About Isadora Attab

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28 anos, SP. Gatos, plantas, decoração, DIY, gifs da Leslie Knope. Coisas bonitas e pipoca. Peixes-Sagitário-Leão. Escrevo porque sou preguiçosa demais pra desenhar.

Posts by Isadora Attab:

dança comigo, remexe bem

Eu nunca fui magra. E também nunca quis tentar ser. Sempre tive muita consciência de que eu nunca seria conhecida como “aquela magrinha”, e nem poderia ser uma dessas abençoadas mulheres que andam por ai sem sutiã, mesmo após eu ter comprado meus próprios peitos.

Eu até tinha a esperança que um dia se referissem a mim como “aquela pequenininha ali”, porque, afinal de contas, eu passei bem longe da fila de altura, mas o que não me deram em pernas, me deram em “onas” distribuídas em meu metro e meio. Tranquilo. Nada de mignon, nada de pernas finas. Sempre soube que teria que conviver com as gorduras que ralam as coxas.

Digamos que meu modelo de mulher nunca foi Gisele, nem Jennifer Aniston, quiçá uma Juliana Paes. Quando eu era criança, me diziam que eu era a cara da Mili, de Chiquititas. E hoje, bom, hoje eu sou a Hannah, de Girls.

Até ai, tudo bem. Nunca gostei de ficar parada e no combo meio-metro + coxas enormes, ganhei um par de joelhos usados que nunca me deixou dar ao luxo de descansar. Exceto quando a coisa tá tão preta que seu dia a dia se resume a ônibus e sopa. E, caros amigos, essa sopa – quando não é canja – tem creme de leite pra caralho. Creme de leite indo straigh to my fat coxas, criando barriga, acumulando nos braços de fazer pão, deixando até um papinho discreto.

E, convenhamos: eu nunca liguei muito. Por mais que eu sempre declame que “não posso, estou de dieta”, basta o primeiro episódio de Grey’s Anatomy sair que eu tô lá, devorando um tablete de Kit Kat e chorando como se TPM fosse um fator constante na minha vida. Eu nunca liguei muito, mesmo.

Até ver essa foto da Mili:

Image

Barriga sarada, perna fina, shortinho que não entra na dobra da coxa e a cara de “onde está sua Mili agora?” – E a foto é do instagram, minha gente. Nada de photoshop aqui.

Então é isso, crianças. Se a Mili conseguiu, eu também consigo. Preparem suas hashtags, projeto maromba is coming.

canja

Então que o restaurante da firma custa R$ 13,50 pros “não-funcionários e colaboradores”, e você se encaixa nessa magnânima categoria. E dai que o restaurante da firma é ruim. Claro que, além disso, você gasta R$ 13,50 por dia – não é uma metáfora, a minha vida se desenrola em ironias metafísicas assim – de transporte público, porque você (ainda) mora em outra cidade. Não preciso dizer nada sobre a qualidade do transporte.

Nesse cenário, fica óbvio que eu estou emagrecendo. Até porque – por mais uma dessas ironias cósmicas – R$ 27 é exatamente o valor da parcela do próximo mês na Renner, porque todas nós jornalistas precisamos de um vestido de cavalinhos. Todas nós. Logo, entre gastar esse valor com comida ruim e pagar minhas dívidas para que eu possa fazer mais dívidas, eu não como.

Obviamente essa é só mais uma piada ruim. Quem me conhece sabe que eu não tenho maturidade suficiente nem para levar meu próprio corpo a sério. Então, e é no desespero que nós conhecemos o melhor e o pior das pessoas, eu descobri a alternativa que me permite 1) me alimentar de uma maneira minimamente não-fatal; 2) gastar menos que a parcela da Renner: sopa.

Existe sopa na firma. Sopa grossa, encorpada, com colheres nada saudáveis de maisena e outras substâncias não identificadas ou identificáveis. Mas sopa boa, que enche a barriga e esquenta o coração nos dias que o vestido de cavalinho fica para lavar.

Menos quando tem canja.

Quando tem canja, sou só eu. Eu e aquele caldo aguado de resto de frango e resto de arroz e resto de amor. Quando tem canja, não há lei. Quando tem canja a gente investe mais R$ 0,80 centavos no pacotinho de queijo ralado. Quando tem canja, você está sozinha na lanchonete.

E você tenta. Colherada after colherada você bota pra dentro, pensando na sopa de ervilha – que te traz pedacinhos de bacon surpresa -, na sopa de feijão – que, se você tiver sorte, tem cenoura molinha -, na sopa, DEUS, na sopa de mandioquinha. E enquanto você imagina porque desfiariam uma coisa se ela fosse realmente boa e checa o instagram à procura de fotos inspiradoras de rodízios japoneses, olha em volta ansiosa por um suspiro que seja de compaixão.

E derruba o celular na canja.

