Conhecendo Belo Horizonte

Contei no post sobre Inhotim que a gente decidiu se hospedar em Belo Horizonte – ao invés de Brumadinho ou qualquer outra cidade mais próxima – justamente para conhecer e aproveitar um pouco da capital. E foi uma ótima ideia! Beagá (pode, né?) nos deixou com uma ótima impressão, mesmo com uma viagem super rapidinha, e a vontade de voltar e encontrar todos os amigos que eu não consegui ver DESGURPA MIGOS!

Tivemos, mais ou menos, 2 dias pra conhecer a cidade, além das noites depois que voltávamos de Inhotim: dica, noites muito bem utilizadas para DESCANSAR E DORMIR porque minhanossasenhoradabatidadeperna, que cansaço. Na primeira, conseguimos sair pra jantar, mas na segunda, em pleno sabadão: sopa e cama de hotel, bem glamour mesmo.

Eis que nosso primeiro dia em BH foi então um ensolaradíssimo domingo (e eu continuava de calça de veludo RISOS), e como boa hippie que sou, claro que não poderia deixar de visitar a Feira de Artesanato da Avenida Afonso Pena. Gent, cês não têm ideia do tamanho daquilo, cês têm? Além de grande na extensão, eram fileiras e mais fileiras de barraquinhas de tudo o que você pode imaginar, de roupas a calçados, de brinquedos a decoração, de comidinhas a comidonas, tudo, tudo, tudo reunido. Maravilhoseur, organizado – ponto pra BH! – com uma variedade enorme e a maioria das coisinhas produzidas pelas próprias pessoas, dava pra perceber. Fiquei pensando que, se morasse na cidade, poderia resolver boa parte da vida nessa “feirinha” de domingo.

Saindo de lá, caminhamos até a Praça da Liberdade, que deu beeem o clima da cidade pra gente: arrumadinha, cheia de gente fazendo exercício, passeando com o cachorro, com os filhos, fazendo ensaios de fotos, manifestações, tudo junto e bem tranquilo, com um solão pra arrematar o clima bom do dia. O espaço em volta é conhecido como Circuito Cultural Liberdade, e tem várias instituições culturais, a Biblioteca Pública, diversos museus e o Palácio da Liberdade. Nós conseguimos visitar dois locais: o Centro Cultural Banco do Brasil – e almoçamos no delicioso Café com Letras, debaixo dessa arquitetura monstruosa – e o Memorial Minas Vale. Esse não me emocionou muito: tudo ali me pareceu muito “perfumaria”, pouca densidade e muita tecnologia sem razão, mas o memorial dá um panorama bem interessante de toda a história de Minas, dos escritores e artistas antigos e modernos, passando pela História do Estado, falando de bairros, pessoas, famílias etc. Se tiver tempo, vale uma passada!

O passeio da tarde do domingo foi na famosona e liiiiiinda de morrer Lagoa da Pampulha. Meu, que lindeza. Claro que eu continuava de calça de veludo, claro que continuava fazendo 28 graus, claro que eu tinha comido 8 unidades de pão de queijo recheadas com queijo da canastra e geleia de damasco obg beyoncé e quase faleci, claro que a gente andou pro lado errado em volta da lagoa e perdemos todas as atrações turísticas. Claro. Mas porra, foi lindo. Nesse percurso desajeitado que fizemos, passamos pela Igreja de São Francisco de Assis, projetada pelo Niemeyer e é um desses cartões postais que a gente realmente tem que conhecer, e perdemos todas as outras coisas legais: um parque, o jardim botânico, o Mineirão e o Mineirinho, outro parque, a Casa de Baile, o Museu de Arte e aparentemente a Anira e o Drake estavam do outro lado. Me arrependo? Nãaaao, foi tão lindo! No caminho pro lado errado que fizemos, acabamos topando com a Casa Kubistchek, também projetada pelo Niemeyer para ser a ~residência de veraneio do moço presidente, e que descoberta boa pra quem gosta de decoração, arquitetura etc – e precisava urgentemente de um ar condicionado! Toda modernista, com os móveis da época, os jardins pensados pelo Burle Marx, encantadora mesmo.

