fugidinha pra Campos do Jordão

Olar. Será este o início de uma nova era uma série de posts sobre viagens? Veremos. Torçam para que sim. Me dá um desespero esse mundo moderno que a gente não imprime foto e faz evento ca família pra ver o álbum de 250 fotos de mãe? Sim.

Pois bem. Daí que desde a situação política-social-brasileira-mundial o meu aniversário eu estou morrendo de vontade de sair correndo de São Paulo – sem sucesso. Uma outra hora eu escrevo sobre isso, mas a única dificuldade na vida que eu tenho de ter escolhido não ter carro é justamente essa: viajar pra perto. Veja bem: quer ir pra Cuba? Pra Rússia? Pra Madagascar? Tá sussa. Quer ir pra praia? Não, sem carro não dá. Isso já vinha me frustrando há algum tempo e me deixou bem cabreira no fatídico dia de meu nome, mas eis que, no aniversário do boy, esse lindo, resolvemos investir real oficial na busca de uma viagenzinha rapidinha sussinha vamo sair daqui antes que a gente morra, já que também era feriado.

E daí a gente achou Campos do Jordão.

#disclaimer: eu tenho preconceito. Tenho sim, real oficial, eu assumo. Tenho preconceito para com essa cidade topster que é Campos-meu (leia com sotaque paulistâaaaaanu), depois de toda uma vida vendo pessoas erradíssimas indo passar feriados certíssimos nesse lugar. DESGURPA CAMPOS. A condição de ir pra Campos-meu era, então, ficar bem longe – veja bem, eu disse BEM LONGE – do centrinho rodízio de fondue casa do Dória palácio do seu-não-meu Governador. E assim foi.

Encontrei os Chalés do Rancho Santo Antônio fuçando real oficial nas fotos dos conhecido no instagram #teamointernet. Assim que entrei no site, soube que poderia ser o que fosse, poderia ser o próprio Satemer me recepcionando que todos meus princípios seriam postos de lado imediatamente. Por que, vocês me perguntam? Por isso:

Gente, cês tem noção que minha cara de bolacha tá ali e do outro lado tem a serra e araucárias e frio e plantinhas e tudo que nos separa é esse vidro e um deque? UM DEQUE?

Aham.

Isso que eu nem vou comentar que no nosso chalé também tinha uma hidromassagem e uma lareira. Yas queen.

Bom, já que vamos ser blogayrinhas de viagem aqui, vamos aos fatos práticos: dá pra ir de São Paulo a Campos do Jordão de ônibus, saindo do Tietêzão de meudeus. A passagem é uns R$ 50 golpinhos por pessoa, por trecho. No feriado, demoramos cerca de 4 horas em cada pernada pois, claro, trânsito. Alguém aqui já passou pela cidade de Taubaté sem enfrentar trânsito, minha gente? Eu não. Eu posso estar indo pro Brás que vou dar um jeito de passar por Taubaté e pegar trânsito.

Daí você chega na fofuchérrima e minúscula rodoviária de Campos do Jordão – não sem antes arrumar confusão com o velho sentado atrás de você que resolveu ver vídeos Daquele que Não Deve ser Nomeado SEM FONE DE OUVIDO – e, bom… o Rancho Santo Antônio fica bem distante dali. Não se engane, caro padawan: se você procurar no Google, ele te dirá: 15 minutinhos, sussa, se não tivesse de mala dava pra ir a pé. É-MEN-TI-RA. A gente pegou um táxi (tem ali na saída da rodoviária mesmo) e demorou uns 40 enormes minutos e, atenção: 80 motherfuckers golpes. É. Ouch.

Acho que todo mundo aqui, considerando que acho que vocês são tão pé rapados quanto eu, já passou por essa situação: o taxímetro vai rodando, rodando, rodando, você sabe que ainda falta uma boa pernada pro destino e pensamentos como “será que eu aguento chegar a pé?”, “será que se eu disser pro taxista que não tenho dinheiro ele me leva mesmo assim?”, “será que ele aceitaria favores sexuais pra terminar a corrida preciso mijar sos” começam a aparecer. A diferença é: você está no meio da Serra da Mantiqueira, não tem nenhum carro em volta e sua vista é essa aqui:

Foda-se os oitenta reais, né mores.

Essa não foi uma viagem barata, definitivamente. A estadia nos chalés é cara, ainda mais o pacote para feriado prolongado, não é mesmo? Quer saber? Nos demos de presente e nem Beyoncé poderia nos julgar. Era tudo o que estávamos precisando ficar 3 dias longe de absolutamente tudo, sem contato com outros seres humanos, ouvindo o vendo, no friozinho, e sendo acordados por um picapau que insistia em querer entrar no nosso quarto. Sim, um picapau.

O Rancho Santo Antônio é um espaço gigantescão com atividades “de final de semana”, tipo passeio a cavalo e arvorismo para as crianças, um borboletário (R$ 30 gilmys sdds por pessoa para entrar, não entramos), trilha de bike radical socorr para adultos, tudo o que obviamente não fizemos, visto que a única atividade que fizemos que eu posso listar nesse horário neste blog de família foi acender a lareira e levantar o trequinho de pegar fondue.

Os chalés são equipados com uma minicozinha beeeem completinha, e eles deixam o ~material para um café da manhã bem responsa para os dias que o hóspede vai ficar por lá: tinha frutas, pão, bolinho, bolachas, uns frios e café. É claro que a gente levou um monte de tranqueira para cozinhar por lá, afinal musa fitness a ideia era realmente não sair de jeito nenhum – apesar de que, em um dos dias, descemos até a área “social”, onde ocorrem todas essas atividades das quais falei, e aproveitamos para almoçar uma feijoada bem digna no restaurante do rancho: com feijão sem carne, abobrinha refogada e farofa de pinhão quero tomar banho de farofa de pinhão para os vegetarianos.

Pinhão. Eu não preciso explicar pra vocês que pinhão é o melhor alimento do mundo a essa altura da minha vida, né mores? Ata. Então cês imaginam minha alegria quando eu me dei conta que eu estava no paraíso do pinhão na Terra. Inclusive, no domingo, decidimos dar uma chance ao centro topster de Campos do Jordão pois avistamos a faixa 56ª Festa do Pinhão e quem sou eu pra negar uma FESTA DO PINHÃO. Pois bem, mais 80 fucking golpes e pinhão no crepe, pinhão no macarrão, pinhão na farofa, pinhão na batata frita e, sim, pinhão no pastel – que eu ainda estou aqui pensando se entra no ranking de “pelo menos eu estive viva na mesma Era em que”, que até agora tinha Patti Smith e Beyoncé. Pinhão no pastel, gente.

 

Essa foi, marromeno, nossa viagem pra Campos do Jordão cidade topster de meudeus que nos brindou com as maravilhas da serra, dos pinheiros, das araucárias, do silêncio, do friozinho e do zero contato com outros seres humanos por três dias. Se eu voltaria? Pra ficar no mesmo esquema, voltaria amanhã e moraria para sempre. A cidade em si, o centro, atendeu bastante às minhas expectativas de um lugar muito cheio e com uma vibe muito diferente da minha. O que só me deixou com ainda mais vontade de conhecer a região menos hypada ali em volta, tipo Santo Antônio do Pinhal. Vocês já foram pra lá?

Para informações menos trouxas que as que eu dei, falem com a Viviane, do Rancho Santo Antônio, melhor pessoa <3 O site é esse aqui, babem comigo nas fotos dos chalés, babem: www.chalescamposdojordao.net