sobre terminar

Cês adoram uma desgraça, né? NINGUÉM TERMINOU NADA AQUI NÃO OW.

Exceto coisas. Que é sobre o que eu tô falando agora. Terminar as coisas. Especificamente os produtos. Mais especificamente os produtos que você comprou e não gostou e tem que usar mesmo assim.

Porque, eu não sei vocês, mas eu sou dessas bem turcas, assim. Do tipo que se eu comprei uma coisa e porventura não gostei do produto em questã, eu uso do mesmo jeito. Até acabar. Porque, afinal de contas, eu usei o meu rico dinheirinho em tal coisa. Não é uma opção não usá-lo – a não ser que eu doe tal produto ruim pra alguma amiga desavisada, obviamente. Dê de presente. Ache algum uso alternativo. Do contrário, eu uso. Xingando, mas uso.

Mas, caros amigos, eu nem sempre fui assim. Eu já falei diversas vezes, aliás, sobre meu histórico de consumidora compulsiva por aqui em que, obviamente, a velocidade com que coisas novas entravam na minha vida era muito maior do que a velocidade em que eu as consumia, resultando em o quê, deixa eu ouvir vocês dizerem? Acúmulo. Olha, eu só não entro na categoria séria de hoarder porque minha preocupação sobre o que as pessoas acham de mim é um pouco – bem pouco – ainda maior do que a compulsão. Ou era.

Dai eu mudei né. Eu mudei quando eu me mudei, quando eu efetivamente passei a ser responsável 1) pelo meu salário; 2) pelas minhas contas e 3) e principalmente, pelo meu espaço. Foi nesse momento que eu mudei completamente meus hábitos de consumo, de compras, e de acúmulo, e me tornei uma pessoa mais consciente e também bem mais hippie. Nuss, bem mais hippie. Só que daí rola um problema com a riponguisse e consciência recém adquirida que é: eu me tornei mais seletiva. E, sendo mais seletiva, significa que aqueles 9018291820910291 produtos que antes habitavam minha penteadeira, meu armário do banheiro e meu criado-mudo, agora… Bom, e agora?

E agora, minha gente, que eu simplesmente preciso terminar com as minhas coisas. Todas elas. Especialmente os milhares de creminhos e hidratantes e géis e produtos de cabelo e afins que habitam esse maravilhoso mundo do meu closet. O que leva a dois movimentos contínuos e engraçados e recentes em minha vida que consistem em: um desespero tremendo em ganhar qualquer coisa que se encaixe na categoria “legal mas não vou usar”/ um desespero tremendo para usar tudo o que eu posso em quantidades homéricas o mais rapidamente possível.

Vou dar alguns exemplos para ilustrar minha vida:

  1. eu deixei de comprar uma revista pois, nela, vinha uma amostrinha de hidratante.
  2. eu fiquei feliz de estar extremamente queimada/torrada de sol e ter que usar toneladas de hidratante em absolutamente todas as partes do meu corpo. Todas elas. Muito hidratante. Muito hidratada.
  3. eu lavei a cabeça 2 vezes no dia para terminar com um condicionar ruim mais rápido do que ele terminaria naturalmente. (tá, disso eu tenho um pouco de vergonha desgurpa)

Então agora eu sou uma pessoa que procura motivos pra acabar com todo e qualquer tipo de tralha e muamba acumulada em minha vida. PAREM DE ME DAR COISAS DE PRESENTE. Por favor. Obrigada!

O prazer indescritível de jogar potinhos fora. A satisfação inenarrável de espremer o tubinho até o final e ouvir aquele barulho de pum. O sentimento de plenitude #plena de perceber que o vidrinho virado de ponta cabeça finalmente atingiu o seu fim – é como assistir um amigo querido cumprindo seu objetivo de vida, sua missão nesse mundo. O fim do hidratante fedido. O encerramento do xampu que deixa tudo ressecado. Toda essa miscelânea maravilhosa de sentimentos que contrasta com o desespero genuíno de ganhar tranqueiras, presentes não muito adequados, amostras e coisinhas mil para experimentar.

Marie Kondo estaria orgulhosa de mim. Minha avó certamente está se revirando no túmulo.