<4

Não consigo fazer corações virtuais. Não, não é uma metáfora: eu só não sou capaz de digitar ésse-três sem errar. (Ésse-dois eu nem tento, ok?). É sempre – sempre – ésse-quatro. Assim:

<4

Meus dedos são tortos, meu cérebro entende errado, tenho dislexia tardia, ou qualquer uma das anteriores. Só não consigo fazer corações virtuais e, acidentalmente, assim, tão espontaneamente, meus corações são meio quadrados e com pernas estranhas saindo pela culatra. Você, caro amigo stalker, pode fazer uma pesquisa rápida pela internet e ver que, em 90% das publicações em que eu expresso meu amor por algo, ou alguém, ou pugs, lá está meu coração-quadrado-quatro sem sentido. E, logo abaixo, um novo comentário me corrigindo – nem sempre bem sucedido. E eu amo muito na internet.

Entendam como quiser.

das maravilhas do home office

Porque eu ouço o tempo todo os amigos falando das maravilhas do home office. A gente cria pastas no Pinterest que certamente vão demandar mais do que trabalhar em casa para se tornarem reais, e vamos lendo revistas de gente linda dizendo que encontrou o prazer trabalhando com o que ama em horários flexíveis, e segue achando que a linha evolutiva da vida te levará, indiscutivelmente, para melhores em que você acorda cedo, malha, volta para casa, faz almoço e começa a trabalhar de pantufas.

E nesses maravilhosos dia de trabalhar em casa, descobrimos que não é nada disso. A começar pelo fato de “trabalhar” consistir em arrumar o quarto, desfazer todas as trapalhadas que fez sem querer em 4 anos de faculdade – do tipo manter 3 contas em bancos diferentes, com taxas mensais diferentes – e “atualizar o seu perfil profissional”. Ou seja: procurar um emprego que você não tenha que trabalhar de casa.

Primeiro que você está sempre de pijamas. Porque você acorda – obviamente em um horário nada comercial – e vai tomar seu café. Todos os outros membros da sua casa estão lá, em seus empregos fora de casa, então você continua de pijama. Come sua bananinha, volta para o quarto e põe o computador no colo. Na sua cama. Ajeita o travesseiro atrás e, convenhamos, nada menos confortável do que ficar sentada na sua cama de calça jeans. Então você continua de pijamas. E você até resolve as coisas que você precisava resolver e, quando chega a hora do almoço, palmas: que manhã mais produtiva. Resolvi três das dez tarefas do dia e ainda é a hora do almoço.

Mais ou menos às 19h você percebe que o dia acabou e você continuou ali: de pijamas. Então você levanta da cama e toma um banho, porque, meu deus, você pode estar pobre, mas a gente é limpinha. E quando sai do chuveiro percebe que logo mais você vai ter que dormir, afinal de contas amanhã é dia de acordar cedo para resolver duas das dez tarefas de hoje, que não deram certo porque você acordou tarde hoje. Então, nada melhor do que já se enfiar nos pijamas, pra não correr o risco.

E se você pensa, olha, que vida perfeita essa, se eu pudesse eu também viveria de pijamas, pensa que todos os seus dias ficam com cara de domingos à noite, que na televisão só tem programa que te faz sentir simpatia pela Ana Maria Braga e que não tem pra quê ganhar dinheiro se a única coisa com que você vai gastá-lo são, adivinhem? Pijamas.

Porque nem home office aqui tá glamouroso, minha gente.

e agora?

Vida adulta batendo desesperadamente na porta da gente e a gente não sabe se casa ou se compra uma bicicleta. Na dúvida, eu criei um blog.

Assim, não que eu nunca tenha tido um blog. Ou uma bicicleta – apesar de, e quero deixar isso claro, nunca ter casado antes. Mas, aproveitando o ensejo da vida nova, independente, madura, donadesi, resolvi deixar o passado para trás e mudar. Mentira. Na verdade, não tinha mais dinheiro pra pagar o blog antigo.

Acabou o dinheiro, assim, PUF! A gente vai lá, faz domínio, faz layout, faz hospedagem e o caramba e uma hora não tem tempo, na outra não tem dinheiro, na outra odeia tudo o que você já escreveu. E a gente usa tudo isso de desculpa pra ficar horas pensando em um layout novo, em um novo nome, em maneiras novas de maldizer a nossa vida e a dos outros. Tudo isso prum troço que, provavelmente, vai durar uns 2 meses, até aparecer algum outro troço da vida adulta que vai te lembrar que você já está velha demais pra escrever besteiras na internet.

Ainda que tenha gente demais por ai ganhando dinheiro com isso.

Então a vida adulta tá esmurrando a porta do lado de lá, e a gente aqui, presa nesse limbo da transição. Coisa de discurso de formatura e tal. Seria bonito dizer que agora vamos descobrir os caminhos que queremos seguir, nos descobrir, nos permitir, abrir as asas e soltar as feras, mas a real é que como caralhos a gente faz pra saber o que a gente quer fazer da vida, né?

Por enquanto, a gente vai se agarrando em músicas hipsters e possibilidades de momentos felizes adiante. Adiante. Pois vejam bem quanto amadurecimento da minha parte: dessa vez não me escondi atrás de algum pseudônimo irônico da internet. Taí meu nomezão, bem grande, em cima de tudo. Se bem que ainda não consegui me livrar do “block from search engines”. Vai que me acham.

Porque, na real, vida adulta deve se resumir a isso ai: pagar as contas, comprar uma bicicleta e ser encontrada no Google. Eu acho.