About Isadora Attab

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27 anos, SP. Gatos, plantas, decoração, DIY. Coisas bonitas e pipoca. Peixes-Sagitário-Leão. Escrevo porque sou preguiçosa demais pra desenhar.

Posts by Isadora Attab:

favoritos #1

Faz tempo que eu penso em como reunir em um lugar só tudo o que eu acho por aí, nessa internet maravilhosa. Eu compartilho bastante coisa no meu Facebook, mas, apesar de achar que ali é o caminho certo, mesmo (já que ninguém entra mais em blog, o novo local de escrita, pra mim, é por lá), ainda falta bastante pro sistema de buscas do tio Mark me deixar à vontade de compartilhar coisas apenas na timeline azulzinha. Pensei em criar uma página do blog, mas a quem eu quero enganar fingindo que vou atualizar o negócio? Talvez, um dia, até role – e eu pare de fazer autopromoção na página pessoal – mas, por enquanto, deixa eu fingir que sou hipster e antenada.

Pensei em “Coisas lindas da semana”, mas elas podem não ser necessariamente lindas. Pensei em “Favoritos da semana”, mas, novamente, a quem eu quero enganar dizendo que as atualizações aqui serão semanais? Ficam, portanto, os meus “Favoritos”: textos interessantes, emocionantes, fotos bacanas, aquele consumozinho que ninguém escapa, essas coisas, que a gente gosta de ver – e de saber que os outros sabem que a gente gosta.

As melhores leituras de 2013, segundo a Confeitaria Mag

Essa revista independente é uma das coisas mais legais que tenho lido ultimamente. Reúne muito texto bom de muita gente bacana, e essa mesma gente bacana fez uma seleção das suas leituras do ano. Claro que tem muita coisa… Bacana. Pra anotar na lista de leitura de 2014.

As mulheres inspiradoras de 2013, pelo Olga

Inspirador e maravilhoso, o Olga é um alívio em tempos do meu desespero com o mundo. Feminista e sobre o feminismo, sobre a gente, mulher, sobre o mundo. A lista é pra googlar cada nome e fazer a lição de casa, tá?

A Cynthia, do Simply Cyn

Maravilhosa e cheia de estilo – e ainda indica muita coisa boa pra ouvir. Já dá pra ser amiga dessa mulher?

imagem daqui

imagem daqui

do que eu falo quando falo de corrida

Agora eu sou dessas que corre na rua. É gente, vocês viveram pra ver esse momento. Eu comprei shortinhos “coxas-saradas”, eu pretendo ter um tênis fluorescente, eu estou, inclusive, pesquisando preço daqueles troços que você põe no braço pra segurar o iPod. Sérião. E foi aí que eu percebi uma regra pra ser aplicada em todas as áreas da vida mas, especialmente, aos relacionamentos.

É a regra da corrida.

Não, nada a ver com quão sarado o possível bofe é. Absolutamente longe disso. A regra da corrida diz respeito à maneira que o possível bofe corre. Porque gente, você pode se vestir com as melhores roupas, andar com o melhor carro, pedir bebida que pixca, ser legal, descolado, engraçado, bonito e gostoso, até. Mas, caro futuro bofe, se na hora de correr a coisa desanda, bom… É porque tem algo aí dentro de você, escondido.

Esses dias eu estava saindo da empresa e vi um cara desses que você olha na rua. Alto, moreno, braços tatuados, barba no ponto, camiseta descolada. Cara de desáiner, mas sem os óculos de aro grosso. Farol fechou, eu mantive a minha distância, olhando pras meninas do meu lado, que riam bonitinho pro bonitinho. E então, o ônibus dele chegou.  E o amigo alto, moreno, braços tatuados e barbudo saiu correndo.

E aí, gente, tudo desmontou. A pose garotão-da-augusta desmoronou, e o menino de 13 anos gordinho, tímido e que era surrado na escola reapareceu – mesmo atrás da barba. Era um rebolado, misturado com braços descoordenados, com cabeças de cachorrinho de caminhão, com nenhum gingado aparente. Toda e qualquer sensualidade foi-se embora, levada por um impiedoso Trianon-Masp atrasado. Até as meninas notaram.

Desde então, passei a aplicar a regra da corrida para as pessoas da minha convivência. Não todas, mas especialmente aquelas que a gente acha que são legais-demais, bonitas-demais, legais-e-bonitas-demais, conhecidas-demais, tem-os-melhores-amigos-demais. Quer ver quem elas realmente são? Bota aquela repórter que usa as coleções da passarela pra correr (diz que o bonitão tatuado tá esperando por ela). Pode ter certeza que, uma  hora, ela deixa aparecer que ela também assiste The Voice na quinta à noite.

paladino da dieta

Eu confesso: sempre tive complexo de mártir. Não é nem difícil admitir isso, porque, admitindo, eu confesso que tenho uma condição, uma condição médica, o que me faz automaticamente entrar numa lista de pessoas com condições médicas e bom, eu tenho esse complexo de mártir. Mas a questão é que eu finalmente eu encontrei um caminho – desses que não faz mal a ninguém, claro – pra canalizar esse sentimento. E esse caminho é minha dieta.

