About Isadora Attab

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27 anos, SP. Gatos, plantas, decoração, DIY. Coisas bonitas e pipoca. Peixes-Sagitário-Leão. Escrevo porque sou preguiçosa demais pra desenhar.

Posts by Isadora Attab:

#12

Fico pensando se é você ou se são os outros. Porque é todo mundo tão babaca. Ele que se gabou de ser um grande pintor ele que se acha revolucionário ele que canta tipo o Elvis ele que caga regra sobre comida ioga Maria Bethânia música de verdade carnaval. Ele que é grosso com o garçom que fica bêbado e perde a linha e reclama e grita e faz passar vergonha.

E elas continuam ali.

Você fala baixinho e pede licença, só levanta a voz pra dar risada, tem as melhores piadas ruins do universo inteiro e nem precisa falar nada pra que eu entenda. Você é inteligente tanto que nem sei explicar e bonito, ah, que bonito, bonito de ficar olhando sentada na sala sem você ver. Você me faz rir e me faz chorar de sorrir e me compra plantas diferentes e caderninhos sempre iguais. Você se confunde com coisas que me irritam e se envergonha com a vida, e você não vê que você deveria ter orgulho e falar mais alto. Você me dá saudade ainda, mesmo estando todo dia, você me faz querer te conhecer mais e mais.

Fico pensando se é você ou se sou eu.


~ arquivão das férias das coisas bonitas que nunca postei por motivo nenhum (mais aqui)

avoa #3 – Belo Horizonte

Contei no post sobre Inhotim que a gente decidiu se hospedar em Belo Horizonte – ao invés de Brumadinho ou qualquer outra cidade mais próxima – justamente para conhecer e aproveitar um pouco da capital. E foi uma ótima ideia! Beagá (pode, né?) nos deixou com uma ótima impressão, mesmo com uma viagem super rapidinha, e a vontade de voltar e encontrar todos os amigos que eu não consegui ver DESGURPA MIGOS!

Tivemos, mais ou menos, 2 dias pra conhecer a cidade, além das noites depois que voltávamos de Inhotim: dica, noites muito bem utilizadas para DESCANSAR E DORMIR porque minhanossasenhoradabatidadeperna, que cansaço. Na primeira, conseguimos sair pra jantar, mas na segunda, em pleno sabadão: sopa e cama de hotel, bem glamour mesmo.

Eis que nosso primeiro dia em BH foi então um ensolaradíssimo domingo (e eu continuava de calça de veludo RISOS), e como boa hippie que sou, claro que não poderia deixar de visitar a Feira de Artesanato da Avenida Afonso Pena. Gent, cês não têm ideia do tamanho daquilo, cês têm? Além de grande na extensão, eram fileiras e mais fileiras de barraquinhas de tudo o que você pode imaginar, de roupas a calçados, de brinquedos a decoração, de comidinhas a comidonas, tudo, tudo, tudo reunido. Maravilhoseur, organizado – ponto pra BH! – com uma variedade enorme e a maioria das coisinhas produzidas pelas próprias pessoas, dava pra perceber. Fiquei pensando que, se morasse na cidade, poderia resolver boa parte da vida nessa “feirinha” de domingo.

Saindo de lá, caminhamos até a Praça da Liberdade, que deu beeem o clima da cidade pra gente: arrumadinha, cheia de gente fazendo exercício, passeando com o cachorro, com os filhos, fazendo ensaios de fotos, manifestações, tudo junto e bem tranquilo, com um solão pra arrematar o clima bom do dia. O espaço em volta é conhecido como Circuito Cultural Liberdade, e tem várias instituições culturais, a Biblioteca Pública, diversos museus e o Palácio da Liberdade. Nós conseguimos visitar dois locais: o Centro Cultural Banco do Brasil – e almoçamos no delicioso Café com Letras, debaixo dessa arquitetura monstruosa – e o Memorial Minas Vale. Esse não me emocionou muito: tudo ali me pareceu muito “perfumaria”, pouca densidade e muita tecnologia sem razão, mas o memorial dá um panorama bem interessante de toda a história de Minas, dos escritores e artistas antigos e modernos, passando pela História do Estado, falando de bairros, pessoas, famílias etc. Se tiver tempo, vale uma passada!