No segundo dia, que era também o nosso dia de voltar para São Paulo e, por isso, era mais curto, decidimos ir no famoso Mercado Central. Se tem uma coisa que eu amo nesse mundo é mercadão, né? Minhanossasenhora. Que lugar maravilhoso! Além dos alimentos típicos que são SURREAIS de bons e baratos – nível: compramos uma bolsa térmica gigante pra trazer a maior quantidade possível de queijo para casa? Compramos. E ainda saiu barato! – como queijos e doces de corte, o lugar tem uma infinidade de utensílios de cozinha de cobre e pedra sabão, desses bem hipsters escandinavos nórdicos blogayrinha de decor e, claro, com preços maravilhosos. De encher os olhos! Isso e as canequinhas esmaltadas, de todas as cores e tamanhos possíveis. Uma perdição. Dá pra encontrar também vários móveis de madeira, cestos e outros objetos trançados de palha, produtos de chita, e meu deus do céu. Eu preciso morar perto desse lugar.

Não almoçamos por lá porque aparentemente meu marketing pessoal falhou no quesito: avisar os amigos que não como mais carne. Todo-mundo indicou comer o fígado com jiló. Então, né, gente. Deve ser bom, eu acredito, mas não. Em compensação, todo-mundo também indicou comer na A pão de queijaria. OBRIGADA VOCÊ QUE RECOMENDOU A PÃO DE QUEIJARIA MUITO OBRIGADA. Gente. Imagina um cardápio composto por… pão de queijo. Crouton de pão de queijo na saladinha, pão de queijo de vários tipos de queijo, pão de queijo recheado com tudoodemaisgostosoqueomundopodeoferecer, tipo confit de tomate e queijo de cabra, a bolachinha do cafezinho é um minipãodequeijinho. SABE. Não tem como. O mais legal é que, durante a semana, eles têm um menu de almoço, em que: saladinha + pão de queijo recheado (bem grandinho!) + polenta (peçam a polenta) ou batata rústica = vinte e poucos golpes. Chupa São Paulo. Eu quero morar ali pra sempre. Não curti muito a famosa caipirinha de café, mas eu não costumo gostar das variações da bebida, então tudo bem, deem uma chance, merece.

O último passeio, que eu bem queria que tivesse se prolongado se não fosse o fator aeroporto, foi no bairro Savassi, que é um dos mais badaladinhos e ~descolados da cidade, super agradável, cheio de vida e lojinhas bacanas, e terminou no Edifício Maletta, uma das melhores surpresas pra mim: um prédio histórico, meio residencial, meio comercial, que reúne vários antiquários, brechós e lojas de discos e sebos, além de pequenos restaurantezinhos e bares muuuuuito gracinhas, pequenos, cuidadosos, do jeito que a gente ama. Queria muito ter comido no Las Chicas Vegan, das manas e vegano, mas dessa vez não deu, infelizmente. Só que eu volto, BH, aaaaah eu volto!

O sentimento geral que eu tive por essa cidade foi daquele amorzinho de verão, tranquilinho e de dar saudades, sabe? Fiquei encantada pelo clima, pelas pessoas, pela educação. Uma cidade grande onde as pessoas não querem se matar, não se empurram, não se sacaneiam, pedem por favor e obrigada real oficial. Claro que pode ser só minha impressão de turista, mas foi o suficiente pra bater. Talvez, quem more em São Paulo deva ter essa impressão na grande maioria das outras capitais, mas Belo Horizonte me deixou com a sensação boa de um mix acertado entre “cultura e atrações de cidade grande” e “tranquilidade e calma de cidade de interior”. Vontade de voltar. E ficar?