do coração

sobre se amar

É um esforço diário.

Eu pensei em fazer esse post contando mais pessoalmente como foi a minha “trajetória” até esse momento de maior aceitação – maior, não total – mas nem bem comecei a escrever e percebi que eu não conseguiria falar disso. Posso dar detalhes de como fui uma criança adolescente gordinha, de como tive momentos ótimos com o meu corpo, de como não me lembro de ter tido 1 dia em que eu não me sentisse extremamente culpada de estar comendo X ou Y. Minha “história” não é novidade, não tem um momento de superação, não tem também um final feliz. Tenho, no final das contas, apenas a consciência de que é uma luta constante e diária, e que tá todo mundo aí esperando você cair. Torcendo pra você cair. Seja nas pessoas que te julgam pelo teu peso – o ganho, a perda, o jeito que ele está -, seja nas tuas neuras e julgamentos e comparações, seja no que você foi criada para ser e odiar e se odiar. Todo mundo joga contra. Você joga contra ao olhar no espelho e ao olhar pro lado constantemente, diariamente. E se num minuto se acha a mulher mais bonita do mundo, no seguinte tem vergonha de se olhar.

Essa consciência, saber da dificuldade, saber do desafio, já é um passo enorme. Um passo que faz com que eu me desafie e bote pra jogo muita coisa que nem ousava. Um passo que me faz me encarar de frente e falar “você vai lá fazer isso sim”. Vai postar foto, vai tirar a blusa, vai passar batom, vai dizer que é linda. E um passo principalmente na direção de nunca nunca nunca nunca mais deixar que esses sentimentos todos vão pra fora pra outra pessoa. Uma consciência tão minha e tão própria que vai só fazer com que as outras se sintam lindas. Maravilhosas. Que o discurso seja sempre o de reforçar que todo mundo pode o que quiser. Que nossos corpos são nossos, tão nossos, e que a gente tem que retomar o poder pra gente: meu corpo, minhas regras, meu sexo, minhas vontades. E a gente pode fazer o que quiser. Que cada marca que eu trago, cada dobra, cada banha, cada cicatriz, veio de uma parte da minha história, seja ela boa ou ruim, mas minha. Sua. Que é esse o meio que a gente tem pra existir nesse mundo da maneira mais brilhante e cheia de vida que a gente puder.

É um esforço diário e constante e dolorido, que a gente segue em frente até o dia que não seja mais. Ou que seja menos. É uma briga com nós mesmas pra sermos mais gentis, mais cuidadosas, que respondamos com a mesma certeza que dizemos: você é linda! Eu sou mesmo. Às vezes mais, às vezes menos. E tudo bem.

8 Comments

  • Gabriela

    Acho que todas as mulheres, ou a maioria, passa por essa luta diária. Eu também fui uma criança/adolescente gordinha e tive que brigar muito comigo mesma para superar um pouco essas paranoias e modelos exigidos pela sociedade e conseguir me amar um pouco mais a cada dia! Força para todas nós, mulheres (pessoas, enfim) maravilhosas de todos os jeitos! <3

  • KARINE

    “num minuto se acha a mulher mais bonita do mundo, no seguinte tem vergonha de se olhar” meu deus, isso é TÃO EU. nem sei dizer quantas vezes eu acordei ou sai de casa me saindo bem comigo mesma, mas não demorou muito pra bater a famigerada bad e começar a me sentir mal. assim, do nada. e meu deus, como isso é um SACO. amei o post, miga <3

  • Natália Alves Oliveira

    Minha “história” também não tem uma superação e um final feliz. Sempre fui muito confiante com o meu intelecto e, por isso, todos os testes de “como está sua autoestima?” que eu fiz na vida davam que eu estava muito que bem, quando na verdade nunca estive. Meu corpo é o problema, como sempre. É difícil se amar quando você abre o instagram e vê mil meninas com o cabelo mais legal e com o corpo mais bonito que o seu e isso pesa a gente.
    É como você disse: ter consciência da batalha já é um grande passo e eu espero que um dia a gente consiga se amar de uma maneira mais leve.

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