O passeio da tarde do domingo foi na famosona e liiiiiinda de morrer Lagoa da Pampulha. Meu, que lindeza. Claro que eu continuava de calça de veludo, claro que continuava fazendo 28 graus, claro que eu tinha comido 8 unidades de pão de queijo recheadas com queijo da canastra e geleia de damasco obg beyoncé e quase faleci, claro que a gente andou pro lado errado em volta da lagoa e perdemos todas as atrações turísticas. Claro. Mas porra, foi lindo. Nesse percurso desajeitado que fizemos, passamos pela Igreja de São Francisco de Assis, projetada pelo Niemeyer e é um desses cartões postais que a gente realmente tem que conhecer, e perdemos todas as outras coisas legais: um parque, o jardim botânico, o Mineirão e o Mineirinho, outro parque, a Casa de Baile, o Museu de Arte e aparentemente a Anira e o Drake estavam do outro lado. Me arrependo? Nãaaao, foi tão lindo! No caminho pro lado errado que fizemos, acabamos topando com a Casa Kubistchek, também projetada pelo Niemeyer para ser a ~residência de veraneio do moço presidente, e que descoberta boa pra quem gosta de decoração, arquitetura etc – e precisava urgentemente de um ar condicionado! Toda modernista, com os móveis da época, os jardins pensados pelo Burle Marx, encantadora mesmo.

No segundo dia, que era também o nosso dia de voltar para São Paulo e, por isso, era mais curto, decidimos ir no famoso Mercado Central. Se tem uma coisa que eu amo nesse mundo é mercadão, né? Minhanossasenhora. Que lugar maravilhoso! Além dos alimentos típicos que são SURREAIS de bons e baratos – nível: compramos uma bolsa térmica gigante pra trazer a maior quantidade possível de queijo para casa? Compramos. E ainda saiu barato! – como queijos e doces de corte, o lugar tem uma infinidade de utensílios de cozinha de cobre e pedra sabão, desses bem hipsters escandinavos nórdicos blogayrinha de decor e, claro, com preços maravilhosos. De encher os olhos! Isso e as canequinhas esmaltadas, de todas as cores e tamanhos possíveis. Uma perdição. Dá pra encontrar também vários móveis de madeira, cestos e outros objetos trançados de palha, produtos de chita, e meu deus do céu. Eu preciso morar perto desse lugar.

Não almoçamos por lá porque aparentemente meu marketing pessoal falhou no quesito: avisar os amigos que não como mais carne. Todo-mundo indicou comer o fígado com jiló. Então, né, gente. Deve ser bom, eu acredito, mas não. Em compensação, todo-mundo também indicou comer na A pão de queijaria. OBRIGADA VOCÊ QUE RECOMENDOU A PÃO DE QUEIJARIA MUITO OBRIGADA. Gente. Imagina um cardápio composto por… pão de queijo. Crouton de pão de queijo na saladinha, pão de queijo de vários tipos de queijo, pão de queijo recheado com tudoodemaisgostosoqueomundopodeoferecer, tipo confit de tomate e queijo de cabra, a bolachinha do cafezinho é um minipãodequeijinho. SABE. Não tem como. O mais legal é que, durante a semana, eles têm um menu de almoço, em que: saladinha + pão de queijo recheado (bem grandinho!) + polenta (peçam a polenta) ou batata rústica = vinte e poucos golpes. Chupa São Paulo. Eu quero morar ali pra sempre. Não curti muito a famosa caipirinha de café, mas eu não costumo gostar das variações da bebida, então tudo bem, deem uma chance, merece.

O último passeio, que eu bem queria que tivesse se prolongado se não fosse o fator aeroporto, foi no bairro Savassi, que é um dos mais badaladinhos e ~descolados da cidade, super agradável, cheio de vida e lojinhas bacanas, e terminou no Edifício Maletta, uma das melhores surpresas pra mim: um prédio histórico, meio residencial, meio comercial, que reúne vários antiquários, brechós e lojas de discos e sebos, além de pequenos restaurantezinhos e bares muuuuuito gracinhas, pequenos, cuidadosos, do jeito que a gente ama. Queria muito ter comido no Las Chicas Vegan, das manas e vegano, mas dessa vez não deu, infelizmente. Só que eu volto, BH, aaaaah eu volto!

O sentimento geral que eu tive por essa cidade foi daquele amorzinho de verão, tranquilinho e de dar saudades, sabe? Fiquei encantada pelo clima, pelas pessoas, pela educação. Uma cidade grande onde as pessoas não querem se matar, não se empurram, não se sacaneiam, pedem por favor e obrigada real oficial. Claro que pode ser só minha impressão de turista, mas foi o suficiente pra bater. Talvez, quem more em São Paulo deva ter essa impressão na grande maioria das outras capitais, mas Belo Horizonte me deixou com a sensação boa de um mix acertado entre “cultura e atrações de cidade grande” e “tranquilidade e calma de cidade de interior”. Vontade de voltar. E ficar?

avoa #2 – Inhotim

Pra longe dos festivais de música e festas hipsters, talvez eu tenha ficado sabendo que Inhotim existia há uns 2 ou 3 anos só. Claro que, imediatamente, eu fiquei apaixonada. O treco é um parque gigantesco, com uma coleção botânica surreal e um acervo de arte contemporânea que é um dos mais relevantes do mundo. Ok, quero. Nunca levei muito a sério a visita ao instituto até as férias desse ano, que não ia ter muito tempo $$$ para viajar pra longe, e decidi fazer um passeio rápido até Minas Gerais.