Me privar das coisas maravilhosas que a vida me dá é terrível, sim. E, por princípio, eu sou contra essa história de restringir, cortar, tirar definitivamente. Mas quando 1) os quilos ultrapassam a barreira das suas roupas; 2) você não tem dinheiro pra ir num médico; 3) você tem uma viagem em que usará biquíni em 90% do tempo, você apela pras revistas. Ah, sim, meus amigos: as revistas e os blogs de gente com barrigas chapadas e “antes e depois” que mais encantadores do que o Google Glass.

E aí a gente descobre uma dessas dietas loucas que tiram tudo do cardápio e você emagrece. Pois, claro, você emagrece – e sempre tem uma conhecida que fez a dieta, emagreceu, e tá aí, vivona, com a saúde em dia, pra te motivar. E você decide fazer a dieta. Claro, você adia o começo umas duas, três vezes, até expurgar toda a cerveja do seu organismo (de preferência, com mais cerveja). E então, você começa.

O primeiro dia é maravilhoso. “Eu estou fazendo dieta”, é a placa que você manda fazer na gráfica rápida do lado da sua casa. Põe no Facebook. Pede ajuda das amigas, com aquele ar de “vou ficar mais magra de vocês, preparem-se” – é, amigas, a gente pensa isso, não finjam que não. Você pega seu filé de frango pensando naquele biquíni, no short que mostra a polpa da bunda, nos braços bronzeados. E sorri.

Do segundo dia em diante, você vira o super-herói da dieta. E não é um super-herói pimpão, tipo o Homem Aranha. Não, não. É um super-herói soturno e atormentado. Desses que se escondem em cavernas e têm vozes estranhas. Desses que têm um passado negro e nenhuma perspectiva de futuro. Resta-lhe, somente, seguir com a dieta.

Alface. Cenoura. Frango. Desnatado. Sem gordura. Light. Cada pedaço, cada mordida, é uma batalha contra o mal vencida. Cada cheirada no chocolate alheio – não finja, amiga, não finja… – são anos de corrupção e vandalismo, ops, destruídos. Seus amigos te chamam para tomar cerveja: você para no shopping, come frango e soja. E bebe Coca Zero no bar. Gotham está a salvo. Pensa no biquíni. Biquíni manchado de suor e sangue.

* Esse é meu último post sobre dieta. Talvez.

barulhinho bom

Eu nunca fui uma pessoa de gatos. Não por eles, é claro: mas eu não sei lidar com gente que não corresponde meu amor na mesma moeda. Sempre fui assim na vida, com amores, com amigos, com bichos. Por que raios você não gostaria de ficar no meu colo à tarde toda? Como é que você não quer que eu te abrace agora? Quem é que não gosta de carinho na barriga, catzo?

Claro que eu não tenho muito poder de dizer “não” em questões relacionadas a animais. Eu vim com um defeito no botão “perigo”, e poderia colocar a mão tranquilamente no aquário da Shamu ou daquele urso polar do Central Park. Minha tia sempre teve gatinhos que, como gatos, me davam 5 minutos de atenção e eu, como Isadora, dizia com a boca cheia que “eu gosto mais de cachorros”. Talvez ainda seja verdade.

Você apareceu na casa do Bruno com a sua irmãzinha, minúscula, mas já brava. E com o seu motorzinho ligado, tão alto que eu sempre me preocupei: é normal ela fazer esse barulho? Claro que era, era só amor. Mesmo quando você queria ficar na sua, era amor, amor alto e claro que nem você conseguia esconder, sua blasé. Você resistiu à falta de cuidado que sua irmã não soube enfrentar, foi e voltou pra gente, como se nunca tivesse ido embora.

E de repente, tinha você ali: miando, pedindo, dando suas cabeçadinhas carinhosas de “por que porra você não acordou e não está me dando comida?”. Seis e meia da manhã, sempre, na janela. Você e seu jeito desleixado de pular, fazendo barulho de mola que sempre me fez pensar: é normal ela fazer esse barulho? Era só você, sendo um gato desajeitado, como você sempre foi.

E nem deu tempo de ser brincalhona. Logo, você, safada que só, começou a engordar de uma maneira estranha, e miar de uma maneira estranha, e fazer barulhos estranhos pra se comunicar com a gente. É normal ela fazer esse barulho? E, de repente, você trouxe o melhor presente que eu poderia ter recebido, uma surpresa que eu nunca imaginaria que viesse. Pelo menos, não no formato daquela bola gorda de pêlo branco. Que você nunca abandonou.

A gente fez você perder um filhotinho, e, por isso, eu nunca vou me perdoar. A gente plantou uma plantinha num vaso pra você ter pra quem miar quando desse saudade. E cuidamos pra que aqueles bichinhos devoradores de leite não te judiassem, logo você, tão pequena ainda. Tão filhote. E você, é claro, cuidou deles como ninguém, lambendo a cria, mesmo, até o último dia, mesmo quando aquele safado, com 6 meses de idade, ainda queria mamar. Aquele Gordo.

Do mesmo jeito que você veio, assim, de repente, e de repente transformou a nossa vida numa coisa louca, numa corrida para fechar privadas, numa preocupação louca por barulhos, miados e objetos perigosos, do mesmo jeito que de repente você mexeu em tudo e deixou tudo diferente pra sempre, do mesmo jeito, de repente, você foi embora. E eu não sei se nesse tempo deu pra mostrar que você foi a coisa mais doida e intensa que dava pra você ser. Mas você foi. E agora só sobrou barulho de vazio.

Obrigada, Bebel. Até mais.

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