhos, também de madrugada

Eu acho um absurdo quem diz que não sou uma pessoa jovem e que topa rolês espontâneos. Once upon a time, in a galaxy far far away aqui no Centro de São Paulo mesmo, enquanto ainda morávamos 1) eu em São Bernardo do Campo 2) mozão em Osasco, frequentávamos uma agradável festinha de aniversário. Eis que por volta das 23h, como todo bom morador da província, nos olhamos com o olhar cúmplice do “é hora de ir embora pegar 14 trens e 16 ônibus”. Mas uma simpática pessoa de bom coração disse: imagina, eu também moro em Osasco, dou uma carona pra vocês. Só vou passar rapidinho no aniversário de uma amiga aqui perto e levar a Nossa Outra Amiga* pra casa, se vocês não se importarem. Todas as pessoas que moram na Província sabem que qualquer desvio é mais interessante que voltar de 14 trens e 16 ônibus, então aceitamos. Insira aqui uma longa passagem por um karaokê festa estranha com gente esquisita, então estávamos no carro. Eu, semi embriagada, achei que as placas “Rio de Janeiro” e “Campinas” eram fruto da minha imaginação, mas era tudo real (ou bem perto disso): após longas horas de trajeto, chegávamos em Guarulhos. Guarulhos. Eis que Nossa Outra Amiga disse, com muita simpatia: vocês não querem entrar e conhecer o Woody Allen*? Que fofo, pensei, ela tem um doguinho chamado Woody Allen, hehehe. Entramos, efetivamente conhecemos vários doguinhos, até o momento em que era disse: venham ver o Woody! Oras, então Woody não era um daqueles doguinhos? Que curioso, quantos doguinhos! Atravessamos seu grande quintal até um corredor fechado com um portão certamente importado de Alcatraz e pudemos avistar Woody Allen: um porco. Um porco enorme. Um porco certamente maior que eu. Woody, como bom porco de estimação, sorriu e deixou ser afagado. Nós, como bons filhos de apartamentos que somos, quisemos afagar o Woody. Woody não gostou de se sentir encurralado e apalpado por 5 pessoas diferentes. Woody ficou bravo. Woody saiu berrando e tentando morder nossos calcanhares, enquanto todos corríamos em direções diferentes tentando escalar as paredes e árvores do quintal. Eu só pensava “como eu vou explicar pra minha chefe que não vou poder ir pro trabalho porque um porco comeu minha perna?”. Nossa Outra Amiga, depois de conter Woody, soltou, entre suspiros: eu nunca tinha visto ele tão bravo assim, hehe.

// 03: O dia em que fui abandonada com uma cômoda maior que eu no meio da rua em Higienópolis, essa foi de tarde mesmo

Eu compro móveis onde for; Eu compro móveis nos brechós da São João, eu compro móveis em Famílias Vendem Tudos risos, eu compro móveis na internet, eu compro móveis de pessoas descartando móveis na rua. Eu nunca tinha comprado um móvel no Enjoei, mas uma amiga disse que “tudo bem”, e eu comprei uma cômoda antiga maravilhosa a preço de banana. Uma cômoda de madeira, uma cômoda robusta, uma cômoda de 1m de largura x 96 cm de altura x 53 cm de profundidade. Anotaram essas medidas? Pois bem, meu carreto não. Meu carreto, depois de me deixar esperando por 35 minutos na casa da pessoa num sábado à tarde, esgotando todo e qualquer assunto que uma pessoa pode ter com outra num sábado à tarde com uma cômoda debaixo do braço, chegou com um Corsa Sedan, uma cara de tacho, e um “viiiiiiiiiiiiixe”. Meu carreto também não me ajudou a tentar colocar a cômoda em seu Corsa Sedan, ele preferiu deixar isso a cargo do moço da pizzaria ao lado da casa da pessoa desconhecida que havia me vendido a cômoda, que comprovou o “vixe”, a cômoda não cabia, e tirou da minha boca as palavras “como é que você diz que faz carreto e não mede seu carro pra ver se o móvel cabe lá dentro”. Certa de que estava participando de alguma pegadinha do programa do Luciano Huck, que estavam me filmando e que iam, a partir desse momento de desespero, me buscar com uma limusine, levar a cômoda de riquixá e reformar toda a minha casa com um projeto horrível de um arquiteto rico, eu, comprovando que a expressão “sentar e chorar” é realmente possível em qualquer cenário, escalei a cômoda de 1m de largura x 96 cm de altura x 53 cm de profundidade, sentei em seu tampo maciço de madeira na calçada de uma rua rica de Higienópolis, e chorei.

(Depois eu arranjei um anjo de um taxista que topou levar a cômoda no seu carro em troca de favores sexuais que não poderei descrever aqui e cheguei em casa e a cômoda é linda mesmo podem comprar móveis onde vocês quiserem continuem.)

daora a vida

 

* Foram usados nomes fictícios para proteger a identidade de seres humanos e porcos (o porco chamava Tarantino. TARANTINO!).