A primeira coisa é que, ledo engano, não é uma viagem barata. Nós optamos por ficar em Belo Horizonte – e não Brumadinho ou alguma outra cidade mais próxima de Inhotim mesmo – para aproveitar e esticar outros rolês à noite. Com isso, pegamos o famoso ônibus da Saritur por dois dias, ida e volta: cerca de R$ 30 cada “perna”. Caro. O ingresso no parque é R$ 40 por cerumaninho e, claro, lá dentro, nada é barato: os carrinhos de transporte (já falo mais disso), os restaurantes, o café, é tudo bem salgado.

As vantagens de ter feito a viagem do jeito que fizemos: realmente pudemos aproveitar as noites de BH (e vai ter post sobre lá também!) e dormimos um monte no ônibus, que partia às 8h e voltava às 16h30 na sexta e 17h30 no domingo – a viagem é bem tranquila, o ônibus super confortável, foi tudo bem ótimo. Talvez uma opção seja ir até BH de avião, e passar essa noite intermediária, entre um dia de passeio e outro em Inhotim, em Brumadinho ou região. Assim economiza-se com o ônibus – e dá pra acordar um tantinho mais tarde também!

Dois dias em Inhotim: pra gente, foi perfeito. Eu ficaria um terceiro dia? Ficaria. Ficaria para voltar em algumas obras/jardins de que gostei muito, pra fazer um piquenique sem pressa, pra ler um livro em algum canto fresco e maravilhoso. Mas em dois dias, nós dois conseguimos visitar toda a extensão do instituto e ver todas as obras. Sim, tudo! Batemos muita perna? Batemos. Queimamos todo o pão de queijo ingerido? Queimamos. Quase morremos de insolação? Uma parte de mim se foi. Mas foi absolutamente maravilhoso. Ah, a gente fez tudo sem o bendito do carrinho, que é tipo aqueles de golfe: é engraçadinho, dá uma boa aliviada se você tem alguma dificuldade de locomoção (ou a famigerada preguiça), mas é caro e deixa os trajetos bem “limitados”. Somente com nosso mapinha e meu bom e velho tênis que talvez tenha falecido, deu. E foi absurdo.

Já falei que foi absurdo? Foi absurdo.

Absurdo. Quando você para pra pensar racionalmente, é um troço meio megalomaníaco. A área total é de 786,06 hectares, o que eu não faço ideia do que seja em metro, quilômetros, só sei que a cada dia eu pensei que não ia dar, mas deu. As obras são, na maioria, imensas, opulentas, completamente malucas e de deixar a gente sem ar. Mesmo. Se você procura a descrição “histórica” do projeto, vai ler várias palavras daquelas que a gente que é comunista comedor de criancinha tem medo, tipo ” empresário da área de mineração e siderurgia”, “valiosa coleção de arte modernista”, “acervo pessoal de arte contemporânea”. Se você desliga o botãozinho da República Bolivariana (e, confia, você vai desligar em 15 minutos), é arrebatado de uma maneira que mexe real oficial com a sua pessoinha.

Arte contemporânea é aquela loucura, né. Pra mim – e é tão pessoal isso que vocês podem simplesmente ignorar esse parágrafo se quiserem – é uma experiência que tem que bater. Teve coisa que não bateu. Que fica aquela sensação de “mas que merda essa pessoa tava fazendo, gente?”, só que a gente não pode falar isso em voz alta (os tios falavam, na moralzona assim!) porque alguém disse que aquilo era arte. Mas teve coisa que minhanossasenhora, bateu. Bateu fortão. Bateu e tá batendo até agora.

  1. Galeria Adriana Varejão:

    uma das galerias com a arquitetura mais bonita. Os temas me encantaram muito: azulejos, botânica, inspiração na mitologia grega… Linda do Rosário (2004) é uma das coisas mais assustadoras e macabras que eu já vi.

  2. Galeria True Rouge, Tunga:

    medo da cabecinha dessa pessoa, ainda bem que ela existiu. Eu, claro, não conhecia nada do Tunga, e gostei demais das duas galerias, mas True Rouge é uma dessas que a gente fica absolutamente espantado – fiquei tocadíssima com a descrição: “Os objetos que pendem do teto, unidos por estruturas interdependentes, aludem a um grande teatro de marionetes: uma escultura de manipulação, que, se valendo da gravidade, não chega, contanto, a tocar o chão.”

  3. Galeria Cosmococa, Hélio Oiticica:

    a dica é: fuja dos grupos de adolescentes em visitas escolares. Fuja. A galeria tem várias obras experimentais e multisensoriais, tipo uma piscina (pode mergulhar, sim!) beeeeem psicodélica, uma sala “feita de espuma”, e outra em que você pode ficar na brisa ouvindo música dos anos 70 relaxando em redes. Quero.

  4. Coleção Luiz Zerbini:

    pintura pode não parecer nada muito alternativo freak, mas as obras desse cara conseguiram me pegar: misturam muita bagunça, um pouco de falta de nexo e o quê? Plantinhas. Eu amei as cores.

  5. Exposição Chris Burden:

    não consegui encontrar a referência correta no site nem por mil golpinhos, midesgurpem. O Chris Burden tem duas obras gigantes no Inhotim – Beam Drop e Beehive Bunker – mas o que mais me interessou foi essa exposição de fotografias e explicações das suas intervenções e performances, sempre violentas e beeeem fortes.

  6. Folly, Valeska Soares:

    no meio da natureza deslumbrante, essa cabana super romântica. Você entra e participa (mesmo!) da dança dos bailarinos, através de espelhos e jogos de luz. Recomendo ir bem cedinho pra fugir dos outros visitantes e dançar sozinho comozão <3

  7. Narcissus Garden, Yayoi Kusama:

    sou completamente apaixonada por tudo o que essa mulher toca. De chorar. Muito.

  8. Sonic Pavilion, Doug Aitken: 

    o problema dessa galeria é que eu nunca mais vou conseguir dormir tão em paz e acordar tão bem na minha vida. Você aaaaaaanda anda anda até morrer e encontra um pavilhão de vidro circular, isolado de tudo. Lá dentro há um furo de 200  metros de profundidade no solo, com microfones que captam o som da Terra. Este som é transmitido em tempo real no interior do pavilhão, e você fica lá, vendo a natureza, de olho fechado, dormindo, ouvindo a terra respirar. Adeus.

  9. The Murder of Crows, Janet Cardiff & George Bures Miller:

    a gente entrou na galeria e o moço falou “ainda não está funcionando, mas pode esperar lá dentro”. Entramos, só eu e o boy, e ficamos sentados no meio de uma salona enorme, rodeada por caixas de som. Começamos a ouvir uns cochichos, umas tossidinhas, umas vozes ao fundo – pra mim, elas estavam vindo da sala ao lado. E daí começou: uma cantoria incrível (também conhecida como um canto polifônico medieval desgurpa), vinda daquelas caixas, com o detalhe de que cada uma delas era a gravação de uma voz diferente. Lá do meio, você ouvia tudo reverberando muito, de deixar arrepiado e, ao andar pelas caixas, podia prestar atenção em cada “pessoinha” específica. Incrível!

  10. Ttéia 1C, Lygia Pape:

    fios e feixes de luz, ilusão de ótica, arquitetura incrível. Foi a primeira obra que vimos e inaugurou com chave de ouro a visita.

Além das galerias, a natureza é realmente um clichezão da porra e uma obra de arte a parte. Mesmo. Além de cada caminhada permitir que você conheça milhares de prantinhas diferentes – ah, e tem esquilos E macaquinhos, eu quase morri! – o “acervo botânico” é muito bem cuidado, com indicações de cada espécie, além dos jardins temáticos maravilhosos, com focos diferentes: bromélias, palmeiras e o nosso preferido absoluto, um jardim inspirado nos jardins mexicanos, cheio de cactos e suculentas gigantes!

Algumas dicas finais que ficaram perdidas por aqui:

  1. O instituto sugere roteiros de visitação, divididos em três eixos: roxo, amarelo e laranja. Nós optamos por fazer o laranja no primeiro dia, pois parecia o mais extenso, e deixamos o roxo e amarelo para o segundo dia – apesar de maior e com mais atrações, era mais “condensado”.
  2. Restaurante Tamboril: falei lá em cima que tudo é bem caro, e é, mas o restaurante Tamboril é uma delícia! O esquema é buffet pelo salgaaaado preço de R$ 70 por pessoa, mas com opções deliciosas, milhares de alternativas pros vegetarianos, serviço ótimo, tudo impecável. Se tiver com uns golpinhos sobrando, recomendo!
  3. Peloamordadeusalevem água, protetor solar e confiram a previsão do tempo – não façam como a sua amiguinha que achou que o tempo estaria igual ao de São Paulo e levou apenas uma calça de veludo, ok?

A última recomendação é: vão. Vão de carrinho ou sem carrinho, de BH ou de Brumadinho, de calça de veludo ou shortinho da Anira, não importa: vão. Todo mundo deveria poder conhecer esse lugar <3